Hoje atingi a metade. Quero muito acreditar nisso. Os genes da família pendem dessa forma, prolongando a esperança, mas os tempos e as vidas são outros. A alimentação difera das sopas de couve da minha avó. Agora não se come carne só nos dias de festa. Existem tantos fatores que nos são alheios e um deles é a sorte. Esta dita muitas vezes o nosso percurso. E, a falta dela, os desvios. Os quarenta são também sinónimo da intensificaçåo dos check up na saúde. Tudo se receia daqui em diante porque isto de se atingir a metade traz consigo uma curva descendente que culmina no pleonástico final countdown. Não sou pessimista. Sou realista. E tento tirar o máximo de partido dos dias e das noites. Gosto de esgotá-los. Dormir é infelizmente uma necessária perda de tempo. Sempre o foi para mim.
Há dias, achei graça a uma publicação de uma amiga que dizia que os trinta representam degraus de sabedoria. Pedi então que descrevesse os quarenta. Outra amiga retorquia então que nos quarenta os degraus são de omnisciência. Ela sabe do que fala. E isto destrói por completo a minha anterior teoria de que daqui para lá é sempre a descer. A vida é uma completa antíntese. Quando estamos no auge da juventude e do vigor não temos o descernimento para acordarmos cedo e abraçarmos a vida. Mais tarde, poderão existir mais uns trocos mas de que valem se não compram juventude (plásticas à parte, claro) nem vigor. E este marco dos 40 desperta em mim a vontade de viver um dia de cada vez mas também de recheá- lo com listas e mais listas de propósitos, de sonhos, porque se já vivi muito e ainda falta outro tanto existe ainda um mar de emoções e de concretizações ao meu alcance. Que assim seja.
O bolo foi confecionado pela Paula, uma amiga especialista nestas artes. Os quarenta mereceram um bolo muito especial.
Happy Birthday to me!






















