numero 253
04/05/10
27º Inter Blogs – Nana do Manga com Pimenta
Este Inter Blogs (quer saber o que é?) começou como os outros.
Entrei em contato com a Nana que naquele tempo (26/01/09 ), tinha um blog chamado Manga com Pimenta. Hoje, este blog se tornou um site (e dos bons) com ótimas informações e praticamente de utilidade pública.

Ela tinha combinado que faria um menu baseado nas receitas da Ofélia. A Nana, inclusive, sempre foi uma grande admiradora dela.

Só que neste intervalo de tempo,a Nana foi contatada pelo responsável pela utilização da marca “Ofélia” e ela decidiu parar as suas experiências particulares com as reproduções das receitas dessa saudosa culinarista.

Resultado: a Nana mudou o foco das receitas e foi melhor pra nós, pois num arroubo de criatividade, nos brindou com receitas das vovós.
Receitas simples, saborosas e que certamente entrariam em qualquer lista de memórias gastronômicas.
E tem mais. São receitas com sustância, aquelas que as vovós faziam e que comíamos muito. Mas muito mesmo e com vontade!!

Portanto, é com enorme prazer que anuncio o 27º Inter Blogs (e consequente capítulo do nosso livro) com a cozinha caseira das receitas de antigamente. Perceba,no canto da foto, que tivemos presenças importantes!

Avanti, Nana!

PS – O texto que ela me mandou ficou tão legal que vou transcrevê-lo integralmente por aqui e me limitarei a comentar alguma coisa. Estes comentários e tudo o que eu escrevi estarão grafados em vermelho.

Inciamos o jantar com um belo aquecimento: rabos de galo!

Não é comida de avó, mas muito vovô bebia!!Vamos, então, a saborosa (literalmente) matéria da Nana:
Edu vamos lá, aproveitar que hoje a minha noite está calma. rs
Bem, entradas:
Eu pensei nas famosas batatinhas bolinhas de casamento, receita de família. É colocar dois litros de água na panela para ferver. Normalmente eu uso 1 quilo de batatinha bolinha aqui em casa; dá para 4 pessoas comerem e serem felizes! (Fiz exatamente igual! E fomos bastantes felizes)

Lavo as batatas, furo com a faca e coloco na água já fervendo. Sal é a gosto, mas eu coloco um bom punhado (não recomendável para quem tem pressão alta). (Graças a Deus, ninguém tem pressão alta por aqui!)
Depois adiciono o vinagre de vinho branco, se for usar medidas, em torno de 50 a 100 ml, mas vó que é vó coloca tudo no olho (até parece que eu sou avó. hahaha. Nem mãe eu sou ainda). (Nem nós também. A Re disse que não estava nos planos imediatos dela. Muito menos nos da Dé. Ufa! rs)

Mas vamos ser sinceros? Esse é o segredinhoo da vovó 🙂 Depois que as batatas estiverem cozidas, você pode adicionar aquelas cebolinhas pequenas e salsinha. (Eu facilitei um pouco e coloquei aquelas cebolinhas em conserva. Desculpe, vovós!)

Deixe cozinhando até as cebolas ficarem transparentes e coloque em um pote com tampa, espere esfriar e geladeira para o dia seguinte. Claro que vó sempre faz salada de alface, com tomate, ervilhas e palmitos para acompanhar as batatinhas (ou caso contrário, depende da clientela da sua casa). (Ô, se fiz !)

Mas você pode servir também sem. (Cá pra nós. Não dá pra servir umas temperadas batatas-bolinhas sem uma bela salada da Nona!! E o prato ficou lindo e gostoso. Todo mundo disse que pararia por aqui.)

É claro que era mentira pois a carne estava cheirando muito bem. Por que será que comida de vó cheira tão bem?
Vinho? A ocasião merecia um belo espumante. E italiano, pra corporativar o óbvio. Um Prosecco Carpenè Malvolti que foi “ fresquíssimo, ritapavonesco, pinnodonnaggiano, vittoriogassmeso” segundo os netinhos queridos da vovó, nós mesmos.

Agora, o prato principal:
Eu tenho medo de errar na combinação, mas era isso que tinha na casa da avó, você terá que deixar o lado gourmet “xisque” de ser para outra blogueira ou blogueiro rs (Achamos muito original a tua indicação. Além de formar um menu, porque não dizer, chiquérrimo!!)
r
Porque vó que é vó quer os netos bem alimentados. hahaha
Arroz de forno: faz o arroz do seu modo (até porque, eu fugi dessa aula no curso de gastronomia e eu não gosto de arroz, mas esse prato eu amo). ( O arroz estava na geladeira e foi feito com antecedência pela Flora.)

Adiciona molho de tomate (vovó fazia assim: refogava 1 cebola e 3 dentes de alhos, adicionava um pouco de água, cortava cinco tomates na metade, tirava os olhos do tomate, colocava na panela, tampava e esperava 5 minutos. Tirava a pele, esmagava o tomate com o garfo, deixava ele cozinhando durante alguns minutos, adicionava um copo de água e colocava quatro colheres de sopa de extrato de tomate para o molho ficar bem vermelhinho. (Veja como o meu molho também ficou.)

Deixava cozinhando por dez minutos – mas quando ela não tinha paciência, era molho de tomate pronto mesmo), uma lata de ervilha, uma lata de milho, azeitonas e misturava. (Como não sou a vovó, coloquei uma bela lata de tomate pelado italiano no lugar de tudo isso!)

Como a salada já tem palmito, deixei de fora, mas ela colocava também. Depois colocava um pouco de arroz na travessa, queijo mussarela e presunto. Novamente arroz, queijo e presunto, até chegar na ultima camada de arroz, finalizando com queijo mussarela. (Só mudei o formato pois fiz o arroz de forno em forminhas e finalizei com um pouco de Parmeggiano Reggiano.)

