8.12.18

George Orwell

2018

Crônica diária

Jan Op De Beeck e Turcios

Ainda sobre caricaturas tenho uma longa história com este famoso belga e mestre na arte. Em 2011 fiz uma caricatura dele e por certo não agradou. Não houve nenhuma manifestação. Era minimalista e com muita economia de traços. Como coleciono e tenho dezena delas feitas pelos melhores do mundo, esperava poder ter algum retorno, mesmo que não fosse uma caricatura minha, como é comum entre artista desse gênero. É comum, mas não regra, muito pelo contrário, houve caso de cobrarem, pelas deles, e outros de ficarem ofendidos com as caricaturas que fiz. É a velha história de "casa de ferreiro espeto de pau". Mas não desisti de provocar o belga, e em 2017 mandei outra. Não lembro de ter tido alguma manifestação. Em 2018 voltei a relembra-lo das duas anteriores e pela primeira vez comentou: "grande progresso". A primeira era minimalista e a segunda tradicional.  E nem me recordava de uma terceira também de 2017 que faz parte do arquivo do artista. Diante da sua manifestação perguntei se haveria a possibilidade de eu ter um trabalho dele. Prontamente respondeu que sim, e que eu escolhesse a técnica pois dependendo de cada uma, o preço variava. Foi direto e claro. Escolhi uma aparentemente simples, em preto e branco, e nunca mais obtive resposta. Mas dois dias depois, o também famoso Turcios, colombiano residente na Espanha, me retribui com uma linda caricatura que havia prometido à  exatos doze meses. O Jan faz caricaturas  tradicionais, enquanto o Turcios é absolutamente original, mesclando traços animais nos caricaturados. Portanto, ainda resta  esperança do Jan, um dia se manifestar. 
                  Jan Op De Beeck 2011                  2017                                         2017
                                 Turcios 2017 feita por mim, e a sua retribuição em 2018

7.12.18

Maria Cecília M. Machado

Como pude deixar de fazer minhas homenagens à querida amiga Maria Cecilia? Este blog se propõe a fazer aquilo que os nomes de rua e praças fazem depois que as pessoas morrem. Quero que saibam o que penso delas, em vida. Não foi o caso da Maria Cecilia. Acho que sempre acreditei que ela fosse eterna. Sua alegria pela vida, sua generosidade com as pessoas, seu sotaque carioca, sua cabeça de paulista, seu desprendimento e beleza eram notórios e contagiantes. Tivemos alguns anos de vida muito juntos, viajamos e demos boas risadas. O que é melhor nesta vida do que isso? Como prova de amor e desprendimento costumo contar que recebi dela como presente uma outra Maria que foi minha cozinheira durante anos. Só saiu de casa para casar. Muito tempo depois encontro as duas, novamente juntas, numa visita que fiz à Maria Cecilia que havia sido operada. Muito antes da dramática doença que a matou. Nesse dia, no hospital, as duas riam ao me verem. Lembravam do tempo que a Maria era minha cozinheira, mas quem de fato comandava a cozinha era sua antiga patroa. A Maria propriamente nunca soube cozinhar. E eu só soube disso naquela visita no hospital. Maria Cecília era assim, divertidíssima. Empresária competente, otimista no mais negro dos cenários econômicos por que passamos. Batalhadora e de mil histórias impagáveis. Desde a do seu casamento com um grego filho de um grande armador, e sua separação com a roupa do corpo. Ou as inúmeras histórias de ex-maridos que não deixavam de procura-la quando vinham a São Paulo. Um deles, carioca, estava sendo importuno e ela aconselhou-se com uma amiga experiente. O que faço para ele para de se hospedar no meu apartamento? A amiga disse: "Peça a ele um Rolex de ouro, já que nunca te deu um presente". Ela fez isso, e ele nunca mais apareceu. Dois dias depois da morte, só hoje 07 de Dezembro de 2018 soube da notícia. Entrei no Google atrás  de uma imagem da amiga. Minha surpresa: encontrei só três fotos. Uma dela com as lindas bolsas de palha. Um retrato em papel feito por mim, e uma caricatura que fiz dela. É tudo que guardo com muito carinho da minha saudosíssima amiga. Lamento não ter escrito tudo isso antes. Mas suponho que sempre achei que ela era eterna. E sua memória é.

