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<title>VICE</title>
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<description><![CDATA[ RSS feed for VICE.com
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<language>es</language>
<pubDate>Thu, 28 Jul 2016 15:10:13 -0300</pubDate>
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<title>Do carimbo ao adesivo, a arte de mutuca das bocas cariocas</title>
<link>http://www.vice.com/pt_br/read/as-dolas-do-rio-de-janeiro</link>
<pubDate>Thu, 28 Jul 2016 16:50:00 -0300</pubDate>
<description><![CDATA[As embalagens de droga confeccionadas pelos traficantes cariocas muito além do papel de pó com logo das Olimpíadas.
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<content:encoded><![CDATA[<p><span lang="pt-BR">O que paulistanos
conhecem como paranga, no Rio de Janeiro é conhecido como mutuca,
dola ou dolinha para os íntimos. A origem deste último nome vem do
início da época do Plano Real, nos anos 1990, quando o valor do real
se equiparava ao dólar. Traficantes faziam trouxinhas de maconha de um
real, que começaram a ser chamadas de "</span><span lang="pt-BR"><i>dóla</i></span><span lang="pt-BR">",
provavelmente por algum traficante de língua presa, e o termo pegou.
A dola também gerou o verbo "endolar" e sua flexão "endolação",
que significa o ato de embalar drogas. A função de alta
responsabilidade é realizada a portas fechadas, onde membros da
facção em questão pegam os pesos de maconha ou cocaína trazidos à
favela pelos matutos, a fragmentam em porções de diferentes
tamanhos, as identificam e separam em cargas. Um <a href="https://www.youtube.com/watch?v=el7qp8hYe3s" target="_blank">funk proibido clássico do Cidinho e Doca</a> cantava lá nos anos 90
que "no pique da endola é que a chapa esquenta, quem tá dentro
não sai, e quem tá fora não entra".</span></p><p class="has-image"><img src="https://vice-images.vice.com/images/content-images-crops/2016/07/27/as-dolas-do-rio-de-janeiro-body-image-1469639990-size_1000.jpg?resize=*:*&output-quality=75" data-original-width="2000" data-original-height="1202" data-model-id="208917" data-path="images/content-images/2016/07/27/" data-crop-path="images/content-images-crops/2016/07/27/" data-image-filename="as-dolas-do-rio-de-janeiro-body-image-1469639990.jpg" class="vmp-image"></p><p lang="pt-BR" class="photo-credit">Foto: Reprodução Policia Civil - RJ</p><p lang="pt-BR">Nos estados
norte-americanos e outros países aonde a maconha é regulamentada é
possível ter um controle confiável da procedência da erva, que
podem definir desde a cêpa em questão até detalhes minuciosos como
os níveis de canabinóides. Aqui no Brasil a coisa é bem diferente.
O Paraguai ainda é o maior provedor de maconha do país, e estes não
estão muito preocupados em separar os machos das fêmeas (que é
tipo a aula número um do bom cultivo de canábis), quanto mais
identificar as cepas utilizadas. No Rio, fica a critério e
criatividade do varejista batizar a erva comercializada, com nomes
como "boldinho", "hidropônico", e muitos outros.</p><p class="has-image"><img src="https://vice-images.vice.com/images/content-images-crops/2016/07/27/as-dolas-do-rio-de-janeiro-body-image-1469640036-size_1000.jpg?resize=*:*&output-quality=75" data-original-width="2000" data-original-height="1266" data-model-id="208918" data-path="images/content-images/2016/07/27/" data-crop-path="images/content-images-crops/2016/07/27/" data-image-filename="as-dolas-do-rio-de-janeiro-body-image-1469640036.jpg" class="vmp-image"></p><p class="photo-credit">Foto: Reprodução
Internet</p><p><span lang="pt-BR">No Rio de Janeiro,
além do preço e esses nomes curiosos costumamos ver o nome da
favela e da facção local e toda uma sorte de desenhos adequados aos acontecimentos locais, como atualmente a
logomarca das Olimpíadas do Rio 2016 que aparece nestas dolas cuja
fotos circularam muito na net e na imprensa. Esta semana uma
paranga de cocaína apreendida na Lapa traz até uma mensagem de
compromisso social e esforço em redução de danos – "use longe
das crianças".</span></p><p class="has-image"><img src="https://vice-images.vice.com/images/content-images-crops/2016/07/27/as-dolas-do-rio-de-janeiro-body-image-1469640353-size_1000.jpg?resize=*:*&output-quality=75" data-original-width="2000" data-original-height="1333" data-model-id="208921" data-path="images/content-images/2016/07/27/" data-crop-path="images/content-images-crops/2016/07/27/" data-image-filename="as-dolas-do-rio-de-janeiro-body-image-1469640353.jpg" class="vmp-image"></p><p class="photo-credit">Foto: Matias Maxx</p><p><span lang="pt-BR">Eu sempre fui
fascinado nos desenhos e frases de efeito dessas "endolas" e, como bom acumulador, sempre juntei alguns papelzinhos, mas
acabei perdendo a maioria deles. Para fazer esta matéria
procurei meu amigo Mouchoque, DJ, MC, pixador e produtor da festa
<a href="https://www.facebook.com/events/1717740668508707/">Cl∆ps</a>.
Ele tem há muito tempo uma bela coleção dessas endolas, que
inclusive foram parar no encarte do seu CD "<a href="http://sonichits.com/video/Mouchoque/Eu_Odeio_a_Barra">Eu
Odeio a Barra</a>", lançado em 2007. Assim como eu, Mou lamenta de
ter perdido boa parte dessa coleção nessas faxinas da vida, mas ainda assim tem uma coleção impressionante. </span></p><p class="has-image"><img src="https://vice-images.vice.com/images/content-images-crops/2016/07/27/as-dolas-do-rio-de-janeiro-body-image-1469640438-size_1000.jpg?resize=*:*&output-quality=75" data-original-width="2000" data-original-height="1333" data-model-id="208922" data-path="images/content-images/2016/07/27/" data-crop-path="images/content-images-crops/2016/07/27/" data-image-filename="as-dolas-do-rio-de-janeiro-body-image-1469640438.jpg" class="vmp-image"></p><p lang="pt-BR" class="photo-credit">Foto: Matias Maxx</p><p lang="pt-BR">As primeiras
embalagens cariocas de maconha do tráfico que eu vi, lá nos anos 90,
consistiam num pedacinho de papel (geralmente verde, rosa ou amarelo)
carimbado. Notava-se sempre o objetivo de tratar a droga como um produto,
logo o preço e o nome da boca não podiam faltar, assim como as
iniciais da facção, frases de feito e as vezes desenhos simples
como a topografia do morro ou <a href="http://www.vice.com/pt_br/read/o-fuzil-mais-famoso-do-mundo-esta-passando-por-um-rebranding" target="_blank">fuzis AK-47</a>.</p><p class="has-image"><img src="https://vice-images.vice.com/images/content-images-crops/2016/07/27/as-dolas-do-rio-de-janeiro-body-image-1469640493-size_1000.jpg?resize=*:*&output-quality=75" data-original-width="2000" data-original-height="1333" data-model-id="208923" data-path="images/content-images/2016/07/27/" data-crop-path="images/content-images-crops/2016/07/27/" data-image-filename="as-dolas-do-rio-de-janeiro-body-image-1469640493.jpg" class="vmp-image"></p><p class="photo-credit"><span lang="pt-BR">Foto: Matias Maxx</span></p><p><span lang="pt-BR">Quando a inclusão
digital chegou nas bocas, os carimbos passaram a ser substituídos por
impressões caseiras, o que expandiu os limites das artes de
endolações. Acima uma variedade de dolas errônea - ou malandramente - batizadas de "hidropônicas".</span></p><p class="has-image"><img src="https://vice-images.vice.com/images/content-images-crops/2016/07/27/as-dolas-do-rio-de-janeiro-body-image-1469640623-size_1000.jpg?resize=*:*&output-quality=75" data-original-width="2000" data-original-height="1333" data-model-id="208924" data-path="images/content-images/2016/07/27/" data-crop-path="images/content-images-crops/2016/07/27/" data-image-filename="as-dolas-do-rio-de-janeiro-body-image-1469640623.jpg" class="vmp-image"></p><p class="photo-credit">Foto: Matias Maxx</p><p lang="pt-BR">Programas e
personagens de TV frequentemente batizam os produtos vendidos nas
boca de fumo cariocas. Quem aqui lembra do Seu Craysson?</p><p class="has-image"><img src="https://vice-images.vice.com/images/content-images-crops/2016/07/27/as-dolas-do-rio-de-janeiro-body-image-1469640654-size_1000.jpg?resize=*:*&output-quality=75" data-original-width="2000" data-original-height="1333" data-model-id="208925" data-path="images/content-images/2016/07/27/" data-crop-path="images/content-images-crops/2016/07/27/" data-image-filename="as-dolas-do-rio-de-janeiro-body-image-1469640654.jpg" class="vmp-image"></p><p class="photo-credit"><span lang="pt-BR">Foto: Matias Maxx</span></p><p><span lang="pt-BR">Estas endolas
mostram supostas nacionalidades do Haxixe. Fontes nos asseguram que
na verdade é tudo, literalmente, paraguaio.</span></p><p class="has-image"><img src="https://vice-images.vice.com/images/content-images-crops/2016/07/27/as-dolas-do-rio-de-janeiro-body-image-1469640749-size_1000.jpg?resize=*:*&output-quality=75" data-original-width="2000" data-original-height="1333" data-model-id="208926" data-path="images/content-images/2016/07/27/" data-crop-path="images/content-images-crops/2016/07/27/" data-image-filename="as-dolas-do-rio-de-janeiro-body-image-1469640749.jpg" class="vmp-image"></p><p class="photo-credit"><span lang="pt-BR">Foto: Matias Maxx</span></p><p lang="pt-BR">Como se pode ver, os
grandes eventos já inspiram essas artes não é de hoje.</p><p><span lang="pt-BR">Por motivos mais que
óbvios, as endolas de pó são mais difíceis de encontrar na internet, mas elas existem. Se liga só nessas daqui.</span></p><p lang="pt-BR" class="has-image"><img src="https://vice-images.vice.com/images/content-images-crops/2016/07/27/as-dolas-do-rio-de-janeiro-body-image-1469640853-size_1000.jpg?resize=*:*&output-quality=75" data-original-width="2000" data-original-height="1333" data-model-id="208927" data-path="images/content-images/2016/07/27/" data-crop-path="images/content-images-crops/2016/07/27/" data-image-filename="as-dolas-do-rio-de-janeiro-body-image-1469640853.jpg" class="vmp-image">
</p><p class="photo-credit"><span lang="pt-BR">Foto: Matias Maxx</span></p><p class="photo-credit has-image"><span lang="pt-BR"><img src="https://vice-images.vice.com/images/content-images-crops/2016/07/27/as-dolas-do-rio-de-janeiro-body-image-1469640946-size_1000.jpg?resize=*:*&output-quality=75" data-original-width="2000" data-original-height="1333" data-model-id="208928" data-path="images/content-images/2016/07/27/" data-crop-path="images/content-images-crops/2016/07/27/" data-image-filename="as-dolas-do-rio-de-janeiro-body-image-1469640946.jpg" class="vmp-image"><span lang="pt-BR"><br></span>Foto: Matias Maxx<br></span></p><p><span lang="pt-BR">Depois de coletar
essas belas amostras com meu amigo, percorri vários grupos de Facebook e WhatsApp de maconheiros e consegui coletar alguns
exemplares mais atualizados. Se liguem só!</span></p><p class="has-image"><img src="https://vice-images.vice.com/images/content-images-crops/2016/07/27/as-dolas-do-rio-de-janeiro-body-image-1469640998-size_1000.jpg?resize=*:*&output-quality=75" data-original-width="2000" data-original-height="1681" data-model-id="208929" data-path="images/content-images/2016/07/27/" data-crop-path="images/content-images-crops/2016/07/27/" data-image-filename="as-dolas-do-rio-de-janeiro-body-image-1469640998.jpg" class="vmp-image"></p><p class="photo-credit">Foto: Reprodução Internet<br></p><p class="has-image"><img src="https://vice-images.vice.com/images/content-images-crops/2016/07/27/as-dolas-do-rio-de-janeiro-body-image-1469641038-size_1000.jpg?resize=*:*&output-quality=75" data-original-width="1933" data-original-height="2000" data-model-id="208931" data-path="images/content-images/2016/07/27/" data-crop-path="images/content-images-crops/2016/07/27/" data-image-filename="as-dolas-do-rio-de-janeiro-body-image-1469641038.jpg" class="vmp-image"></p><p class="photo-credit">Foto: Reprodução Internet</p><p><span lang="pt-BR">Hoje em dia em
várias bocas as etiquetas passaram a ser impressas em papel adesivo
que é colado nas dolas.</span></p><p lang="pt-BR" class="has-image"><img src="https://vice-images.vice.com/images/content-images-crops/2016/07/27/as-dolas-do-rio-de-janeiro-body-image-1469641130-size_1000.jpg?resize=*:*&output-quality=75" data-original-width="1825" data-original-height="2000" data-model-id="208935" data-path="images/content-images/2016/07/27/" data-crop-path="images/content-images-crops/2016/07/27/" data-image-filename="as-dolas-do-rio-de-janeiro-body-image-1469641130.jpg" class="vmp-image"></p><p class="photo-credit"><span lang="pt-BR">Foto: Reprodução Internet<br></span></p><p class="has-image"><span lang="pt-BR"><img src="https://vice-images.vice.com/images/content-images-crops/2016/07/27/as-dolas-do-rio-de-janeiro-body-image-1469641158-size_1000.jpg?resize=*:*&output-quality=75" data-original-width="2000" data-original-height="1125" data-model-id="208936" data-path="images/content-images/2016/07/27/" data-crop-path="images/content-images-crops/2016/07/27/" data-image-filename="as-dolas-do-rio-de-janeiro-body-image-1469641158.jpg" class="vmp-image"></span></p><p class="photo-credit">Foto: Reprodução
Internet</p><p class=""><span lang="pt-BR">Para a alegria
dos maconheiros do Rio, de um tempo para cá, algumas bocas passaram a
comercializar maconha em forma de flor, não prensada, provavelmente
oriundas da Colômbia ou daqui do Brasil mesmo. O que importa é que
essa erva tem aparência e potência muito superiores ao usual prensado paraguaio. Esses fumos são genericamente chamados de skank, em
referência ao <a href="http://www.semsemente.com/2013/variedades-a-historia-do-skunk1/">Skunk#1</a>,
a primeira cepa de canábis hibrida a ter sua semente comercializada
em massa, isso em 1978. Ainda que hoje existam centenas de variedade
de cepas canábicas, o termo "skunk" ainda é muito utilizado por
leigos para batizar qualquer erva boa.</span></p><p class="has-image"><img src="https://vice-images.vice.com/images/content-images-crops/2016/07/27/as-dolas-do-rio-de-janeiro-body-image-1469641211-size_1000.jpg?resize=*:*&output-quality=75" data-original-width="2000" data-original-height="1419" data-model-id="208937" data-path="images/content-images/2016/07/27/" data-crop-path="images/content-images-crops/2016/07/27/" data-image-filename="as-dolas-do-rio-de-janeiro-body-image-1469641211.jpg" class="vmp-image"></p><p lang="pt-BR" class="photo-credit">Foto: Reprodução
Internet</p><p lang="pt-BR">Não por acaso,
Samuel Rosa, o vocalista da banda mineira Skank, foi homenageado numa
das endolações mais famosas da internet. O que chama atenção é o
sincretismo pop que reúne o símbolo do Batman (geralmente
associado à milícias, o que não deve ser o caso uma vez que há
uma facção identificada também), o escudo do Flamengo e a lata de
um famoso energético. Nos fóruns e comentários de internet,
canabinólogos e canabilês que provaram o tal fumo, afirmam que ele
"está mais pra Jota Quest!".</p><p lang="pt-BR">Outra celebridade
que caiu no gosto dos endoladores é o <a href="http://noisey.vice.com/pt_br/tag/Filipe+Ret" target="_blank">rapper Filipe Ret</a>. Além
de estampar uma trouxinha de maconha de R$ 5, o cantor também aparece em garrafinhas de
lança-perfume. Questionado sobre o que achava desse viés de garoto
propaganda involuntário Ret me disse que sua intenção nunca foi
estimular ninguém a usar drogas.</p><p class="has-image"><img src="https://vice-images.vice.com/images/content-images/2016/07/27/as-dolas-do-rio-de-janeiro-body-image-1469649570.jpg?resize=*:*&output-quality=75" data-original-width="767" data-original-height="659" data-model-id="208999" data-path="images/content-images/2016/07/27/" data-crop-path="images/content-images-crops/2016/07/27/" data-image-filename="as-dolas-do-rio-de-janeiro-body-image-1469649570.jpg" class="vmp-image"></p><p class="photo-credit"><span lang="pt-BR">Foto: Reprodução Internet</span></p><p class="has-image"><img src="https://vice-images.vice.com/images/content-images/2016/07/27/as-dolas-do-rio-de-janeiro-body-image-1469649607.jpg?resize=*:*&output-quality=75" data-original-width="600" data-original-height="600" data-model-id="209000" data-path="images/content-images/2016/07/27/" data-crop-path="images/content-images-crops/2016/07/27/" data-image-filename="as-dolas-do-rio-de-janeiro-body-image-1469649607.jpg" class="vmp-image"></p><p class="photo-credit"><span lang="pt-BR">Foto: Reprodução Internet<br></span></p><p><span lang="pt-BR">Como não podiam
faltar, jogadores de futebol também costumam ser lembrados, e geralmente nas dolas
de crack, claro - sacou o trocadalho? <a href="http://odia.ig.com.br/portal/rio/pm-apreende-drogas-com-fotos-de-adriano-e-jobson-no-jacarezinho-1.435125" target="_blank">Nesta apreensão os homenageados foram o Jobson e o Adriano Imperador</a>, porque será?</span></p><p class="has-image"><span lang="pt-BR"><img src="https://vice-images.vice.com/images/content-images/2016/07/27/as-dolas-do-rio-de-janeiro-body-image-1469649650.jpg?resize=*:*&output-quality=75" data-original-width="620" data-original-height="415" data-model-id="209001" data-path="images/content-images/2016/07/27/" data-crop-path="images/content-images-crops/2016/07/27/" data-image-filename="as-dolas-do-rio-de-janeiro-body-image-1469649650.jpg" class="vmp-image"></span></p><p class="photo-credit">Foto: Reprodução
Policia Rodoviária Federal</p><p>O que Anderson
Silva, Maradona e Neymar tem em comum? Todos emprestaram
involuntariamente sua notoriedade para publicidades de cocaína.</p><p><span lang="pt-BR">De todas as
celebridades retratadas nas dolas o mais popular é definitivamente o
rei do reggae, Bob Marley. </span>
</p><p class="has-image"><img src="https://vice-images.vice.com/images/content-images-crops/2016/07/27/as-dolas-do-rio-de-janeiro-body-image-1469641672-size_1000.jpg?resize=*:*&output-quality=75" data-original-width="2000" data-original-height="1186" data-model-id="208941" data-path="images/content-images/2016/07/27/" data-crop-path="images/content-images-crops/2016/07/27/" data-image-filename="as-dolas-do-rio-de-janeiro-body-image-1469641672.jpg" class="vmp-image"></p><p class="photo-credit"><span lang="pt-BR">Foto: Reprodução Internet<br class="Apple-interchange-newline"></span></p><p>Será que alguém já
foi na boca reclamar de violação!? Será???</p><p class="has-image"><span lang="pt-BR"><img src="https://vice-images.vice.com/images/content-images-crops/2016/07/27/as-dolas-do-rio-de-janeiro-body-image-1469641775-size_1000.jpg?resize=*:*&output-quality=75" data-original-width="2000" data-original-height="1691" data-model-id="208942" data-path="images/content-images/2016/07/27/" data-crop-path="images/content-images-crops/2016/07/27/" data-image-filename="as-dolas-do-rio-de-janeiro-body-image-1469641775.jpg" class="vmp-image"><br></span></p><p class="photo-credit"><span lang="pt-BR">Foto: Reprodução Internet</span></p><p><span lang="pt-BR">E já que o gancho
foram os grandes eventos, como esquecer do Carnaval carioca? Embalado com a logomarca de uma emissora de TV para o "maior show
da terra", este porradão de 200 supostamente dura a
semana do Rei Momo.</span></p><p class="has-image"><img src="https://vice-images.vice.com/images/content-images-crops/2016/07/27/as-dolas-do-rio-de-janeiro-body-image-1469641822-size_1000.jpg?resize=*:*&output-quality=75" data-original-width="2000" data-original-height="1331" data-model-id="208943" data-path="images/content-images/2016/07/27/" data-crop-path="images/content-images-crops/2016/07/27/" data-image-filename="as-dolas-do-rio-de-janeiro-body-image-1469641822.jpg" class="vmp-image"></p><p class="photo-credit"><span lang="pt-BR">Foto: Reprodução Internet</span></p><p lang="pt-BR">Obviamente as bocas cariocas também prestigiam as escolas de samba da área.</p><p class="has-image"><img src="https://vice-images.vice.com/images/content-images-crops/2016/07/27/as-dolas-do-rio-de-janeiro-body-image-1469641854-size_1000.jpg?resize=*:*&output-quality=75" data-original-width="1630" data-original-height="2000" data-model-id="208944" data-path="images/content-images/2016/07/27/" data-crop-path="images/content-images-crops/2016/07/27/" data-image-filename="as-dolas-do-rio-de-janeiro-body-image-1469641854.jpg" class="vmp-image"></p><p class="photo-credit">Foto: Reprodução Internet</p><p lang="pt-BR" class="photo-credit has-image"><img src="https://vice-images.vice.com/images/content-images-crops/2016/07/27/as-dolas-do-rio-de-janeiro-body-image-1469641877-size_1000.jpg?resize=*:*&output-quality=75" data-original-width="2000" data-original-height="1244" data-model-id="208945" data-path="images/content-images/2016/07/27/" data-crop-path="images/content-images-crops/2016/07/27/" data-image-filename="as-dolas-do-rio-de-janeiro-body-image-1469641877.jpg" class="vmp-image"><br>Foto: Reprodução Internet<br></p><p lang="pt-BR">O Fuleco, mascote da
Copa do Mundo, também teve seus minutos de fama envolto em
rolo-filme.</p><p class="has-image"><img src="https://vice-images.vice.com/images/content-images-crops/2016/07/27/as-dolas-do-rio-de-janeiro-body-image-1469641910-size_1000.jpg?resize=*:*&output-quality=75" data-original-width="2000" data-original-height="921" data-model-id="208946" data-path="images/content-images/2016/07/27/" data-crop-path="images/content-images-crops/2016/07/27/" data-image-filename="as-dolas-do-rio-de-janeiro-body-image-1469641910.jpg" class="vmp-image"></p><p class="photo-credit"><span lang="pt-BR">Foto: Reprodução Internet</span></p><p><span lang="pt-BR">Essa daqui é a arte
mais genial com qual trombei na minha pesquisa e dispensa
comentários.</span></p><p class="has-image"><img src="https://vice-images.vice.com/images/content-images-crops/2016/07/27/as-dolas-do-rio-de-janeiro-body-image-1469641937-size_1000.jpg?resize=*:*&output-quality=75" data-original-width="2000" data-original-height="1527" data-model-id="208947" data-path="images/content-images/2016/07/27/" data-crop-path="images/content-images-crops/2016/07/27/" data-image-filename="as-dolas-do-rio-de-janeiro-body-image-1469641937.jpg" class="vmp-image"></p><p class="photo-credit"><span lang="pt-BR">Foto: Reprodução Internet</span></p><p><span lang="pt-BR">Este Pato Donald
Botafoguense também foi foda!</span></p><p class="has-image"><span lang="pt-BR"><img src="https://vice-images.vice.com/images/content-images-crops/2016/07/27/as-dolas-do-rio-de-janeiro-body-image-1469641960-size_1000.jpg?resize=*:*&output-quality=75" data-original-width="2000" data-original-height="1618" data-model-id="208948" data-path="images/content-images/2016/07/27/" data-crop-path="images/content-images-crops/2016/07/27/" data-image-filename="as-dolas-do-rio-de-janeiro-body-image-1469641960.jpg" class="vmp-image"><br></span></p><p class="photo-credit"><span lang="pt-BR">Foto: Reprodução Internet</span></p><p><span lang="pt-BR">Essa daqui além de
ter uma arte foda com o Mike Tyson, acompanha uma seda "unbleached",
e a aparência não tá tão ruim dentro dos padrões boca de fumo.
Infelizmente não descobri de onde é.</span></p><p class="has-image"><img src="https://vice-images.vice.com/images/content-images-crops/2016/07/27/as-dolas-do-rio-de-janeiro-body-image-1469649836-size_1000.jpg?resize=*:*&output-quality=75" data-original-width="2000" data-original-height="1803" data-model-id="209002" data-path="images/content-images/2016/07/27/" data-crop-path="images/content-images-crops/2016/07/27/" data-image-filename="as-dolas-do-rio-de-janeiro-body-image-1469649836.jpg" class="vmp-image"></p><p><br></p><p class="photo-credit">Foto: Reprodução Internet</p><p>Fiquei curioso em
saber qual é dessa Lan House, será que a boca fica em frente, para
facilitar aos vapores jogarem CS na troca de plantão?</p><p class="has-image"><img src="https://vice-images.vice.com/images/content-images-crops/2016/07/27/as-dolas-do-rio-de-janeiro-body-image-1469642059-size_1000.jpg?resize=*:*&output-quality=75" data-original-width="1500" data-original-height="2000" data-model-id="208949" data-path="images/content-images/2016/07/27/" data-crop-path="images/content-images-crops/2016/07/27/" data-image-filename="as-dolas-do-rio-de-janeiro-body-image-1469642059.jpg" class="vmp-image"></p><p class="photo-credit"><span lang="pt-BR">Foto: Reprodução Internet<br></span></p><p><span lang="pt-BR">É tanta referencia
pop que nem dá pra perceber que o sujeito com as AKs é o Ogro
Shrek.</span></p><p class="has-image"><img src="https://vice-images.vice.com/images/content-images-crops/2016/07/27/as-dolas-do-rio-de-janeiro-body-image-1469642124-size_1000.jpg?resize=*:*&output-quality=75" data-original-width="2000" data-original-height="1860" data-model-id="208950" data-path="images/content-images/2016/07/27/" data-crop-path="images/content-images-crops/2016/07/27/" data-image-filename="as-dolas-do-rio-de-janeiro-body-image-1469642124.jpg" class="vmp-image"></p><p class="photo-credit"><span lang="pt-BR">Foto: Reprodução Internet<br></span></p><p><span lang="pt-BR">Outro personagem
verdão recorrente nas embalagens de maconha é o Hulk, óbvio!</span></p><p class="has-image"><span lang="pt-BR"><img src="https://vice-images.vice.com/images/content-images-crops/2016/07/27/as-dolas-do-rio-de-janeiro-body-image-1469642203-size_1000.jpg?resize=*:*&output-quality=75" data-original-width="1687" data-original-height="2000" data-model-id="208951" data-path="images/content-images/2016/07/27/" data-crop-path="images/content-images-crops/2016/07/27/" data-image-filename="as-dolas-do-rio-de-janeiro-body-image-1469642203.jpg" class="vmp-image"><br></span></p><p class="photo-credit"><span lang="pt-BR">Foto: Reprodução Internet</span></p><p><span lang="pt-BR">O Popeye, aquele que
gosta do verde da lata, foi o garoto-propaganda escolhido pela
rapaziada do Morro do Antares.</span></p><p class="has-image"><img src="https://vice-images.vice.com/images/content-images-crops/2016/07/27/as-dolas-do-rio-de-janeiro-body-image-1469642282-size_1000.jpg?resize=*:*&output-quality=75" data-original-width="1200" data-original-height="1200" data-model-id="208952" data-path="images/content-images/2016/07/27/" data-crop-path="images/content-images-crops/2016/07/27/" data-image-filename="as-dolas-do-rio-de-janeiro-body-image-1469642282.jpg" class="vmp-image"></p><p class="photo-credit">Foto: Reprodução Internet</p><p>"<span lang="pt-BR">O Certo
Prevalece" e "Fé em Deus" são algumas das mensagens positivas
que acompanham as dolas em geral. </span>
</p><p class="photo-credit has-image"><span lang="pt-BR"><img src="https://vice-images.vice.com/images/content-images/2016/07/27/as-dolas-do-rio-de-janeiro-body-image-1469642308.jpg?resize=*:*&output-quality=75" data-original-width="512" data-original-height="284" data-model-id="208953" data-path="images/content-images/2016/07/27/" data-crop-path="images/content-images-crops/2016/07/27/" data-image-filename="as-dolas-do-rio-de-janeiro-body-image-1469642308.jpg" class="vmp-image">Foto: Reprodução Internet<br></span></p><p class="has-image"><img src="https://vice-images.vice.com/images/content-images/2016/07/27/as-dolas-do-rio-de-janeiro-body-image-1469642333.jpg?resize=*:*&output-quality=75" data-original-width="576" data-original-height="336" data-model-id="208954" data-path="images/content-images/2016/07/27/" data-crop-path="images/content-images-crops/2016/07/27/" data-image-filename="as-dolas-do-rio-de-janeiro-body-image-1469642333.jpg" class="vmp-image"></p><p class="photo-credit"><span lang="pt-BR">Foto: Reprodução Internet</span></p><p><span lang="pt-BR">O pessoal da boca
está ficando criativo também nos cortes. Se liga nestas
impressionantes mutucas de R$ 50.</span></p><p class="has-image"><img src="https://vice-images.vice.com/images/content-images/2016/07/27/as-dolas-do-rio-de-janeiro-body-image-1469642410.jpg?resize=*:*&output-quality=75" data-original-width="720" data-original-height="960" data-model-id="208956" data-path="images/content-images/2016/07/27/" data-crop-path="images/content-images-crops/2016/07/27/" data-image-filename="as-dolas-do-rio-de-janeiro-body-image-1469642410.jpg" class="vmp-image"></p><p lang="pt-BR" class="photo-credit">Foto: Reprodução Internet<br>
</p><p class="has-image"><img src="https://vice-images.vice.com/images/content-images/2016/07/27/as-dolas-do-rio-de-janeiro-body-image-1469642443.jpg?resize=*:*&output-quality=75" data-original-width="541" data-original-height="370" data-model-id="208958" data-path="images/content-images/2016/07/27/" data-crop-path="images/content-images-crops/2016/07/27/" data-image-filename="as-dolas-do-rio-de-janeiro-body-image-1469642443.jpg" class="vmp-image"></p><p class="photo-credit"><span lang="pt-BR">Foto: Reprodução Internet</span></p><p><span lang="pt-BR">Não consegui
atestar a veracidade desta última abaixo, apenas seu <a href="http://www.vice.com/pt_br/read/estupro-coletivo-brasil-rio-de-janeiro" target="_blank">extremo mau gosto</a> e escrotidão.</span></p><p class="has-image"><img src="https://vice-images.vice.com/images/content-images/2016/07/27/as-dolas-do-rio-de-janeiro-body-image-1469650139.jpg?resize=*:*&output-quality=75" data-original-width="720" data-original-height="592" data-model-id="209004" data-path="images/content-images/2016/07/27/" data-crop-path="images/content-images-crops/2016/07/27/" data-image-filename="as-dolas-do-rio-de-janeiro-body-image-1469650139.jpg" class="vmp-image"></p><p class="photo-credit"><span lang="pt-BR">Foto: Reprodução Internet</span></p><p lang="pt-BR">Os
desenhos e frases de efeito, ora macabros, ora divertidos, mostram um
lado lúdico da vida do crime. Mas a verdade é que nesse ramo de
atividades que é o varejo do narcotráfico demissão é morte e
aposentadoria é cadeia ou cadeira (de rodas). </p>
]]></content:encoded>
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<dc:creator>Matias Maxx</dc:creator>
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<title>A direita alternativa dos EUA e o medo de um planeta negro</title>
<link>http://www.vice.com/pt_br/read/direita-alternativa-eua-medo-planeta-negro</link>
<pubDate>Thu, 28 Jul 2016 18:00:00 -0300</pubDate>
<description><![CDATA[A angústia em relação a um país mais negra e parda, junto com uma frustração generalizada com o sistema político, são as forças por trás do desastroso fenômeno Donald Trump.
