Recentemente, tive o prazer de conceder uma entrevista ao Hypeness. Seja uma entrevista que a gente participa ou uma matéria que produzimos, é um exercício e tanto para pensarmos numa porção de coisas – e também para reavaliar uma penca de outras.
Uma das perguntas me questionava se me imaginava vivendo em outro local. Questão simples, mas foi a que demorei mais pra responder. Embora esteja morando há cinco anos nessa casa atual e adorando todos os cantos, com possibilidades mil de ainda criar mais um tantão de outros tão interessantes e aconchegantes, descobri que sim, me mudaria de boa.
Sei que pra muita gente isso causa um tremendo espanto, especialmente para minha família e amigos próximos, que sempre me veem mudando as coisas de lugar, pintando, cuidando de cada detalhe. Pra mim também foi, num primeiro momento! rs. Mas é justamente isso: a casa é a curadoria que a gente dá a ela, é o envolvimento que vai rolando. É a observação, é o se dar.
Mais do que nunca, cheguei à conclusão de que casa é algo que, na verdade, mora dentro da gente e nos acompanha para qualquer lugar. O que existe de real é um alicerce, onde a alma é preenchida com o que há em nós: os gostos, as histórias, as necessidades.
Por isso mesmo nem sempre é tão fácil dizer o que gostamos ou não em algo, o porquê de elegermos uma combinação ou outra. Simplesmente porque não gostamos apenas do que está no campo visual, mas no sentimento que há embutido naquilo e o que ele nos traduz.
E casa é isso, é tradução dos sentimentos em forma de cores, composições, layout. E a gente vai preenchendo com coisinhas que nos remetem a um dia bacana, com a foto de uma pessoa querida, com um objeto brega que nos diz um bocado e tem um valor inestimável.
Casa é uma experiência de auto-conhecimento, onde os nossos erros são a melhor garantia de originalidade. Nela vale tudo. Ousadias. Misturas. Extravagâncias. Tendências também são bem legais pra trazer frescor. O segredo é não ter medo, é ir na sua. Afinal, ninguém sente igual a você, ninguém viveu o que você viveu, ninguém enxerga a mesma coisa de modo igual.
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