PS- Este texto foi escrito e postado hoje no meu blog 1.Blog.a+  
      É um blog onde rendo minhas homenagens aos AMIGOS em vida.

Manuel Bandeira

2018

Crônica diária

O escritor do futuro em três partes, e um  "post scriptum"      

1º Interessante matéria assinada por David Streitfeld sobre o escritor americano Robin Sloan a respeito da inteligência artificial que começa a auxiliar no trabalho de escrita. Sloan já utiliza um software para completar frases. Muitas vezes com uma sugestão inesperada e muito criativa. Sloan é autor do livro "A livraria 24 horas do Mr.Penumbra", editora Novo Conceito. Vou procurar conhecer. O fato é que ele acredita que "O que esta  vindo por aí vai fazer isso aqui parecer rádio de galena de um século atrás."

2º Talvez a maioria dos meus leitores nem saibam o que é um rádio de galena. Como sou um sobrevivente do século passado, quando tinha uns doze ou quinze anos comprei um curso de eletrônica, por correspondência, para montar um rádio de galena. Esse era o precursor do ensino a distância.

3º Cada dia fico mais apaixonado por nome longos para livros. Por que será? Contraria  todas as boas regras de mercado. Esse por exemplo: "A livraria 24 horas do Mr. Penumbra" é lindo e inesquecível. Claro que o título tem que ter conexão direta com o tema. No caso presente, ainda não li o livro, que já comprei, mas sei que se trata exatamente disso: um rapaz que trabalha numa livraria onde os frequentadores se reúnem no fundo da loja, na penumbra, para lerem um livro secreto. Meus livros tem sempre nomes curtos. De preferência uma só palavra. Mas estou namorando um título bem longo para depois do "Nono", que ainda nem foi escrito. Antes do "Nono" virão o "Oitavo" em andamento, antecedido por "Cronicante" que por sua vez sucederá ao "Pretextos", todos concluídos. Como são de crônicas podem ser batizados independente do assunto tratado. Mas estou pensando num título para uma das crônicas, tão longo quanto ela. Ela, na verdade, seria uma redundância. Mas não espalhem a minha ideia.

PS- Olavo de Carvalho nominou seu livro de "O Mínimo que você deveria Saber para não Ser um Idiota". Um bom nome.  

6.12.18

Mario de Andrade

2018

Crônica diária



Conversa de velhinhos

Ao ler um comentário do meu querido amigo da cidade do Porto, João Menéres, escrevi uma resposta e me dei conta de que estamos muito velhos. Ele, para fazer um elogio às minhas palmeiras imperiais, e as esculturas do jardim da Piacaba, escreveu:

"Se a minha vida fosse eterna, eu estaria aí, Eduardo !
Admirava os reflexos das palmeiras e apreciaria tudo quanto o meu amigo fez"

Respodi: "João, não sei como poderia te agradecer, uma vez que a minha, tenho certeza, não é eterna. Aliás é a única certeza absoluta que tenho."

Nunca pensei chegar à minha idade. Fiz à vinte dias 75, e o João tem dez mais do que eu. É uma conversa de velhinhos.
PS- Caricatura do João de 2009, e minha de 2011 por Maria Tomaselli, apenas ilustrativa do texto.

5.12.18

Garcia Márquez

2018

Crônica diária



"Complexo de Portnoy" e outros clichês judaicos

Nesta quarta ou quinta tentativa de concluir a leitura do mais famoso romance do escritor americano Philip Roth, "Complexo de Portnoy" não dude deixar de lembrar de um documentário sobre o diretor, roteirista, ator e músico Woody Allen. Uma das cenas do filme era na sala da casa dos pais, onde a mãe, o pai e ele conversavam ao lado de uma cristaleira repleta de troféus do filho. A conversa entre a mãe e Woody deixava claro que a matriarca judia era a líder da família. O pai pouco palpitava. A tônica da conversa era o fato de que eles nunca apoiaram a carreira do filho, que o pai desejava que fosse farmacêutico. Certamente milhares de filhos judeus se parecem com o personagem Portnoy, mas nenhum mais do que Woody Allen.