]]></description>
<enclosure url="http://vice-images.vice.com/images/articles/meta/2016/07/28/direita-alternativa-eua-medo-planeta-negro-1469721903.jpg" type="image/jpg" length="1200"></enclosure>
<content:encoded><![CDATA[<p><em>Matéria da <a href="http://www.vice.com/read/the-alt-rights-fear-of-a-black-planet" target="_blank">VICE US</a></em><em>.</em></p><p>Para um certo pessoal branco de direita, os EUA está à beira de um apocalipse racial. Eles estão apavorados porque sentem o país escorregando pelos dedos, para as mãos de selvagens negros e pardos. <a href="http://www.bloomberg.com/news/articles/2015-06-25/american-babies-are-no-longer-mostly-non-hispanic-white" target="_blank">Brancos já são minoria</a> entre crianças com menos de cinco anos; casamentos inter-raciais estão <a href="http://www.pewresearch.org/fact-tank/2015/06/12/interracial-marriage-who-is-marrying-out/" target="_blank">na maior alta de todos os tempos</a>; e tem um negro na Casa Branca querendo que pelo menos <a href="http://www.cnn.com/2016/04/01/politics/obama-pledge-10000-syrian-refugees-falling-short/" target="_blank">10 mil refugiados sírios</a> se assentem nos EUA até o final de setembro. O mesmo presidente que teve a cara de pau de tentar proteger 5 milhões de imigrantes sem documentos da deportação. Sem mencionar que há um movimento popular defendendo proteger a vida de bandidos negros contra as autoridades, se espalhando por todo o país e infectando desde as universidades até passatempos nacionais como o <a href="https://www.washingtonpost.com/news/morning-mix/wp/2016/02/09/the-black-lives-matter-tribute-that-you-missed-from-beyonces-halftime-show-dancers/" target="_blank">Super Bowl</a>.</p><p>Segundo <a href="http://www.ianhaneylopez.com/" target="_blank">Ian Haney-Lopez</a>, professor de direito da Universidade da Califórnia, Berkeley, e especialista em racismo na era pós direitos civis, são tendências como essa que criaram um ambiente propício para todo tipo de revanchismo branco. "Diante das mudanças sociais que declararam pessoas não-brancas igualmente humanas aos brancos, mulheres igualmente humanas aos homens e merecendo os mesmos direitos, que várias religiões e até não ter religião devem ser respeitados", ele disse a VICE, "há seguimentos da população que querem reconquistar sua posição superior de antes em hierarquias injustas".</p><p>Essa angústia contra uma América mais negra e parda, junto com uma frustração generalizada com o sistema político, são as forças por trás do desastroso fenômeno Donald Trump — o combustível que o disparou dos reality shows para a nomeação como candidato presidencial do Partido Republicano.</p><p>Sem ter que se preocupar com os papos conservadores tediosos sobre cortar impostos e restaurar os valores da família, Trump diz a esse segmento descontente da população que ele está aqui para "Tornar os EUA grande de novo" — ou, mais corretamente, "Tornar os EUA branco de novo". E o sentimento claramente ressoa com o eleitorado republicano.</p><p>Então talvez faça sentido que a ascensão de Trump tenha acontecido graças às sombras desses que se definem por sua política de identidade branca. Alguns anos atrás, as sementes do nacionalismo branco eram espalhadas disparatadamente pela internet, dos fóruns do 4chan onde nasceu o Gamergate aos pickup artists do YouTube exultando as virtudes da masculinidade branca, até os memes antissemitas dos neonazistas do Daily Stormer.</p><p>Mas desde que Trump entrou em cena, muitos dos grupos de direita focados na preservação do status branco nos EUA se juntaram num novo movimento branco, coletivamente conhecido como "direita alternativa".</p><p>"Donald Trump tem conseguido se comunicar com o cidadão branco médio que encara agora um futuro difícil", diz Richard Spencer, uma das vozes mais conhecidas da direita alternativa e líder do <a href="http://www.npiamerica.org/" target="_blank">National Policy Institute</a>, uma usina de ideias separatistas brancas.</p><p>"A direita alternativa se desenvolveu sozinha", ele disse numa entrevista recente para a VICE. "Temos nossas próprias discussões, disputas, ideias e termos. Mas por causa do movimento Trump, conseguimos atingir um novo nível. Eu nunca teria previsto que surfaríamos essa onda. Eu costumava desprezar a maioria dos políticos, particularmente os republicanos. Mas com Trump é diferente, e isso é maravilhoso."</p><p>Spencer leva o crédito por ter <a href="http://www.adl.org/combating-hate/domestic-extremism-terrorism/c/alt-right-a-primer-about-the.html?referrer=https://www.google.com/" target="_blank">cunhado o termo</a> "direita alternativa" em 2008, e diz que a parte "alternativa" significa "romper com as restrições do conservadorismo mainstream". Ele chama o movimento de "a força intelectual  conservadores não conseguem mais controlar essas forças."</p><p>Mas enquanto essa isca foi sendo usada pelos republicanos nos últimos 50 anos, ela geralmente ficava abaixo da superfície, manifestada em referências sutilmente veladas a um "estado de direito"; aqueles que aceitavam versões mais públicas de nacionalismo branco e política de identidade branca eram empurrados para a margem. Mas nos últimos 15 anos, esses eleitores reemergiram como parte dos soldados rasos do GOP, sob a bandeira da direita alternativa, gradualmente drenando o establishment do partido de sua influência e poder.</p><p>"O conservadorismo era um tipo de política de identidade branca que não ousava dizer seu nome", Spencer disse. "A maioria das pessoas que votam no Partido Republicano são brancas. Mas se você mencionar isso para grande parte dos conservadores, eles vão corar e negar, dizendo 'Ah, isso não é sobre identidade ou raça'."</p><p>"Um objetivo de médio prazo que realmente podemos alcançar, um que acho que estarei vivo para ver", ele continuou, "é a formação de uma política de identidade, uma política étnica, para pessoas brancas nos EUA".</p><p>Um aspecto fascinante da direita alternativa é que apesar de carregar a tocha da política de identidade branca, eles fizeram isso quase sem cair em nenhuma armadilha clássica da supremacia branca nos EUA. Apesar de sites como o Daily Stormer e Right Stuff usarem epítetos como "nigger" e "faggot" nas manchetes, e espalharem memes negando o Holocausto, os líderes da direita alternativa como Spencer conseguiram, na maior parte, colocar um verniz mais urbano na política branca. Spencer largou a Universidade Duke quando fazia doutorado, é <a href="https://pbs.twimg.com/profile_images/685988122354532352/h9L-cExl.jpg" target="_blank">retratado em fotos</a> com um corte de cabelo descolado estilo barman do Brooklyn, e seu site Radix Journal fala tanto sobre <a href="http://www.radixjournal.com/journal/2016/6/3/dfq1hy76vhsq08hxisvyidoys9u35j" target="_blank">cultura pop</a> como sobre política.</p><p>Essa pegada hipster é proposital, visando separar os que se identificam como direita alternativa dos caipiras de lençol branco e os brutamontes com tatuagem de suástica. Na verdade, muitos dos caras que se identificam como direita alternativa hesitam em usar o termo "supremacia". Em vez de racismo descarado, Taylor maliciosamente argumenta que "os brancos só querem ser deixados em paz, seguir seu próprio destino sem a intromissão de pessoas diferentes deles, que chegam em grandes número para mudar sua cultura e a textura da vida para eles".</p><p>O desejo de "ser deixado em paz", cuja expressão definitiva é a ideia de Spencer do estado étnico, é impulsionada pela ideia de que raça é mais que apenas uma construção social. A direita alternativa vê raça como algo enraizado na genética, criando populações que são inerentemente diferentes em coisas que vão do QI até propensão à violência; segundo as teorias da direita alternativa, essas diferenças raciais baseadas em genética têm um papel muito maior em determinar o comportamento dos indivíduos do que coisas como socioeconomia, status, educação e opressão institucional. E assim a direita alternativa vê o crescimento das minorias nos EUA como uma espécie de ameaça existencial para a prosperidade dos EUA, porque esses indivíduos negros e pardos são percebidos como geneticamente — portanto irrevogavelmente — inferiores aos brancos que eles estão rapidamente superando em números.</p><p>"Desculpe, Sr. Trump, mas você não pode tornar a América grande de novo com uma população de terceiro mundo — você fica preso ao que sua população pode fazer", disse Taylor. "Se isso continuar, talvez daqui uns cinquenta anos, vamos ver uma ruptura catastrófica. Se os EUA tivesse mantido a população <a href="https://thesocietypages.org/socimages/2012/11/14/u-s-racialethnic-demographics-1960-today-and-2050/">90% branca</a> que tinha nos anos 60, não estaríamos enfrentando nada disso. Estaríamos vivendo numa sociedade muitos mais feliz, igualitária, rica e pacífica em que todos se sentiriam em casa."</p><p>Nem preciso dizer que esse tipo de racismo científico é descartado pela comunidade científica internacional como apenas uma racionalização para ideologia racista. Mas Haney-Lopez aponta que é isso que torna a ascensão da direita alternativa tão perigosa, particularmente num momento de virada política no país.</p><p>"Estamos mudando demograficamente, estamos mudando racialmente — estamos nos tornando uma sociedade realmente multirracial. No contexto dessa mudança, sempre precisamos nos defender contra o apelo de nos tornarmos piores", ele disse. "O risco do movimento da direita alternativa e Donald Trump é que no meio dessa transformação social que, claro, gera ansiedade, estamos caminhando numa direção que nos encoraja a encontrar um tipo de prazer perverso em diminuir e desumanizar outras pessoas."</p><p><em>Siga o Wilbert L. Cooper no <a href="https://twitter.com/WilbertLCooper?ref_src=twsrc%5Egoogle%7Ctwcamp%5Eserp%7Ctwgr%5Eauthor" target="_blank">Twitter</a></em><em>.</em></p><p><em>Tradução: Marina Schnoor</em></p><p><em><em><strong><i><i>Siga a VICE Brasil no </i><a href="https://www.facebook.com/vicebrasil" target="_blank"><i>Facebook</i></a><i>, </i><a href="https://twitter.com/vicebrasil" target="_blank"><i>Twitter</i></a><i> e </i><i><a href="https://www.instagram.com/vicebrasil" target="_blank">Instagram</a>.</i></i></strong></em><br></em></p><p><br></p>
]]></content:encoded>
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<dc:creator>Wilbert L. Cooper</dc:creator>
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<category>culture</category>
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<title>Champions of Breakfast: Dylan Watson-Brawn e o Mundo da Cultura que o Moldou</title>
<link>http://www.vice.com/pt_br/read/dylan-watson-brawn-e-a-cultura-que-o-moldou</link>
<pubDate>Thu, 07 Jul 2016 21:20:00 -0300</pubDate>
<description><![CDATA[Dando vida a culturas e tradições através do paladar.
]]></description>
<enclosure url="http://vice-images.vice.com/images/articles/meta/2016/07/06/dylan-watson-brawn-e-a-cultura-que-o-moldou-1467819848.jpg" type="image/jpg" length="2000"></enclosure>
<content:encoded><![CDATA[<p class="has-image"><img src="https://amuse-images.vice.com/wp_upload/2016/04/MG_7198.jpg"><br><br></p><p>Existe alguma
coisa na experiência de provar comidas em outro país que leva você de volta
para casa. Ou, melhor, que mostra a casa de outra pessoa. Ao explorar o mundo,
desbravar os hábitos culinários de um lugar é a melhor forma de entender uma
cultura. Na comida está toda a história e personalidade de um país, e dentro de
um país estão as nuances de cada região.</p><p class="has-image"><img src="https://amuse-images.vice.com/wp_upload/2016/04/MG_7943.jpg"><br><br></p><p>Seja em
um bar que serve salgados baratos, comendo pratos inventivos em um restaurante fino
ou compartilhando os queridinhos da comida caseira em um jantar de família, é a
comida que expressa o caráter mais verdadeiro de uma cultura, de suas origens e
tradições.</p><p>Com paradas
em Nova York e Hong Kong no meio-tempo, o chefe de cozinha canadense Dylan
Watson-Brawn passou pelas cozinhas do Nihonyori Ryugin, em Tóquio, e do
lendário restaurante Noma, de René Redzepi, em Copenhagen. Nos últimos anos,
ele voltou as atenções para projetos pessoais, mostrando a importância da
alimentação biodinâmica com o projeto Ernst de jantares particulares e, mais
recentemente, em seu primeiro restaurante permanente em Berlim, que deve abrir
ainda este ano.</p><p class="">Quando
era mais novo, Dylan e a família viajavam pelo mundo descobrindo diferentes
tons de países e pessoas através da culinária. Ele se lembra da chegada a
Tóquio em uma viagem com o pai na infância, sob os efeitos do jet lag e confuso
com o caos surreal de tudo aquilo. Depois de uma visita ao mercado de peixes de
Tsukiji, um amigo levou os dois a um porão de um prédio como outro qualquer,
onde um velho chefe preparou um tempurá para eles. A experiência foi o
catalisador para uma vida inteira apaixonada pela cultura gastronômica
japonesa. "Lembro que era leve e não tinha gordura, puro e diferente de tudo
que eu já tinha experimentado", conta. "A memória ficou gravada em mim. Foi meu
primeiro contato com o mundo maravilhoso da especialização japonesa. Há muito a
se aprender com uma cultura alimentar que tem tanta tradição e foco na
simplicidade. Eu me senti honrado de experimentar a arte daquele chefe."</p><p class="has-image"><img src="https://amuse-images.vice.com/wp_upload/2016/04/MG_8013.jpg"><br><br></p><p>Dylan também
se lembra da primeira vez que abriu os olhos para os sabores da culinária
francesa, quando visitou um bistrô em Paris com a família. "Teve um impacto
muito grande em mim", relembra. "A comida e a atmosfera, o entra e sai de
pratos da cozinha. As jarras de vinho e a lousa com a relação de pratos do dia.
Entrei de cabeça naquilo." Desde então, ele viaja o mundo tendo a gastronomia
como foco, buscando entender culturas diferentes e as origens das tradições
culinárias no cerne de cada uma delas.</p><p>Conforme vai
deixando sua marca no mundo gastronômico de Berlim, Dylan leva consigo também as
inspirações de suas viagens. Viajar é essencial para dar vida a culturas e
tradições de um lugar. Para ele, ter uma curiosidade pelo imenso panorama de
culturas culinárias do mundo é a forma mais eficiente de entendê-lo.</p><p class="">"A comida
é a expressão de uma cultura em determinado espaço e tempo", afirma. "É uma
manifestação da história de um lugar e da terra. É a partir disso que as
comunidades se estruturam. E uma excelente comida só existe em certos lugares.
Sem contexto, não é a mesma coisa<span lang="EN-GB">."</span></p><p class="has-image"><span lang="EN-GB"><img src="https://amuse-images.vice.com/wp_upload/2016/04/MG_7040.jpg"><br><br></span></p><p><em>A <strong>Nespresso</strong> viaja pelo
mundo para dar vida a regiões repletas de cultura e tradição através do café.
Descubra como levamos experiências exclusivas até a sua </em><em><span lang="EN-GB"><a href="https://www.nespresso.com/br/pt/home" target="_blank"><span lang="PT-BR">casa.</span></a></span></em></p>
]]></content:encoded>
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<media:thumbnail url="https://vice-images.vice.com/images/articles/meta/2016/07/06/dylan-watson-brawn-e-a-cultura-que-o-moldou-1467819848.jpg"></media:thumbnail>
<dc:creator>Equipe Vice</dc:creator>
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<item>
<title>Por que tantos tatuadores estão putos com o Ato Médico?</title>
<link>http://www.vice.com/pt_br/read/ato-medico-lei-tatuagem</link>
<pubDate>Thu, 28 Jul 2016 15:00:00 -0300</pubDate>
<description><![CDATA[Um projeto de lei pode fazer com que você ligue no consultório médico pra agendar seus próximos rabiscos, já que, de acordo com o texto, só eles poderiam "invadir" a pele de alguém.
]]></description>
<enclosure url="http://vice-images.vice.com/images/articles/meta/2016/07/26/ato-medico-lei-tatuagem-1469559714.jpg" type="image/jpg" length="2000"></enclosure>
<content:encoded><![CDATA[<p>A cena de alguém ligando para o
consultório médico e agendando uma sessãozinha de tatuagem não é roteiro de
ficção científica pastelona. De acordo com a proposta do <a href="https://www25.senado.leg.br/web/atividade/materias/-/materia/119167" target="_blank">Projeto de Lei do Senado (PLS) nº 350/ 2014</a>, as coisas passariam a funcionar assim no Brasil: somente médicos
poderiam tatuar – o que tem causado certo rebuliço não só na categoria dos
tatuadores profissionais, mas também na de body piercers, enfermeiros, dentistas,
acupunturistas e profissionais de estética.
</p><p class="MsoNormal">
</p><p class="MsoNormal"> 
</p><p class="MsoNormal">De acordo com o texto do projeto de
lei, conhecido como Ato Médico, "a invasão da epiderme e derme com o uso de produtos químicos ou
abrasivos" seria atribuída somente aos médicos.
</p><p>Autora do projeto, a senadora
goiana Lúcia Vânia 
	<a href="https://www.facebook.com/luciavaniasenadora/photos/a.329226120489882.76398.127980693947760/1056917447720742/?type=3">publicou
recentemente em seu Facebook
	</a> que "não há qualquer intenção de prejudicar
nenhuma categoria profissional e nem, em específico, os profissionais que atuam
nas artes corporais, como os tatuadores". A parlamentar pontuou também que "a
matéria ainda está sendo discutida, e não será votada sem que haja um
consenso". 
	
</p><p>A reportagem da VICE entrou em contato diversas vezes com a assessoria de imprensa da senadora, que até a conclusão desta matéria não atendeu ao pedido de entrevista.</p><p>Ronaldo Sampaio "Snoopy", body piercer e idealizador
da Associação dos Tatuadores e Perfuradores do Brasil, relembra que o projeto de lei não é novo. "Estão tentando emplacá-lo há 10 anos", conta. Em 2007, quando era vice-presidente de um sindicato de tatuadores e perfuradores que não existe mais, foi convidado pelo Conselho Federal de Medicina para discutir o projeto. Apesar da reunião feita e da promessa de que tatuadores e piercers não seriam prejudicados, nenhum protocolo foi assinado pelo conselho, segundo o relato de Snoopy.
</p><p>"Nós não somos contra a regulamentação
do médico. Pelo contrário, acho que todo mundo deve ser regulamentado,
inclusive a gente", pondera o perfurador. "No país em que vivemos agora,
isso vai ser um retrocesso. Porque o tatuador paga imposto do material que ele
usa, paga tributo do espaço, você precisa ter alvará pra trabalhar. Isso
está de uma forma totalmente corporativista. Não tem outro nome."</p><p class="has-image"><img src="https://vice-images.vice.com/images/content-images-crops/2016/07/27/ato-medico-lei-tatuagem-body-image-1469660372-size_1000.jpg?resize=*:*&output-quality=75" data-original-width="2000" data-original-height="1333" data-model-id="209044" data-path="images/content-images/2016/07/27/" data-crop-path="images/content-images-crops/2016/07/27/" data-image-filename="ato-medico-lei-tatuagem-body-image-1469660372.jpg" class="vmp-image"></p><p class="photo-credit">A tatuadora paulistana Julia Bicudo. Foto: Felipe Larozza/ VICE</p><p>Para manter um estúdio de tatuagem, é preciso seguir <a href="http://portal.anvisa.gov.br/documents/33856/2054354/Refer%C3%AAncia+t%C3%A9cnica+para+o+funcionamento+dos+servi%C3%A7os+de+tatuagem+e+piercing/24c89199-5801-481a-a510-b2ece5bfd1bc" target="_blank">normas exigidas pela Anvisa</a>, que consistem em condições de privacidade, limpeza, higienização e conservação geral. O alvará é renovado anualmente. Entretanto, a profissão de tatuador e body piercer não é regulamentada. Eles ainda são tidos como profissionais autônomos ou liberais.</p><p>A tatuadora paulistana <a href="http://www.vice.com/pt_br/read/minas-e-maquinas-um-estudio-so-de-tatuadoras" target="_blank">Julia Bicudo</a> enseja o discurso econômico preconizado por Snoopy. "A indústria da tattoo move muito dinheiro, e a cada dia aparecem novos tatuadores", comenta. "Fora que, se aprovado o projeto, quem está na profissão há anos não teria mais o direito de exercê-la."<br></p><p class="MsoNormal">
</p><p class="MsoNormal">
</p><p class="MsoNormal">A mineira Carol Vitter, body
piercer há 16 anos e tatuadora há cinco, acredita que a modificação da lei faria com que profissionais
que hoje atuam com alvará da prefeitura e que estão em dia com a vigilância
sanitária caíssem na ilegalidade. "Se isso for aprovado, terão pessoas tentando
trabalhar clandestinamente. Acho que a galera vai voltar a tatuar em casa",
justifica.</p><p class="MsoNormal">
</p><p>Tatuador há cinco anos, <a href="http://www.vice.com/pt_br/read/weird-despedancando-surfistas" target="_blank">Etam Paese</a> concorda. "Tattoo é e sempre será contracultura. Por mais que proíbam, sempre haverá gente se tatuando clandestinamente", relata. Atuando em duas cidades diferentes – ele tatua em São Paulo e em Curitiba –, o profissional supõe que, se aprovado, o projeto de lei não irá acabar com o mercado. "Isso irá afetar os grandes estúdios de tatuagem que ficam localizados em grandes cidades. Mas o tatuador autônomo ou que tatua numa loja pequena e numa cidade pequena não sofrerá com isso."
</p><h2>NÃO SÃO SÓ OS TATUADORES
</h2><p>A grande problemática dos incisos presentes no PLS é a margem de interpretação que eles provocam no exercício laboral de outras profissões. Para a cirurgiã-dentista Ana Paula Tokunaga, sua categoria não se opõe ao Ato Médico. "O que vemos com certa preocupação é a forma como alguns artigos do novo projeto de lei estão redigidos, mesmo que se preveja na própria lei que o médico não pode interferir na área de atuação de outras profissões", relata. "O que queremos são disposições claras, que não abram espaço pra questionamentos sobre a nossa área de atuação e sobre a área de atuação de quaisquer profissionais da área da saúde."</p><p>Até a publicação desta reportagem, a <a href="http://www12.senado.leg.br/ecidadania/visualizacaomateria?id=119167" target="_blank">votação disponibilizada</a> no site do Senado contava com 113 mil opiniões contra o projeto de lei e 76 mil a favor.</p><p><i><i>Siga a <strong>VICE Brasil</strong> no </i><a href="https://www.facebook.com/vicebrasil" target="_blank"><i>Facebook</i></a><i>, </i><a href="https://twitter.com/vicebrasil" target="_blank"><i>Twitter</i></a><i> e </i><i><a href="https://www.instagram.com/vicebrasil" target="_blank">Instagram</a>.</i></i></p>
]]></content:encoded>
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<dc:creator>Débora  Lopes</dc:creator>
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<category>news</category>
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<title>Sua dieta super saudável pode deixar você com bafo</title>
<link>http://www.vice.com/pt_br/read/dieta-mal-halito</link>
<pubDate>Thu, 28 Jul 2016 11:00:00 -0300</pubDate>
<description><![CDATA[Corte o carboidrato por sua conta e risco.
]]></description>
<enclosure url="http://vice-images.vice.com/images/articles/meta/2016/07/27/dieta-mal-halito-1469639279.jpg" type="image/jpg" length="1200"></enclosure>
<content:encoded><![CDATA[<p><em>Esta matéria foi originalmente publicada no <a href="https://munchies.vice.com/en/articles/your-super-healthy-diet-is-making-your-breath-stink" target="_blank">MUNCHIES US</a>.</em></p><p>Então você conseguiu começar a <a href="http://www.vice.com/pt_br/read/tentei-economizar-e-comer-de-modo-saudavel-e-quase-estraguei-minha-vida" target="_blank">se alimentar bem</a> e perdeu uns quilos. Você está comendo mais <a href="http://www.vice.com/pt_br/read/comi-insetos" target="_blank">proteínas</a> e gorduras boas, e o mais importante, evitando os terríveis carboidratos; seu corpo está queimando as gordurinhas e você está finalmente sentindo a diferença. Parabéns!</p><p>Ainda assim, saiba que você terá outro problema: o mau cheiro que emana da sua boca. De acordo com o Dr. Wayne Aldredge, presidente da <a href="https://www.perio.org/" target="_blank">Academia Americana de Periodontologia</a>, nos Estados Unidos, o método das dietas de cortar os carboidratos para queimar proteína dietética e gordura pode resultar num caso grave de mau hálito.</p><p>Em entrevista ao site <a href="https://www.thrillist.com/health/nation/ketogenic-diet-causes-bad-breath" target="_blank">Thrillist</a>, Aldredge explicou que seguir uma <a href="https://en.wikipedia.org/wiki/Ketogenic_diet" target="_blank">dieta cetogênica</a>, aquela do estilo Atkins que corta drasticamente os carboidratos (pão nem pensar) da sua alimentação, pode levar a um estado metabólico chamado cetose. Quando a ingestão de carboidratos diminui para menos de trinta gramas por dia, este processo conduz o corpo a se livrar de compostos orgânicos, conhecidos como cetonas, através da boca, um cheiro muitas vezes descrito como "fruta podre, ou mesmo metálico." Nojento.</p><p>De acordo com Aldredge, o motivo deste processo é o delicado equilíbrio das bactérias que moram em nossas bocas, cuja população é significativamente impactada pela ausência súbita de carboidratos. "Alimentos ricos em açúcar e carboidratos podem criar ambientes ácidos na boca", disse Aldredge ao Thrillist. "As bactérias que podem levar a doenças periodontais prosperam nestes ambientes, alimentando-se do açúcar que se prolonga a partir dos alimentos que comemos."</p><blockquote><strong>Leia: </strong><a href="http://www.vice.com/pt_br/read/a-desconfortvel-historia-das-dietas-modinha"><strong>"A desconfortável história das dietas modinha"</strong></a></blockquote><p>Em outras palavras, uma dieta pobre em açúcar, na verdade, pode ser boa para a sua saúde oral, porque há menos bactérias na boca. No entanto, quando se trata de cheiros e cetonas, a boca não é o problema. Como a cetose vem de dentro, enxaguantes bucais e balas não vão ajudar muito. Quer algumas dicas de expert do Dr. Aldredge? Ele aconselha quem não come carboidratos a beber muita água, mastigar folhas de hortelã frescas, sementes de funcho, e mascar chicletes sem açúcar.</p><p>Ou então você pode simplesmente parar de se importar com o que as pessoas pensam do seu bafo e comer a comida que te faz bem.</p><p><em>Tradução: Taís Toti</em></p><p class="MsoNormal"><i>Siga a <strong>VICE Brasil</strong> no </i><a href="https://www.facebook.com/vicebrasil"><i>Facebook</i></a><i>, </i><a href="https://twitter.com/vicebrasil"><i>Twitter</i></a><i> e </i><i><a href="https://www.instagram.com/vicebrasil/"><i>Instagram<i></i></i></a><i>.</i></i></p><p><i><i></i></i></p><p><br></p>
]]></content:encoded>
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<dc:creator>Nick Rose</dc:creator>
<media:category>food</media:category>
<category>food</category>
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<title>O Crackinho vai entrevistar o Rafael Ilha</title>
<link>http://www.vice.com/pt_br/read/crackinho-entrevista-rafael-ilha</link>
<pubDate>Wed, 27 Jul 2016 18:00:00 -0300</pubDate>
<description><![CDATA[O ex-Polegar Rafael Ilha e o Crackinho no quadro 'Fala aí, Amiguinho'. Tem coisa melhor?
]]></description>
<enclosure url="http://vice-images.vice.com/images/articles/meta/2016/07/27/crackinho-entrevista-rafael-ilha-1469633146.png" type="image/png" length="945"></enclosure>
<content:encoded><![CDATA[<p class="photo-credit has-image"><img src="https://vice-images.vice.com/images/articles/crops/2016/07/27/crackinho-entrevista-rafael-ilha-1469633146-crop_desktop.png?resize=*:*&output"><br><br></p><p class="photo-credit">Imagem via <a href="https://www.facebook.com/crackinhotalkshow/photos/a.260540227643363.1073741828.258307784533274/274774889553230/?type=3&__mref=message_bubble" target="_blank">Facebook</a>.</p><p>Enquanto você lê esta matéria, o <a href="http://laja.minestore.com.br/categorias/crackinho" target="_blank">Crackinho</a> entrevista (ou já entrevistou) um dos toxicodependentes mais famosos do Brasil, o ex-Polegar Rafael Ilha. A entrevista vai ao ar provavelmente em outubro.</p><p>Criado pelo <a href="http://www.vice.com/pt_br/tag/F%C3%A1bio%20Mozine" target="_blank">Fábio Mozine</a> para zoar um amigo que, segundo ele conta, andava meio sujismundo, "parecendo um crackinho que anda", o personagem ganhou sucesso <a href="https://www.youtube.com/watch?v=kZXEMrxLb4o" target="_blank">ao entrar</a> no final do clipe de <a href="https://www.youtube.com/watch?v=1E9AhpsERAA" target="_blank">"Pedra"</a>, da banda <a href="http://noisey.vice.com/pt_br/tag/Mukeka+di+Rato" target="_blank">Mukeka Di Rato</a>. Ele foi animado pelo Fernando Rick, da Black Vomit Filmes, que hoje tornou-se parceiro de Mozine no talk show.  De lá pra cá, virou o principal item de merchandising da Läjä Records, gravadora underground criada por Mozine no final da década de 1990.</p><p>O fato é que o talk show soma-se a uma gama de produtos comerciais que só faz crescer. A Läjä produz e vende camisetas, bermudas, moletons, adesivos, canecas e até um boneco do Crackinho.</p><p>Como atesta a notícia mais recente sobre o talk show, a aposta dos criadores do Crackinho Talk Show é diversificar a linha editorial para fugir do roquenrol e da música, embora seja inegável o peso das participações iniciais, como os episódios no ar com <a href="http://noisey.vice.com/pt_br/tag/givly+simons" target="_blank">Givly Simons</a>, vocalista da <a href="http://noisey.vice.com/pt_br/tag/figueroas" target="_blank">Figueroas Lambada Quente</a>, Jão do <a href="http://noisey.vice.com/pt_br/tag/ratos+de+por%C3%A3o" target="_blank">Ratos de Porão</a>, e com o produtor <a href="https://www.youtube.com/watch?v=s8w3vCI8pqY" target="_blank">Carlos Eduardo Miranda</a>. Com duração média de pouco mais de 10 minutos, já estão no ar no YouTube os três programas.</p><p>"A nossa ideia é misturar gente de perfis e áreas diferentes e agregar todo tipo de político, não fazer uma parada chapa branca e nem só de música, nem só de rock, mas assuntos aleatórios e diferentes", contou Rick. Já Mozine foi mais direto e menos polido ao revelar o critério básico para ser entrevistado pelo Crackinho. "O critério é não chamar babaca, pessoas nocivas, ruins, que simpatizem com ideias de extrema direita. Essas pessoas estão cortadas. Quero chamar pessoas que nunca foram entrevistadas", resumiu. Foi idealista. Meio ditatorial, até.</p><p><div class="resp-video-wrapper youtube-wrapper"><iframe src="//www.youtube.com/embed/rTXj8edoWGk" width="100%" height="100%" frameborder="0" scrolling="no" data-original-width="854px" data-original-height="480px" webkitallowfullscreen webkitAllowFullScreen mozallowfullscreen allowfullscreen></iframe></div></p><p>"A maioria das coisas do Crackinho, incluindo o seu surgimento, foi acontecendo por acaso, sem muita pesquisa, tipo, "vou criar um personagem" e começo uma pesquisa, nossa! Não, foi tudo surgindo, fizemos camisa, short, caneca. Então, o talk show do Crackinho, a animação, o desenho, foi surgindo. O talk show é um produto cultural, uma tentativa de fazer umas entrevistas diferentes", disse Mozine.</p><p>Apesar da expectativa em torno do produto, Mozine contou que, por enquanto, o talk show vai ser exibido apenas no YouTube. "Não tem nenhuma grande plano de mandar isso pra televisão, nem nada. A gente nunca sabe o que vai acontecer, né? Mas não tem nenhum "plano maquiavélico" por trás disso", desconversou.</p><p><strong>Bônus e ônus</strong></p><p>Ninguém duvida que o Crackinho tornou-se uma boa fonte de renda para o Fábio Mozine. Nem ele desmente. Apesar de não revelar valores que fatura com sua irreverente criação, não é difícil constatar a força do personagem: basta visitar a loja virtual da Läjä Records para conhecer a lista de produtos estampados com o Crackinho: Por enquanto, são camisetas, bermudas, bótons, moletons, bonés, adesivos, canecas e boneco. Em breve, um livro para colorir. Não há limites para esse pessoal.</p><p><div class="resp-video-wrapper youtube-wrapper"><iframe src="//www.youtube.com/embed/el998uOxDkY" width="100%" height="100%" frameborder="0" scrolling="no" data-original-width="854px" data-original-height="480px" webkitallowfullscreen webkitAllowFullScreen mozallowfullscreen allowfullscreen></iframe></div></p><p>Por outro lado, Mozine brinca em suas redes sociais com os fãs meio desmiolados que estão espalhando tatuagens do personagem pelo corpo. "Se sou o tutor desta pobre alma, corto-lhe as costas no rabo de tatu a ponto de Paixão de Cristo parecer filme da Pixar", brincou sobre um que lhe enviou fotografia do Crackinho tatuado na perna. "Meu sonho é que Christo volte a Terra e ampute este pé, obrigada. #‎crackinho‬ #‎crazy‬ #‎tattoo‬", implicou com outro que publicou foto do personagem tatuado no calcanhar. ‬‬‬‬‬‬‬‬‬</p><p><em>Assista aos programas: <a href="https://goo.gl/stBa6F" target="_blank">Crackinho Talk Show</a> </em></p><p><em>Siga o Giba no Twitter: @gibamedeiros</em></p><p><em><strong>Siga a VICE Brasil no <a href="https://www.facebook.com/vicebrasil">Facebook</a>, <a href="https://twitter.com/vicebrasil">Twitter</a> e <a href="https://www.instagram.com/vicebrasil/">Instagram</a>.</strong></em><em><br></em></p>
]]></content:encoded>
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<dc:creator>Gilberto Medeiros</dc:creator>
<media:category>interviews</media:category>
<category>interviews</category>
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<title>Como é ser o artista de rua mais amado e odiado do centro de São Paulo</title>
<link>http://www.vice.com/pt_br/read/o-artista-de-rua-mais-amado-e-odiado-de-so-de-paulo</link>
<pubDate>Wed, 27 Jul 2016 10:00:00 -0300</pubDate>
<description><![CDATA[Com vocês, Faísca, o enrolador de multidões e atravessador de facas de bom coração.