Ia para o forno durante alguns minutos (eu deixo uns vinte minutos, sem pré-aquecer o forno) e servia. (E acabei montando num formato até bacana, né não?)

Carne Assada: esse também você fará na véspera, ela comprava uma peça inteira (acho que era colchão duro ou fraldinha, não lembro, mas é carne para assar) (lagarto na mão!), pegava papel alumínio, adicionava sal, alho picado e vinho tinto (aqueles tipo sangue de boi, também na quantidade que ela achava que estava bom, mas esse vou deixar para você combinar). (Sem chance de usar Sangue de Boá por aqui!! rs)

Fechava o papel alumínio e deixava na geladeira para assar no dia seguinte. Uma coisa que ela fazia, mas falam que não é bom (bem, eu aprendi isso no curso), que é furar a carne; e ela normalmente furava e colocava esse tempero nesses buracos da carne. (Essa eu segui e furei!! Me desculpem os puristas!)
Olha, eu nunca achei a carne dela ressecada. (E esta também não ficou. Pelo contrário!)

No dia seguinte, ela pegava uma faca e furava ao meio da peça (em horizontal) e nesse furo ela colocava uma cenoura ou lingüiça calabresa, sinceramente? (Sinceramente? Coloquei a linguiça (ôpa!) e a carne ficou com uma cara de galantine.)

Com lingüiça calabresa fica mais gostoso. (Olha, ficou demais!! Faça em casa!)
Outras vezes, nos buracos (que ela fazia no dia anterior), ela aprofundava mais e adicionava azeitonas sem caroço. (Esta eu não fiz. Ainda não consigo gostar muito de azeitona. É uma falha, eu sei!!)

Ela assava primeiro a carne no papel alumínio fechado durante duas horas e depois abria o papel (não tirava para não sujar a forma), deixando a carne dourar durante meia hora a uma hora (sempre regando com o molho que a carne soltava). (E este molho além de ser uma delícia, é extremamente fotogênico. A Dé adorou. A fotogenia, claro.)

Veja que beleza!!

E belo também foi o vinho tinto Elegance de Lesparre Bordeaux 2004 que disse “ maresia, decadence avec…, vovó diet, rabodegalesco” aos netinhos que tomam vinho na mamadeira desde criancinhas.

Sobremesa: sagu com vinho
Bem, nada de anormal, mas como você usou vinho (Sangue de Boi rs) na carne, aproveita o vinho para fazer sagu. (Não usei o Sangue de Boá mesmo!! rs)
A receita é uma 1 xícara de sagu, 4 xícaras de água, 3 xícaras de vinho tinto, 1 xícara de açúcar, 1 pau de canela e 4 cravos da índia. Você vai colocar a água para ferver em uma panela, quando estiver fervendo, coloque o sagu e cozinhe em fogo baixo (normalmente é 30 min). Mexer sempre para não grudar no fundo da panela. (Tem que tomar cuidado pro sagu não grudar!)

Em outra panela, coloque o vinho, cravo e canela, ferva durante 10 minutos, despeje a mistura do vinho na panela de sagu e cozinhe até as bolinhas ficarem transparentes (sempre mexendo). Veja se não precisará de mais água, caso sim, coloque água fervente também para não quebrar o cozimento do doce. Quando estiver cozido, acrescente o açúcar, ferva por um minuto, retire do fogo, deixe esfriar e coloque na geladeira. (Cuidado. Não se esqueça que sagu é … sagu! rs)

Faça também no dia anterior desse banquete, já que esse doce é muitoooo bom no dia seguinte bem gelado. Essa eu falhei. (Fiz no mesmo dia, mas ficou gostoso demais.)

Meu Deus, senti que esse banquete será hiper kitsch, então já sabem, a decoração tem que ser super carregada hahaha com direito a jarra de suco em formatos de frutas. (Nana, não foi não. A Dé repaginou tudo e deixou a mesa com cara daquelas vovós bem modernosas!! rs)

Ahhh um suco de abacaxi vai bem né? (Até iria, mas optamos por beber vinho até o final desta agradabílissima noite.)

Para completar o circulo kitsch total rs (E fica uma reflexão. O que é exatamente kitsch? O que é comida confortável? O que é comida com memória?)
Espero que gostem, por favor, veja se existe dúvida. (Nana, não só gostamos, como além disso curtimos muito o envolvimento, pois conversamos muito sobre os sabores de antigamente e como as pessoas ganhavam em qualidade de vida ao se sentarem e comerem tranquilamente sem nenhuma traquitana eletrônica pra atrapalhar.)

Já que é comidinha de vó e nem os livros antigos as quantidades são exatas. (É isto mesmo: a comida inexata das vovós tem uma exatidão. A de nos deixar sempre pensando em como seria bom ter aquele tempo que não volta mais, de volta. E nesta noite, Nana, além de uma big refeição, você nos fez voltar a tempos de outrora! Coloca o LP (?!)do Francisco Petrônio na vitrola).

Gratíssimo mais uma vez e seguem as nossas flores virtuais que só poderiam ser rosas vermelhas.

Ah! A opinião dos netinhos mimados:
Comida saborosa e com lembranças. Ma che Ofélia, que nada! (Edu)
O importante é que emoções eu vivi. (Mingão)
Lembranças revividas, deliciosamente. (Déo)

Bjss. (Pra você também).
Nana, Manga com Pimenta.
PS – Os Inter Blogs continuam no final de maio com o menu praiano da Débora e do Fernando do Brincando de Chef. Eles irão degustá-lo ao vivo, em cores e na areia do DCPV, aqui em Ferraz de Vasconcelos.
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