PS- A caricatura do Wood Allen, meramente ilustrativa, é do autor da crônica.

4.12.18

Jorge Amado

2018

Crônica diária



Cultura e Arte sem ideologia

Escrevi sobre algumas crônicas do Heitor Cony, e recebi comentários desairosos referindo-se ao escritor por ter se beneficiado de indenização por ter sido vítima do regime militar. Eu concordo que esse benefício é uma vergonha. Mas não descrimino um bom escritor socialista de um bom escritor liberal ou de direita quando fazem boa literatura. Como não descrimino uma pintura ou obra de arte só porque o autor é de direita ou de esquerda. Arte e cultura (literatura, música, arquitetura) quando não engajada, e não faz proselitismo, não me importa o gênero, religião, credo, ou ideologia do artista. Não me importa que o bailarino seja gay, que o violinista seja homossexual. Importa sua arte, e ponto. Se fosse para descriminar autores pelas suas ideologias ninguém poderia ler Marx se não fosse marxista. Como ninguém nasce marxista é preciso lê-lo para segui-lo, ou combater suas ideias. Seria crime ou pecado mortal um comunista ler o Olavo de Carvalho. Como combater suas ideias sem conhece-las?  

PS- A título de ilustração, a caricatura do Cony é do autor do texto.

3.12.18

Italia - Chianti

2012

John Updike

2018

Crônica diária

"Contos do Sol Renascente" - André Kondo

Ouvi falar do André antes de conhecer sua obra. Foi o escritor Roberto Klotz, agitador cultural em Brasília, quem mencionou o André como escritor e editor do livro do Éder Rodrigues de quem já falei. Ao adquirir o livro do Éder, por uma gentileza do editor, veio seu livro de contos. Literatura singela e destinada ao publico jovem. Contos calcados nas tradições e arte japonesa. O lirismo e beleza oriental em toda sua potência, delicadeza e forma. Lá estão as pétalas das flores da primavera, os samurais, os monges, e mil tradições, lendas e folclore japonês. O André transpõe para a literatura sua alma. 

2.12.18

Mario Vargas Llosa

2018

Crônica diária

 Philip Roth - "Quando ela era boa"

Um dos maiores escritores norte americanos deste século foi sem nenhuma dúvida Philip Roth, falecido em maio deste ano com 85 anos. Um mês antes de sua morte publiquei uma resenha do seu livro "Diário de uma ilusão". Antes havia lido "A Marca Humana", e "O professor do desejo" que resenhei em 2013. Hoje faço alguns comentários sobre "Quando ela era boa" de 1967, só lançado no Brasil este ano. Um escritor com mais de trinta livros entre os melhores e mais vendidos no mundo, neste  mostra toda sua maestria, sua capacidade de prender o leitor pela forma literária e maneira de contar uma história. No caso a vida de dois jovenzinhos típicos de classe média baixa americana, numa cidadezinha do Meio-Oeste Americano na década de 1940, e sem nenhuma conotação com judeus, que foi tema recorrente de toda sua obra. Como ninguém soube descrever a família urbana judia com a mãe como centro moral. Ao longo da carreira ampliou o foco para incluir não somente as idiossincrasias como os charlatões do aborto e o incesto. Neste romance a família não é judia e chega até a abordar alguns aspectos do catolicismo. Uma história banal, com personagens magnificamente construidos, o único em sua obra com uma protagonista mulher, narrado de tal forma que leva o leitor a não querer deixar a leitura  até a ultima palavra da ultima página. É um daqueles livros que se economiza a leitura para que ela não acabe.No meu caso tenho ainda que ler "O complexo de Portnoy" de 1970, seu mais famoso romance, que ainda não terminei. 

Crônica do Alvaro Abreu

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Antes que seja tarde

Sempre achei que pudesse existir algo em comum entre duas decisões ousadas: a de construir um restaurante panorâmico giratório, no alto de um edifício em lugar sem qualquer charme urbano e com campo visual muito limitado, e a de edificar um conjunto formado por duas construções enormes, um museu e um teatro, na beira do canal. Dá para supor que à imaginação de uns poucos dirigentes se juntaram a força dos egos e a vontade de deixar marcas na paisagem da cidade.