]]></description>
<enclosure url="http://vice-images.vice.com/images/articles/meta/2016/06/01/o-artista-de-rua-mais-amado-e-odiado-de-so-de-paulo-1464812050.jpg" type="image/jpg" length="2000"></enclosure>
<content:encoded><![CDATA[<p>Não se surpreenda se você, um curioso nas ruas do centro de São Paulo, trombar com uma aglomeração de pessoas intrigadas com um homem pequeno e descabelado com pinta de maluco. "Eu vou saltar minha gente, é o puuuulo do Tiiiiiiigre Selvageeeem!!!", ele berra, forçando uma voz desafinada e diante de um tripé com um aro cercado por treze afiadas facas de cozinha e um facão de cortar cana.<br>
</p><p class="photo-credit has-image"><img src="https://vice-images.vice.com/images/content-images-crops/2016/06/01/o-artista-de-rua-mais-amado-e-odiado-de-so-de-paulo-body-image-1464807545-size_1000.jpg?resize=*:*&output-quality=75" data-original-width="2000" data-original-height="1335" data-model-id="187305" data-path="images/content-images/2016/06/01/" data-crop-path="images/content-images-crops/2016/06/01/" data-image-filename="o-artista-de-rua-mais-amado-e-odiado-de-so-de-paulo-body-image-1464807545.jpg" class="vmp-image"><br>O Tigre mostra as garras. Foto: Guilherme Santana/VICE
</p><p>Faísca, o Tigre Selvagem, faz careta, esboça uma pose de fisiculturista e diz que está possuído. Ele se abaixa como um corredor esperando o tiro de largada. Sem camisa, descalço e vestindo apenas a calça jeans surrada, as cicatrizes nas costas indicam que a ação é arriscada.<br>
</p><p class="photo-credit has-image"><img src="https://vice-images.vice.com/images/content-images-crops/2016/06/01/o-artista-de-rua-mais-amado-e-odiado-de-so-de-paulo-body-image-1464807675-size_1000.jpg?resize=*:*&output-quality=75" data-original-width="2000" data-original-height="1351" data-model-id="187307" data-path="images/content-images/2016/06/01/" data-crop-path="images/content-images-crops/2016/06/01/" data-image-filename="o-artista-de-rua-mais-amado-e-odiado-de-so-de-paulo-body-image-1464807675.jpg" class="vmp-image"><br>O povo curioso. Foto: Guilherme Santana/VICE
</p><p>Ele está colado na multidão, prestes a saltar no meio do aro e o pequeno vão entre as facas quando, de repente, toma um susto e se levanta. "Assim não dá, minha gente! Você apertou a minha bunda, homem?". O homem da plateia, confuso e de braços cruzados, responde que não. As pessoas começam a xingar e exigir. "Pula, porra! Tô esperando faz meia hora!", diz um engravatado. "Pula, seu mentiroso!", resmunga a quarentona. "Vai! Eu tenho que ir trabalhar e já dei dois reais!", protesta o motoboy, seguido por dezenas de pessoas entre a raiva e as risadas.<br>
</p><p class="photo-credit has-image"><img src="https://vice-images.vice.com/images/content-images-crops/2016/06/01/o-artista-de-rua-mais-amado-e-odiado-de-so-de-paulo-body-image-1464807782-size_1000.jpg?resize=*:*&output-quality=75" data-original-width="2000" data-original-height="1291" data-model-id="187310" data-path="images/content-images/2016/06/01/" data-crop-path="images/content-images-crops/2016/06/01/" data-image-filename="o-artista-de-rua-mais-amado-e-odiado-de-so-de-paulo-body-image-1464807782.jpg" class="vmp-image"><br>Muito força nessas horas. Foto: Guilherme Santana/VICE
</p><p dir="ltr">"O cara apertou a minha bunda, pô! Agora perdi a concentração", rebate o Faísca, debaixo de novos xingamentos. "Vamo povo! Todo mundo quer ver eu me estrebuchar, mas valorizar a arte de rua ninguém quer, né?", ele aponta para o saquinho de arrecadação. Algumas pessoas se convencem e jogam desleixadamente moedas pelo chão.
</p><p dir="ltr">***
</p><p dir="ltr">O dia de trabalho de João do Espírito Santo Lima — "Eu pulo como um Tigre, sou rápido como uma Faísca" — começa cedo, às 7h da manhã. Ele, a esposa Miraneide e os cinco filhos vivem em um quartinho de cortiço de 11m², com paredes azuis desbotadas e alguns poucos pertences. "Aqui no bairro é bem tranquilo e não tem nada desses problemas da cidade", ironiza o Faísca sobre seu endereço na Rua Helvetia, mais conhecida no jargão popular como Rua da Cracolândia.
</p><p class="photo-credit has-image"><img src="https://vice-images.vice.com/images/content-images-crops/2016/06/01/o-artista-de-rua-mais-amado-e-odiado-de-so-de-paulo-body-image-1464807923-size_1000.jpg?resize=*:*&output-quality=75" data-original-width="2000" data-original-height="1314" data-model-id="187313" data-path="images/content-images/2016/06/01/" data-crop-path="images/content-images-crops/2016/06/01/" data-image-filename="o-artista-de-rua-mais-amado-e-odiado-de-so-de-paulo-body-image-1464807923.jpg" class="vmp-image"><br>Faísca e seus meninos. Foto: Guilherme Santana
</p><p>Ainda um tanto sonolentos, Faísca, Miraneide e Pajé (nome artístico do filho de 12 anos que pretende seguir os rumos do pai) saem em direção aos logradouros mais movimentados da região central, enquanto as outras crianças ficam entre a escola e a creche.
</p><p>"Que horas são?", pergunta o Faísca para Miraneide. "Quase oito", responde a esposa. "Então vamos pra Rua Barão de Itapetininga, que lá tá com sombra agora", replica o marido, bastante conhecedor daquelas bandas da cidade.<br>
</p><p class="photo-credit has-image"><img src="https://vice-images.vice.com/images/content-images-crops/2016/06/01/o-artista-de-rua-mais-amado-e-odiado-de-so-de-paulo-body-image-1464808055-size_1000.jpg?resize=*:*&output-quality=75" data-original-width="2000" data-original-height="1325" data-model-id="187316" data-path="images/content-images/2016/06/01/" data-crop-path="images/content-images-crops/2016/06/01/" data-image-filename="o-artista-de-rua-mais-amado-e-odiado-de-so-de-paulo-body-image-1464808055.jpg" class="vmp-image"><br>Do menor pro maior: Pajé, Miraneide e Faísca. Foto: Guilherme Santana/VICE
</p><p>Chegando ao local, Pajé começa a fazer piruetas, plantar bananeira e gingar capoeira, já chamando a atenção dos transeuntes. Enquanto isso, o pai do pequeno menino com rosto de índio e longo cabelo preto monta o aro no tripé e começa a arrumar o espetáculo.<br>
</p><p class="photo-credit has-image"><img src="https://vice-images.vice.com/images/content-images-crops/2016/06/01/o-artista-de-rua-mais-amado-e-odiado-de-so-de-paulo-body-image-1464808139-size_1000.jpg?resize=*:*&output-quality=75" data-original-width="2000" data-original-height="1341" data-model-id="187317" data-path="images/content-images/2016/06/01/" data-crop-path="images/content-images-crops/2016/06/01/" data-image-filename="o-artista-de-rua-mais-amado-e-odiado-de-so-de-paulo-body-image-1464808139.jpg" class="vmp-image"><br>Manda muito nas piruetas. Foto: Guilherme Santana/VICE
</p><p>Quando Faísca pega as facas e o facão de cortar cana, e começa a encaixá-los no aro, pronto, já está formada uma aglomeração de pessoas. "Ele vai mesmo pular no meio disso?", pergunta uma mãe, aflita, com o bebê no colo.<br>
</p><p>***<br>
</p><p class="photo-credit has-image"><img src="https://vice-images.vice.com/images/content-images-crops/2016/06/01/o-artista-de-rua-mais-amado-e-odiado-de-so-de-paulo-body-image-1464808200-size_1000.jpg?resize=*:*&output-quality=75" data-original-width="2000" data-original-height="1338" data-model-id="187318" data-path="images/content-images/2016/06/01/" data-crop-path="images/content-images-crops/2016/06/01/" data-image-filename="o-artista-de-rua-mais-amado-e-odiado-de-so-de-paulo-body-image-1464808200.jpg" class="vmp-image"><br>Marcas do ofício. Foto: Guilherme Santana/VICE
</p><p>Já passou pouco mais de uma hora. Muitos que deixaram — ou não — algum trocado foram embora, vencidos pela impaciência. Mas, para cada pessoa que parte, a roda parece ganhar mais um ou dois curiosos em seu lugar. E o show do Tigre Selvagem prossegue.
</p><p>Para segurar os ânimos, não basta ficar só de conversa fiada. Mas Faísca é ligeiro e tem as cartas na manga. "Olha só, meu povo, vou ensinar como lustrar o nariz, a garganta e a boca em uma só tacada", ele anuncia, tirando do bolso da calça uma longa tira de saco plástico. A galera parece não estar muito empolgada. Faísca percebe e logo enfia a ponta da sacola na narina. Ele inspira o ar com força e a ponta some, passa pela traqueia e a sacola sai pela boca. Pasmo geral. "Ai, que nojeira!", reclama a loira platinada, destoando dos que aplaudem a façanha.
</p><p class="photo-credit has-image"><img src="https://vice-images.vice.com/images/content-images-crops/2016/06/01/o-artista-de-rua-mais-amado-e-odiado-de-so-de-paulo-body-image-1464808779-size_1000.jpg?resize=*:*&output-quality=75" data-original-width="2000" data-original-height="1343" data-model-id="187326" data-path="images/content-images/2016/06/01/" data-crop-path="images/content-images-crops/2016/06/01/" data-image-filename="o-artista-de-rua-mais-amado-e-odiado-de-so-de-paulo-body-image-1464808779.jpg" class="vmp-image"><span class="redactor-invisible-space"><br>O fã do Bob curtiu. Foto: Guilherme Santana/VICE</span>
</p><p dir="ltr">Em seguida, após dar mais uma enrolada entre a anedota e o besteirol, ele tira um coco da mala. "Agora, é o teste pra ver se estou bem da cabeça!", grita. Faísca coloca o coco no chão e começa a dar cabeçadas no fruto duro feito um tronco.
</p><p>Cerca de dez cabeçadas depois, que parecem não surtir efeito, Faísca fica de pé, segura o coco com as mãos e o esforço continua. A tarefa é difícil, cansativa. Ele pausa alguns segundos, respira profundamente e grita "agora vai!!!". Com mais algumas pancadas, o coco quebra. Faísca, com a testa avermelhada, parece feliz com o resultado, e as pessoas também, mas, após a admiração inicial, as reclamações voltam.
</p><p class="photo-credit has-image"><span class="redactor-invisible-space"><img src="https://vice-images.vice.com/images/content-images-crops/2016/06/01/o-artista-de-rua-mais-amado-e-odiado-de-so-de-paulo-body-image-1464808838-size_1000.jpg?resize=*:*&output-quality=75" data-original-width="2000" data-original-height="1340" data-model-id="187327" data-path="images/content-images/2016/06/01/" data-crop-path="images/content-images-crops/2016/06/01/" data-image-filename="o-artista-de-rua-mais-amado-e-odiado-de-so-de-paulo-body-image-1464808838.jpg" class="vmp-image"><span class="redactor-invisible-space"><br>Quebra-coco. Foto: Guilherme Santana/VICE</span></span>
</p><p>"Pula desgraçado! Pula! A gente não tá aqui pra ver você quebrar a cabeça!", exclama um homem alto e largo como um armário. "E eu só vou pagar depois que você pular! Como vou dar dinheiro por algo que eu não vi?", argumenta uma mulher baixa. "Então você quer que eu morra primeiro, pra receber depois?", retruca o artista de rua mais amado e odiado do centro de São Paulo. "Eita morte barata", ele lamenta, apontando para as moedas que já acumulou. "Olha, não dá pra comprar o caixão, mas isso aqui já ajuda", corresponde um senhor de idade, entregando uma nota de R$5. "Muito obrigado", responde Faísca, com sinceridade.<br>
</p><p dir="ltr">***
</p><p dir="ltr">Criado ao lado de sete irmãos na pequena cidade de Araguaína, no Tocantins, João ainda era criança quando decidiu que seria artista de rua. "Minha infância foi divertida. Meu negócio era pular. Pulava das construções, das árvores, dos postes, de tudo o que aparecia na minha frente. Eu também adorava um programa do Guinness Book que passava na TV, com os caras fazendo um monte de proezas e quebrando recordes, e aquilo me inspirou a ser o que eu sou hoje", relembra o artista.
</p><p dir="ltr">O aprendizado era na base da observação. Tudo bem de rua. Um dia, ele viu na praça um homem enfiando objetos no nariz e tirando pela boca. João logo pegou um grão de feijão e fez o mesmo. Quando chegava algum artista de rua, ele corria atrás. Assim, aprendeu trapézio, como mastigar vidro e outros números. Com os bons malandros, conheceu a capoeira. Quando tinha rodeio, logo arranjava um trabalho de palhaço que distrai o touro. O tempo passava e o leque de habilidades só crescia, mas o que surpreendeu mesmo o moleque João foi um pessoal da Bahia que apareceu certa vez na cidade.
</p><p dir="ltr">"Eu nunca tinha visto nada igual. Aqueles caras saltavam por entre as facas! Juntava um monte de gente! Achava o máximo", diz, com empolgação. "Comecei com facas de plástico, mas o povo não animava comigo e os baianos começaram a caçoar de mim. Aí eu falei: 'brevemente vocês vão ver que eu não vou ter adversário." Então, ele dedicou-se aos treinos, dessa vez usando facas de verdade. Quando ganhou confiança, ressurgiu trazendo uma inovação: o facão de cortar cana no meio do aro, que diminuiu em menos da metade o espaço da travessia, findando, de fato, a concorrência.<br>
</p><p class="photo-credit has-image"><img src="https://vice-images.vice.com/images/content-images-crops/2016/06/01/o-artista-de-rua-mais-amado-e-odiado-de-so-de-paulo-body-image-1464809293-size_1000.jpg?resize=*:*&output-quality=75" data-original-width="2000" data-original-height="1329" data-model-id="187330" data-path="images/content-images/2016/06/01/" data-crop-path="images/content-images-crops/2016/06/01/" data-image-filename="o-artista-de-rua-mais-amado-e-odiado-de-so-de-paulo-body-image-1464809293.jpg" class="vmp-image"><br>Instrumentos de trabalho. Foto: Guilherme Santana/VICE
</p><p dir="ltr">Quando atinou na arte de pular facas, João adotou seu nome de rua: Faísca, O Tigre Selvagem. Ganhou público e fama em Araguaína. "Aos 12 anos de idade, eu já era profissional", afirma. Pouco tempo depois, a cidade ficou pequena pra ele. "Um dia, falei lá em casa que ia dar uma volta. Voltei dois anos depois. Minha família ficou bem brava, me chamou de louco. Mas passei só pra dar um oi e cair na estrada de novo", explica Faísca.
</p><p>Virou mochileiro. Foi de norte a sul, de leste a oeste pelo Brasil. De praxe, as roubadas aconteciam. No Pará, foi interrogado na delegacia por causa de um padre que se sentiu ofendido com "o sujeito que falava do demônio e queria saltar um circulo cheio de facas na frente da igreja". Em outra ocasião, após enrolar o povo por muito tempo, um homem o imobilizou com força: "Vamos linchar esse desgraçado! Ele pegou nosso dinheiro e não vai pular!". Já nas cidades do interior, onde os circos ainda são tradição, Faísca viajou com diversas trupes, onde fazia de tudo, até número de enterrado vivo. "Mas no circo eu não me adaptei. Gosto mesmo é da profissão de pular na rua... pular como um Tigre, rápido como uma Faísca".<br>
</p><p class="photo-credit has-image"><img src="https://vice-images.vice.com/images/content-images-crops/2016/06/01/o-artista-de-rua-mais-amado-e-odiado-de-so-de-paulo-body-image-1464809403-size_1000.jpg?resize=*:*&output-quality=75" data-original-width="2000" data-original-height="1353" data-model-id="187332" data-path="images/content-images/2016/06/01/" data-crop-path="images/content-images-crops/2016/06/01/" data-image-filename="o-artista-de-rua-mais-amado-e-odiado-de-so-de-paulo-body-image-1464809403.jpg" class="vmp-image"><br>Faz-me-rir. Foto: Guilherme Santana/VICE
</p><p><span id="docs-internal-guid-c53db700-0d75-abc2-3791-49f5ea1cb1e7">São Paulo era a meta. Público numeroso, ruas fartas, alta circulação de grana, era o que pensava o Tigre Selvagem. Mas, ao chegar na maior metrópole da América Latina, a realidade foi outra. "Nas cidades pequenas, a plateia é menor, mas não é mão de vaca. Eles valorizam quando um artista de rua aparece", observa Faísca. "Já em São Paulo, o pessoal tem a cobra no bolso, porque todo dia vem artista do mundo todo, e assim o povo enjoa fácil."<br><br>Entre saltos e riscos, Faísca, afinal, ganhava pouco até para as despesas mais básicas. O jeito foi morar no próprio ambiente de trabalho. "De dia, eu era artista de rua, de noite, eu morava na rua. Já dormi na Av. Paulista, no Viaduto do Chá e num monte de lugar tranqueira". Ele segurava a bronca. Afinal, fazia o que sempre quis. "Pra mim, a melhor parte sempre foi ver o povo sorrir. Mas, depois, percebi que não era só pular as facas; isso nem é tão difícil. O segredo é segurar as pessoas. Quanto mais risada, mais elas ficam e mais dinheiro elas dão". Após aquela temporada em São Paulo, Faísca voltou pra estrada. Foi ganhar experiência e anos depois iria retornar — dessa vez, acompanhado.</span>
</p><p><strong>***</strong>
</p><p>Um jovem de cabelo tingido de vermelho, e que se identifica como punk, está bravo. "Pô cara, eu só queria ver ele varar as facas, só que vai fazer duas horas que o filho da p%#$ tá falando que vai saltar. Agora, vou ficar até o final só torcendo pra ele se machucar inteirinho. Juro, quero ver sangue!", ele diz, sentado no chão com uma cerveja na mão.
</p><p dir="ltr">Não demora e Faísca prepara a próxima surpresa. Ele se aproxima do aro e começa a remover as facas. "Porra, tá tirando porquê? Você não disse que ia saltar?!", grita o jovem sanguinário. No embalo, a galera ao redor também xinga, ameaça. Antes que alguém parta pra cima, um aviso: "vou cumprir a promessa minha gente! Mas quero mostrar o que dá pra fazer com uma faca. Recomendo que quem estiver com criança, que cubra os olhos dela".<br><br><span id="docs-internal-guid-c53db700-0d78-a75a-0492-6bf196f67f94">O povo se acalma. Ninguém tapa os olhos dos menores, achando que é balela. Faísca pega uma das facas e, devagarinho, enfia dentro do nariz a lâmina inteirinha. Tem gente que vira o rosto, alguns ficam boquiabertos. O faquir (a quase extinta profissão dos que vivem às custas da auto-tortura) enfia outra faca no nariz, dessa vez bem rápido. Depois enfia outra. E mais uma. E lá vai a quinta faca. E não para. Termina com sete laminas de 11cm cada em direção ao cérebro. É mais punk que o punk. "Caralho! Isso foi sinistro!", o cabeleira vermelha arregala os olhos, dando um longo gole de cerveja. Moedas e mais moedas são jogadas no chão.</span><br>
</p><p dir="ltr"><strong>***</strong><br>
</p><p dir="ltr" class="photo-credit has-image"><img src="https://vice-images.vice.com/images/content-images-crops/2016/06/01/o-artista-de-rua-mais-amado-e-odiado-de-so-de-paulo-body-image-1464809895-size_1000.jpg?resize=*:*&output-quality=75" data-original-width="2000" data-original-height="1327" data-model-id="187333" data-path="images/content-images/2016/06/01/" data-crop-path="images/content-images-crops/2016/06/01/" data-image-filename="o-artista-de-rua-mais-amado-e-odiado-de-so-de-paulo-body-image-1464809895.jpg" class="vmp-image"><br>Tá suave. Foto: Guilherme Santana/VICE
</p><p dir="ltr">Novamente na estrada, Faísca fez muitos amigos, gente que oferecia casa e mesa para o artista. A mais importante dessas pessoas ele conheceu no município de Tailândia, no Pará. Na verdade, foi Miraneide que quis atrair o inusitado homem que quebrou a rotina do lugarejo. "A primeira vez que vi o Faísca foi numa apresentação em um colégio. Ele me conquistou na base da risada, foi amor à primeira vista, e eu que fui atrás dele", assegura a esposa. "Ele disse que iria cuidar de mim e da minha filha do meu primeiro casamento e, desde então, estamos juntos há 14 anos".
</p><p dir="ltr">Ao lado da companheira, Faísca seguiu viagem e, quatro filhos depois, uma nova trupe estava formada. Com as crianças crescidas, criaram o circo próprio. Era chegar no lugar, estacar as varas, erguer a lona e anunciar pro povo. Cada dia, uma cidade diferente. Pra somar no espetáculo, às vezes, Faísca até encontrava seu irmão de sangue, o Fumaça, também artista itinerante e de habilidades ímpares.
</p><p dir="ltr">Após passar por diversos lugares, a família estacionou, enfim, em São Paulo. As coisas foram melhores dessa vez e Faísca já tinha o formato ideal para as apresentações: piadas, provocações, flagelos e, por último, o maldito <em>gran finale</em>. O povo ficava bastante tempo, soltava mais dinheiro e ele arranjou um teto para a família.
</p><p dir="ltr">Conforme a esposa, na cidade grande, a responsabilidade com os filhos ficou maior. "Dentro de casa ele é todo brincalhão, mas também é o carrasco. Dá bronca em mim, dá bronca nas crianças, mas é porque ele se preocupa com a gente", explica Miraneide. "Ele é um homem muito trabalhador e otimista. Nunca deixou faltar comida e, quando promete algo, faz de tudo pra cumprir".
</p><p class="photo-credit has-image"><img src="https://vice-images.vice.com/images/content-images-crops/2016/06/01/o-artista-de-rua-mais-amado-e-odiado-de-so-de-paulo-body-image-1464810448-size_1000.jpg?resize=*:*&output-quality=75" data-original-width="2000" data-original-height="1339" data-model-id="187334" data-path="images/content-images/2016/06/01/" data-crop-path="images/content-images-crops/2016/06/01/" data-image-filename="o-artista-de-rua-mais-amado-e-odiado-de-so-de-paulo-body-image-1464810448.jpg" class="vmp-image"><br>Jovem aprendiz do faquirismo. Foto: Guilherme Santana/VICE
</p><p>As crias piram nas aptidões do pai, e sobre o filho mais velho seguir na carreira de pulador, Miraneide é diplomática. "Eu queria que o Pajé fizesse outra coisa da vida. Mas, se essa for a vontade dele, vou apoiar, até porque o Pajé leva jeito. Ele já faz o pulo de facas, só não se apresenta ainda porque é menor de idade". E reclamação do marido, Miraneide só tem uma mesmo: "É que eu fico irritada porque ele demora muito pra saltar. E eu tenho que ficar lá segurando a lateral do círculo; o braço dói. Mas de resto, somos uma família feliz. Enquanto estivermos juntos, estamos bem. Ao menos, alegria nunca faltou pra nós", conclui.<br><br><strong>***<br><br></strong>Fumaça, que estava de passagem por São Paulo, veio dar um confere no show do irmão. Faísca aproveitou a visita e tirou uma corda de muitos metros da mala. "Gente, esse é o meu irmão, Fumaça. Ele também enfia faca no nariz, <a href="https://www.youtube.com/watch?v=4XXB1p1P3Ro">come equipamentos eletrônicos</a> e faz um monte de coisa maluca. Mas agora vai mostrar que também é escapista", alardeia. "Preciso de alguns voluntários para amarrarem o Fumaça, e ele vai sair em menos de 10 minutos sem usar as mãos. Se ele não conseguir, devolvo o dinheiro de todos", arremata o irmão sacana.
</p><p class="photo-credit has-image"><img src="https://vice-images.vice.com/images/content-images-crops/2016/06/01/o-artista-de-rua-mais-amado-e-odiado-de-so-de-paulo-body-image-1464810582-size_1000.jpg?resize=*:*&output-quality=75" data-original-width="1326" data-original-height="2000" data-model-id="187335" data-path="images/content-images/2016/06/01/" data-crop-path="images/content-images-crops/2016/06/01/" data-image-filename="o-artista-de-rua-mais-amado-e-odiado-de-so-de-paulo-body-image-1464810582.jpg" class="vmp-image"><br>O Fumaça ficou tranquilão. *Foto: Guilherme Santana/VICE<br>
</p><p>Vários marmanjos se apresentam. Faísca escolhe três homens fortes, seguro de que Fumaça não vai por em risco a grana suada. Após dez minutos e dezenas de laços e nós, Fumaça está apertado do pescoço aos pés. "Valendo!", grita Faísca. Fumaça começa a rebolar. Requebra, se remexe todo. Ele não pode usar as mãos. O povo fica estasiado, achando que vai ganhar. Apesar do cansaço da dança do escapista, o primeiro laço se solta. A cintura vai trabalhando. Outro laço cai. A corda vai afrouxando e, ao final de oito minutos, Fumaça está livre, fácil-fácil; a plateia, frustrada mas rindo; e os três homens fortes, desmoralizados. Tudo não passava de mais uma tática pra ganhar tempo. O ato rende mais alguns trocados.<br>
</p><p class="photo-credit has-image"><img src="https://vice-images.vice.com/images/content-images-crops/2016/06/01/o-artista-de-rua-mais-amado-e-odiado-de-so-de-paulo-body-image-1464810765-size_1000.jpg?resize=*:*&output-quality=75" data-original-width="2000" data-original-height="1325" data-model-id="187337" data-path="images/content-images/2016/06/01/" data-crop-path="images/content-images-crops/2016/06/01/" data-image-filename="o-artista-de-rua-mais-amado-e-odiado-de-so-de-paulo-body-image-1464810765.jpg" class="vmp-image"><br>O Tigre de olho na onça. Foto: Guilherme Santana/VICE
</p><p>"Tá, já deu! Até eu que parei pra vender água pro povo já tô de saco cheio! Pula logo, meu!", exclama um mascate. "Vai! Pula!", a morena. "Para de enrolar!", o oriental. "Seu cafajeste!", a mãe com dois filhos. "Olha aqui! Se você for macho mesmo, tá aqui R$50 pra você pular agora! Quero ver! Aposto que você não tem coragem", instiga um homem segurando a nota atrás do círculo de facas. Faísca fica atiçado, molha o beiço e puxa dois sujeitos ao lado: "Ei vocês, vêm cá, rápido, segurem o aro pra mim!". Cada um segura o aro de um lado, e o tripé faz o apoio por baixo. O homem da nota demonstra receio, mas mantém a pose. O Tigre Selvagem se abaixa, está com os olhos fixos na onça pintada. Todo mundo fica quieto, parece que agora vai!...vai!!...vai!!!...Mas não vai, porque, do nada, dois homens-placa que estavam ali começam a trocar socos e pontapés, interrompendo o espetáculo. (O apostador guarda o dinheiro e sai, de mansinho).
</p><p class="photo-credit has-image"><img src="https://vice-images.vice.com/images/content-images-crops/2016/06/01/o-artista-de-rua-mais-amado-e-odiado-de-so-de-paulo-body-image-1464810862-size_1000.jpg?resize=*:*&output-quality=75" data-original-width="2000" data-original-height="1345" data-model-id="187339" data-path="images/content-images/2016/06/01/" data-crop-path="images/content-images-crops/2016/06/01/" data-image-filename="o-artista-de-rua-mais-amado-e-odiado-de-so-de-paulo-body-image-1464810862.jpg" class="vmp-image"><br>Rolou até porrada. Foto: Guilherme Santana/VICE
</p><p><strong>***</strong><br>
</p><p dir="ltr">Entre os espectadores que aguardam o fim do duelo dos homens-placa, está Rogério Evangelista, um senhor bem apessoado de 57 anos, loiro, olhos verdes. Atuando como auxiliador dos artistas de rua da região, ele costuma armar algumas temporadas em outras cidades para o pulador de facas. Funciona assim: Rogério planeja viagens para cantores de pequenos públicos de sertanejo, cobrando a sua parte, mas aproveita e leva o Faísca de graça, na camaradagem.
</p><p dir="ltr">"Há cinco anos eu vi o Faísca pela primeira vez e percebi um talento logo de cara. O salto que ele faz é inédito no Brasil por causa do facão grande. Mas, de vez em quando, é bom ele passar algumas semanas fora, porque aqui em São Paulo já está ficando manjado", admite Rogério, que ultimamente levou a atração para o Rio de Janeiro e Minas Gerais junto com um tal de Alemão do Forró.
</p><p dir="ltr">Enquanto esperava para encontrar um cantor das redondezas, Rogério estava prestigiando o amigo de viagens. "Eu sou fã do Faísca, e não só pelo fato dele arriscar a própria vida pelo seu ofício", diz Rogério. "Ele mora em condições muito humildes e, mesmo tendo pouca coisa, ajuda as pessoas. Volta e meia, o Faísca vê um artista de rua, pega um pouco do dinheirinho que ganhou, e colabora com os caras. Às vezes, quando vê uma pessoa que mora na rua, ele faz a mesma coisa. Com o tempo, descobri nele uma grande pessoa."
</p><p>No meio do povo também estava o mágico Marcos Rodrigues, que aguardava o fim do show do Faísca para se apresentar naquele mesmo lugar. Atuando há quatro anos nas ruas, Marcos vê no Tigre Selvagem uma referência e tanto na área do entretenimento popular. "O Faísca é um cara que dá a alma pelo seu trabalho", observa. "Ele é um ótimo artista porque tem o <em>feeling</em> de enrolar o povo até o último instante e ganhar dinheiro suficiente para o salto valer a pena. É muita técnica, é muita sabedoria e muita sintonia", observa o ilusionista, sem antes estender a voz: "Pula, Faísca!!!". Faísca olha e dá risada, enquanto reagrupa as pessoas com o fim da briga dos homens-placa. (Deu empate e não houve grandes feridas).
</p><p><strong>***</strong>
</p><p>Duas horas atrás ele disse que iria saltar entre as treze facas de cozinha e o facão de cortar cana. Da plateia inicial, resta apenas um casal de silenciosos moradores de rua, o garoto punk e um punhado de gente insistente ao lado dos curiosos que chegaram depois. Faísca já quase rachou o crânio, lustrou a garganta, chegou perto de se auto infligir uma hemorragia interna e depois aprisionou o irmão. Agora, não há mais subterfúgios. Tem gente xingando como nunca. "Mentiroso!". "Falastrão!". "Pinóquio!". "Impostor!". "Cuzão!", daí por diante. "Vocês ficam me injuriando, mas aposto que é só eu saltar que todo mundo vai embora e não tá nem aí", responde o alvo.
</p><p dir="ltr">Faísca, vendo-se cercado de gente brava, conta discretamente o dinheiro acumulado. Arqueia as pestanas. Tem o <em>feeling</em>: "Muito bem, meu povo! Queria agradecer a paciência e a presença de todos vocês! Peço desculpas pelas brincadeiras e se ofendi alguém. Mas esse é o meu ganha pão e a minha arte, então não posso sair daqui de mão abanando e nem enganando vocês! Agradeço quem contribuiu e também quem não contribuiu mas se divertiu. E chega de enrolação. Agora vai!!! É o puuuulo do Tiiiiigre Selvageeeeem, minha gente!!!". A galera comemora.
