As crianças mais novinhas sentem muita necessidade de falar, de contar coisas, mesmo sobre assuntos que para nós, adultos, são insignificantes. Coisas do tipo: A minha amiga Beatriz hoje levou para a escola uma Polly com roupinhas mesmo giras, mas o P. escondeu algumas na caixa dos lápis de cor e a Beatriz começou a chorar muito. Tive pena dela e eu a Inês, a Matilde e a Raquel fomos todas procurar as roupas pela sala.
A minha filha, de cinco anos, conta-nos tudo o que se passa na escola: as atividades que fizeram, os livros que “leram”, as novas palavras de inglês que aprenderam com o professor Mário, o menino que disse um palavrão, a menina que levou um ralhete da professora por ter trocado todos os casacos e as mochilas nos cabides, o colega que chorou porque lhe caiu um dente e teve de lidar com a dor da perda e o horror do papel ensanguentado. Enfim, a viagem da escola para casa é composta por uma mãe ou pai atento e uma filha tagarela.
Nesta ordem de ideias, e depois do que a educadora outro dia me disse, comecei a presumir que o inverso também acontecia: que o que se passava de significativo em casa também chegava em primeira mão à escola. Assim aconteceu com a história dos lollipops.
Já há tempos que a minha filha insistia em fazermos lollipops. No último fim de semana arregaçámos as mangas, pusemos os aventais, preparámos a bancada com todos os ingredientes necessários e equacionámos uns lollipops de chocolate branco repletos de pó de fada, isto é, decorados com missangas e serpentinas de açúcar coloridas.



Em conversa com a educadora da minha filha, voluntariei-me para fazer com os meninos e meninas da sala dela uma oficina de lollipops durante a tarde da passada quinta-feira. A educadora entende ser muito importante a participação dos encarregados de educação e dos avós através de diferentes iniciativas. Este ano, as atividades passaram pela leitura, pela ciência e pela culinária e foram dinamizadas com a intervenção dos pais.
Preparei os ingredientes e os utensílios necessários e quando dei por mim estava de avental com 14 crianças prontas para se transformarem em ajudantes de cozinha.
Partiram o chocolate aos pedacinhos, colocaram a taça com o chocolate no micro-ondas, mexeram o chocolate com uma colher até ficar sem grumos, estenderam o papel vegetal nos tabuleiros, estenderam os pauzinhos, fizeram círculos com o chocolate e decoraram de forma personalizada cada um dos lollilops. Não tardou muito e transformaram-se em crianças ainda mais felizes porque besuntadas de chocolate.


Depois de devidamente identificados, os lollipops foram colocados no frigorífico para que o chocolate voltasse a solidificar.


Durante a oficina, a educadora aproveitou algumas tabletes de chocolate para trabalhar noções de matemática através da contagem dos quadradinhos e da distribuição destes em grupos. Aproveitou também para rever, através da transformação do chocolate após sair do micro-ondas, os estados físicos da matéria: sólido, líquido e gasoso.
Como durante todo o ano letivo foram feitas diversas abordagens à escrita, alguns alunos da sala com apenas cinco anos já sabem escrever, à sua maneira claro.
Para mim, o momento alto da oficina foi ver meninos e meninas tão pequeninos a escreverem, no quadro da sala, a receita dos lollipops.
Deliciem-se!


Ingredientes para 14 a 16 lollipops
500g de chocolate branco
missangas de açúcar coloridas
missangas de chocolate
corações de açúcar
M&M
paus de madeira
folhas de papel vegetal
Preparação
1. Forrámos tabuleiros com papel vegetal;
2. Colocámos em duas taças o chocolate partido em pedaços;
3. Colocámos as taças no microondas, na potência máxima, por períodos de 30 segundos, até o chocolate estar completamente derretido e com um aspecto brilhante, mexendo sempre entre cada rotação (nunca fazer de uma só vez pois podemos alterar a consistência do chocolate); quem preferir. Em vez do microondas poderão derretê-lo em banho-maria;
4. Dispusemos os paus de madeira nos tabuleiros e, com uma colher de sopa, espalhámos por cima, tentando desenhar um círculo;
5. Decorámos com missangas e serpentinas de açúcar coloridas;
6. Levámos ao frigorífico cerca de 60 minutos para solidificar.
&
Ainda houve tempo para derreter chocolate de leite e para saboreá-lo com morangos biológicos bem docinhos.