Pelo que sei, a direção da FINDES deu por encerrado um longo período de aborrecimentos e constrangimentos gerados por uma estranha aranha de aço, visível de longe, e decidiu remodelar o espaço para abrigar usos mais compatíveis com as finalidades da instituição. Em breve ele estará sendo usado por quem trabalha com tecnologia e inovação, o que é muito bom.

Nada sei sobre as movimentações que culminaram na decisão de construir o chamado Cais das Artes. Hoje, ao término de mais um mandato do governador que achou por bem edificar aquela obra monumental com o propósito de incluir Vitória no circuito mundial das artes, fico pensando no destino daqueles esqueletos, agora sem pai nem mãe, expostos ao tempo e à maresia em época de vacas magras. Já apareceu quem defenda enfaticamente a sua demolição, e quem, em reação, tenha abraçado o tapume da obra.

Pois eu diria que é mais do que urgente conseguir que o Cais das Artes seja visto pelos capixabas como um poderoso instrumento de desenvolvimento das pessoas que vivem aqui. Só assim, apropriado pela população como um trunfo, seriam plenamente justificáveis os investimentos realizados e as verbas colossais para fazê-lo funcionar regularmente, quando pronto. Nessa rota, é oportuno começar juntando as melhores competências disponíveis, aqui e alhures, para, livre de interesses rasteiros, megalomanias e atitudes ideológicas, formular uma agenda de ocupação e uso plural, inovadora e consistente, voltada prioritariamente para as nossas crianças, adolescentes e recém-adultos, a ser implementada de forma progressiva.


Vitória, 28 de novembro de 2018
Alvaro Abreu
Escrita para A GAZETA

1.12.18

Olavo Moraes Barros Neto e a Montanha nº 30

Olavo Moraes Barros Neto deixou um novo comentário sobre a sua postagem "MONTANHA nº 30":

Hoje li em um dos "almanaques do cotidiano" que na idade do "por do sol" até a sexualidade passa a ser intelectualizada.
Belo exemplo constatei em sua sensível escultura "montanha n*30".
O imaginário voou alto; via em chamas o "pão de açúcar" por um inédito ângulo, pelo mar alto, ao largo das cagarras.
A cidade pecado pegava fogo e eu de longe, inerte assistindo.
Passado o torpor, refeito, ou quase, do primeiro impacto voltei a contemplação. Via agora duas coxas, douradas pelo sol, se espremendo. Dobrei a cabeça a direita e obliquamente dou de cara com a saudade de outros devaneios. observo o contorno de um largo e sensual quadril.
( Depois o meu querido Olavo não entende porque chamo-o de "barroco". )

Nelson Rodrigues

2018

Crônica diária

Você sabe o que é hashtag?

É quase certo que já tenha ouvido falar dela, ou até usado nas redes sociais sem saber exatamente para que servem. As hashtag são palavras-chave antecedidas pela cerquilha, símbolo também conhecido no Brasil como jogo da velha. E para que serve uma hashtag? Hoje usada por quase todas as redes sociais serve como busca da palavra-chave. Ao colocar uma cerquilha junto (sem espaço) à palavra-chave, você estará agregando-a ao universo de pesquisa dessa rede. A maioria das pessoas que usam, não sabem porque estão usando. Compartilham como o efeito manada. Vão na onda. #crônicadiária

30.11.18

Gertrudes Stein

Musa do Picasso. 2018
( Em resposta à pergunta do escritor Alvaro Abreu, se eu tinha medo de caricaturar mulheres. É bem verdade que essa não era bem "uma mulher". As feministas me odeiam).