</p><p class="photo-credit has-image"><img src="https://vice-images.vice.com/images/content-images-crops/2016/06/02/o-artista-de-rua-mais-amado-e-odiado-de-so-de-paulo-body-image-1464902113-size_1000.jpg?resize=*:*&output-quality=75" data-original-width="2000" data-original-height="1336" data-model-id="187875" data-path="images/content-images/2016/06/02/" data-crop-path="images/content-images-crops/2016/06/02/" data-image-filename="o-artista-de-rua-mais-amado-e-odiado-de-so-de-paulo-body-image-1464902113.jpg" class="vmp-image"><br>Preparar... Foto: Guilherme Santana
</p><p dir="ltr">O artista faz muque, faz careta, puxa um alongamento rápido, estrala o pescoço, balança as pernas e solta um catarro no chão. A multidão incentiva. Alguém puxa o coro e alguns cantam em conjunto: "Pulaaa!!! Pulaaa!!! Pula..."
</p><p dir="ltr">Faísca se abaixa. Pajé ali no canto, olho atento. Miraneide e um voluntário estão segurando as laterais do circulo de facas. Seu olhar está concentrado, os músculos do corpo tensionados. Ele grita de novo: "Vamo galera!!! Quero todo mundo incentivando!!!", e bate com as mãos no chão. "Pulaaa!!! Pulaaa!!! Pula...", continuam. Faísca está na adrenalina. Fica num vai não vai. Vai não vai. Vai não vai, quando, de súbito, sai correndo na direção do famigerado círculo de facas.
</p><p><span class="redactor-invisible-space">Os passos são largos, precisos e contados, estilo João do Pulo. O último passo é um grande impulso, há cerca de um metro de distância das facas. O silêncio baixa no ambiente. O Tigre Selvagem estica os braços, junta as pernas, resguarda o rosto. Decolou e parece uma flecha no ar. A cabeça passa primeiro, quase de raspão entre as facas. O torço despido vem depois, preenchendo milimetricamente todo o vão. As pernas, por último, seguem em um movimento suave. Faísca mergulha na pedra portuguesa como se não fosse nada e dá uma cambalhota pra amortecer a queda. Sai sem nenhum arranhão. Foi tudo tão rápido que até parece ilusão.</span>
</p><p class="photo-credit has-image"><img src="https://vice-images.vice.com/images/content-images-crops/2016/06/01/o-artista-de-rua-mais-amado-e-odiado-de-so-de-paulo-body-image-1464811180-size_1000.jpg?resize=*:*&output-quality=75" data-original-width="2000" data-original-height="1326" data-model-id="187341" data-path="images/content-images/2016/06/01/" data-crop-path="images/content-images-crops/2016/06/01/" data-image-filename="o-artista-de-rua-mais-amado-e-odiado-de-so-de-paulo-body-image-1464811180.jpg" class="vmp-image"><br>Aleluia. *Foto: Guilherme Santana/VICE
</p><p dir="ltr">Ele levanta com um sorriso de ponta a ponta. O povo comemora, festeja. Faísca fala consigo mesmo: "Caramba, essa foi perfeita...". Sai no meio das pessoas enfiando as facas no nariz, pra ver se rende uns trocados finais.
</p><p>E agora? Vai fazer o que, Faísca? "Agora vou passar no mercado pra comprar a comida das crianças e levar pra casa" ele responde, ofegante e ainda com algumas facas no nariz. "Mas amanhã tô na rua de novo, depois de amanhã também, no dia seguinte vou fazer a mesma coisa e por aí vai, ganhando um dinheirinho aqui, outro ali... Tô sempre dando os meus pulos, né?". Mas ele mal termina a declaração quando percebe que, ao redor, já não havia plateia. Todos foram embora, assim, ligeiros como um tigre, rápidos como uma faísca. A rua volta a ser o que era antes: apenas um lugar de passagem. E no caminho de casa, ele também volta a ser o João, apenas mais um nome comum no meio da populaça. <br>
</p><p class="photo-credit has-image"><img src="https://vice-images.vice.com/images/content-images-crops/2016/06/01/o-artista-de-rua-mais-amado-e-odiado-de-so-de-paulo-body-image-1464811245-size_1000.jpg?resize=*:*&output-quality=75" data-original-width="2000" data-original-height="1341" data-model-id="187342" data-path="images/content-images/2016/06/01/" data-crop-path="images/content-images-crops/2016/06/01/" data-image-filename="o-artista-de-rua-mais-amado-e-odiado-de-so-de-paulo-body-image-1464811245.jpg" class="vmp-image"><br>Foto: Guilherme Santana/VICE<br>
</p><p><em>*Esta matéria é sobre um dia de trabalho do artista João do Espírito Santo, o Faísca, mas algumas das fotos foram feitas pelo repórter em outros dias e locais.</em>
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<dc:creator>Guilherme Santana</dc:creator>
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<item>
<title>As mulheres realmente assistem a pornô &#039;female friendly&#039;?</title>
<link>http://www.vice.com/pt_br/read/mulheres-assistem-porno-female-friendly</link>
<pubDate>Tue, 26 Jul 2016 21:00:00 -0300</pubDate>
<description><![CDATA[As empresas pornô estão tentando atrair mais usuárias? Ou isso é uma simples preza para a minoria feminina num meio dominado pelo olhar masculino?
]]></description>
<enclosure url="http://vice-images.vice.com/images/articles/meta/2016/07/26/mulheres-assistem-porno-female-friendly-1469560036.jpg" type="image/jpg" length="1200"></enclosure>
<content:encoded><![CDATA[<p><em>Matéria originalmente publicada na <a href="http://www.vice.com/en_au/read/do-women-actually-watch-female-friendly-porn" target="_blank">VICE Austrália</a></em><em>.</em></p><p>O pornô mainstream comercial segue uma fórmula clara. O filme se passa numa mansão — a mulher usa salto, o cara é o herói: ele pega a mulher, tem seu prazer e mal diz uma palavra. As mulheres geralmente existem apenas como ponto de prazer no filme. Elas estão ali para dar, não receber.</p><p>Bom, você pode curtir esse tipo de pornô, e tudo bem. É fácil de assistir, fácil de encontrar e — até certo ponto — inofensivo. Mas se você é mulher, provavelmente vai ter que ir mais fundo para achar algo que realmente te excite.</p><p class="pullquote">"<strong>As empresas pornô estão tentando atrair mais usuárias? Ou isso é uma simples preza para a minoria feminina num meio dominado pelo olhar masculino?"</strong></p><p>Nos últimos cinco anos, a categoria Female Friendly começou a aparecer nos sites pornôs mais conhecidos como Pornhub, YouPorn e xHamster. Eles geralmente colocam com um pequeno símbolo de Vênus perto do nome da categoria, só pra deixar bem claro do que se trata. O conteúdo em si difere de site para site: alguns, como já era de se esperar, se baseiam no papai-mamãe fofo. Outros são mais pesados, usando a palavra "ramming" bastante nos títulos.</p><p>Mas por que essa categoria emergiu? As empresas pornô estão respondendo a um aumento das usuárias, estão tentando atrair mais mulheres? Ou o pornô female friendly é só um gesto token num meio dominado pelo olhar masculino?</p><p class="photo-credit has-image"><img src="https://vice-images.vice.com/images/content-images/2016/07/11/do-women-actually-watch-female-friendly-porn-body-image-1468217807.jpg?resize=*:*&output"><br></p><p class="photo-credit">Gráfico via <a href="http://www.pornhub.com/insights/women-gender-demographics-searches">Pornhub</a>, óbvio.</p><p>Em 2015, o <a href="http://www.pornhub.com/insights/women-gender-demographics-searches" target="_blank">Pornhub e o Redtube se juntaram para analisar dados</a> das espectadoras de pornô. Na média, 24% dos usuários são mulheres, e quase todas disseram que assistem pornô lésbico. Lesbian era a categoria mais procurada, seguida de perto por gay, big dick, teen e threesome. A categoria For Women ficava numa respeitável oitava posição da lista de mais assistidos.</p><p>Fiz <a href="https://twitter.com/chloepapas/status/749771236557803521" target="_blank">minha própria pesquisa nas redes sociais</a> para esta matéria. Das 80 participantes, 90% disseram usar sites de streaming grátis como principal fonte de pornografia, e as categorias que elas assistiam eram extremamente diversas: de amador a lésbico, de bombado a bondage e gangbang, de facesitting a anal, hentai, creampie e romântico, até fetiches incrivelmente específicos. De todas as categorias listadas, apenas três se mostraram populares com a maioria: lésbico, gay e amador.</p><p>Cerca de 30% das participantes assistiam regularmente conteúdo da seção female friendly, e as razões eram bem parecidas: menos agressão, mais foco no prazer da mulher. Uma participante disse que female friendly era igual "pintos menos gigantes e menos misoginia". Outra disse que achava a "concentração de mulheres tendo prazer em vez de serem apenas receptáculos" mais atraente.</p><p>Cerca de 45% das participantes disseram nunca ter cruzado com a seção female friendly, e 25% experimentaram mas não se interessaram. Para quem não curtiu o pornô female friendly, as razões eram quase idênticas: muito suave, muito controlado, muito heterossexual, orgasmos fingidos, muito parecido com soft porn de TV.</p><p>Segundo Ms Naughty, que vem fazendo pornô feminista independente para mulheres desde 2000, as tentativas da indústria pornô de atender as mulheres são apenas fachada. "Eles pintaram o exterior de rosa, mas nada mudou onde realmente interessava: mostrar o prazer e a fantasia feminina." Pela experiência de Ms Naughty, pornô female friendly difere pouco do que você vê na homepage desses sites. "Eles cortam a cabeça do cara, focam no corpo da mulher, e garantem que todo o sexo seja aberto para a câmera, sem importar quão desconfortável pareça."</p><p>De fato, todas as mulheres com quem falei disseram se preocupar com o tratamento que as mulheres recebem na indústria pornô. Muitas falaram sobre consentimento e respeito, e algumas que assistiam pornô hardcore tinham dificuldade em conciliar seus valores feministas e suas preferências em pornografia. Uma das participantes disse: "Como consumidora, não tem como realmente saber se o que você consome num site gratuito é ético, especialmente quando você curte hardcore".</p><p class="pullquote">"Assistir a uma mulher fingindo na velha sequência construída toda em cima do homem simplesmente não é atraente."</p><p>A sexóloga e terapeuta Cyndi Darnell diz que tudo tem a ver com consentimento. "Quando todos os participantes estão dispostos a estar ali e participando conscientemente do que está acontecendo, não há problema", ela diz. "Também é importante lembrar que há uma diferença entre ter uma fantasia e realmente querer realizá-la."</p><p>Segundo Ms Naughty, a natureza ética do pornô ainda é uma grande questão na indústria. "Infelizmente, não existe um selo de 'certificado' que você possa conferir, nem qualquer acordo sobre o que significa pornô ético", ela diz. Ela sugere pesquisar o pornô que você consome: procurar as páginas das empresas, perfis no Twitter, cobertura da mídia e as declarações éticas das produtoras.</p><p>Todo mundo com quem falei sobre esse assunto, e as mulheres que responderam minha pesquisa, tinham preferências extremamente diversas, mas um tema aparecia em toda conversa: prazer. Não importava o que elas curtiam, assistir uma mulher fingindo na velha sequência construída toda em cima do homem — tanto o do vídeo como o espectador — simplesmente não é atraente.</p><p class="has-image"><img src="https://vice-images.vice.com/images/content-images/2016/07/11/do-women-actually-watch-female-friendly-porn-body-image-1468217988.jpg?resize=*:*&output"></p><p class="photo-credit">Acrobatas românticos. Imagem via Pixabay.</p><p>Então talvez a questão não seja se precisamos ou não de uma seção female friendly, mas por que o pornô mainstream continua tão estereotipado e avesso a priorizar o prazer de todas as partes envolvidas? Sabemos que a maioria do pornô mainstream ainda é criado para homens, mesmo que isso vá parar na categoria female friendly. Mas o pornô que temos hoje é realmente o pornô que os homens querem assistir, ou são as grandes empresas da indústria que moldam o mainstream?</p><p>Darnell argumenta que o consumo do pornô é similar ao consumo da mídia no geral. "É por isso que a mídia mainstream é popular: porque as pessoas não querem necessariamente saber das alternativas". Ms Naughty tem um argumento similar: "Há muitos tropos repetitivos no pornô, e muitos dos diretores não estão dispostos ou conseguem mudar o jeito como filmam".</p><p>"Há um certo desespero no que as pessoas estão produzindo agora, porque há muita pornografia grátis e as pessoas estão relutantes em pagar por ela", diz Ms Naughty. "Acho que algumas empresas entraram pelo caminho do female friendly porque estão desesperadas para vender para novos mercados." Ela diz que empresas de pornô feminista independente não colocam seu conteúdo em sites gratuitos porque estão tentando proteger seu conteúdo, e evitar perpetuar o esteriótipo de que toda pornografia é grátis.</p><p>Mas há uma razão para não existir a categoria Male Friendly: os homens ainda representam a maioria dos consumidores. É difícil prever quando a mudança vai chegar ao pornô mainstream, mas até lá, a indústria vai continuar a tratar os gostos masculinos como padrão.</p><p><em>Siga a Chloe no <a href="https://twitter.com/chloepapas" target="_blank">Twitter</a>.</em></p><p><em>Tradução: Marina Schnoor</em></p><p><strong>Siga a VICE
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<dc:creator>Chloe Papas</dc:creator>
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<category>stuff</category>
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<title>Este cara roubou um cérebro humano e usou o ‘suco’ para ficar doidão</title>
<link>http://www.vice.com/pt_br/read/cara-rouba-cerebro-humano-para-ficar-doido</link>
<pubDate>Tue, 26 Jul 2016 17:00:00 -0300</pubDate>
<description><![CDATA[Um homem da Pensilvânia admitiu ter roubado o órgão — que ele carinhosamente chamava de 'Freedy' — e usar o líquido de embalsamento para dar aquele gostinho a mais no seu banza.
]]></description>
<enclosure url="http://vice-images.vice.com/images/articles/meta/2016/07/26/cara-rouba-cerebro-humano-para-ficar-doido-1469553371.jpg" type="image/jpg" length="1000"></enclosure>
<content:encoded><![CDATA[<p class="photo-credit has-image"><img src="https://vice-images.vice.com/images/content-images-crops/2016/07/15/some-guy-stole-a-human-brain-body-image-1468605475-size_1000.jpg?resize=*:*&output"><br></p><span id="docs-internal-guid-f75fb5f0-282e-b8f4-0b3b-f470b3a2cd9e"><p dir="ltr" class="photo-credit">Foto <a href="https://www.flickr.com/photos/nanderson/3471580721/in/photolist-6hLL12-6emXHD-9wLMpu-bzVpco-2U36r-6c1ggF-cXoYQU-bgpTJp-bNQdBg-bNPZQ2-9wSFRT-bzVk8N-bNQ7Ux-aMbLhV-bzVtGW-bzVvzL-bNPZVM-bSpsTP-a719tj-bNQ4Nt-bzVAVE-26AkY3-bNQ2U6-dkNqcf-bNPZ6V-bzVncY-bNQgeX-bzVw1Q-bNQ1CH-bzVpHS-bNQ4WK-bzVyoN-bzVqfC-8pxhK8-bNPYKx-bNQ3rR-bNQgsi-bzVxyN-bzVCG9-4Ao5e7-bzVknG-bNQ5cV-7CNudg-bzVwZW-bzVCNY-bzVwaj-bNQexK-bNQ9Rv-bzVxrw-bzVof1">via</a> usuário do Flickr Nano Anderson.</p><p dir="ltr"><em>Matéria original da <a href="http://www.vice.com/read/some-guy-stole-a-human-brain-and-used-the-fluid-to-get-high-vgtrn">VICE US</a>.</em></p><p dir="ltr">Um homem da Pensilvânia, aparentemente tentando <a href="http://www.vice.com/series/the-worst-drug-in-the-world" target="_blank">batizar Spice caseiro</a>, foi preso chapando com fluído de embalsamamento de um cérebro humano roubado, <a href="http://www.mcall.com/news/breaking/mc-pa--embalmed-brain-marijuana2-20160714-story.html" target="_blank">segundo</a> o Morning Call.</p><p dir="ltr">Joshua Long, 26 anos, foi formalmente acusado neste mês, depois de admitir que tinha roubado um cérebro humano para usar o formaldeído na sua maconha. A tia de Long entregou o sobrinho maconheiro depois de encontrar o cérebro dentro de uma sacola de supermercado enquanto limpava a casa.</p><p dir="ltr">Os detetives acreditam que o cérebro roubado era usado numa aula de anatomia. Não está claro se o cérebro estava num jarro ou se Long guardava o órgão avulso numa sacola e espremia sempre que precisava dar uns pegas.</p><p dir="ltr">O que já se sabe é que o rapaz tinha se apegado à massa cinza, chegando a batizar o cérebro de "Freddy", segundo os documentos do tribunal. Ele foi acusado de abuso de cadáver e conspiração, e atualmente está na cadeia.</p><p dir="ltr">Por mais nojento que seja fumar chorume de cérebro, o cara leva crédito por achar um uso para um órgão interno quase tão criativo quanto <a href="http://www.vice.com/read/jumping-rope-with-cat-intestines-is-part-of-learning-says-high-school-vgtrn" target="_blank">pular corda com intestino de gato</a>.</p><p dir="ltr"><em>Tradução: Marina Schnoor</em></p><p dir="ltr"><em><strong>Siga a VICE
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]]></content:encoded>
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<dc:creator>Equipe Vice</dc:creator>
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<category>stuff</category>
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<title>Uma cidade na Califórnia quer acabar com a produção do molho de pimenta Sriracha</title>
<link>http://www.vice.com/pt_br/read/sriracha-california-acao-judicial</link>
<pubDate>Tue, 26 Jul 2016 10:00:00 -0300</pubDate>
<description><![CDATA[E a batalha judicial está num vai e vem tão absurdo que não é exagero dizer que pimenta nos olhos dos outros é refresco.
]]></description>
<enclosure url="http://vice-images.vice.com/images/articles/meta/2016/07/25/sriracha-california-acao-judicial-1469473497.jpg" type="image/jpg" length="1200"></enclosure>
<content:encoded><![CDATA[<p>A
situação está esquentando no sul da Califórnia, nos Estados Unidos, onde a
tensão entre os fabricantes do icônico molho de pimenta Sriracha e a cidade de Irwindale
continua a fermentar. Desta vez, a marca do molho de pimenta contra-ataca
depois da segunda ação movida pelo governo municipal contra a Sriracha em três
anos.</p><p>Seis anos
atrás, a <a href="http://www.huyfong.com/" target="_blank">Huy Fong Foods</a> —
empresa que produz a versão mais conhecida do icônico molho de pimenta, aquela
adornada com um galo no rótulo — abriu uma fábrica de 9,3 hectares no Vale de
São Gabriel para acomodar a produção de cerca de <a href="http://www.theatlantic.com/business/archive/2014/10/the-willy-wonka-of-sriracha-behind-the-gates-of-david-trans-factory/382030/" target="_blank">20 milhões</a> de frascos de tampa verde para o seu molho de
pimenta. E, claro, não dá para fazer <a href="http://www.theatlantic.com/business/archive/2014/10/the-willy-wonka-of-sriracha-behind-the-gates-of-david-trans-factory/382030/" target="_blank">57 mil toneladas</a> de jalapeño vermelha por temporada sem
emitir uns odores bem fortes de pimenta. Não demorou muito para os moradores
das proximidades começarem a reclamar de dor de cabeça, azia, queimação nos
olhos e lacrimejamento.</p><blockquote><strong>LEIA
MAIS: <a href="http://www.vice.com/pt_br/read/fritar-agua">"Sim, este cara
descobriu que fritar água é possível"</a></strong></blockquote><p class="MsoNormal">Mais
recentemente, em 2013, o governo da cidade de Irwindale entrou com uma ação, o
que levou o Departamento de Saúde Pública da Califórnia a proibir toda a
produção de molho de pimenta na região por 30 dias, criando uma verdadeira onda
de medo da escassez de Sriracha.</p><p>Ainda
assim, o governo acabou desistindo do processo depois que a South Coast Air Quality
Management District, a agência gestora da qualidade do ar da região, não
encontrou evidências de violação da qualidade do ar e a Huy Fong prometeu por
escrito que resolveria o problema do mau cheiro. O governo de Irwindale, por
sua vez, entrou com uma nova ação em maio de 2016, alegando que a empresa
atrasou a obrigação anual de US$ 250 mil definida em um acordo com o município como
pagamento em lugar de certos tributos, pedindo então uma indenização de US$
427.085.</p><p>Agora, a
fabricante de molho de pimenta contra-ataca alegando que o governo de Irwindale
embarcou em uma "campanha de assédio" contra a empresa e que deveria
ressarci-la pelos US$ 750 mil que a Huy Fong afirma ter pago "voluntariamente"
à prefeitura — segundo a agência de notícias do sul da Califórnia <a href="http://www.dailybreeze.com/general-news/20160715/sriracha-maker-huy-fong-foods-countersues-irwindale-wants-750000-back" target="_blank">City News</a>.</p><blockquote><strong>LEIA MAIS:</strong> <a href="http://www.vice.com/pt_br/read/receita-macarrao-carbonara-franca">"A
receita de macarrão à carbonara que deixou a Itália puta"</a></blockquote><p>A nova
ação não só alega que a Huy Fong está sendo assediada pelo governo municipal,
como também enfatiza o impacto dessa indústria na pequena cidade californiana,
afirmando que a empresa gera US$ 100 mil por ano para os moradores e visitantes
em brindes como "camisetas, molho Sriracha e petiscos inspirados no molho",
segundo a City News.</p><p>"Há três
anos, a Huy Fong Foods emprega moradores da cidade e promove feiras
profissionais para os trabalhadores da região", afirma a reconvenção. "A
fábrica é uma atração turística popular e atrai visitantes e renda para a
cidade — aliás, a popularidade do molho hipster é tanta que a Huy Fong Foods passou
a oferecer dois bondes para o transporte dos visitantes na fábrica e até abriu
uma loja de lembrancinhas."</p><p>Está
claro que a cidade de Irwindale, que tem menos de 1.500 habitantes, não está
tão empolgada quanto o <a href="http://motherboard.vice.com/read/the-american-chemical-society-answers-your-questions-about-sriracha" target="_blank">resto do mundo</a> com o imenso sucesso do Sriracha, o
maior hit desde a ascensão do molho de pimenta vermelha.</p><p class="MsoNormal"><i>Siga a <strong>VICE
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<guid isPermaLink="false">http://www.vice.com/554363</guid>
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<dc:creator>Nick Rose</dc:creator>
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<category>food</category>
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<title>Passei mais de 300 horas na Zona do Crepúsculo no fundo do mar</title>
<link>http://www.vice.com/pt_br/read/300-horas-zona-crepusculo-fundo-mar</link>
<pubDate>Tue, 26 Jul 2016 11:00:00 -0300</pubDate>
<description><![CDATA[Um pesquisador brasileiro que trabalha na Califórnia é um dos poucos cientistas no mundo qualificados para fazer os perigosos mergulhos que chegam a profundidades de 150m.
]]></description>
<enclosure url="http://vice-images.vice.com/images/articles/meta/2016/07/25/300-horas-zona-crepusculo-fundo-mar-1469475372.jpg" type="image/jpg" length="1000"></enclosure>
<content:encoded><![CDATA[<p class="photo-credit has-image"><img src="https://vice-images.vice.com/images/content-images-crops/2016/07/09/ive-spent-more-than-300-hours-in-the-deep-sea-twilight-zone-body-image-1468099024-size_1000.jpg?resize=*:*&output"><br></p><p class="photo-credit">Todas as fotos por Dr. Luiz Rocha.</p><p><em>Matéria original da <a href="http://www.vice.com/read/ive-spent-more-than-300-hours-in-the-deep-sea-twilight-zone">VICE US</a></em><em>.</em></p><p>No dia 10 de junho, a California Academy of Sciences abriu sua nova exposição, <a href="http://www.calacademy.org/exhibits/twilight-zone" target="_blank">Twilight Zone: Deep Reefs Revealed</a> (em tradução livre Zona do Crepúsculo: Recifes profundos revelados). O evento examina e expõe a vida marinha que reside numa parte relativamente pequena do oceano, nos corais entre 60 e 150 metros de profundidade. A maior parte acima disso já foi explorada por mergulhadores profissionais e amadores, enquanto as profundidades maiores são o reino dos submarinos. Mas a área dos recifes de coral entre a luz e a escuridão do mar profundo raramente é explorada devido às dificuldades de alcançá-la — só 20 a 30 cientistas são qualificados para fazerem os mergulhos.</p><p>O brasileiro Dr. Luiz Rocha, 43 anos, é um deles. Ele é o curador de Ictologia da California Academy of Sciences e trabalha com a CAS há cinco anos. Como mergulhador, ele já passou mais de 5 mil horas embaixo d'água, incluindo 300 horas na Zona do Crepúsculo. Rocha nos contou, com suas próprias palavras, como é explorar uma área do planeta nunca vista antes por olhos humanos.</p><p><div class="resp-video-wrapper youtube-wrapper"><iframe src="//www.youtube.com/embed/DFLB9cuLIhQ" width="100%" height="100%" frameborder="0" scrolling="no" data-original-width="640px" data-original-height="407px" webkitallowfullscreen webkitAllowFullScreen mozallowfullscreen allowfullscreen></iframe></div></p><p>Lá embaixo, na Zona do Crepúsculo, tudo é novo. Tudo é algo que você nunca viu antes. É incrível e sempre emocionante. Sua adrenalina explode. Mas você precisa prestar atenção no seu oxigênio e no que acontece com o seu reinalador, porque não há margem de erro lá embaixo. O perigo da jornada provavelmente é o mais sufocante para a maioria, mas a emoção da descoberta científica é o que me faz voltar sempre.</p><p>Me interessei por mergulho no meio dos anos 80, quando estava no ensino médio no Brasil. Fiz um dos primeiros cursos de mergulho oferecidos na minha cidade natal. Mergulhando para estudar biologia, quanto mais fundo você vai, mais coisas emocionantes encontra. Então mesmo quando eu fazia mergulho comum, eu estava sempre no limite, indo mais fundo do que poderia com o equipamento que tinha, tentado passar para o próximo nível. Quando eu ainda morava no Brasil, não tínhamos essa tecnologia porque não havia financiamento para mergulhos desse tipo. O que faço hoje na Califórnia é um tipo muito especializado de mergulho, então é difícil encontrar um programa que apoie isso.</p><p>O treinamento é específico para utilizar a unidade de reinalação. Os chamados rebreathers existem há muito tempo. Os primeiros equipamentos de mergulho eram reinaladores, mas não eram confiáveis. Os militares usam oxigênio puro em seus equipamentos, o que é eficiente, mas só até uma profundidade de seis metros. A 121 metros, se você respira muito ou pouco oxigênio, você morre, e não tínhamos sensores confiáveis até 20 anos atrás.</p><p>Com os reinaladores que usamos, quando você exala, não saem bolhas. Sua respiração volta e é filtrada para tirar o CO2. Você fica respirando a mesma mistura. É muito eficiente. O sensor monitora constantemente a pressão do oxigênio, e se você precisa de mais, o sistema repõem. O filtro só funciona por 10 horas.</p><p>A alternativa é mergulhar com um tanque comum, em que toda vez que você exala, o ar sai. E essa opção tem dois problemas. Uma é o volume, porque quando você vai até essa profundidade, é preciso levar muito gás porque ele se perde a cada respiração. E isso significa mais peso. O segundo é o custo. Para mergulhar até as profundidades que chegamos, tiramos o nitrogênio e acrescentamos hélio, que é um gás caro. Assim acabamos gastando de $10 a $20 dólares em gás a cada respiração.</p><p>A atmosfera da Terra é 79% nitrogênio, 20% oxigênio, e o 1% restante é de outros gases. É essa mistura que normalmente colocamos nos tanques. Mas nitrogênio a uma pressão muito alta, quanto mais fundo você vai, mais narcótico ele se torna. O nitrogênio te deixa bêbado naquela profundidade, uma coisa que você não vai querer nessas condições. A 30 metros de profundidade, se você tem 79% de nitrogênio no seu tanque, isso é equivalente a consumir duas ou três taças de vinho. A 60 metros, seria como beber uma garrafa inteira. A 90, seriam cinco garrafas. Por isso tiramos parte do nitrogênio e usamos hélio.</p><p class="has-image"><img src="https://vice-images.vice.com/images/content-images-crops/2016/07/09/ive-spent-more-than-300-hours-in-the-deep-sea-twilight-zone-body-image-1468098972-size_1000.jpg?resize=*:*&output"><br></p><p>Chegando na área de mergulho, passamos cerca de uma hora calibrando os reinaladores, fazendo testes e tudo mais. Passamos por uma longa lista de tarefas. Geralmente as equipes são formadas por três ou quatro mergulhadores. Planejamos até que profundidade vamos descer, por quanto tempo vamos ficar, e sempre temos um plano de contingência se algo acontecer lá no fundo. Geralmente fazemos sinais com as mãos para nos comunicar lá embaixo. Às vezes conversamos através dos reguladores, mas é difícil entender o que a outra pessoa está dizendo. Cento e cinquenta metros é a profundidade máxima que descemos.</p><p>Muita gente pergunta se há mais pressão no corpo nessa profundidade, mas não. A água não comprime. Eu poderia ir até o fundo da Fossa das Marianas e sentiria a mesma coisa. A pressão não me esmagaria. É o gás que comprime, e todos os problemas estão aí.</p><p>Quando respiramos, gases entram no nosso fluxo sanguíneo. Basicamente, as moléculas de gás vão se aproximando quanto mais fundo você vai. Isso não é um problema na descida, mas cria desafios na volta. Se você sobe muito rápido, o gás se transforma em bolhas. É quase como se você estivesse abrindo uma garrafa de refrigerante. Abrindo muito rápido, o CO2 se transforma em bolhas e sai rápido demais. Mas se você abre a garrafa devagar, as bolhas não se formam. Isso é um problema sério no corpo porque as bolhas vão impedir o fluxo do sangue. E dependendo de onde o fluxo parar, isso pode ameaçar sua vida. O coração pode parar. O cérebro pode parar. Por isso passamos horas voltando das profundezas.</p><p>A decida é um tiro só. Vamos o mais rápido possível para limpar os ouvidos. Leva cinco minutos no máximo. Aí tentamos encontrar peixes ou outras coisas que queremos coletar. Temos que encontrar um lugar bom em cinco minutos. Se não conseguimos, damos meia volta e subimos. Se achamos um lugar, ficamos lá entre 10 a 15 minutos, esse é o máximo, principalmente por causa do tempo que leva para voltar.</p><p>É caos controlado, acho. Não podemos nos afastar muito uns dos outros, também não podemos trombar. Tentamos pegar qualquer coisa que achamos interessante e trazer de volta para a superfície. Para os peixes, como eles vivem naquele ambiente profundo, os colocamos em câmaras de descompressão que são seladas lá embaixo. Aí os mandamos de volta para a superfície. Mergulhadores de apoio coletam as câmaras, depois descomprimimos lentamente os peixes por dias. Para nós, depois de 10 a 15 minutos coletando espécimes, começamos a nadar lentamente para a superfície. O processo de subida leva sete horas.</p><p class="has-image"><img src="https://vice-images.vice.com/images/content-images-crops/2016/07/09/ive-spent-more-than-300-hours-in-the-deep-sea-twilight-zone-body-image-1468100444-size_1000.jpg?resize=*:*&output"><br></p><p>Na subida, paramos a cada três metros, com cada parada demorando um pouco mais que a anterior. A primeira parada leva de um a dois minutos, a última, a 3 metros da superfície, leva duas horas e meia. Quando chegamos a 30 metros, mergulhadores de apoio geralmente nos trazem câmeras e equipamentos que usamos para pesquisar essas profundezas. Tiramos fotos, pesquisamos corais desgastados, contamos a população de peixes — qualquer coisa para nos ocupar. De 95 a 98% do mergulho é nadar junto à parede do coral até chegar à profundidade que queremos, para termos coisas para explorar na subida.</p><p>Mas às vezes o recife começa a 30 ou 45 metros de profundidade, então passamos desse ponto na subida e não há mais recifes. Nesse caso é bem chato. Não tem nada para fazer. Ocupamos a mente de vários jeitos, tipo jogando pedra, papel ou tesoura. Temos placas para escrever em baixo d'água, então jogamos jogo da velha também. Às vezes levo trabalhos para ler embaixo d'água. Se a descompressão leva cinco horas, consigo ler um livro. Se não consigo terminar o livro naquele mergulho, o coloco num saco plástico com água dentro. Mantendo ele molhado e não manuseando muito bruscamente, o livro não estraga, e posso ler o resto no próximo mergulho. Li alguns dos livros do Hemingway assim.</p><p>Depois do mergulho, fico exausto e faminto. Alguns mergulhadores comem embaixo da água, mas eu não gosto porque sempre entra um pouco de sal e fico com ainda mais sede. Esses mergulhadores comem bananas ou maçãs, qualquer coisa que não dissolva na água. Para isso eles voltam a cabeça para baixo, um bolsão de ar se forma na boca, e a água não vai entrar. Na verdade alguma água sempre entra, mas é possível comer.</p><p class="has-image"><img src="https://vice-images.vice.com/images/content-images-crops/2016/07/09/ive-spent-more-than-300-hours-in-the-deep-sea-twilight-zone-body-image-1468102987-size_1000.jpg?resize=*:*&output"><br></p><p>De todas as minhas viagens até a Zona do Crepúsculo, um peixe que realmente me impressionou foi o <a href="http://ww2.kqed.org/science/2016/06/10/see-the-mind-blowing-super-freaky-rainbow-fish-from-the-twilight-zone/" target="_blank">Sacura speciosa</a>. O nome comum que as pessoas estão usando para essa espécie agora é "o peixe arco-íris muito louco das profundezas". A CAS é o único aquário do mundo que tem um desses. Nem colecionadores particulares têm essa espécie, porque ninguém vai até essas profundidades. Coletamos esse peixe em particular a 150 metros de profundidade.</p><p>Quando você mergulha tão fundo, é preciso prestar atenção a várias coisas. Alguns comparam usar o reinalador a pilotar um avião. O equipamento não é complicado como um avião, mas é tão perigoso quanto. Se fizer uma ou duas coisinhas erradas, você já era.</p><p><em>Veja mais do trabalho do Dr. Luiz Rocha no <a href="http://www.luizrocha.com/academic/Home.html" target="_blank">site dele</a></em><em>.</em></p><p><em>Siga o Rick Paulas no <a href="https://twitter.com/RickPaulas?ref_src=twsrc%5Egoogle%7Ctwcamp%5Eserp%7Ctwgr%5Eauthor" target="_blank">Twitter</a>.</em></p><p><em>Tradução: Marina Schnoor</em></p><p><em><i><i>Siga a <strong>VICE Brasil</strong> no </i><a href="https://www.facebook.com/vicebrasil" target="_blank"><i>Facebook</i></a><i>, </i><a href="https://twitter.com/vicebrasil" target="_blank"><i>Twitter</i></a><i> e </i><i><a href="https://www.instagram.com/vicebrasil" target="_blank">Instagram</a>.</i></i><br></em></p>
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<dc:creator>Dr. Luiz Rocha como contado a Rick Paulas</dc:creator>
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<title>A Comic Con 2016 foi o despertar das super-heroínas</title>
<link>http://www.vice.com/pt_br/read/comic-con-2016-e-as-super-heroinas</link>
<pubDate>Mon, 25 Jul 2016 21:00:00 -0300</pubDate>
<description><![CDATA[Brie Larson foi anunciada como Capitã Marvel e Lupita Nyong'o foi confirmada no filme Pantera Negra.
]]></description>
<enclosure url="http://vice-images.vice.com/images/articles/meta/2016/07/25/comic-con-2016-e-as-super-heroinas-1469463170.jpg" type="image/jpg" length="800"></enclosure>
<content:encoded><![CDATA[<p class="photo-credit has-image"><img src="http://i-d-images.vice.com/images/2016/07/25/untitled-article-1469454576-body-image-1469454880.jpg?output"><br></p><p class="photo-credit">Foto via <a href="https://www.instagram.com/p/BIO4t3hh5KW/?hl=en">Instagram</a>.</p><p><em>Matéria original da <a href="http://i-d.vice.com/en_gb/article/its-the-dawn-of-the-female-superhero-at-comic-con-2016">i-D</a>.</em><br></p><p>É como dizem por aí: filme de super-heroína é que nem busão — você fica esperando uma eternidade e quando vêm, chega logo dois de uma vez. Além do primeiro trailer do Mulher-Maravilha estrelado por Gal Gadot, a Comic Con do último final de semana em San Diego contou com o anúncio de Brie Larson como Capitã Marvel — o primeiro filme da Marvel com uma super-heroína protagonista. Demorou mas aconteceu.</p><p><div class="resp-video-wrapper youtube-wrapper"><iframe src="//www.youtube.com/embed/5lGoQhFb4NM" width="100%" height="100%" frameborder="0" scrolling="no" data-original-width="648px" data-original-height="365px" webkitallowfullscreen webkitAllowFullScreen mozallowfullscreen allowfullscreen></iframe></div></p><p>Apesar da popularidade de várias personagens como a Viúva Negra de Scarlett Johansson, desde que Homem de Ferro iniciou o tão badalado Universo Cinematográfico do estúdio em 2008, foram 13 filmes de qualidades variadas, nenhum protagonizado por uma mulher. Assim como a rival DC, apesar de vários e vários reboots de Batman e Homem-Aranha, até Gadot roubar a cena em Batman vs Superman: A Origem da Justiça, não havia uma versão live-action da Mulher-Maravilha desde o seriado com Lynda Carter nos anos 70.</p><p>Depois do sucesso comercial de blockbuster liderados por mulheres, como a franquia Jogos Vorazes com Jennifer Lawrence e os vários títulos de Paul Feig com Melissa McCarthy, parece que os chefões dos estúdios finalmente acordaram para a ideia de mais igualdade de gênero na telona; algo que Margot Robbie, estrela do aguardado Esquadrão Suicida da DC, acredita que só pode boa notícia. </p><p>"Acho que não é segredo que a indústria está gravitando em direção às protagonistas e dando mais voz às mulheres", ela disse ao Bustle no set do filme em junho do ano passado. "Eles finalmente perceberam que mulheres também assistem esses filmes. As bilheterias também vêm delas, então por que não tentar agradá-las?" Bom, exatamente. Veja a moça como Harley Quinn no teaser estendido abaixo.</p><p><div class="resp-video-wrapper youtube-wrapper"><iframe src="//www.youtube.com/embed/uWIxS9EuwUc" width="100%" height="100%" frameborder="0" scrolling="no" data-original-width="648px" data-original-height="365px" webkitallowfullscreen webkitAllowFullScreen mozallowfullscreen allowfullscreen></iframe></div></p><p><em>Tradução: Marina Schnoor</em></p><p><em><strong><i><i>Siga a VICE Brasil no </i><a href="https://www.facebook.com/vicebrasil" target="_blank"><i>Facebook</i></a><i>, </i><a href="https://twitter.com/vicebrasil" target="_blank"><i>Twitter</i></a><i> e </i><i><a href="https://www.instagram.com/vicebrasil" target="_blank">Instagram</a>.</i></i></strong><br></em></p>
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<dc:creator>Matthew Whitehouse</dc:creator>
<media:category>culture</media:category>
<category>culture</category>
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<title>Tudo que sabemos sobre o atentado com arma de fogo numa balada na Flórida</title>
<link>http://www.vice.com/pt_br/read/atentado-tiros-balada-florida</link>
<pubDate>Mon, 25 Jul 2016 14:40:00 -0300</pubDate>
<description><![CDATA[Tiros foram disparados num clube em Fort Myers, logo depois da meia-noite de segunda-feira durante uma festa para adolescentes, deixando pelo menos dois mortos e 14 feridos.
]]></description>
<enclosure url="http://vice-images.vice.com/images/articles/meta/2016/07/25/atentado-tiros-balada-florida-1469457948.jpg" type="image/jpg" length="960"></enclosure>
<content:encoded><![CDATA[<p><em>Informações da <a href="https://news.vice.com/article/fort-meyers-florida-club-blu-bar-and-grill-shooting-teen-night" target="_blank">VICE News</a>.</em></p><p>Tiros foram disparados num clube em Fort Myers, Flórida, logo depois da meia-noite de segunda-feira durante uma festa para adolescentes, deixando pelo menos dois mortos e 14 feridos.</p><p>Várias vítimas já tinham sido feridas quando o Departamento de Polícia de Fort Myers chegou ao Club Blu Bar and Grill, respondendo a um chamado feito às 0h30, horário local. O incidente veio um pouco mais de um mês depois que um atirador abriu fogo no clube Pulse em Orlando, matando mais de 49 pessoas num dos atentados com arma de fogo mais mortais da história dos EUA.</p><p>Isso é o que sabemos sobre o caso:</p><p>- Duas pessoas morreram e cerca de 14 ficaram feridas, as vítimas têm entre 12 e 27 anos.</p><p>- Dezesseis vítimas foram levadas para o Lee County Memorial Hospital em Fort Myers. Uma pessoa teria morrido no hospital.</p><p>- A polícia de Fort Myers disse que três pessoas foram detidas para interrogatório sobre envolvimento no caso.</p><p>- O Clube Blu estava realizando uma noite teen, por isso tantas vítimas são menores de idade.</p><p>- Segundo uma <a href="https://www.facebook.com/CLUBBLU3580/posts/1761990864048115" target="_blank">postagem</a> na página do Facebook do clube, o tiroteio ocorreu quando os pais estavam buscando seus filhos. O clube também diz que não foi um adolescente que estava na festa que cometeu o ato, mas a polícia não confirmou essa informação.</p><p>- As vítimas ainda não foram identificadas. As autoridades dizem que ainda estão tentando descobrir quem são elas.</p><p>- A polícia ainda está tentando determinar o motivo do crime.</p><p>- As estradas próximas foram fechadas, mas as autoridades disseram que a área em volta do clube é "considerada segura no momento".</p><p>- Uma pessoa foi baleada em sua casa perto do clube, mas ainda não está claro se os dois incidentes estão ligados.</p><p>- As autoridades estão investigando as proximidades do clube em busca de mais informações.</p><p><em>Siga a VICE News no <a href="https://twitter.com/vicenews" target="_blank">Twitter</a></em><em>.</em></p><p><em>Tradução: Marina Schnoor</em></p><p><em><em><i><strong>Siga a VICE Brasil no <a href="https://www.facebook.com/vicebrasil">Facebook</a>, <a href="https://twitter.com/vicebrasil">Twitter</a> e <a href="https://www.instagram.com/vicebrasil/">Instagram</a>.</strong></i></em><br></em></p>
]]></content:encoded>
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<dc:creator>Kayla Ruble</dc:creator>
<media:category>news</media:category>
<category>news</category>
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<title>Fui a uma festa de swing só para pessoas bonitas na Alemanha</title>
<link>http://www.vice.com/pt_br/read/festa-de-swing-para-pessoas-bonitas-alemanha</link>
<pubDate>Mon, 25 Jul 2016 15:00:00 -0300</pubDate>
<description><![CDATA[Só entra quem for convidado e previamente aprovado pelos organizadores.
]]></description>
<enclosure url="http://vice-images.vice.com/images/articles/meta/2016/07/22/festa-de-swing-para-pessoas-bonitas-alemanha-1469218574.jpg" type="image/jpg" length="1200"></enclosure>
<content:encoded><![CDATA[<p><em>Matéria original da <a href="http://www.vice.com/de">VICE Alemanha</a>.</em>
</p><p>"Na maioria dos clubes de swing, no momento em que uma mulher entra na sala, uma fila de conga de caras de pau duro se forma atrás dela. Queríamos alguma coisa diferente", diz Max. Aos 42 anos, ele é um dos quatro organizadores de uma série de festas de sexo que acontece em Munique, chamada "Red Light District". Os eventos acontecem num motel no noroeste da cidade, e só recebem casais jovens e atraentes.
</p><p>A publicidade e inscrição para as festas são feitos por um portal chamado joyclub.de — tipo um Facebook erótico. Max e sua esposa Jane* atuam nesse site sob o nome "The Inner Circle", com o casal de amigos Lana* e Konstantin*. Todos trabalham com vendas ou mídia, com o Red Light District sendo um projeto paralelo — segundo Max, as festas são só para se divertir. Eles cobram uma taxa de entrada de €99 (cerca de 360 reais), mas o clube não está aberto a todos. Para ser convidado para um dos eventos deles, os candidatos devem submeter um retrato, que precisa ser considerado atraente pelos quatro organizadores.
</p><p>"Nosso diferencial é que somos uma festa de swing para poucos selecionados", diz Max. Se você não envia uma foto, eles não te levam em consideração — e os feios nem precisam se inscrever. Jane, uma loira atlética, acrescenta: "Se você manda uma foto sua usando calça baggy, eu está tentando parecer sexy mas tem uma lixeira aparecendo no fundo da foto, você não vai entrar". Cerca de metade das pessoas que se inscrevem recebem uma mensagem dizendo que não estão convidadas para a festa de pessoas bonitas.
</p><p class="pullquote">"Se você manda uma foto sua usando calça baggy, eu está tentando parecer sexy mas tem uma lixeira aparecendo no fundo da foto, você não vai entrar"
</p><p>O motel onde as festas acontecem é do tipo geralmente frequentado por trabalhadores sexuais e pessoas tendo casos. Há quatro quartos no térreo, e uma escada à direita da entrada leva a mais cinco no primeiro andar. À esquerda, um corredor estreito leva até um grande salão com sofás e mesas, um bar e um palco para pole dance. O teto é decorado com um mar de flores de plástico, brilhando suavemente na luz vermelha. G&Ts são servidos em taças caras. Também há banheiras de hidromassagem, e as camas nos quartos acabaram de ser arrumadas.
</p><p>Às 20h30 em ponto, um convidado chamado Alex entra com uma linda mulher loira — sua meia-calça ¾ bem aparente sob a minissaia preta. Ele também não é desagradável de se olhar, usando calça social, camisa branca, suspensórios e uma gravata-borboleta preta. Alex e sua esposa estão juntos há 15 anos e são casados há 10. Ela não quer falar publicamente, preocupada que alguém possa reconhecê-la. Mas concorda com o marido, que explica que "participar dessas festas não é sobre sexo para nós. É sobre poder flertar com outras pessoas sem ter que trair. Pode acontecer de um de nós acabar indo para o quarto com alguém, mas tudo tem que combinar". Ele se vira e coloca os braços em volta de Jane, a esposa de Max. Ela segura a mão dele em seu colo, se encosta nele e estica o pescoço enquanto continua conversando com a esposa de Alex.
</p><p>Os outros dos casais vão entrando. A maioria dos homens está usando smoking, as mulheres usam principalmente lingerie ou vestidos curtos e transparentes com salto alto. Eles se cumprimentam com beijos e abraços. Não há limite de idade oficial para a festa, mas ninguém tem mais de 50. Enquanto os táxis se aproximam do motel, um homem careca de uns 60 anos chega na entrada com uma garota significantemente mais jovem. Ele pede um quarto para Richie, o porteiro, que diz que o evento é particular. Só pessoas aprovadas com antecedência podem entrar. Sendo honesta, eles provavelmente não passariam no teste. Desapontados, eles vão embora.
</p><p class="has-image"><img src="https://vice-images.vice.com/images/content-images-crops/2016/07/06/visit-swingers-club-for-hot-people-876-body-image-1467803909-size_1000.jpg?resize=*:*&output">
</p><p class="photo-credit">Lana e seu biquíni de cocô. Todas as fotos pela autora.
</p><p>Lá dentro, Lana risca os convidados que vão chegando de sua lista e entrega e eles taças de prosecco. Ela está usando shorts jeans desabotoados com as cores da bandeira americana. O biquíni de cocô foi feito por seu marido, Konstantin. Ela tem 27 anos e antes de ficar com Konstantin, só tinha tido uma noite de sexo casual. Mas os dois começaram a fazer swing quando tinham 22. "Depois da primeira vez que ficamos com outro casal, dissemos um para o outro 'Isso é loucura, o que acabamos de fazer?' Depois pensamos 'Bom, mas funcionou. Se podemos fazer isso juntos, somos um time imbatível'." Lana acrescenta: "E foi incrível como o sexo foi apaixonado no dia seguinte". Ela acha ótimo poder ter experiências que não pode ter com o marido. "Quando vocês são um casal, as fantasias nem sempre são compatíveis. Eu, por exemplo, queria ser amarrada. Konstantin achava isso estranho. Mas pude experimentar isso aqui."
</p><p>Um DJ toca perto do bar — as pessoas dançam, se abraçam, trocam carícias e se beijam. Logo não está mais claro quem veio com quem, mas todo mundo sabe com quem vai embora. Todos os convidados com quem converso falam sobre os valores do casamento. A maioria dos casais tem isso em comum: eles compartilham um compromisso — um entendimento que vai além do ciúme, mas que permite uma abordagem mais casual do relacionamento monogâmico clássico.
</p><p class="">Michael tem 36 anos, é alto, usa uma camiseta xadrez branca e azul e óculos de aro grosso. Ele é casado há 10 anos, e eles começaram a fazer swing depois de um seminário sobre casamento na igreja que frequentam. No seminário, pediram que eles colocassem termos como fidelidade, filhos, lealdade e confiança no formato de uma árvore. O troco eram os conceitos mais importantes para eles e os ramos menores os menos importantes. Nas duas árvores, o conceito de fidelidade era um dos menores galhos. "Algo mudou naquele ponto, mas eu ainda achava que algumas fantasias deveriam ser apenas fantasias mesmo." Muita coisa se passou antes deles se aventurarem na cena. Michael queria participar de um ménage com outra mulher, e sua esposa queria dormir com outro homem. Mas isso parecia um passo muito largo. O desejo e a ideia estavam ali, mas eles não sabiam como realizá-los na prática.
</p><p class="has-image"><img src="https://vice-images.vice.com/images/content-images-crops/2016/07/06/visit-swingers-club-for-hot-people-876-body-image-1467805421-size_1000.jpg?resize=*:*&output">
</p><p>Depois de dois anos enrolando, eles estavam prontos. "Quando a vi transando com outro homem, fiquei muito excitado. Era como assistir um pornô ao vivo estrelando a minha esposa." Swing, para ele, era só o próximo passo no relacionamento. "Sempre fomos próximos, mas todo mundo muda e eu gostaria de descobrir coisas novas de vez em quando. É legal podermos fazer isso juntos neste contexto e não estarmos nos distanciando." Ele não tem medo que ela se apaixone por outro homem com quem transar? Ela interfere: "Vocês têm que ter cuidado. Se estamos tendo problemas no nosso relacionamento, não fazemos isso. Há sempre o risco de se apaixonar, mas esse mesmo risco existe num supermercado".
</p><p>No canto da pista de dança, um casal está sentado no bar em silêncio, escaneando a multidão. De vez em quando, um deles sussurra algo no ouvido do outro, eles concordam, tomam um gole de vinho branco e riem. Aqui os casais fazem suas próprias regras — alguns só trocam de parceiros sem sexo, para outros, o sexo é crucial. Alguns casais só vão para os quartos juntos, outros se separam.
</p><p>Max dá ao casal no bar duas doses. Quando menciono que sua noite é uma festa de swing para a elite, ele nem quer ouvir mais nada. Mas as pessoas aqui, sem dúvida, são de classe alta. Não importa com quem você converse, a maioria tem formação universitária e ocupa cargos de alto escalão — são gerentes do setor financeiro ou trabalham em outras indústrias influentes.
</p><p class="">Como Patrick, que tem 47 e provavelmente é um dos convidados mais velhos da festa. Ele vem a todos os eventos porque gosta da classe, "mas em termos de swing, isso é como uma festa de criança. Essas festas são para ver e ser visto — é uma festa típica de Munique". Atos sexuais são mais raros aqui, e acontecem atrás de portas fechadas. "Outras festas são mais sobre sexo. Minha namorada gostaria de transar com outro homem hoje, mas todo mundo está obcecado pela própria esposa", ele diz.
</p><p class="has-image"><img src="https://vice-images.vice.com/images/content-images-crops/2016/07/06/visit-swingers-club-for-hot-people-876-body-image-1467806264-size_1000.jpg?resize=*:*&output">
</p><p>Mas então, finalmente, algo realmente acontece. Os primeiros casais começam a desaparecer escada acima. Um grupo de convidados está assistindo o que acontece em um dos quartos do térreo. Lá dentro, duas mulheres, uma loira e uma morena, estão apoiadas na beira de uma banheira, girando suas taças de prosecco entre os dedos. As bundas voltadas para a parede. Um cara musculoso pega a loira por trás, enquanto ela continua conversando com a amiga. Depois ele passa para a morena, enquanto continua com a mão entre as pernas da loira. Um segundo homem se aproxima da banheira com uma taça e brinda com todo mundo.
</p><p>Caro, 28 anos, está sentado lá fora com a noiva, fumando um cigarro. "É incrível a intensidade das amizades que se formam aqui. Mas às vezes a vida de swinger entra em confronto com a vida normal." Quanto maior o novo grupo de amigos, mais esse é o caso. "Essa cena te absorve como uma esponja. Às vezes, quando estou com meus outros amigos — que são um pouco mais conservadores que eu — sinto com se estivesse vivendo uma vida dupla."
</p><p>Uma morena usando um tipo de roupa espacial sexy — um macacão de couro falso prateado que deixa os seios à mostra — senta na nossa mesa. Ela se apresenta. A noiva de Caro coloca seu celular no bolso e responde "Oi, como vai a vida em Marte?" Ela sorri. "Boa, devo voltar pra lá daqui uns cinco anos." Todos na mesa riem. Caro pisca para a noiva e move a cadeira dela um pouco, para que eles possam flertar.
</p><p><em>*Os nomes foram mudados para proteger a privacidade dos entrevistados.</em>
</p><p><em>Tradução do inglês por Marina Schnoor.</em>
</p><p><strong><em><i>Siga a VICE Brasil no </i><a href="https://www.facebook.com/vicebrasil" target="_blank"><i>Facebook</i></a><i>, </i><a href="https://twitter.com/vicebrasil" target="_blank"><i>Twitter</i></a><i> e </i><i><a href="https://www.instagram.com/vicebrasil/" target="_blank">Instagram</a>.</i></em></strong><br></p>
]]></content:encoded>
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<dc:creator>Nathalie Stüben</dc:creator>
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<title>Champions of Breakfast: Neelam Gill: Mudando a Cara da Moda</title>
<link>http://www.vice.com/pt_br/read/neelam-gill-mudando-a-cara-da-moda</link>
<pubDate>Thu, 07 Jul 2016 21:20:00 -0300</pubDate>
<description><![CDATA[​Diversidade cultural na indústria da moda está na pauta da modelo britânica de origem indiana.
]]></description>
<enclosure url="http://vice-images.vice.com/images/articles/meta/2016/07/05/neelam-gill-mudando-a-cara-da-moda-1467743941.jpg" type="image/jpg" length="2000"></enclosure>
<content:encoded><![CDATA[<p class="has-image"><img width="553" height="368" src="file:///C:/Users/BRUNO~1.COS/AppData/Local/Temp/msohtmlclip1/01/clip_image002.png" v:shapes="Picture_x0020_7"></p><p class="has-image"><img src="https://amuse-images.vice.com/wp_upload/2016/04/IMG_6307.jpg"><br><br></p><p>A
carreira de Neelam Gill começou quando ela foi escolhida como primeira modelo
de origem Indiana a aparecer em uma campanha da Burberry. Fotografada por Mario
Testino, foi o primeiro trabalho da vida dessa jovem de 20 anos. De lá para cá,
Neelam já emprestou o rosto para a Abercrombie & Fitch, desfilou para a
Dior e figurou na capa de um número incontável de revistas, incluindo uma na Hunger,
com fotografia de Rankin, que ganhou as manchetes do mundo em 2014.</p><p class="has-image"><img src="https://amuse-images.vice.com/wp_upload/2016/04/IMG_5432.jpg"><br><br></p><p>Embora os
fotógrafos tenham gostado da oportunidade de clicar uma bela modelo não-branca
de olhos vivos, existe aí uma certa novidade que incomoda Neelam. "Houve
ocasiões em que fui a primeira modelo indiana a trabalhar com grandes marcas da
moda e essa representatividade é <i>muito</i>
importante", afirma. "Quero que as pessoas se identifiquem comigo,
principalmente meninas novas. Não quero que elas cresçam sentindo que não tem
ninguém para representá-las publicamente."</p><p>Por ser
uma das únicas modelos britânicas de origem indiana a experimentar o sucesso nesse
setor, Neelam rapidamente se transforma em garota-propaganda de um movimento
importante no sentido de promover maior diversidade cultural na moda. E está
questionando a nítida falta de diversidade na indústria.</p><p class="">Tendo
passado a infância em Coventry, onde o racismo infelizmente é muito comum,
Neelam está aproveitando a oportunidade para ser um exemplo na moda e uma
referência para meninas que aspiram entrar nesse mercado. Isso significa ir
além de apenas ter origem indiana e trabalhar como modelo. "Eu me sinto muito
responsável, principalmente agora que estou em uma posição em que sei que minha
voz pode fazer a diferença. É por isso que luto pelo que acredito."</p><p class="has-image"><img src="https://amuse-images.vice.com/wp_upload/2016/04/IMG_5200.jpg"><br><br></p><p>Uma das
maiores questões que ela enfrenta é o uso de modelos não-brancas como
ferramenta de marketing para atrair consumidores estrangeiros, em vez de ser um
esforço para representar uma imagem fiel da sociedade nas campanhas. "Fica
evidente quando as marcas usam modelos de outras etnias só para preencher uma
cota, e isso é muito triste. Eu defendo a diversidade porque quero que modelos
não-brancas sejam o padrão, em vez de ter um estilista escolhendo uma menina
oriental só para atrair o mercado chinês", afirma Neelam. "Tem gente que diz
que pelo menos a modelo está sendo usada, mas a mentalidade é errada. Os
motivos desse estilista estão completamente errados."</p><p>Para a
ativista e modelo, ser rotulada de "forte" e "cheia de opinião" também faz
parte do problema. "O maior desafio que enfrento é ser rotulada como
escandalosa, quando na realidade o que estou fazendo é falar a verdade",
afirma. "Não quero que as pessoas achem que estou sempre reclamando, porque não
faço isso. Eu só queria que houvesse mais diversidade."</p><p>Seria
injusto supor que Neelam quer que as marcas selecionem as modelos de suas campanhas
por culpa. Não deve ser uma escolha politicamente correta nem baseada nesse
sentimento. Devemos simplesmente pedir campanhas na moda que representem a
sociedade da forma como ela é.</p><p>Então
como Neelam vê o futuro em um mundo ideal? "Não deveria ser nada de mais uma
modelo não-branca participar de uma grande campanha", diz. "Esse deveria ser o
futuro da moda."</p><p>Para
Neelam, ações que sejam apenas politicamente corretas ou, pior, para atrair
novos mercados por seu potencial comercial não são a resposta. Trata-se de
reequilibrar o que é considerado normal. "As campanhas devem representar o
mundo em que vivemos, para que as pessoas se identifiquem com quem está ali
representado e não se sintam afastadas da sociedade ou se odeiem por causa de
padrões de beleza eurocêntricos incutidos em nós desde cedo pela mídia de
massa."<br></p><p class="has-image"><img src="https://amuse-images.vice.com/wp_upload/2016/04/IMG_5311.jpg"><br><br></p><p><em>A <strong>Nespresso</strong> explora a
cultura através de sua imensa linha de cafés de todo o mundo. Explore o coração
dos países das origens do café para capturar as culturas diversas e as notas características
dos Cafés Pura Origem e a
linha completa <a href="https://www.nespresso.com/br/pt/home" target="_blank">aqui.</a></em></p>
]]></content:encoded>
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<dc:creator>Equipe Vice</dc:creator>
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<category>branded</category>
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<item>
<title>Transerviços: finalmente um site para pessoas trans e travestis anunciarem seus trampos</title>
<link>http://www.vice.com/pt_br/read/transervicos-site-empregos-pessoas-trans-travestis</link>
<pubDate>Mon, 25 Jul 2016 14:00:00 -0300</pubDate>
<description><![CDATA[A ideia é catapultar essa galera pro mercado de trabalho.
]]></description>
<enclosure url="http://vice-images.vice.com/images/articles/meta/2016/07/22/transervicos-site-empregos-pessoas-trans-travestis-1469213912.png" type="image/png" length="1143"></enclosure>
<content:encoded><![CDATA[<p class="photo-credit has-image"><img src="https://vice-images.vice.com/images/content-images/2016/07/22/transervicos-site-empregos-pessoas-trans-travestis-body-image-1469215310.png?resize=*:*&output-quality=75" data-original-width="850" data-original-height="556" data-model-id="207283" data-path="images/content-images/2016/07/22/" data-crop-path="images/content-images-crops/2016/07/22/" data-image-filename="transervicos-site-empregos-pessoas-trans-travestis-body-image-1469215310.png" class="vmp-image">Imagem: Transerviços/ reprodução</p><p>O mercado de trabalho brasileiro
ainda não abriu suas portas para pessoas transgênero, transexuais e travestis. Identidade de gênero ainda é um tabu durante o
recrutamento de novos funcionários. Partindo desta premissa, surgiu, no final
de junho, o site 
	<a href="http://www.transervicos.com.br/" target="_blank">Transerviços</a>, no qual profissionais de qualquer área podem se
cadastrar gratuitamente e oferecer seus trampos. "Que tal contratar
uma das talentosas pessoas trans e travestis que anunciam neste site?", propõe
uma mensagem na primeira página.
</p><p>Lá, a comunidade T (letra referente à transgêneros, transexuais e travestis na sigla LGBT) de todo o país anunciam os mais variados serviços, como produção de refeições, doces, cuidados com animais, aulas particulares, serviços de beleza e várias outras coisas. Tal incentivo pode servir como uma opção para quem não possui qualificação para trabalhos que exigem experiência ou formação, mas que possuem aptidões e podem explorá-las. A ideia é catapultar essa galera pro mercado de trabalho.
</p><p class="MsoNormal">"Moramos numa sociedade
extremamente transfóbica e que vê pessoas transexuais no ambiente de trabalho
como problema, e não solução", pontua Daniela Andrade, 37, militante trans que
há 18 anos trabalha como analista programadora na área de desenvolvimento de
sistemas. "Homens trans, geralmente, se encontrarão desempregados ou
subempregados, e as mulheres transexuais e travestis na prostituição."
</p><p class="MsoNormal">O direito ao trabalho, previsto
pela Constituição Federal, não é a realidade para a população T.  "Quando nos debruçamos sobre o dado de que 90%
das travestis e mulheres transexuais estão se prostituindo no Brasil,
percebemos que esse direito não é dado a todos."
</p><p class="pullquote">"Se um dia eu precisar ir ao dentista, vou procurar no site alguém que me atenda, que me chame pelo nome social e que não me olhe feio."- Thomas Barth, arquiteto e urbanista<br></p><p class="MsoNormal">Para desmantelar esse padrão, Daniela
e o amigo Paulo Bevilacqua, que também é trans, criaram o Transerviços, viabilizado pela empresa na qual a analista é funcionária, a ThoughtWorks. "Levei
a ideia do site sabendo que eles prezam muito pela transformação da sociedade
por meio da tecnologia e o projeto foi prontamente abraçado."
</p><p class="MsoNormal">Há alguns anos, os mesmos criadores
deram vida ao 
	<a href="http://www.transempregos.com.br/" target="_blank">Transempregos</a>, site cujas vagas são direcionadas à pessoas trans
e travestis. Desta vez, porém, o foco é nos trabalhos autônomos. 
	
</p><p class="MsoNormal">O arquiteto e urbanista paulistano Thomas Barth, 26, anunciou no site pautado por dois motivos principais: "Primeiro porque sou trans e sei das dificuldades do
mercado de trabalho. E também porque sinto na pele quando não sou bem-vindo ou aceito nos lugares". Para ele, é reconfortante ter um espaço para buscar profissionais específicos. "Se um dia eu precisar ir ao
dentista, vou procurar no site alguém que me atenda, que me chame pelo nome social
e que não me olhe feio. Se um dia eu precisar de um cabeleireiro, a mesma
coisa."
</p><p>Profissionais que não são
travestis ou trans "mas que atenderiam essa população sem discriminações" também
podem se cadastrar e ofertar seus serviços, detalha Daniela. É o caso da
filósofa Lívia Noronha, 26, coordenadora e criadora do R(Existência), cursinho
preparatório para o Enem voltado para pessoas trans, travestis, mulheres
negras, afroreligiosos e moradores de periferia em Belém, no Pará.
</p><p class="MsoNormal">
</p><p class="MsoNormal"> Depois que uma amiga apresentou o
Transerviços, Lívia logo fez um anúncio falando mais sobre o curso popular gratuito que
comanda.  "A população trans é
constantemente preterida, silenciada, invisibilizada. Plataformas assim promovem
o 'acolhimento', a valorização dela", afirma. Além da preparação
para o Enem, o cursinho também conta com aulas que auxiliem essas pessoas de
outras maneiras. Principalmente "para os enfrentamentos de opressões como
racismo, machismo, sexismo, cissexismo, LGBTfobia", informa Lívia.
</p><p class="MsoNormal">
</p><p class="MsoNormal"> 
</p><p class="MsoNormal">O Transerviços ainda dá os
primeiros passos.  "Alterações, correções e sugestões são bem-vindas", comenta Daniela. O
site também possui um espaço para denunciar profissionais que se portarem mal. "Possibilitar
que essa população tenha direito de ingressar, permanecer e ser tratada
igualmente no mercado de trabalho deveria ser pauta de todas as pessoas que
lutam pelos direitos humanos e por uma sociedade mais justa", finaliza. 