Crônica diária

As frases do momento

Meus leitores já perceberam como gosto das palavras, que são as principais ferramentas do escritor,  e presto especial atenção às frases do momento. A todo instante mudam. Em outubro passado, mês das ultimas eleições, e do final do campeonato brasileiro de futebol duas expressões dominaram os noticiários no rádio, na TV e mídia impressa. "Dois ou três pontos percentuais para mais ou para menos" nas pesquisas eleitorais. Não aguentava mais ouvir isso. E "lutando contra o rebaixamento", no caso do futebol. Outra frase que infestou as noticias esportivas. Passada essa fase eleitoral e do campeonato de futebol, as expressões também mudam. E serão repetidas à exaustão. E como disse o Luis Fernando Veríssimo: "O mundo da muitas voltas. Pode me citar" eu vou parodia-lo escrevendo a minha frase: "Assim caminha a humanidade. Pode me citar". Essa frase era o título de um dos melhor filme que assisti  na vida. Um rancheiro milionário do Texas, Bick Benedict (Rock Hudson)),volta para casa de uma viagem com sua nova namorada, a refinada Leslie Lynnton (Elizabeth Taylor). Bick e Leslie se casam, mas ela não se entende muito bem com a irmã de seu novo marido e ao mesmo tempo, ganha a admiração do jovem ambicioso Jett Rink (James Dean). Ao longo dos anos, cresce a rivalidade entre Bick e Jett e a sorte de todos está prestes a mudar. Lançado em 1956 com direção de George Stevens.

29.11.18

Os quatro mosqueteiros da crônica brasileira

 Rubem Braga, Paulo Mendes da Costa, Fernando Sabino, Antonio Maria (Caricaturas de 2018)

Crônica diária

Cuidado com os exageros


Esta crônica foi escrita em 18 de Outubro, dez dias antes do pleito que elegeu o Bolsonaro Presidente do Brasil. Resolvi só publica-la hoje, passados trinta dias da eleição, para que não tivesse conotação eleitoral. Como eleitor do candidato vitorioso, tenho tranquilidade para fazer os comentários que se seguem. É bem verdade que só aderi à campanha para derrotar o PT. Mas vamos ao que interessa. No dia 17 de Outubro lancei um novo livro intitulado "Intimidades crônicas", em cuja capa aparece um desenho do artista plástico americano  Ryan Michael, que usei pela primeira vez no meu blog Varal de Ideias em 2012. No desenho aparece u´a moça segurando a saia acima da cabeça. Um desenho plasticamente bonito, ingênuo e puro. Muito menos sensual do que a famosa cena da Marilyn Monroe no filme "O pecado mora ao lado" (1955), quando um vento dos exaustores do metrô levanta sua saia. Mas enfim, o desenho nada tem de pornográfico ou coisa parecida. Uma eleitora do Bolsonaro faz o seguinte  comentário sobre a capa: "AM ´Faz parte do futuro Kit Gay ?" Referia-se aos livros que o PT pretendia distribuir nas escolas infantis. Motivo de grande polêmica na campanha, e alvo de críticas do Bolsonaro. É por essa razão que a esquerda chama a direita de conservadora, retrógrada, e se auto denomina progressista. É por visões absurdas como as da minha leitora, que os intelectuais e artistas, em sua maioria, apoiam os socialistas. É preciso não exagerar no reacionarismo caipira e atrasado, para não contaminar um projeto de governo democrático e liberal. Espero que agora, depois de eleito, o Presidente Bolsonaro modere seu discurso, que daqui para frente, vencidas as eleições, só servirá para inflamar os radicais de direita. Eles confundem arte com libertinagem. E a esquerda, na oposição, deve por cautela, não provocar os conservadores e adeptos dessas seitas e religiões que apoiam o presidente eleito. A esquerda através  dos governos do PT esticou a corda muito para a estrema. É saudável que se reverta essa posição para o centro, de onde nunca deveria ter saído. Mas é importante não descambar para uma direita radical, tão inconveniente quanto a estrema esquerda. É preciso ter cuidado com os exageros. 

PS- Esta semana outro leitor chamou meu livro, sem ter lido, só pela foto da capa, de "lixo".

Aspidistras


Um ano depois meu vaso com Aspidistra pintadinha mais do que triplicou de tamanho e quantidade.

 16/08/2017 minhas primeiras mudas de Aspidistras em SP

28.11.18

Rua Geremia Lunardelli

Na vila Sonia, na cidade de São Paulo.