	
</p><p><i><i>Siga a <strong>VICE Brasil</strong> no </i><a href="https://www.facebook.com/vicebrasil" target="_blank"><i>Facebook</i></a><i>, </i><a href="https://twitter.com/vicebrasil" target="_blank"><i>Twitter</i></a><i> e </i><i><a href="https://www.instagram.com/vicebrasil" target="_blank">Instagram</a>.</i></i><br></p><p class="MsoNormal"> 
</p>
]]></content:encoded>
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<media:thumbnail url="https://vice-images.vice.com/images/articles/meta/2016/07/22/transervicos-site-empregos-pessoas-trans-travestis-1469213912.png"></media:thumbnail>
<dc:creator>Débora  Lopes</dc:creator>
<media:category>news</media:category>
<category>news</category>
</item>
<item>
<title>Do terrorismo canarinho à falta de aprovação de Temer, lembre da semana na política</title>
<link>http://www.vice.com/pt_br/read/do-terrorismo-canarinho-falta-de-aprovacao-de-temer</link>
<pubDate>Mon, 25 Jul 2016 10:00:00 -0300</pubDate>
<description><![CDATA[Um resumão que vai muito além do pré-Olimpíadas que parecemos estar.
]]></description>
<enclosure url="http://vice-images.vice.com/images/articles/meta/2016/07/22/do-terrorismo-canarinho-falta-de-aprovacao-de-temer-1469213965.jpg" type="image/jpg" length="800"></enclosure>
<content:encoded><![CDATA[<p>Aí você pensa, "bom, é recesso do Congresso, vai ficar tranquilo, duas semanas sem escândalos" e vem o Alexandre de Moraes e "PÁ" na sua cara. O Ministro da Justiça protagonizou o bate-cabeça mais público do governo interino ao mostrar a falta de alinhamento entre Justiça e Defesa no caso da prisão da suposta célula terrorista tupiniquim Defensores da Sharia. Enquanto Moraes exaltava a eficiência da Polícia Federal, que deu a entender sem explicar que até Whats App monitorou (chupa NSA), Raul Jungmann chamava o agrupamento de "porralouquice" – a gente fala mais sobre o tema <a href="http://www.vice.com/pt_br/read/operacao-hashtag-grupos-odio-terrorismo-brasil" target="_blank">aqui</a>.</p><p>Mas o Congresso anda sim, nem que seja por causa da troca de guarda. O ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ) está cada vez mais enrolado – parece que a manobra de renunciar à presidência da Casa para manter o mandato vai fazendo água. Apostando na combinação de recesso parlamentar e eleições municipais, que acaba esvaziando a Câmara, Cunha espera que o baixo quórum o ajude a escapar da cassação no plenário, mas o novo presidente, Rodrigo Maia (DEM-RJ) <a href="http://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2016/07/19/cassacao-de-cunha-pode-ser-votada-na-2-semana-de-agosto-diz-maia.htm" target="_blank">prometeu votar a cassação pela segunda semana de agosto</a>, e para forçar a presença de deputados na Casa, disse <a href="http://oglobo.globo.com/brasil/rodrigo-maia-confirma-que-deputados-faltosos-terao-desconto-no-salario-19751837" target="_blank">que vai cortar o salário de quem faltar</a> – mas ele <a href="http://www.em.com.br/app/noticia/politica/2016/07/20/interna_politica,785717/maia-diz-que-corte-de-ponto-nao-visa-a-garantir-quorum-para-cassacao-d.shtml" target="_blank">nega que a medida vise atingir Cunha</a>. Uma vez que o deputado afastado desistiu da presidência quase de bom grado e está por um triz de ser implicado efetivamente na Lava Jato, resta saber qual vai ser (ou já foi) o preço do silêncio de Cunha, que fez muitas <a href="http://g1.globo.com/politica/noticia/2016/07/cunha-diz-que-palavra-da-acusacao-virou-sentenca-contra-ele.html" target="_blank">ameaças veladas durante seu depoimento na Comissão de Constituição e Justiça</a>.</p><p>Já a parca popularidade do governo interino parece estar caminhando para o ralo, bem às raias da votação final da confirmação do impeachment de Dilma Rousseff. Se a <a href="http://datafolha.folha.uol.com.br/opiniaopublica/2016/07/1792812-governo-temer-e-aprovado-por-14.shtml" target="_blank">pesquisa do Datafolha</a> e o <a href="http://www1.folha.uol.com.br/poder/2016/07/1792483-datafolha-aponta-que-metade-dos-brasileiros-prefere-temer-a-dilma.shtml" target="_blank">modo de apresentação</a> dos dados <a href="https://theintercept.com/2016/07/20/folha-comete-fraude-jornalistica-com-pesquisa-manipulada-visando-alavancar-temer/" target="_blank">gerou polêmica</a> até com o mais novo blogueiro do ex-governismo e ganhador do Pulitzer Glenn Greenwald – e realmente o próprio Datafolha teve que <a href="http://agenciabrasil.ebc.com.br/politica/noticia/2016-07/datafolha-admite-que-houve-imprecisao-em-pesquisa-sobre-temer">admitir a imprecisão da pesquisa</a> – os números do Ibope parecem bem claros. <a href="http://brasil.elpais.com/brasil/2016/07/01/politica/1467377006_399517.html" target="_blank">A aprovação do interino Michel Temer está em 13%</a>, mesmo número Dilma tinha ao caminhar ao cadafalso, enquanto dois terços, ou 66% dos entrevistados afirmam que não confiam na gestão atual. Parece que Temer encontrou realmente o jeito de fazer um governo de união nacional – todos unidos contra ele, não muito diferente da caminhada final da Dilma.</p><p>Já o mundo mágico da Lava Jato e da judiciaização geral da política avança mornamente, porém com fatos importantes. Mônica Moura, mulher do marqueteiro João Santana, admitiu em depoimento ao juiz Sérgio Moro que os <a href="http://paranaportal.uol.com.br/operacao-lava-jato/monica-moura-revela-que-r-45-milhoes-recebidos-na-suica-eram-de-caixa-2-do-pt/" target="_blank">R$ 4,5 milhões que tinha na Suíça eram caixa 2 da campanha de 2010 da presidente Dilma</a>. Santana também corroborou a informação e ainda disse que <a href="http://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/agencia-estado/2016/07/21/marqueteiro-diz-que-e-preciso-rasgar-veu-de-hipocrisia-sobre-doacoes-eleitorais.htm" target="_blank">é preciso "rasgar o véu de hipocrisia" sobre o caixa 2</a>. O mais intrigante da questão é que parece que ela é o fim da linha para o casal na Lava Jato – segundo <a href="http://www1.folha.uol.com.br/colunas/monicabergamo/2016/07/1793746-macri-vem-ao-brasil-para-a-olimpiada-sob-bombardeio-de-empresarios.shtml" target="_blank">Monica Bergamo, Moura não sabia de muita coisa</a> sobre a corrupção no governo e já contou tudo que tinha na manga, enquanto os procuradores esperavam uma delação bombástica e, no final, só ouviram os mesmos papos que já sacavam. Dilma, por sua vez, falou em entrevista nesta sexta (22) que <a href="http://jconline.ne10.uol.com.br/canal/politica/nacional/noticia/2016/07/22/nao-autorizei-pagamento-de-caixa-dois-afirma-dilma-sobre-delacao-de-joao-santana-245588.php" target="_blank">"não autorizou" pagamento de caixa 2</a>.</p><p>Mas a delação que pode deixar o Congresso de cabelos em pé e numa dessas abalar a interinidade parece ter começado a se mexer. Gim Argello, ex-senador do PTB, <a href="http://congressoemfoco.uol.com.br/noticias/justica-homologa-delacao-de-gim-argello/" target="_blank">falou que vai xisnovear</a>. Ele teria sido o responsável por segurar a onda de convocações de empreiteiros na CPI da Petrobras, e, se as especulações estiverem corretas, pode botar até Renan Calheiros (PMDB-AL), presidente do Senado, na roda. Fora da Lava Jato, <a href="http://www.vice.com/pt_br/read/mpf-denuncia-lula-por-obstrucao-da-justica" target="_blank">Lula também levou uma má notícia na semana</a> –  o procurador Ivan Marx decidiu denunciar ele por obstrução da justiça e mais três crimes, o que provavelmente deixou os grupos de Whatsapp da tiozada bem em polvorosa.</p><p>Já a campanha da prefeitura e São Paulo vai finalmente se definindo – exceto para Andrea Matarazzo (PSD) que, lá embaixo nas pesquisas, é pressionado para apoiar outro candidato. O PSC desistiu de lançar Marco Feliciano e flerta com a candidatura de Celso Russomanno (PRB), enquanto João Dória (PSDB) aposta em ter Bruno Covas como vice, para "atucanar" mais uma campanha acusada de ser "entrista" pelos mais velha-guarda da legenda – parece que na disputa entre Geraldo Alckmin e José Serra pela hegemonia do PSDB em São Paulo vai pendendo para o lado do governador. Por outro lado, Dória chega com seu jeitinho de Riquinho Rico e promete privatizar as faixas de ônibus e ciclovias de São Paulo caso eleito, o que deixa muita gente se perguntando como seria esse processo (pedágio para bicicletas?).</p><p><i><strong>Siga a VICE Brasil no <a href="https://www.facebook.com/vicebrasil">Facebook</a>, <a href="https://twitter.com/vicebrasil">Twitter</a> e <a href="https://www.instagram.com/vicebrasil/">Instagram</a>.</strong></i><br></p>
]]></content:encoded>
<guid isPermaLink="false">http://www.vice.com/553857</guid>
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<dc:creator>Amauri Gonzo</dc:creator>
<media:category>news</media:category>
<category>news</category>
</item>
<item>
<title>​Por que só agora o Ministério da Justiça resolveu se importar com grupos de ódio no Brasil?</title>
<link>http://www.vice.com/pt_br/read/operacao-hashtag-grupos-odio-terrorismo-brasil</link>
<pubDate>Fri, 22 Jul 2016 20:29:00 -0300</pubDate>
<description><![CDATA[O grupo Defensores da Sharia foi desarticulado nessa quinta-feira pela Operação Hashtag, mas nem de longe é o primeiro grupo que existe no país que prega mensagens preconceituosas na internet.
]]></description>
<enclosure url="http://vice-images.vice.com/images/articles/meta/2016/07/22/operacao-hashtag-grupos-odio-terrorismo-brasil-1469221037.jpg" type="image/jpg" length="3000"></enclosure>
<content:encoded><![CDATA[<p>Na quinta-feira (21), a Polícia Federal cumpriu
mais de 
	<a href="http://www.vice.com/pt_br/read/operacao-hashtag-terrorismo-brasil" target="_blank">dez mandados de prisão</a> contra o grupo Defensores da Sharia, ditos
simpatizantes do Estado Islâmico que discutiam virtualmente a possibilidade
de coordenar um ataque durante as 
	<a href="http://www.vice.com/pt_br/tag/Ol%C3%ADmpiadas+2016" target="_blank">Olimpíadas do Rio de Janeiro</a> para mostrar
serviço ao califado. Batizada de Operação Hashtag, a Polícia Federal declarou
ter passado seis meses monitorando redes sociais até desarticular o grupo 15
dias antes do evento esportivo. </p><p class="MsoNormal">
</p><p class="MsoNormal">Primeiramente, o que chama a atenção é a falta de
alinhamento nos discursos das autoridades. Na primeira coletiva do Ministro da
Justiça, Alexandre de Moraes, tudo parecia encaminhando. Um homem de Curitiba foi apontado como
líder, houve a negociação da compra de um fuzil AK-47 com um 
	<a href="http://www.vice.com/pt_br/read/blog-oferece-servico-de-entrega-de-armas-paraguaias-no-brasil">comerciante
ilegal do Paraguai
	</a> e, apesar de ter mencionando que se trata de um grupo
"amador", há a sensação de dever cumprido por terem desmantelado um grupo
"terrorista". O procurador da República Rafael Brum Miron responsável pela operação, declarou que os nomes dos envolvidos surgiu a partir de <a href="http://g1.globo.com/pr/parana/noticia/2016/07/fbi-enviou-alerta-ao-brasil-sobre-suspeitos-de-exaltar-terrorismo.html" target="_blank">um memorando do FBI</a> enviado para o Brasil sugerindo que fosse feita uma investigação. </p><p class="MsoNormal">Já o Ministro da Defesa, Raul Jungmann, deu uma apaziguada
no discurso alarmista de Moraes. Classificou a atuação dos membros do
Defensores da Sharia como uma 
	<a href="http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/olimpiadas/rio2016/noticia/2016/07/ministro-da-defesa-cita-ato-isolado-de-presos-por-suspeita-de-terror.html">"porralouquice",</a>
	declaração que até rendeu <a href="http://painel.blogfolha.uol.com.br/2016/07/22/autoridade-olimpica-tera-corte-drastico-em-numero-de-funcionarios/" target="_blank">fofocas</a> nos corredores do Planalto, dizendo que talvez as vozes não estejam muito alinhadas em relação aos suspeitos capturados e que agora estão <a href="http://g1.globo.com/politica/noticia/2016/07/presos-em-acao-antiterrorismo-foram-para-presidio-de-campo-grande-diz-pf.html" target="_blank">confinados</a> em no presídio federal de Campo Grande.
</p><p class="MsoNormal">Marcos Josegrei da Silva, juiz titular da 14ª Vara Federal, <a href="http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/olimpiadas/rio2016/cobertura-ao-vivo.html">durante
uma coletiva
	</a>, contrariou a fala alarmista de Moraes. Primeiro, disse que o
homem apontado como liderança não é um líder proeminente e nem se o grupo deveria ser chamado de terrorista, já que todas as conversas monitoradas eram feitas
pela internet e o grupo era visivelmente amador. 
	
</p><p class="MsoNormal">A Operação Hashtag pode até ser motivo de elogios pela
eficiência e por seu combate profilático ao terrorismo, mas levanta também a possibilidade (bastante possível) de a Operação ser uma forma de o Ministro da Justiça mostrar serviço e também utilizar da atuação da Polícia
Federal como seu próprio palanque para futuras eleições. Pelo teor das
conversas entre os membros do grupo supostamente terrorista, dá para ver, logo
de cara, que o grupo Defensores de Sharia não é o primeiro do tipo a pipocar no país.
Porém, é o primeiro a receber tamanha atenção do Ministério da Justiça, Polícia
Federal e Judiciário para ser desmantelado e logo enquadrado na 
	<a href="http://www.vice.com/pt_br/tag/lei%20antiterrorismo">lei antiterrorismo</a>.
</p><p>
</p><p class="MsoNormal">Em 2011, o país ficou em choque quando Wellington Menezes de
Oliveira entrou na sua antiga escola no Rio de Janeiro, matou a tiros 10
meninas e um menino, deixou mais de 13 pessoas feridas e se suicidou logo em
seguido. Após longas investigações, foi descoberto um link do chamado 
	<a href="http://g1.globo.com/Tragedia-em-Realengo/noticia/2011/04/atirador-entra-em-escola-em-realengo-mata-alunos-e-se-suicida.html">Massacre
de Realengo
	</a> com uma seita de homens perturbados chamada Homens Sanctus, que
além de ter exercido uma influência sobre o atirador a cometer o crime com
motivações visivelmente misóginas também planejava um 
	<a href="http://noticias.r7.com/cidades/noticias/policia-diz-que-presos-por-manter-site-racista-pertencem-a-mesma-seita-de-assassino-de-realengo-20120322.html" target="_blank">ataque à UnB</a>, inclusive já traçando um mapa para executar a
operação. O grupo pregava
o 
	<a href="http://www.parana-online.com.br/editoria/policia/news/600756/?noticia=POLICIA+FEDERAL+PRENDE+INCITADORES+DE+ODIO+NA+INTERNET" target="_blank">extermínio de pessoas</a> que não são homens brancos, além de manterem um leque
de sites na época com conteúdo misóginos, racistas e a fins.
	
</p><p class="MsoNormal">Os Homens Sanctus não eram novidade na época que foram
desmascarados. Há tempos que algumas blogueiras feministas, 
	<a href="http://escrevalolaescreva.blogspot.com.br/2013/02/extra-extra-homens-sanctos-condenados.html" target="_blank">principalmente a Lola Aronovich</a>, denunciavam as constantes ameaças dessa seita na internet. A
Polícia Federal desmantelou o grupo, mas não é nada difícil até hoje encontrar
páginas remanescentes do grupo no Google. Algumas até estão, inclusive, na ativa.
	
</p><p class="MsoNormal">Mês passado, a
UnB foi 
	<a href="http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/cidades/2016/06/18/interna_cidadesdf,536839/unb-investiga-protesto-com-ataques-homofobicos-e-racistas-no-campus.shtml" target="_blank">novamente</a> foco de ataques de intolerância. Desta vez partiu de
um protesto que terminou em ataques de motivação racista e homofóbica contra
alunos no Instituto Central de Ciências (ICC). Momentos depois, começaram a se
alastrar diversos áudios e 
	<a href="http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/cidades/2016/06/22/interna_cidadesdf,537404/audio-expoe-estrategias-utilizadas-por-grupo-que-realizou-protesto-na.shtml" target="_blank">prints</a>
	de alunos discutindo e se gabando dos ataques contra os alunos que eles
consideram "de esquerda". Isso, analisando a fala do ministro Moraes,
também não seria um motivo de preocupação? Afinal, falou-se de ações realmente concretas.
	
</p><p class="MsoNormal">Acompanhamos de perto o nascimento da <a href="http://www.vice.com/pt_br/read/frente-nacionalista-fascista-brasil-parana-neofascismo">Frente
Nacionalista,
	</a> um grupo de pessoas assumidamente simpatizantes do
Integralismo, antissemitas e contra o movimento migratório que está acontecendo
no Brasil. Enquanto a FN tenta entrar pelas bordas no movimento democrático,
nada foi feito por parte das autoridades até então — exceto na investigação do
	<a href="http://www.vice.com/pt_br/read/partido-nacionalista-fascista-curitiba-brasil" target="_blank">evento</a> cheio de bandas
ruins que a FN estava organizando em Curitiba. Considerando que o próprio Ministro da Justiça revelou que as conversas do grupo Defensores da Sharia eram
repletas de mensagens de discriminação racial e religiosa, nos questionamos por que a Frente Nacionalista, que explicitamente coloca esse tipo de
conteúdo no seu estatuto, não foi desarticulada até agora e, inclusive,
consegue pedir doações na internet para manutenção do grupo.
	
</p><p class="has-image"><img src="https://vice-images.vice.com/images/content-images-crops/2016/07/22/operacao-hashtag-grupos-odio-terrorismo-brasil-body-image-1469219394-size_1000.jpg?resize=*:*&output-quality=75" data-original-width="3000" data-original-height="1875" data-model-id="207306" data-path="images/content-images/2016/07/22/" data-crop-path="images/content-images-crops/2016/07/22/" data-image-filename="operacao-hashtag-grupos-odio-terrorismo-brasil-body-image-1469219394.jpg" class="vmp-image"></p><p class="photo-credit">As comemorações do golpe militar em São Paulo. Foto por Equipe VICE publicada originalmente <a href="http://www.vice.com/pt_br/video/as-comemoracoes-do-golpe-militar-em-sp" target="_blank">aqui</a>.</p><p>Isso sem contar com grupos nazistas que ainda estão até hoje
na ativa no Brasil. Embora em São Paulo exista um órgão como o DECRADI, não há
sequer um registro disponível para os cidadãos saberem quantos grupos nazistas em
média ainda existem no país. Embora esses grupos se afastarem das ruas desde a
morte do punk Johnny Raoni Falcão Galanciak, em 2011, muitos começaram a agir no
campo virtual na tentativa de disseminar o ódio contra minorias. Muitas dessas
pessoas também encontram uma casa com o levante da direita extremista desde
as 
	<a href="http://www.vice.com/pt_br/video/os-protestos-de-sp-em-7-atos-parte-1">Jornadas
de Junho de 2013
	</a>. Por que, então, não há uma força tarefa para desmantelar
a existência desses grupos na internet?</p><p class="MsoNormal">Em 2013, a Polícia levantou que pelo menos quatro grupos nazistas
estão na ativa no Rio de Janeiro, e não precisa ir muito longe no centro de São
Paulo para ver pichações do 
	<a href="http://www.vice.com/pt_br/read/sera-a-absolvicao-de-bruno-ribeiro-brito-o-fim-da-treta-entre-os-grupos-vicio-punk-e-front-88" target="_blank">Impacto Hooligan</a>, cria do Front 88, tradicional
grupo neonazista da capital paulista. Investigações em 2016 revelaram que só no
Brasil há
mais de 
	<a href="http://g1.globo.com/fantastico/noticia/2016/02/investigacoes-no-brasil-revelam-300-celulas-de-propaganda-nazista-na-web.html" target="_blank">300 núcleos neonazistas</a> espalhados pelo país. 
</p><p class="MsoNormal">Também em 2013, antropóloga e pesquisadora da UNICAMP
Adriana Dias, em
uma 
	<a href="http://www.vice.com/pt_br/read/o-perfil-do-neonazista-brasileiro-uma-entrevista-com-a-pesquisadora-adriana-dias" target="_blank">entrevista</a> para a VICE, informou que existem cerca de 105 mil
simpatizantes do neonazismo no Brasil. Para a EBC, a pesquisadora
	<a href="http://www.ebc.com.br/noticias/brasil/2013/04/vacuo-juridico-e-pouco-investimento-na-policia-federal-sao-entraves-no" target="_blank">alertou</a> sobre a falta de agentes capacitados e investimento da Polícia Federal
para desmantelar esse tipo de organização.
	
</p><p class="MsoNormal">O ministro Alexandre de Moraes foi célere em mostrar que o
país está preparado para evitar possíveis ataques terroristas. Foi tão afobado
que soltou que as investigações monitoraram redes sociais como o WhatsApp. Mas como as autoridades conseguiram monitorar um aplicativo que
passou pelo 
	<a href="http://motherboard.vice.com/pt_br/read/WhatsApp-fora-do-ar-por-decisao-judicial" target="_blank">terceiro bloqueio só em 2016</a> por não fornecer dados pessoais para a
Justiça, já que ele se utiliza da criptografia?
	
</p><p class="MsoNormal">O <em>modus operandi</em> da Polícia durante a Operação começa também
a demonstrar rachaduras. A família de um dos capturados, Vitor Barbosa Magalhães, concedeu
	<a href="http://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/2016/07/meu-filho-nao-e-terrorista-diz-mae-de-preso-por-suspeita-de-ligacao-com-o-ei.html" target="_blank">uma entrevista</a> criticando a prisão e dizendo que Vitor, convertido
ao islamismo em 2010 e convidado para estudar a língua no Egito em 2012,
não tinha nenhuma ligação com o terrorismo. 
	
</p><p>O grupo não chegou a planejar nenhuma ação efetiva durante as Olimpíadas (embora tenha manifestado o desejo em realizar tal ato), mas só o conjunto de elementos que envolvem as conversas elogiando ataques terroristas e a negociação da arma, já é um crime previsto na lei antiterrorismo por caracterizar atos preparatórios para ataques
terroristas. Porém, segundo Flávio Bastos, jurista, advogado
constitucionalista e colaborador de longa data para a VICE, a
prisão desses membros depende de um conjunto probatório que seja forte o
suficiente para justificar uma prisão temporária.</p><p class="MsoNormal">"As autoridades brasileiras estão tomando uma medida
preventiva, que é conectada com serviços de informação de vários países para
evitar o pior, mas o que me parece é que há um sacrifício do direito de ir e
vir, pelo menos no que diz respeito no caso da prisão do Vítor Barbosa
	
</p><p class="MsoNormal">Qual seria a justificativa para ele ser enquadrado na lei?
Viajar para o Egito para aprender árabe e seguir os preceitos do islamismo é,
por si só, um indício de que ele está ligado ao terrorismo? Então se eu estiver
andando com uma mochila e uma blusa de manga comprida em um dia quente já sou
suspeito de terrorismo? Espero que a autoridade tenha elementos que justifiquem
isso, senão são prisões abusivas", explica.
	
</p><p class="MsoNormal">O jurista frisa também que há a evidente preocupação do país
em mostrar um bom trabalho diante de tantos fatores que giram em torno do
evento como a criminalidade e a falência financeira do Rio de Janeiro, que são
talvez mais preocupantes do que o terrorismo em si. "Não que o terrorismo não
seja um risco possível", diz "mas temos uma ação midiática de perfumaria, para
chamar a atenção e passar a mensagem de que o Brasil está atento para isso. Foi
uma ação questionável, e demonstrou uma falta de preparo das autoridades."
	
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</p>
]]></content:encoded>
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<media:thumbnail url="https://vice-images.vice.com/images/articles/meta/2016/07/22/operacao-hashtag-grupos-odio-terrorismo-brasil-1469221037.jpg"></media:thumbnail>
<dc:creator>Marie Declercq</dc:creator>
<media:category>news</media:category>
<category>news</category>
</item>
<item>
<title>Vários mortos em atentado com arma de fogo num shopping em Munique</title>
<link>http://www.vice.com/pt_br/read/atentado-shopping-munique</link>
<pubDate>Fri, 22 Jul 2016 19:27:00 -0300</pubDate>
<description><![CDATA[Em mais um ataque violento na Europa, pelo menos um atirador teria atirado contra civis no Shopping Olympia na Alemanha.
]]></description>
<enclosure url="http://vice-images.vice.com/images/articles/meta/2016/07/22/atentado-shopping-munique-1469216025.jpg" type="image/jpg" length="1228"></enclosure>
<content:encoded><![CDATA[<p><em>Com informações da <a href="https://news.vice.com/article/shots-fired-at-munich-shopping-mall-german-media">VICE News</a></em><em>.</em></p><p>A polícia alemã diz que várias pessoas foram mortas e feridas quando pelo menos um atirador abriu fogo num grande shopping center de Munique, Alemanha, nesta sexta-feira (22). A polícia suspeita que o ataque tenha motivações terroristas.</p><p>Esse foi o terceiro ataque violento contra civis na Europa Ocidental nos últimos oito dias. Os ataques anteriores foram reinvidicados pelo grupo Estado Islâmico.</p><p>A polícia ainda está evacuando o Shopping Olympia. Muitas pessoas ainda estão se escondendo lá dentro. A estação de trem de Munique também foi fechada.</p><p>A rede BR afirmou que pelo menos seis pessoas morreram e muitas foram feridas no shopping.</p><p>"Acreditamos que estamos lidando com um atentado com arma de fogo. As primeiras informações chegaram por volta das 18h, com um tiroteio que teria começado num McDonald's dentro do shopping ", disse uma porta-voz da polícia, acrescentando que acreditava que mais de um atirador estava envolvido.</p><p>Ainda não está claro quem pode ter realizado o ataque, que aconteceu uma semana depois que um adolescente armado com um machado atacou os passageiros num trem na Alemanha, ferindo quatro pessoas. O Estado Islâmico assumiu responsabilidade por aquele ataque. O adolescente de 17 anos veio para a Alemanha como refugiado desacompanhado do Afeganistão; ele foi morto pela polícia.</p><p>Um vídeo postado nas redes sociais supostamente mostra um homem abrindo fogo num McDonald's do shopping:</p><p><div class="twitter-container"><blockquote class="twitter-tweet" lang="en"><p>Eyewitness video shows gunman at 
]]></content:encoded>
<guid isPermaLink="false">http://www.vice.com/553867</guid>
<media:thumbnail url="https://vice-images.vice.com/images/articles/meta/2016/07/22/atentado-shopping-munique-1469216025.jpg"></media:thumbnail>
<dc:creator>Equipe Vice News e Reuters</dc:creator>
<media:category>news</media:category>
<category>news</category>
</item>
<item>
<title>Fotos da Ocupação Douglas Rodrigues depois do incêndio</title>
<link>http://www.vice.com/pt_br/read/incendio-vila-maria-sao-paulo</link>
<pubDate>Fri, 22 Jul 2016 15:00:00 -0300</pubDate>
<description><![CDATA[O fogo que na última segunda (18) atingiu mais de 30 barracos na Zona Norte de São Paulo deixou famílias sem casa, roupa e comida.
]]></description>
<enclosure url="http://vice-images.vice.com/images/articles/meta/2016/07/21/incendio-vila-maria-sao-paulo-1469129466.jpg" type="image/jpg" length="2000"></enclosure>
<content:encoded><![CDATA[<p>Não vi mais nenhum fotógrafo, nenhum jornal, nada. Pelo jeito o que tinha pra ser falado sobre o acontecido já tinha sido escrito na <a href="http://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/2016/07/fogo-atinge-favela-na-vila-maria-na-zona-norte-de-sao-paulo.html" target="_blank">notícia que li</a> antes de sair de casa: incêndio em favela na Zona Norte de São Paulo deixa dois mortos e barracos queimados.
</p><p class="photo-credit has-image"><img src="https://vice-images.vice.com/images/content-images-crops/2016/07/21/incendio-vila-maria-sao-paulo-body-image-1469128590-size_1000.jpg?resize=*:*&output-quality=75" data-original-width="2000" data-original-height="1326" data-model-id="206754" data-path="images/content-images/2016/07/21/" data-crop-path="images/content-images-crops/2016/07/21/" data-image-filename="incendio-vila-maria-sao-paulo-body-image-1469128590.jpg" class="vmp-image"><br>Foto: Fabrício Brambatti/<a href="http://www.angustia.photo" target="_blank">Angústia.Photo</a><br>
</p><p class="photo-credit has-image"><img src="https://vice-images.vice.com/images/content-images-crops/2016/07/21/incendio-vila-maria-sao-paulo-body-image-1469128648-size_1000.jpg?resize=*:*&output-quality=75" data-original-width="2000" data-original-height="1326" data-model-id="206755" data-path="images/content-images/2016/07/21/" data-crop-path="images/content-images-crops/2016/07/21/" data-image-filename="incendio-vila-maria-sao-paulo-body-image-1469128648.jpg" class="vmp-image"><br>Foto: Fabrício Brambatti/Angústia.Photo<br>
</p><p dir="ltr">Na última segunda, dia 18, quando cheguei à Ocupação Douglas Rodrigues, no bairro da Vila Maria, vi uma fila bem grande de pessoas que estavam fazendo o cadastro pra receber o kit da defesa civil: um colchão, uma manta e uma cesta básica. Olhei para o chão e vi várias mangueiras dos bombeiros, que fui seguindo pelas apertadas vielas da favela até me deparar com o galpão queimado.
</p><p class="photo-credit has-image"><img src="https://vice-images.vice.com/images/content-images-crops/2016/07/21/incendio-vila-maria-sao-paulo-body-image-1469128681-size_1000.jpg?resize=*:*&output-quality=75" data-original-width="2000" data-original-height="1326" data-model-id="206756" data-path="images/content-images/2016/07/21/" data-crop-path="images/content-images-crops/2016/07/21/" data-image-filename="incendio-vila-maria-sao-paulo-body-image-1469128681.jpg" class="vmp-image"><br>Foto: Fabrício Brambatti/Angústia.Photo<br>
</p><p class="photo-credit has-image"><img src="https://vice-images.vice.com/images/content-images-crops/2016/07/21/incendio-vila-maria-sao-paulo-body-image-1469128733-size_1000.jpg?resize=*:*&output-quality=75" data-original-width="2000" data-original-height="1326" data-model-id="206757" data-path="images/content-images/2016/07/21/" data-crop-path="images/content-images-crops/2016/07/21/" data-image-filename="incendio-vila-maria-sao-paulo-body-image-1469128733.jpg" class="vmp-image"><br>Foto: Fabrício Brambatti/Angústia.Photo<br>
</p><p dir="ltr">Os moradores me contaram que cerca de mil pessoas moravam lá dentro — um galpão  que pertencia a uma empresa que funcionava no local e foi abandonado. <a href="http://www.gaspargarcia.org.br/noticia/inc%C3%AAndio-atinge-ocupa%C3%A7%C3%A3o-douglas-rodrigues-na-vila-maria" target="_blank">Segundo a ONG Gaspar Garcia</a>, a reintegração de posse do local já foi adiada pelo menos quatro vezes. E depois do incêndio da última segunda (18), no terreno só se via os fogões e geladeiras retorcidos. O resto virou cinzas.