Samuel Beckett, duas versões

Samuel Beckett
Em 2010 postei aqui no Varal matéria ilustrada com fotos e caricaturas do Beckett inclusive uma de minha autoria (reproduzo abaixo) Não lembrava absolutamente dela, e fiquei espantado como as duas se parecem, pelo menos na forma abordada. Vejam o post aqui: https://cimitan.blogspot.com/search?q=Samuel+Beckett
2010

Crônica diária

Esta dando certo 

Quando eu comecei a escrever aqui as 2130 crônicas, que correspondem a 2130 dias, ou sete anos, um mês e alguns dias, as pessoas teimavam em chama-las de coluna, artigo, ou coisa assemelhada. Concordo que também não sejam crônicas no formato clássico, tradicional. São muita vezes mini ou micro crônicas. Não importa, as pessoas já as chamam de crônicas. Vezemquando escrevo tudo junto e tinha que explicar que era uma "brincadeira" com o Caio F. Hoje o Ricardo Blauth e Fernando Cals usam vezemquando para brincar comigo. Essas pequenas particularidades e jogos entre quem escreve e quem lê é muito divertido. Estabelece-se uma cumplicidade entre as duas pontas. E para completar, o testemunho de leitores que confessam viciados na leitura matinal me dá grande alegria. Há ainda os que fingem que não me leem e eu finjo que não sei.

27.11.18

Cassio Loredano


2018

Crônica diária

Figos cristalizados

Tenho um amigo dos velhos tempos de internato no Colégio de Cataguases, MG que me escreveu dia desses. Lembrou uma passagem de nossa estada no colégio que eu nem lembrava mais. Dormíamos num apartamento que era exclusivo para os internos que cursavam o Científico ou  Clássico. Ele e eu ainda estávamos no ginásio mas usufruímos, por um tempo, dessa regalia, por bom desempenho escolar. O quarto tinha três camas, três armários e uma grande escrivaninha sob a janela, além de um banheiro privativo dos três ocupantes. Era o máximo poder estar num desses poucos apartamentos. Todos os outros internos se dividiam em dois amplos ambientes com camas, armários e banheiros coletivos. Nosso companheiro de quarto era o Chico Buarque. Como estudar interno sempre era uma experiência traumática para a maioria dos alunos de outros estados, minha mãe sempre enviava pelo correio umas latas de doce e quitais. Eram muito bem vindas. A ração do colégio não era ruim, mas nada parecida com a comida a que estávamos acostumados em casa. E conta o Geraldo Briglia que o Chico comia meus figos cristalizados. Sinceramente não lembro desses assaltos ao meu tesouro, mas em se tratando de quem é, é bem possível. 

26.11.18

Caio Fernando Abreu

Um grande escritor

Crônica diária

Uma demonstração perigosa

Foi há mais de vinte anos que eu comprei um aspirador de pó com filtro de água. Era novidade no mercado. Caríssimo, custava o preço de um carro. Importado. Só era vendido sob encomenda e o demonstrador, de terno e gravata preta, ia à sua casa e fazia a demonstração. Você não deixava de comprar, apesar da fortuna que custava. A demonstração final e definitiva era a da aspiração do colchão da sua cama. Ninguém imagina a sujeira que sai dele. Escrevi e falei muito do meu aspirador naquela ocasião. Tenho ele até hoje funcionando em sistema de rodízio entre meus filhos, escritório, e eventuais amigos.  A semana passada meu irmão liga de Araçatuba onde mora. Queria saber detalhes do meu aspirador. Ele estava com um grave problema de pia da cozinha entupida. Eu não entendi a relação entre o meu aspirador de pó e a pia entupida. Ele continuou a explicar: tem uma vizinha de apartamento, que possui um desses aspiradores e se dispôs  a resolver o problema do entupimento. O Paulo, meu irmão que já havia recorrido a vários encanadores e desentupidores sem sucesso, ficou maravilhado com o resultado do aspirador. Essa vizinha tinha um sem uso e se dispôs a vender por um preço menor. Fabricado no México por um  ex-sócio do Raimbow, o Robot é exatamente igual, mas mais barato. O Paulo meu irmão comprou. Ao abrir a caixa que aparentava ter dois anos de muitas mudanças, o aparelho parecia sem uso. A primeira coisa que fez foi ler o manual. E lá havia uma observação importante: "Não usar para limpar esgoto, porque há perigo de explosão por conta do gás metano, e os resíduos sólidos podem danificar o aparelho". Foi o suficiente para ele devolver o aspirador, e sustar o pagamento. Sentiu-se enganado pela vizinha. Coitada, ela nunca tinha lido o manual. O Paulo resolveu alugar os serviços de empresas que já fazem esse serviço com esses aspiradores.  Hoje existe uma dezena de similares. Alemães, mexicanos, e o velho e pioneiro Rainbow, que é americano, além do coirmão Robot. O preço é quase a metade do que era quando comprei, assim mesmo é caros. Mas não deixem um vendedor entrar em suas casas. Você vai cometer uma imprudência financeira, ou nunca mais deitar em seu coxão. Só não pensem em desentupir pias. 