</p><p class="photo-credit has-image"><img src="https://vice-images.vice.com/images/content-images-crops/2016/07/21/incendio-vila-maria-sao-paulo-body-image-1469128776-size_1000.jpg?resize=*:*&output-quality=75" data-original-width="2000" data-original-height="1326" data-model-id="206758" data-path="images/content-images/2016/07/21/" data-crop-path="images/content-images-crops/2016/07/21/" data-image-filename="incendio-vila-maria-sao-paulo-body-image-1469128776.jpg" class="vmp-image"><br>Foto: Fabrício Brambatti/Angústia.Photo<br>
</p><p class="photo-credit has-image"><img src="https://vice-images.vice.com/images/content-images-crops/2016/07/21/incendio-vila-maria-sao-paulo-body-image-1469128800-size_1000.jpg?resize=*:*&output-quality=75" data-original-width="2000" data-original-height="1326" data-model-id="206759" data-path="images/content-images/2016/07/21/" data-crop-path="images/content-images-crops/2016/07/21/" data-image-filename="incendio-vila-maria-sao-paulo-body-image-1469128800.jpg" class="vmp-image"><br>Foto: Fabrício Brambatti/Angústia.Photo</p><p class="photo-credit has-image"><img src="https://vice-images.vice.com/images/content-images-crops/2016/07/21/incendio-vila-maria-sao-paulo-body-image-1469128823-size_1000.jpg?resize=*:*&output-quality=75" data-original-width="2000" data-original-height="1326" data-model-id="206761" data-path="images/content-images/2016/07/21/" data-crop-path="images/content-images-crops/2016/07/21/" data-image-filename="incendio-vila-maria-sao-paulo-body-image-1469128823.jpg" class="vmp-image"><br>Foto: Fabrício Brambatti/Angústia.Photo<br>
</p><p class="photo-credit has-image"><img src="https://vice-images.vice.com/images/content-images-crops/2016/07/21/incendio-vila-maria-sao-paulo-body-image-1469128842-size_1000.jpg?resize=*:*&output-quality=75" data-original-width="2000" data-original-height="1326" data-model-id="206762" data-path="images/content-images/2016/07/21/" data-crop-path="images/content-images-crops/2016/07/21/" data-image-filename="incendio-vila-maria-sao-paulo-body-image-1469128842.jpg" class="vmp-image"><br>Foto: Fabrício Brambatti/Angústia.Photo<br>
</p><p dir="ltr">Havia um corpo carbonizado bem no centro do galpão, o pessoal achava que era o Breno. Achavam que era ele porque faltava um pé no esqueleto e Breno, de acordo com o que me contaram, era cadeirante. Mas tudo isso se ouvia em diversas versões. A polícia informou apenas que duas pessoas morreram, sem identificá-las — o Breno e um senhor que, segundo os relatos, não queria abandonar o barraco em que vivia.
</p><p class="photo-credit has-image"><img src="https://vice-images.vice.com/images/content-images-crops/2016/07/21/incendio-vila-maria-sao-paulo-body-image-1469128880-size_1000.jpg?resize=*:*&output-quality=75" data-original-width="2000" data-original-height="1326" data-model-id="206763" data-path="images/content-images/2016/07/21/" data-crop-path="images/content-images-crops/2016/07/21/" data-image-filename="incendio-vila-maria-sao-paulo-body-image-1469128880.jpg" class="vmp-image"><br>Foto: Fabrício Brambatti/Angústia.Photo<br>
</p><p class="photo-credit has-image"><img src="https://vice-images.vice.com/images/content-images-crops/2016/07/21/incendio-vila-maria-sao-paulo-body-image-1469128898-size_1000.jpg?resize=*:*&output-quality=75" data-original-width="2000" data-original-height="1326" data-model-id="206764" data-path="images/content-images/2016/07/21/" data-crop-path="images/content-images-crops/2016/07/21/" data-image-filename="incendio-vila-maria-sao-paulo-body-image-1469128898.jpg" class="vmp-image"><br>Foto: Fabrício Brambatti/Angústia.Photo<br>
</p><p dir="ltr">Cheguei a comentar com um morador todo anonimato em torno do incêndio e ouvi de resposta dele: "Se fosse em um condomínio de playboy já tinha dado notícia na Europa". Infelizmente nenhuma novidade, nem pra mim, nem pro morador que procurava cobre no meio das cinzas pra vender no ferro-velho.
</p><p class="photo-credit has-image"><img src="https://vice-images.vice.com/images/content-images-crops/2016/07/21/incendio-vila-maria-sao-paulo-body-image-1469128931-size_1000.jpg?resize=*:*&output-quality=75" data-original-width="2000" data-original-height="1326" data-model-id="206765" data-path="images/content-images/2016/07/21/" data-crop-path="images/content-images-crops/2016/07/21/" data-image-filename="incendio-vila-maria-sao-paulo-body-image-1469128931.jpg" class="vmp-image"><br>Foto: Fabrício Brambatti/Angústia.Photo<br>
</p><p class="photo-credit has-image"><img src="https://vice-images.vice.com/images/content-images-crops/2016/07/21/incendio-vila-maria-sao-paulo-body-image-1469128949-size_1000.jpg?resize=*:*&output-quality=75" data-original-width="2000" data-original-height="1326" data-model-id="206766" data-path="images/content-images/2016/07/21/" data-crop-path="images/content-images-crops/2016/07/21/" data-image-filename="incendio-vila-maria-sao-paulo-body-image-1469128949.jpg" class="vmp-image"><br>Foto: Fabrício Brambatti/Angústia.Photo<br>
</p><p dir="ltr">Agora com um colchão, uma manta e uma cesta básica pra recomeçar, dá pra lembrar que essas família não tem onde colocar seu colchão, nem tem um fogão e um botijão de gás para cozinhar sua cesta básica.</p><p class="photo-credit has-image"><img src="https://vice-images.vice.com/images/content-images-crops/2016/07/21/incendio-vila-maria-sao-paulo-body-image-1469128987-size_1000.jpg?resize=*:*&output-quality=75" data-original-width="2000" data-original-height="1326" data-model-id="206768" data-path="images/content-images/2016/07/21/" data-crop-path="images/content-images-crops/2016/07/21/" data-image-filename="incendio-vila-maria-sao-paulo-body-image-1469128987.jpg" class="vmp-image"><br>Foto: Fabrício Brambatti/Angústia.Photo<br>
</p><p class="photo-credit has-image"><img src="https://vice-images.vice.com/images/content-images-crops/2016/07/21/incendio-vila-maria-sao-paulo-body-image-1469129006-size_1000.jpg?resize=*:*&output-quality=75" data-original-width="2000" data-original-height="1326" data-model-id="206769" data-path="images/content-images/2016/07/21/" data-crop-path="images/content-images-crops/2016/07/21/" data-image-filename="incendio-vila-maria-sao-paulo-body-image-1469129006.jpg" class="vmp-image"><br>Foto: Fabrício Brambatti/Angústia.Photo<br>
</p><p class="photo-credit has-image"><img src="https://vice-images.vice.com/images/content-images-crops/2016/07/21/incendio-vila-maria-sao-paulo-body-image-1469129022-size_1000.jpg?resize=*:*&output-quality=75" data-original-width="2000" data-original-height="1326" data-model-id="206770" data-path="images/content-images/2016/07/21/" data-crop-path="images/content-images-crops/2016/07/21/" data-image-filename="incendio-vila-maria-sao-paulo-body-image-1469129022.jpg" class="vmp-image"><br>Foto: Fabrício Brambatti/Angústia.Photo<br>
</p><p class="photo-credit has-image"><img src="https://vice-images.vice.com/images/content-images-crops/2016/07/21/incendio-vila-maria-sao-paulo-body-image-1469129086-size_1000.jpg?resize=*:*&output-quality=75" data-original-width="2000" data-original-height="1326" data-model-id="206771" data-path="images/content-images/2016/07/21/" data-crop-path="images/content-images-crops/2016/07/21/" data-image-filename="incendio-vila-maria-sao-paulo-body-image-1469129086.jpg" class="vmp-image"><br>Foto: Fabrício Brambatti/Angústia.Photo<br>
</p><p class="photo-credit has-image"><img src="https://vice-images.vice.com/images/content-images-crops/2016/07/21/incendio-vila-maria-sao-paulo-body-image-1469129116-size_1000.jpg?resize=*:*&output-quality=75" data-original-width="2000" data-original-height="1327" data-model-id="206772" data-path="images/content-images/2016/07/21/" data-crop-path="images/content-images-crops/2016/07/21/" data-image-filename="incendio-vila-maria-sao-paulo-body-image-1469129116.jpg" class="vmp-image"><br>Foto: Fabrício Brambatti/Angústia.Photo<br>
</p><p class="photo-credit has-image"><img src="https://vice-images.vice.com/images/content-images-crops/2016/07/21/incendio-vila-maria-sao-paulo-body-image-1469129178-size_1000.jpg?resize=*:*&output-quality=75" data-original-width="1326" data-original-height="2000" data-model-id="206774" data-path="images/content-images/2016/07/21/" data-crop-path="images/content-images-crops/2016/07/21/" data-image-filename="incendio-vila-maria-sao-paulo-body-image-1469129178.jpg" class="vmp-image"><br>Foto: Fabrício Brambatti/Angústia.Photo<br>
</p><p class="photo-credit has-image"><img src="https://vice-images.vice.com/images/content-images-crops/2016/07/21/incendio-vila-maria-sao-paulo-body-image-1469129694-size_1000.jpg?resize=*:*&output-quality=75" data-original-width="3024" data-original-height="2005" data-model-id="206775" data-path="images/content-images/2016/07/21/" data-crop-path="images/content-images-crops/2016/07/21/" data-image-filename="incendio-vila-maria-sao-paulo-body-image-1469129694.jpg" class="vmp-image"><br>Foto: Fabrício Brambatti/Angústia.Photo<br></p><p class="photo-credit has-image"><img src="https://vice-images.vice.com/images/content-images-crops/2016/07/21/incendio-vila-maria-sao-paulo-body-image-1469129810-size_1000.jpg?resize=*:*&output-quality=75" data-original-width="1000" data-original-height="663" data-model-id="206776" data-path="images/content-images/2016/07/21/" data-crop-path="images/content-images-crops/2016/07/21/" data-image-filename="incendio-vila-maria-sao-paulo-body-image-1469129810.jpg" class="vmp-image"><br>Foto: Fabrício Brambatti/Angústia.Photo</p><p class="photo-credit has-image"><img src="https://vice-images.vice.com/images/content-images-crops/2016/07/21/incendio-vila-maria-sao-paulo-body-image-1469129158-size_1000.jpg?resize=*:*&output-quality=75" data-original-width="2000" data-original-height="1326" data-model-id="206773" data-path="images/content-images/2016/07/21/" data-crop-path="images/content-images-crops/2016/07/21/" data-image-filename="incendio-vila-maria-sao-paulo-body-image-1469129158.jpg" class="vmp-image"><br>Foto: Fabrício Brambatti/Angústia.Photo
</p><p dir="ltr">É possível fazer doações para as família que vivem no local — mais infos no <a href="http://www.gaspargarcia.org.br/noticia/inc%C3%AAndio-atinge-ocupa%C3%A7%C3%A3o-douglas-rodrigues-na-vila-maria">site da ONG Gaspar Garcia</a>.
</p><p dir="ltr"><em>Veja mais fotos do Fabrício Brambatti <a href="https://www.instagram.com/ursomorto/" target="_blank">aqui</a>.</em></p><p dir="ltr"><em>E Mais fotos do Angústia.Photo <a href="http://www.angustia.photo/" target="_blank">aqui</a>.</em></p><p class="MsoNormal"><i>Siga a <strong>VICE Brasil</strong> no </i><a href="https://www.facebook.com/vicebrasil"><i>Facebook</i></a><i>, </i><a href="https://twitter.com/vicebrasil"><i>Twitter</i></a><i> e </i><i><a href="https://www.instagram.com/vicebrasil/">Instagram</a>.</i>
</p><p><i></i>
</p>
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<dc:creator>Fabrício Brambatti</dc:creator>
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<title>A fotógrafa que documentou por 30 anos a vida de 12 casais</title>
<link>http://www.vice.com/pt_br/read/fotos-de-30-anos-da-vida-de-12-casais</link>
<pubDate>Fri, 22 Jul 2016 17:00:00 -0300</pubDate>
<description><![CDATA[A fotógrafa suiça Barbara Davatz fez ao longo de três décadas retratos de casais que não seguiam a moda mainstream.
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<enclosure url="http://vice-images.vice.com/images/articles/meta/2016/07/22/fotos-de-30-anos-da-vida-de-12-casais-1469204666.jpg" type="image/jpg" length="1000"></enclosure>
<content:encoded><![CDATA[<p class="photo-credit has-image"><img src="https://vice-images.vice.com/images/content-images-crops/2016/03/16/barbara-davatz-as-time-goes-by-interview-body-image-1458149629-size_1000.jpg?resize=*:*&output"><br></p><p class="photo-credit">Andi e Beni, 1982.</p><p><em>Matéria original da <a href="http://www.vice.com/en_uk/read/barbara-davatz-as-time-goes-by-interview">VICE Alpes</a></em><em>.</em></p><p>Em 1982, a fotógrafa de Zurique Barbara Davatz fotografou 12 casais. Seis (1988), 13 (1997) e 32 anos depois (2014) ela fez a mesma coisa, com as mesmas pessoas — só que a cada reencontro, os personagens das fotos estavam em novos relacionamentos. O resultado é a série As Time Goes By, um estudo de longo prazo de relacionamentos interpessoais, idade e também estilo.</p><p>Neste ano, a série ficou em exposição no Fotostiftung Winterthur em Zurique, então aproveitei a oportunidade e conversei com Davatz sobre esse trabalho de uma vida inteira.</p><p><strong>VICE: Como você teve a ideia do projeto?<br></strong><strong>Barbara Davatz</strong>: Naquela época, Zurique estava fervendo. Os jovens estavam lutando por seu espaço, o que resultou nas revoltas de Zurique. Não participei ativamente do movimento porque estava muito ocupada com meu trabalho, mas sentia muita simpatia pela causa e pelas pessoas envolvidas. Eu também gostava da criatividade delas espalhada pelas fachadas, nos cartazes, no material impresso, nos jornais e slogans.<br></p><p>Esse trabalho não é um resultado direto do que estava acontecendo na Suíça naquela época, mas está ligado indiretamente. No começo, eu queria focar no statement visual das pessoas — você pode usar a palavra "styling", apesar de eu não gostar muito. O jeito como nos apresentamos, nossas roupas, corte de cabelo e acessórios dizem muito, sobre nós e sobre como vemos o mundo. Quando as pessoas formam um casal, essa declaração se torna duas vezes mais forte. Era isso que me fascinava.</p><p><strong>Como você conheceu os personagens?<br></strong>Tudo começou com Kurt e Nicola. Eles são amigos meus. Eu achava o look deles fascinante. Os dois tinham cabelo curto loiro e quase sempre estavam usando preto da cabeça aos pés. Eles mesmos faziam suas roupas ou compravam em brechós — tudo incrível. Eles foram minha inspiração para fotografar pessoas que comunicavam sua visão de mundo — seu lifestyle — através de sua aparência como um casal. Então comecei a procurar mais casais que faziam o mesmo.</p><p><strong>Como você os escolheu?<br></strong>O principal critério era que eles precisavam ter um visual incomum e interessante — tanto em termos de rosto como de roupas. Eles não deviam seguir a moda mainstream, já que tinham escolhido passar uma "mensagem" que se fortalecia através da duplicação. Por exemplo, Beni e Andi, dois "Bewegler" . As roupas rasgadas dele eram uma declaração consciente contra o "establishment". Essa era a mensagem que eles passavam quando andavam pelas ruas.</p><p class="photo-credit has-image"><img src="https://vice-images.vice.com/images/content-images-crops/2016/03/16/barbara-davatz-as-time-goes-by-interview-body-image-1458149664-size_1000.jpg?resize=*:*&output"><br></p><p class="photo-credit">Beni, Charlotte, Lou-Salomé, Natalie, 2014.</p><p><strong>E como você começou a fotografar Beni e Andi?<br></strong>Estávamos numa longa fila num mercado em Seefeld. Um deles estava usando um casaco de tecido, o outro uma jaqueta de couro com as costuras se soltando, e calças rasgadas. Lembro que a calça verde de Beni estava remendada com lã vermelha. Fiquei observando eles por um tempo e pensei: "Esses dois seriam ótimos". Então juntei coragem e disse: "Ei, vocês! Sou uma fotógrafa trabalhando numa série de retratos — vocês considerariam ser fotografados?"</p><p>Primeiro eles foram bem céticos — afinal de contas, sou vinte anos mais velha que eles. Mas eles me convidaram para ir ao apartamento deles dois dias depois e fizemos uma espécie de entrevista. Tomamos café e eu mostrei meu portfólio. A química deu certo, e logo depois tirei um retrato maravilhoso deles. Essa é uma das minhas fotos favoritas até hoje.</p><p><strong>Sempre foi a ideia fotografar as pessoas por um período tão longo de tempo?<br></strong>Não necessariamente. Eu era uma fotógrafa comercial e estava sempre muito ocupada — minha arte era mais uma coisa paralela. Um dia, Nikolaus Wyss e Walter Keller vieram até o meu estúdio procurar fotos para publicar na revista deles, Der Alltag.</p><p>Walter viu os retratos e disse: "Se você quiser expandir essa série, com certeza publicaríamos". Eu já tinha pensado em continuar isso antes, mas meu trabalho me deixava com pouco tempo livre. O interesse que os dois mostraram e a ideia de que as fotos não acabariam apenas no meu arquivo foi uma grande motivação. Comecei a trabalhar nisso imediatamente e 15 novas fotos surgiram.</p><p><strong>O aspecto voyeurista do projeto aumentou com o tempo?<br></strong>Sim, sem dúvida existe um elemento voyeurista no projeto. É uma série de retratos conceituais; as pessoas são elas mesmas e olham para a câmera. E claro, o processo de envelhecimento é tão evidente que é difícil não sentir isso como uma série íntima.</p><p><strong>Como seu relacionamento com os personagens mudou com o tempo?<br></strong>Com o tempo, fiquei conhecendo muito sobre a vida dos meus temas. Antes de nos sentarmos para uma reunião, tínhamos uma longa conversa por telefone para saber como andavam as coisas. E toda vez eu pensava: "Uau, como a vida é engraçada. Tudo isso aconteceu desde a última vez que falei com essa pessoa".</p><p>Meus personagens se tornaram um tipo de família para mim, mas provavelmente eles significam mais para mim do que significo para eles. Com os anos, toda vez que eu tinha notícia deles, toda vez que via algum deles no jornal — quando alguém fazia um filme, uma exposição ou ganhava um prêmio — eu guardava as matérias, os convites, os ingressos ou as críticas. Tenho um arquivo do que essas pessoas fizeram e experimentaram, como uma mãe orgulhosa. De muitas maneiras, essa série não é sobre as vezes que essas pessoas acabaram na frente das minhas lentes, mas sobre o tempo entre as fotos.</p><p><em>Tradução do inglês por Marina Schnoor.</em></p><p>Veja mais fotos abaixo.</p><p class="photo-credit has-image"><img src="https://vice-images.vice.com/images/content-images-crops/2016/03/16/barbara-davatz-as-time-goes-by-interview-body-image-1458150060-size_1000.jpg?resize=*:*&output"><br></p><p class="photo-credit">Nicola e Kurt, 1982</p><p class="photo-credit has-image"><img src="https://vice-images.vice.com/images/content-images-crops/2016/03/16/barbara-davatz-as-time-goes-by-interview-body-image-1458150083-size_1000.jpg?resize=*:*&output"><br></p><p class="photo-credit">Kurt e Nicola, 1988</p><p class="photo-credit has-image"><img src="https://vice-images.vice.com/images/content-images-crops/2016/03/16/barbara-davatz-as-time-goes-by-interview-body-image-1458150105-size_1000.jpg?resize=*:*&output"><br></p><p class="photo-credit">Barbara e Nicola, 1997</p><p class="photo-credit has-image"><img src="https://vice-images.vice.com/images/content-images-crops/2016/03/16/barbara-davatz-as-time-goes-by-interview-body-image-1458150155-size_1000.jpg?resize=*:*&output"><br></p><p class="photo-credit">Anna e Kurt, 1997</p><p class="photo-credit has-image"><img src="https://vice-images.vice.com/images/content-images-crops/2016/03/16/barbara-davatz-as-time-goes-by-interview-body-image-1458150195-size_1000.jpg?resize=*:*&output"><br></p><p class="photo-credit">Barbara e Pius, 2014</p><p class="photo-credit has-image"><img src="https://vice-images.vice.com/images/content-images-crops/2016/03/16/barbara-davatz-as-time-goes-by-interview-body-image-1458150223-size_1000.jpg?resize=*:*&output"><br></p><p class="photo-credit">Nicola e Angela, 2014</p><p class="photo-credit has-image"><img src="https://vice-images.vice.com/images/content-images-crops/2016/03/16/barbara-davatz-as-time-goes-by-interview-body-image-1458150258-size_1000.jpg?resize=*:*&output"><br></p><p class="photo-credit">Anna e Beat, 2014</p><p class="photo-credit has-image"><img src="https://vice-images.vice.com/images/content-images-crops/2016/03/16/barbara-davatz-as-time-goes-by-interview-body-image-1458150293-size_1000.jpg?resize=*:*&output"><br></p><p class="photo-credit">Elias e Kurt, 2014</p><p><i><i><em><em><em><em><i><i><i><strong>Siga a VICE Brasil no </strong></i><a href="https://www.facebook.com/vicebrasil" target="_blank"><strong><i>Facebook</i></strong></a><i>, </i><strong><i><a href="https://twitter.com/vicebrasil" target="_blank">Twitter</a> </i></strong><span class="apple-converted-space"><i></i></span><i>e </i><a href="https://www.instagram.com/vicebrasil/" target="_blank"><strong><i>Instagram</i></strong></a><i>.</i></i></i></em></em></em></em></i></i><br></p>
]]></content:encoded>
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<dc:creator>Till Rippmann</dc:creator>
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<category>photo</category>
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<title>Como saber se você está batendo muita bronha</title>
<link>http://www.vice.com/pt_br/read/saiba-se-esta-batendo-muita-bronha</link>
<pubDate>Fri, 22 Jul 2016 11:00:00 -0300</pubDate>
<description><![CDATA[Um historiador, um médico e uma terapeuta sexual falam sobre os limites da punhetinha saudável.
]]></description>
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<content:encoded><![CDATA[<p><em>Matéria original da <a href="http://www.vice.com/read/how-much-masturbation-is-too-much-masturbation" target="_blank">VICE US</a>.</em></p><p>No quinto livro da série My Struggle, o escritor norueguês Karl Ove Knausgaard escreve sobre a primeira vez que se masturbou. Ele estava no banheiro, olhando uma foto de uma mulher peituda seminua. "Segurei meu pau com os dedos e escorreguei a mão para cima e para baixo", começa a passagem, chegando a triunfante conclusão de Knausgaard de que o processo foi "incrivelmente fácil".</p><p>Por um lado, é espantoso que um cara que se tornou uma sensação literária mundial documentando sua vida meticulosamente, até os detalhes mais excruciantes, tenha esperado até quase o fim de sua série de seis livros para escrever sobre descabelar o palhaço — assim como o fato de que o trecho foi <a href="https://www.playboy.com/articles/excerpt-from-karl-ove-knausgaard" target="_blank">publicado na primeira edição sem nudez da Playboy</a>. Mas também faz todo sentido, já que há um estigma pesado em falar sobre a luta dos cinco contra um.</p><p>Apesar de organizações do <a href="https://www.reddit.com/r/datasets/comments/3rkiln/dataset_from_recent_reddit_poll_on_masturbation/" target="_blank">Reddit</a> até a <a href="http://www.nationalsexstudy.indiana.edu/" target="_blank">Universidade de Indiana</a> tentarem definir o que qualifica uma quantidade de punheta como "normal", "é difícil encontrar números confiáveis sobre o assunto", diz o professor Thomas Laqueur da UC Berkeley. "Alguém conduziu uma pesquisa um tempo atrás e as coisas mais difíceis de conseguir respostas eram masturbação e renda dos participantes."</p><p>Apesar de ter muitas pessoas na minha vida que eu rotularia como "especialistas em masturbação", Laqueur é uma verdadeira autoridade no assunto: em 2003, ele escreveu <em>Solitary Sex: A Cultural History of Masturbation</em>. Quando nos falamos por telefone, ele tinha acabado de levar o cachorro dele para passear e comentou que tinha ido à ópera na noite anterior.</p><p>"Fazer sexo sozinho é considerado estranho", ele me contou. "Geralmente as pessoas se masturbam não porque não conseguem ninguém para transar, mas por abjeção — elas não conseguem escrever, não conseguem dormir, ou tem outra coisa errada." Ele continuou dizendo que "se masturbar antes de escrever é um tropo constante da literatura".</p><p>Perguntei a Laqueur como saber se alguém bate punheta demais. "Essa é uma pergunta muito difícil", ele admite. "Isso se refere às raízes do desejo e a diferença entre humanos e animais."</p><p>Segundo Laqueur, o conceito de "masturbação demais" é relativamente novo, já que nos tempos antigos os grandes pensadores não se preocupavam com o assunto. "Não que Platão não falasse de sexo", ele especificou. "Ele só não pensou nessa forma particular de sexo." Então a arte atemporal do prazer solitário recebeu pouca atenção acadêmica até o Iluminismo.</p><p>Essa mudança de maré no discurso sobre descascar a mandioca começou num tratado de 1712 escrito por um médico anônimo, que considerava a masturbação uma doença que ele chamou de "onanismo". O nome vem da história bíblica de Onã, que em vez de casar com a esposa do falecido irmão e ter filhos com ela, preferiu "desperdiçar suas sementes na terra". (Isso foi no Velho Testamento, então Deus acabou fulminando Onã sem piedade.)</p><p>Até aquela época, as pessoas interpretavam a história como uma parábola sobre fugir das suas responsabilidades. No entanto, o médico anônimo interpretou o texto como uma prova de que se você se masturbar, Deus vai te punir. "Ele era um cínico", diz Laqueur. "Esse cara pensou 'Como posso descolar uns trocos? Posso dizer que masturbação causa doenças!'"</p><p class="photo-credit has-image"><img src="https://vice-images.vice.com/images/content-images-crops/2016/06/17/a-freakishly-comprehensive-answer-to-the-question-how-much-masturbation-is-too-much-masturbation-body-image-1466153867-size_1000.jpg?resize=*:*&output"><br></p><p class="photo-credit">Uma ilustração dos anos 1800 de um homem que sucumbiu "à exaustão mental e corporal causada pelo onanismo". Imagem via <a href="http://wellcomeimages.org/indexplus/image/L0031938.html" target="_blank">Wellcome Library</a>.</p><p>No meio daquele século, a masturbação se tornou proibida em toda a Europa. "Filósofos sentiram que a masturbação poluía a civilização, que era moralmente horrível, patológica e perigosa", afirma Laqueur. Immanuel Kant foi um crítico particularmente duro da massagem de salsicha, enquadrando o ato como comparável ao suicídio. Laqueur diz que, para Kant, "O ponto era que você não podia usar alguém como um objeto. Se você se mata, você está se tratando como um objeto, mas tem justificativas porque está desesperado. Masturbadores tratavam a si mesmo como objetos por capricho, o que os tornava pior que os suicidas."</p><p>Curiosamente, a campanha raivosa para acabar com a masturbação não estava necessariamente ligada à sexualidade. "Na Europa do século 18, havia mais sexo por cabeça que nunca antes", ele diz. O ódio contra a bronha estava ligado ao "ultraje moral contra alguém se fechando para o mundo", similar ao impulso que faz os mais velhos ficarem putos com a molecada jogando videogames ou olhando o celular. "As pessoas achavam que isso produzia o tipo de pessoa que a sociedade não devia produzir".</p><p>Conforme o tempo foi passando, a atitude da sociedade para com a masturbação não mudou. Durante a Guerra Civil americana "havia registros de soldados sendo internados pelo que as pessoas chamavam de 'loucura masturbatória'", explica Laqueur. "Era o lado negro da ideia socialmente virtuosa de que as pessoas tinham que desenvolver sua imaginação e seu senso de identidade própria."</p><p>Hoje em dia, vemos estrangular o careca sob uma visão bem mais liberal. Isso tem muito a ver com as pesquisas inovadoras do sexólogo Alfred Kinsey, que conduziu estudos exaustivos sobre sexualidade humana na Universidade de Indiana. "O poder das descobertas de Kinsey foi o reconhecimento de que a masturbação era predominante, e que certamente não estava associada a nenhum tipo de transtorno", diz o Dr. Eli Coleman, professor do Departamento de Medicina Familiar e Saúde da Comunidade da Universidade de Minnesota. Coleman já organizou uma conferência acadêmica sobre masturbação, e a defende como uma ferramenta para ajudar as pessoas a entender seus corpos e sua sexualidade: "É uma forma saudável de expressão sexual".</p><p>Ainda assim, há limites em se tratando de descascar a banana, e esses limites tendem a envolver sangue. Como diretora clínica do <a href="http://centerforhealthysex.com/" target="_blank">Center of Healthy Sex</a> de Los Angeles, Alexandra Katehakis já ouviu histórias de terror envolvendo sangue e pintos com bolhas, além de mulheres que se queimaram com o vibrador. Segundo ela, se alguém chega ao ponto de se autoflagelar, "aí já não é mais uma questão de chegar ao orgasmo — é um comportamento de compulsão repetitiva". Esses comportamentos são sinais de alerta para problemas como transtorno obsessivo-compulsivo ou abuso sexual na infância.</p><p>Katehakis também alerta que, para os homens, bater muita punheta vendo pornografia pode levar a incapacidade de ter uma ereção na hora do sexo real. "Cruzamos com casos assim com frequência", ela diz. "Se homens jovens de 20 e 30 anos estão sofrendo com disfunção erétil, a primeira coisa que eles devem se perguntar é 'Estou assistindo pornô demais?'"</p><p>E para deixar claro, Katehakis não é uma vigilante antipunheta — ela é uma renomada terapeuta sexual. "Pornô e masturbação devem ser uma parte prazerosa da sexualidade das pessoas", ela declara, especificando que quer que todos os gêneros se masturbem com segurança. O que significa saber se seus hábitos masturbatórios estão interferindo na sua vida, lidar com seu equipamento com cuidado, e sempre usar lubrificante.</p><p>Outra razão para as pessoas não conhecerem técnicas seguras de masturbação é que nunca somos encorajados a aprender sobre o assunto. "As pessoas são repreendidas pela masturbação desde o primeiro dia", diz Elise Franklin, uma terapeuta de LA que promove uma atitude positiva com relação ao sexo em seu trabalho. "Quando você tem dois anos e seus pais te pegam se tocando, eles dizem 'Não faça isso!' Quando você está na escola e tem aula de educação sexual, o tópico é recebido com desconforto e risos."</p><p>Independente do tom de indignação cercando o assunto, não existe realmente essa coisa de se masturbar demais. Como Franklin diz, punheta é como a formação dos flocos de neve: "Há milhares de estilos e frequências para masturbação, e nenhum está errado."</p><p>Siga o Drew Millard no <a href="https://twitter.com/drewmillard" target="_blank">Twitter</a>.</p><p><em>Tradução: Marina Schnoor</em></p><p><em><i>Siga a <strong>VICE Brasil</strong> no </i><a href="https://www.facebook.com/vicebrasil" target="_blank"><i>Facebook</i></a><i>, </i><a href="https://twitter.com/vicebrasil" target="_blank"><i>Twitter</i></a><i> e </i><i><a href="https://www.instagram.com/vicebrasil/" target="_blank">Instagram</a>.</i></em></p>
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<dc:creator>Drew Millard</dc:creator>
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<title>&quot;Pichar é Humano&quot; relembra a trajetória da lenda do pixo #DI#</title>
<link>http://www.vice.com/pt_br/read/trajetoria-da-lenda-do-pixo-di</link>
<pubDate>Fri, 22 Jul 2016 10:00:00 -0300</pubDate>
<description><![CDATA[O rei dos prédios #DI# ganha exposição em SP sobre seu legado na arte e na pixação.