João Menéres também lendo o INTIMIDADES CRÔNICAS

Com foto da neta, João e o meu livro.

25.11.18

Joarês Costa

Meu querido Prof. Dr. Joarês costa

Crônica diária

"3,4 Graus Na Escala Richter" de Éder Rodrigues

Uma resenha deliciosamente escrita pelo Roberto Klotz levou-me a comprar o livro do Éder Rodrigues. É sobre ele que falarei logo em seguida, antes porém preciso registrar que as relações comerciais honestas, sinceras e francas ainda existem. Comprei pela internet, como faço habitualmente, direto da Telucazu editora. Sabia também, pelo texto do Klotz que o André Kondo, seu amigo e escritor era o editor do livro do Éder. Dois dias depois da compra recebo uma ligação do André se desculpando por não ter retirado do site o livro "Três Vírgula Quatro Na Escala Richter" cuja edição estava esgotada. O único exemplar restante tinha algum problema na capa e ele me oferecia além das desculpas três opções: devolução do pagamento, ou esperar trinta dias pela nova edição, ou receber o livro com a capa danificada, e um outro do catálogo da editora, à minha escolha, como brinde. Fiquei emocionado com a gentileza e forma como o André se colocou. Como já havia visto a lista de livros do catálogo, não tive dúvida, optei por receber o livro comprado, mesmo com alguma avaria na capa, e o de "Contos do Sol Renascente" do próprio André Kondo. Quatro dias depois estava com os dois, sendo que não consegui ver nenhum problema na capa. Que bom lidar com gente dessa qualidade moral e profissional. Dito isso vou lhes falar que todas as maravilhas que o Roberto Klotz escreveu sobre a literatura do Éder Rodrigues, e em especial dessa peça teatral, ficou ainda a dever. O texto é simplesmente maravilhoso. Emocionante. Inesperado. Surpreendente, embora comum a todos nós. A mãe de uma família de três filhos que resolve, um belo dia, contratar uma "especialista em despedida", e sair de casa. Não deixem de ler, se emocionem e façam o livro circular. A peça esta em cartaz desde 2016, atualmente em sua quarta temporada. Imperdível. 

24.11.18

Luiz Fernando Veríssimo, duas versões

Escritor, músico, desenhista Luiz Fernando Veríssimo

Crônica diária

CQD

"Chover no molhado" significa que a chuva voltou a molhar onde já havia chovido. Mais complicado é "Tirar o cavalo da chuva". Aqui há necessidade de se ter um cavalo e de estar chovendo. Há ainda que se ter um lugar coberto onde se possa colocar o cavalo molhado. Isso significa que é muito pouco provável que tudo isso possa acontecer, isto é, estar chovendo, você ter um cavalo e um lugar para abriga-lo. Enquanto que "chover no molhado" só depende da chuva, como queríamos demonstrar. 
 

Alguns leitores do Intimidades crônicas



De cima para baixo, da esquerda para a direita: Li Ferreira Nhan, Elisa Novaes, Regina Rocha, Marcelo Rocca, e Rubens Lessa Vergueiro Filho que enviou a foto ao lado e o texto:


Rubens Lessa Vergueiro Filho
Eduardo Penteado Lunardelli desnudou-se em seu livro, possibilitando a seus leitores ter intimidades com suas últimas crônicas, já li 1/3. (13-11-2018)), estão lendo e recomendando o INTIMIDADES CRÔNICAS.

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