]]></description>
<enclosure url="http://vice-images.vice.com/images/articles/meta/2016/07/21/trajetoria-da-lenda-do-pixo-di-1469125645.jpg" type="image/jpg" length="2000"></enclosure>
<content:encoded><![CDATA[<p>Quem não é visto, não é lembrado. Na década de 1990, uma das lendas do pixação de São Paulo eternizou seu letreiro ao vandalizar um dos prédios mais cobiçados pelos pixadores da época, o Conjunto Nacional, na Avenida Paulista. O fato poderia terminar aqui e ainda assim teria entrado pra história do pixo, mas não. Assim que desceu do prédio, Edmilson Macena de Oliveira, o #DI# (12/02/1975 - 27/06/1997), ligou prum jornal se passando por um morador putaraço com o trampo que, na real, ele mesmo fizera. "Di afirmou que ficou apavorado com a situação. Segundo ele, o esquema de segurança do prédio não poderia permitir esse tipo de ação", dizia a matéria. Estava cravada uma das narrativas mais conhecidas e contadas pelos pixadores da cidade.</p><span id="docs-internal-guid-f7defdbd-0e51-b23d-5121-7941fd523818"><p class="has-image"><img src="https://vice-images.vice.com/images/content-images-crops/2016/07/21/trajetoria-da-lenda-do-pixo-di-body-image-1469125327-size_1000.jpg?resize=*:*&output-quality=75" data-original-width="1127" data-original-height="2000" data-model-id="206733" data-path="images/content-images/2016/07/21/" data-crop-path="images/content-images-crops/2016/07/21/" data-image-filename="trajetoria-da-lenda-do-pixo-di-body-image-1469125327.jpg" class="vmp-image"></p><p class="photo-credit">Matéria de jornal da época. Reprodução acervo Dino e Rafael PixoBomb</p><p dir="ltr">Considerado por muitos o maior pixador dos anos 1990 — e o número 1 da história do pixo —, o assim chamado rei dos prédios será homenageado com a exposição "#DI# Pichar é Humano", a partir do dia 28 na galeria A7MA, no bairro da Vila Madalena, em São Paulo.<br></p><p class="photo-credit has-image"><img src="https://vice-images.vice.com/images/content-images-crops/2016/07/21/trajetoria-da-lenda-do-pixo-di-body-image-1469125470-size_1000.jpg?resize=*:*&output-quality=75" data-original-width="2000" data-original-height="1374" data-model-id="206734" data-path="images/content-images/2016/07/21/" data-crop-path="images/content-images-crops/2016/07/21/" data-image-filename="trajetoria-da-lenda-do-pixo-di-body-image-1469125470.jpg" class="vmp-image"><br>#DI# pixando. Foto: acervo acervo Dino e Rafael PixoBomb. </p><p dir="ltr">Conjunto Nacional, mansão da família Matarazzo, Bienal de Arte de SP, Ponte dos Remédios. #DI# afamou sua caligrafia no alto de respeitáveis instituições artísticas e construções emblemáticas da cidade, além de eternizar a modalidade de prédio e espalhar seu pixo por todos os picos imagináveis. Os frutos do seu percurso na história do pixo e da arte estarão reunidos na mostra, que traz desde fotografias e matéria de jornais, a famosa escultura que ele fez no Parque Ibirapuera e até um documentário inédito sobre sua vida (do qual falaremos mais muito em breve por aqui). Todo o material estará disponível pra venda e o recurso obtido será revertido ao filho do #DI#. </p><p dir="ltr" class="photo-credit has-image"><img src="https://vice-images.vice.com/images/content-images-crops/2016/07/21/trajetoria-da-lenda-do-pixo-di-body-image-1469125538-size_1000.jpg?resize=*:*&output-quality=75" data-original-width="2000" data-original-height="1895" data-model-id="206735" data-path="images/content-images/2016/07/21/" data-crop-path="images/content-images-crops/2016/07/21/" data-image-filename="trajetoria-da-lenda-do-pixo-di-body-image-1469125538.jpg" class="vmp-image">Mansão Matarazzo. Foto: acervo acervo Dino e Rafael PixoBomb. </p><p dir="ltr">"Hoje, ao formular uma exposição individual do #DI# também fazemos história, porém agora com o protagonismo da cultura popular que ele representa, que desenvolveu estratégias expandindo a expressão urbana para alcançar tal escala. Contudo, o #DI# não fez obras para caber no espaço diminuto de uma galeria, e foi um fotógrafo do movimento artístico de que ele fez parte que conduziu parte das imagens que permitem nos aproximar de sua criatividade", conta Sérgio Franco, curador da exposição. </p><p dir="ltr">Conhecido por ser um cara humilde, comunicativo e carismático, Edmilson inicia o seu relacionamento com as tintas, pincéis e paredes no final dos anos 1980, quando tinha cerca de 13 anos. Daí pra frente, nunca mais parou. Da Vila dos Remédios, onde nasceu, até os picos mais cabulosos da selva de concreto, o artista espalhou sua assinatura, deixando um legado para a cidade paulistana. #DI# foi assassinado em 1997, com apenas 22 anos, em Osasco, numa possível briga de bar que nunca foi totalmente elucidada.</p><p dir="ltr" class="photo-credit has-image"><img src="https://vice-images.vice.com/images/content-images-crops/2016/07/21/trajetoria-da-lenda-do-pixo-di-body-image-1469125613-size_1000.jpg?resize=*:*&output-quality=75" data-original-width="1367" data-original-height="2000" data-model-id="206737" data-path="images/content-images/2016/07/21/" data-crop-path="images/content-images-crops/2016/07/21/" data-image-filename="trajetoria-da-lenda-do-pixo-di-body-image-1469125613.jpg" class="vmp-image">Pixo do #DI#. Foto: acervo acervo Dino e Rafael PixoBomb. </p><p dir="ltr"><em><strong>Serviço</strong></em><em><br></em></p><p dir="ltr"><em>Exposição #DI# "Pichar é Humano"<br></em><em>Abertura: 28 de julho, a partir das 17h<br></em><em>Visitação: 01 a 27 de agosto de 2016, das 11h às 20h<br></em><em>Onde: A7MA - Rua Harmonia, 95B, Vila Madalena, SP.<br></em><em>Contato: contato@a7ma.art.br<br></em><em>Telefone: 11 2361-7876<br></em><em>A7MA - <a href="http://www.a7ma.art.br"></a></em><a href="http://www.a7ma.art.br"></a><em><a href="http://www.a7ma.art.br">www.a7ma.art.br</a></em></p><p dir="ltr"><em><a href="http://www.a7ma.art.br"></a></em><em><strong><i>Siga a VICE Brasil no </i><a href="https://www.facebook.com/vicebrasil"><i>Facebook</i></a><i>, </i><a href="https://twitter.com/vicebrasil"><i>Twitter</i></a><i> e </i><i><a href="https://www.instagram.com/vicebrasil/">Instagram</a>.</i></strong></em></p></span>
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<dc:creator>Larissa Zaidan</dc:creator>
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<title>Não é conto nem fábula: MPF denuncia Lula por obstrução da Justiça</title>
<link>http://www.vice.com/pt_br/read/mpf-denuncia-lula-por-obstrucao-da-justica</link>
<pubDate>Thu, 21 Jul 2016 20:08:00 -0300</pubDate>
<description><![CDATA[O Ministério Público Federal encaminhou a denúncia oficial contra o ex-presidente Lula por obstrução de justiça, organização criminosa, exploração de prestígio e patrocínio infiel. Mas calma, que não foi só ele não.
]]></description>
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<content:encoded><![CDATA[<p class="photo-credit has-image"><img src="https://vice-images.vice.com/images/content-images/2016/07/21/mpf-denuncia-lula-por-obstrucao-da-justica-body-image-1469132542.jpg?resize=*:*&output-quality=75" data-original-width="800" data-original-height="513" data-model-id="206778" data-path="images/content-images/2016/07/21/" data-crop-path="images/content-images-crops/2016/07/21/" data-image-filename="mpf-denuncia-lula-por-obstrucao-da-justica-body-image-1469132542.jpg" class="vmp-image"></p><p class="photo-credit">Crédito: Agência Brasil<br></p><p>Segundo o Estadão em <a href="http://politica.estadao.com.br/blogs/coluna-do-estadao/mpf-de-brasilia-denuncia-lula-delcidio-andre-esteves-por-obstrucao-a-justica/" target="_blank">nota publicada nesta quinta-feira (21)</a>, o Ministério Público Federal de Brasília encaminhou na quarta (20) uma denúDlencia oficial contra o ex-presidente Lula por obstrução de justiça, organização criminosa, exploração de prestígio e patrocínio infiel. Além de Lula, ainda segundo o Estadão, integram a denúncia o ex-senador Delcídio do Amaral, o banqueiro André Esteves (do BTG Pactual) e o pecuarista José Carlos Bumlai, além do filho do pecuarista, Maurício Bumlai, Diogo Ferreira Rodriguez, ex-assessor de Delcídio e Edson Siqueira Ribeiro Filho, que atuou na defesa de Cerveró.</p><p><a href="http://www.dw.com/pt/jos%C3%A9-carlos-bumlai-%C3%A9-preso-na-lava-jato/a-18873199" target="_blank">Bumlai foi preso na 21ª fase da Lava Jato em novembro de 2015</a> e, com um câncer na bexiga, <a href="http://g1.globo.com/pr/parana/noticia/2016/03/preso-na-lava-jato-bumlai-vai-para-prisao-domiciliar-com-tornozeleira.html" target="_blank">cumpre prisão temporária domiciliar</a>. Esteves, por sua vez, <a href="http://g1.globo.com/pr/parana/noticia/2015/11/banqueiro-andre-esteves-e-preso-pela-policia-federal.html" target="_blank">foi preso junto com Delcídio</a> em dezembro de 2015, e <a href="http://oglobo.globo.com/brasil/stf-revoga-prisao-domiciliar-de-andre-esteves-que-podera-reassumir-banco-19166376" target="_blank">teve a prisão revogada em abril deste ano</a>, enquanto Delcídio, depois de delatar, responde também aos seus processos na Lava Jato em liberdade. Essa é a primeira vez que Lula é oficialmente denunciado pela Justiça desde que a Operação Lava Jato foi iniciada em 2014.</p><p>A atual denúncia, assinada pelo promotor Ivan Cláudio Marx, é uma continuação de uma denúncia que havia sido oferecida no início do ano pelo Procurador Geral da República Rodrigo Janot e que estava parada no Supremo Tribunal Federal – porém, após a cassação de Delcídio em abril deste ano, o caso voltou à primeira instância judicial.</p><p>O jornal diz que Marx foi além da denúncia inicial de Janot, que acusava o grupo apenas de obstrução da justiça, e adicionou exploração de prestígio, patrocínio infiel e organização criminosa aos crimes. A tática de denúncia por "organização criminosa" é usada amplamente pela Lava Jato, uma vez que o instrumento de delação premiada só pode ser usado para esse tipo de crime. Segundo a Folha de S. Paulo, a denúncia ainda vai ser distribuída pelo Tribunal Regional Federal da Primeira Região – o caso tinha caído com Ricardo Leite, que participa da Zelotes, mas foi mudado a pedido da defesa. Já o procurador Marx apareceu recentemente no noticiário ao concluir que as <a href="http://politica.estadao.com.br/noticias/geral,para-mp-pedaladas-do-governo-dilma-nao-sao-crime,10000062862" target="_blank">"pedaladas fiscais" de Dilma não configurariam crime</a> e pedir o arquivamento da investigação aberta sobre as manobras da equipe da presidente afastada.</p><p>Apesar de ainda estar sob sigilo, a denúncia deve ser baseada na tentativa de Delcídio de tentar barrar possíveis denúncias de Nestor Cerveró, ex-diretor da área Internacional da Petrobras, contra Bumlai, que seria amigo próximo de Lula. Em sua delação, Delcídio afirma que Lula intercedeu pessoalmente junto ao ex-senador para "ajudar" Bumlai, mediando pagamentos que seriam feitos à família de Cerveró – Esteves teria tentado participar do rateio por ter informações privilegiadas que Cerveró também o denunciaria. A família do ex-diretor teria recebido R$ 250 mil, mas os repasses pararam quando souberam que a delação de Cerveró sobre Bumlai e Esteves havia avançado. Delcídio acabou sendo preso após gravações feitas por Bernardo Cerveró, filho de Nestor, onde o ex-senador tentava armar um plano de fuga para o ex-diretor. Tanto a defesa de Bumlai quanto a de Esteves e Lula negaram as acusações na época em depoimento à PGR.</p><p><i>Siga a <strong>VICE Brasil</strong> no </i><a href="https://www.facebook.com/vicebrasil" target="_blank"><i>Facebook</i></a><i>, </i><a href="https://twitter.com/vicebrasil" target="_blank"><i>Twitter</i></a><i> e </i><i><a href="https://www.instagram.com/vicebrasil/" target="_blank">Instagram</a>.</i><br></p>
]]></content:encoded>
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<dc:creator>Amauri Gonzo</dc:creator>
<media:category>news</media:category>
<category>news</category>
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<title>​Tudo que sabemos sobre a operação que prendeu 10 pessoas suspeitas de terrorismo no Brasil</title>
<link>http://www.vice.com/pt_br/read/operacao-hashtag-terrorismo-brasil</link>
<pubDate>Thu, 21 Jul 2016 16:32:00 -0300</pubDate>
<description><![CDATA[A Operação Hashtag, deflagrada nessa quinta (21), é o primeiro caso que será aplicado a Lei Antiterrorismo brasileira.
]]></description>
<enclosure url="http://vice-images.vice.com/images/articles/meta/2016/07/21/operacao-hashtag-terrorismo-brasil-1469119889.jpg" type="image/jpg" length="2000"></enclosure>
<content:encoded><![CDATA[<p><em>Essa reportagem foi atualizada com a chegada de novas informações.</em></p><p> Foi deflagrada nesta quinta-feira (21) pela Polícia Federal a <a href="http://g1.globo.com/politica/noticia/2016/07/ministro-da-justica-anuncia-acoes-antiterror-15-dias-da-olimpiada.html">Operação Hashtag</a>, criada para investigar movimentações terroristas no Brasil.
Um grupo, formando por integrantes brasileiros, foi desarticulado após um dos
integrantes negociar um <a href="http://www.vice.com/pt_br/read/o-fuzil-mais-famoso-do-mundo-esta-passando-por-um-rebranding" target="_blank">AK-47</a> com um comerciante ilegal do Paraguai. O grupo também é suspeito por ter ligação com o <a href="http://www.vice.com/pt_br/tag/Estado+Isl%C3%A2mico" target="_blank">Estado Islâmico</a> (mais abaixo). A operação abrangeu 10 estados, 15 dias antes das <a href="http://www.vice.com/pt_br/tag/Ol%C3%ADmpiadas+2016" target="_blank">Olimpíadas no Rio de Janeiro</a>, e é o primeiro caso que a <a href="http://www.vice.com/pt_br/search?query=lei%20antiterrorismo" target="_blank">Lei Antiterrorismo</a> será aplicada.</p><p class="MsoNormal"></p><p class="MsoNormal">Durante a coletiva de imprensa, o ministro da Justiça,
<a href="http://www.vice.com/pt_br/search?query=Alexandre%20de%20Moraes" target="_blank">Alexandre de Moraes</a>, se negou a conceder mais informações sobre a operação e nem
se arma foi adquirida. Ele declarou que o <a href="http://www.vice.com/pt_br/read/reconhecimento-facial-e-redes-sociais-monitoradas-as-armas-da-abin-contra-a-ameaca-do-estado-islamico-ao-brasil" target="_blank">monitoramento do grupo foi feito pelas redes sociais</a>,
inclusive pelo <a href="http://www.vice.com/pt_br/search?query=whatsapp" target="_blank">Whatsapp</a> e Telegram. A declaração causou certa estranheza, já
que o Brasil enfrentou o <a href="http://motherboard.vice.com/pt_br/read/WhatsApp-fora-do-ar-por-decisao-judicial" target="_blank">terceiro bloqueio judicial só esse ano do uso do aplicativo</a> justamente
pela empresa não compartilhar informações de usuários para a polícia ou o Judiciário. Questionado durante a coletiva, Moraes disse não poder dar mais
detalhes para não atrapalhar as investigações.</p><p class="MsoNormal">Foram expedidos mais de 10 mandados de prisão pela 14ª Vara
Federal do Paraná - o líder do grupo mora em Curitiba. Os mandados
são de 30 dias, prazo previsto em lei, mas o próprio ministro afirmou que os
envolvidos ficarão encarcerados por 60 dias. Além dos mandados para prisão
temporária de dez pessoas, a Justiça Federal em Curitiba emitiu dois mandados
de condução coercitiva e 19 de busca e apreensão no Amazonas, Minas Gerais, Rio
de Janeiro, São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul. Os que não foram presos
estão "rastreados", declarou o ministro.</p><p>Na mesma manhã, a <a href="http://g1.globo.com/am/amazonas/noticia/2016/07/ssp-confirma-preso-no-am-em-acao-antiterror-outros-sao-monitorados.html" target="_blank">Secretaria de Segurança Público do Amazonas também confirmou a prisão de um dos suspeitos da Operação Hashtag em Manaus</a>. Também não revelou nenhum detalhe sobre o suspeito detido. <a href="http://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/2016/07/pf-prende-quatro-suspeitos-de-ligacao-com-ei-no-estado-de-sp.html" target="_blank">Quatro pessoas em diferentes cidades de São Paulo também foram presos</a>. Os suspeitos estavam localizados na Zona Leste da capital, em Campinas, em Guarulhos e em Amparo. <a href="http://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2016/07/pf-prende-suspeito-de-ligacao-com-terrorismo-em-operacao-no-rs.html" target="_blank">Na cidade de Morro Redondo (RS), outro suspeito de 26 anos foi preso.</a></p><p>Em Paraíba, na região da Grande João Pessoa, <a href="http://g1.globo.com/pb/paraiba/noticia/2016/07/suspeito-de-manter-ligacao-com-grupo-terrorista-e-preso-na-paraiba.html" target="_blank">outro mandado de prisão foi cumprido pela Polícia Federal</a> e o suspeito foi preso na casa dos pais e mandado para Brasília.</p><p>Segundo o ministro da Defesa Raul Jungmann, <a href="http://olimpiadas.uol.com.br/noticias/redacao/2016/07/21/publicacao-no-facebook-vazou-operacao-antiterror-da-pf-diz-ministro.htm" target="_blank">a divulgação da Operação Hashtag foi feita contra a vontade do Governo Federal</a> e a prisão dos suspeitos só foi divulgada porque a esposa de um deles divulgou o caso no Facebook. O próprio ministro declarou que a organização do grupo é <a href="http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/olimpiadas/rio2016/noticia/2016/07/ministro-da-defesa-cita-ato-isolado-de-presos-por-suspeita-de-terror.html" target="_blank">"de um amadorismo, de uma porralouquice"</a>.<br></p><p>O nome dos supostos membros do grupo Defensores da Sharia foi divulgado hoje pela <a href="http://veja.abril.com.br/brasil/saiba-quem-sao-os-brasileiros-suspeitos-de-planejar-atentado/" target="_blank">Veja</a>. São 14 nomes: Alisson Luan de Oliveira, Antonio Andrade dos Santos Junior, Daniel Freitas Baltazar, Hortencio Yoshitake, Israel Pedra Mesquita, Leandro França de Oliveira, Leonid El Kadre de Melo, Levi Ribeiro Fernandes de Jesus, Marco Mario Duarte, Matheus Barbosa e Silva, Mohamad Mounir Zalaria, Oziris Moris Lundi dos Santos Azevedo, Valdir Pereira da Rocha e Vitor Barbosa Magalhães.</p><p><a href="http://operamundi.uol.com.br/conteudo/samuel/44759/os+unicos+grupos+que+ele+tinha+no+whatsapp+eram+de+aula+de+arabe+diz+esposa+de+acusado+de+terrorismo.shtml" target="_blank">Mais cedo, Larissa Rogrigues, esposa de Vitor Barbosa Magalhães escreveu um post no Facebook avisando a prisão do namorado feita hoje cedo pela Polícia Federal.</a> "Os únicos grupos que ele tinha no WhatsApp sobre o islã eram os de árabe, porque ele dá aula pelo youtube e responde as dúvidas por mensagem", diz Larissa.</p><p>Vitor trabalha na funilaria do seu pai para sustentar os dois filhos mora em Guarulhos, se converteu ao islamismo em 2010 e em 2012 foi chamado para aprender árabe e os preceitos da religião. Ele foi citado em uma reportagem da Veja, apontando-o como simpatizante do ISIS. A esposa de Vitor nega a acusação.</p><p class="MsoNormal"></p><p class="MsoNormal">Na coletiva, Moraes informou que o grupo jurou lealdade ao
Estado Islâmico, mas, trata-se de um núcleo amador que planejava, além de ações
com fuzis, "treinar artes marciais". O ministro disse que, fora o batismo, não houve mais nenhum
contato com o EI, apenas o desejo do líder de poder encontrar com os líderes da
célula terrorista.</p><p class="MsoNormal">Segundo ele, nas conversas monitoradas, os integrantes teciam comentários
de intolerância racial e religiosa, além de comemorarem os <a href="http://www.vice.com/pt_br/read/por-que-o-estado-islamico-atacou-paris-e-o-que-vai-acontecer-agora" target="_blank">atentados na França</a>.
Os envolvidos são brasileiros e houve uma menção de um menor de idade. Os
contatos eram estritamente virtuais, exceto um encontro ao vivo entre dois
envolvidos.</p><p class="MsoNormal">No mês passado, <a href="http://olimpiadas.uol.com.br/noticias/redacao/2016/07/21/pf-prende-grupo-que-preparava-atos-de-terrorismo-diz-agencia.htm" target="_blank">a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) anunciou que detectou a abertura de uma conta no Telegram para troca de informações sobre o EI</a>. Até então, não houve nenhuma ameaça efetiva contra o
país.</p><p class="MsoNormal"></p><p>Nesse mês, o <a href="http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/2016/07/professor-da-ufrj-condenado-por-terrorismo-sera-deportado.html" target="_blank">físico Adlène Hicheur, professor da UFRJ, foi deportado para a França por conta de uma condenação em 2009 de terrorismo</a>. Hicheur,
de origem argelina, foi condenado por ter trocado mensagens com um
representante da Al Qaeda. A Polícia Federal monitorava o físico desde sua
chegada no país, em 2013.</p><p>Nas redes sociais brasileiras a ação gerou muitos piadas dadas a inverossimilhança das declarações do ministro e o suposto despreparo do grupo preso. </p><p>Na cidade de Varginha (MG), um <a href="http://g1.globo.com/mg/sul-de-minas/noticia/2016/07/policia-federal-cumpre-mandado-da-operacao-hashtag-em-varginha-mg.html" target="_blank">mandado de condução coercitiva foi cumprido na parte da tarde</a>. Um homem foi até a delegacia para prestar informações e foi liberado. Não foi revelada nenhuma informação adicional sobre ele. </p><p>O juiz Marcos Josegrei da Silva, da 14ª Vara da Justiça Federal do Paraná <a href="http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/olimpiadas/rio2016/cobertura-ao-vivo.html" target="_blank">explicou em uma coletiva</a> o motivo que autorizou a prisão temporária do grupo autodenominado Defensores da Sharia. De acordo com Josegrei, existem elementos suficientes para dizer que os envolvidos "cometeram o crime de integrar ou promover organização terrorista ou cometeram atos preparatórios para cometer atos terroristas". O juiz disse que o grupo é composto por idades variadas, na faixa dos 20 aos 40 anos de idade.</p><p>Josegrei ressaltou que o homem apontado como liderança do Defensores da Sharia não é um líder proeminente, contrariando a fala do ministro da Justiça. As interações do grupo eram feitas pelas redes sociais, principalmente pelo Facebook. Alguns membros disseram que juraram lealdade ao Estado Islâmico, porém, até o momento, não há indícios de comunicação direta com o grupo terrorista. Nas trocas de mensagens, não foi apontado nenhum alvo específico, mas houve conversas no sentindo que um ataque durante as Olimpíadas seria uma oportunidade para agir e demonstrar apoio ao EI.</p><p>ATUALIZAÇÃO (21/07 às 19:14): <a href="http://g1.globo.com/pr/parana/noticia/2016/07/apontado-como-lider-de-grupo-suspeito-nao-tinha-passagem-policial.html" target="_blank">O suposto líder do grupo foi identificado</a>. Levi Ribeiro Fernandes de Jesus tem 21 anos, é natural de Guarulhos (SP) e mora na região metropolitana de Curitiba. </p><p><i>Siga a <strong>VICE Brasil</strong> no </i><a href="https://www.facebook.com/vicebrasil" target="_blank"><i>Facebook</i></a><i>, </i><a href="https://twitter.com/vicebrasil" target="_blank"><i>Twitter</i></a><i> e </i><i><a href="https://www.instagram.com/vicebrasil/" target="_blank">Instagram</a>.</i><br></p>
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<dc:creator>Equipe VICE</dc:creator>
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<title>Como é ser um sensitivo</title>
<link>http://www.vice.com/pt_br/read/como-ser-um-sensitivo</link>
<pubDate>Thu, 21 Jul 2016 21:00:00 -0300</pubDate>
<description><![CDATA[Se você sente as dores do mundo antes de um terremoto ou tem ataques de pânico quando fica perto de alguém que está aflito, é capaz que você seja um sensitivo também.
]]></description>
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<content:encoded><![CDATA[<p class="photo-credit has-image"><img src="https://vice-images.vice.com/images/content-images-crops/2016/07/07/what-its-like-to-be-an-empath-hsp-psychic-new-age-body-image-1467896231-size_1000.jpg?resize=*:*&output"></p><p class="photo-credit">Ilustrações por <a href="http://joelbenjamindraws.tumblr.com/">Joel Benjamin</a>.</p><p>Procurando matérias sobre "<a href="https://www.facebook.com/thespiritscience/?fref=ts" target="_blank">sensitividade</a>" na internet, você vai ver que elas têm milhares de likes e compartilhamentos no Facebook e, nos comentários, várias pessoas dizendo que também são sensitivas. Embaixo de "30 sinais de que você é sensitivo" ou "6 dicas importantes para sensitivos e pessoas muito sensíveis", o pessoal lamenta ter nascido sensitivo, recebe os sensitivos novatos — ou, no caso de um comentarista, aponta que "Uma das coisas mais difíceis de ser sensitivo e perceber que nem todo mundo é". Mas o que é um sensitivo, e por que tantas pessoas no mundo acham que são?</p><p>Para resumir, os sensitivos dizem sentir as "coisas" das outras pessoas como se fossem deles. A maioria não percebe que é sensitivo porque não consegue distinguir entre seus próprios problemas físicos, pensamentos e emoções e o dos outros. Quando a pessoa não é diagnosticada, uma consequência é que a vida dela acaba inconscientemente influenciada pelos desejos, pensamentos e humores dos outros.</p><p>Caroline Van Kimmenade, que realiza <a href="http://thehappysensitive.com/" target="_blank">cursos para sensitivos</a> que querem entender seu poder e viver melhor, compara essa transferência de energia com algo que todo mundo pode experimentar. "É como num jogo de futebol quando todo mundo fica empolgado junto, essa coisa da multidão acaba te levando e você nem se dá conta", ela explica. "Todo mundo pode experimentar isso, mas isso não quer dizer que todo mundo é sensitivo. Para um sensitivo, isso é multiplicado e aplicado a tudo, o tempo todo. Sensitivos estão constantemente num estádio gigante onde reagem a coisas maiores vindas de todas as direções."</p><p>Quando Siobhan, uma mulher de 29 anos de Las Vegas, era mais jovem, ela tinha dores aleatórias que não conseguia explicar. Ela foi diagnosticada com depressão e ansiedade e tinha terríveis ataques de pânico. Suas variações de humor eram tão fortes que seu médico achou que ela era bipolar. Mas ela tinha certeza que seu problema era mais que apenas uma doença mental — suas mudanças de humor e dores estavam ligadas a outras pessoas. "Se eu tinha dor no pescoço e ombros, eu sabia que alguém estava estressado. Eu mandava mensagens para os amigos tentando descobrir de onde isso estava vindo, e alguém respondia que estava se sentindo mal. Quando meu marido estava preocupado com alguma coisa, eu chegava para ele e dizia 'O que está te incomodando?' e ele acabava me dizendo o que estava errado."</p><p>Um dia ela leu uma matéria na internet — "31 indícios que mostram que você é sensitivo" — e se identificou completamente. "Me vi em quase todas as características. Foi bom descobrir que eu não estava de mau humor o tempo todo, havia uma razão: eu estava captando a energia de outras pessoas."</p><p>Todo texto sobre sensitividade vai dizer que isso é diferente de sentir compaixão ou empatia por alguém que está sofrendo. Sendo sensitivo, você sente essas coisas como se fossem suas. Estranhos vão querer descarregar suas coisas pessoais em sensitivos como se, num nível subconsciente, soubessem que os sensitivos vão ouvir com compaixão e compreensão. Pode ser muito cansativo.</p><p>Alguns acreditam que há tipos de sensitividade dentro da definição mais ampla. Sensitivos emocionais captam energia das emoções. Para eles, fazer compras no Black Friday, por exemplo, seria extenuante. Um sensitivo físico capta os problemas físicos dos outros. Num hospital, ou com um parceiro doente, eles podem sentir náuseas, dores de cabeça ou algo similar. Sensitivos animais captam as emoções dos animais, e se sentem presos ou estressados quando passam por um zoológico. Se você é um sensitivo global, você capta os sentimentos dos humanos por todo o planeta, em vez dos de uma pessoa específica. Mesmo sem assistir ao noticiário, você sente o stress de uma catástrofe global — um terremoto em outro país pode te fazer sentir solitário e ansioso. Um sensitivo da terra sente sensações relacionadas com a energia do planeta. Se um grande terremoto está vindo, eles sentem isso antes com espasmos musculares, dores de cabeça ou stress, que passa quando o evento acontece. A maioria dos sensitivos são emocionais ou físicos; mas podem ser uma mistura de alguns ou todos esses tipos.</p><p>Com tantos os gatilhos em potencial, o mundo moderno é um desafio para os sensitivos. Vix Maxwell, 36 anos, trabalhava como professora em Londres quando percebeu que era sensitiva. A energia do trabalho e da cidade era difícil de suportar. "Eu sentava na sala dos professores e me via cercada de gente reclamando, e não conseguia entrar numa conversa sem absorver essa energia. Eu notava uma diferença enorme assim que entrava e saía do trabalho. Descobri que a energia das crianças não era tão ruim quanto a dos adultos com quem eu trabalhava. Comecei a achar que eu tinha dupla personalidade, porque era muito animada e feliz, mas em outras situações ou com outras pessoas eu era o total oposto disso."</p><p>Ela pesquisou sobre sensitividade e aprendeu a lidar com seu ambiente com outras pessoas que se identificam com o rótulo. "Eu sentava no meu carro antes de entrar no trabalho e visualizava uma bolha protetora em volta de mim, dizendo: 'Minha energia está protegida, nada pode entrar que não seja meu'. Isso fez uma grande diferença. Eu entrava no banheiro e começava a sentir as energias de muitas pessoas, então parava e dizia 'Estou protegida, estou protegida', e isso fez uma grande diferença."</p><p>Mesmo assim, ela acabou tendo que pedir demissão. "Assim que comecei a perceber a diferença da minha energia e da dos outros — e proteger a minha — consegui a me conectar apenas com o que eu queria. Comecei um <a href="http://www.newagehipster.co/" target="_blank">blog sobre energia</a> e agora tiro tarô." Ela também se mudou para uma cidade mais calma. "Pegar o metrô é o pior pesadelo de um sensitivo", ela ri. "Minha mudança foi parcialmente por causa disso. Se tenho que ir para lá a trabalho agora, tento visualizar uma luz branca e corações sobre a cabeça de todo mundo, para mandar amor e lembrar de que todas as pessoas estão conectadas. Estamos todos no mesmo barco."</p><p class="has-image"><img src="https://vice-images.vice.com/images/content-images-crops/2016/07/07/what-its-like-to-be-an-empath-hsp-psychic-new-age-body-image-1467896275-size_1000.jpg?resize=*:*&output"><br></p><p>A parte mais difícil da jornada, segundo Caroline, é descobrir se você é sensitivo ou não. "Algumas pessoas são apenas extremamente emotivas ou têm um trauma que precisam trabalhar. É fácil sentir que essas emoções avassaladoras não são suas, porque vivemos num mundo em que emoções podem parecer alienígenas." Ela aconselha a testar se você se sente distintamente diferente perto de uma pessoa muito negativa ou alguém com ideias extremas. "Às vezes faço curas de energia à distância, e se a pessoa é sensitiva, descubro que há energia de outra pessoa no sistema dela e essa é a prova final."</p><p>Quem se descobre sensitivo relata uma sensação de alívio, principalmente porque agora tem acesso às ferramentas para lidar com isso. "Crescendo como um sensitivo, você pode sentir uma falta de identidade, então através de meditação e blindagem (como o exercício da bolha, descrito por Vix) você começa a se entender e conhecer seu propósito", explicou Siobhan. "Não tenho mais mudanças bruscas de humor. Meu marido percebeu. Agora consigo ler minhas próprias emoções e a dos outros separadamente, e literalmente sinto a tristeza e a irritação emanando daquela aura." Assim como Vix investiu nas leituras de tarô, sensitivos dizem poder usar essa suposta fraqueza como uma força. "Desde que era pequena, sempre gostei de fazer massagem", diz Siobhan. "Então aprendi reiki (cura pela energia) e da primeira vez em que fiz isso foi chocante. Já curei duas dores de cabeça apenas através de visualização. Esse foi só o começo do aprendizado e agora estou trabalhando nessa área."</p><p>Claro, todo esse conceito cai no reino da filosofia new age. Sensitividade não vai ser diagnosticada por um médico e especialistas em saúde mental vão ficar preocupados se você disser que está fisicamente sentindo as dores do mundo. Caroline tem consciência disso. "Muita gente nesse reino psíquico está sofrendo e às vezes tem problemas mentais", ela diz. Em seu site, ela deixa claro que seus serviços não são para pessoas com doenças mentais e que ela não é uma profissional da saúde.</p><p>Caroline estava fazendo PhD na época em que percebeu que era sensitiva, e ficou muito preocupada com o que as pessoas pensariam quando começou a explorar a condição. "Tive muito medo de ser chamada de louca. Participei de uma oficina espiritual enquanto ainda trabalhava na universidade. Em certo ponto, um cara apareceu com uma câmera. Ele queria tirar fotos da oficina para o site do centro espiritual. Saí correndo, literalmente, e me tranquei no banheiro. Só saí quando eles prometeram que eu não ia aparecer em nenhuma foto. Eu tinha medo que explorar a cura pela energia me fizesse perder credibilidade no trabalho."</p><p>"Ironicamente, no final, meu treinamento acadêmico realmente ajudou a encontrar meu caminho entre todas as modalidades de cura. Comunidades espirituais tendem a estar no final 'apenas acredite' do espectro. Há pouca tolerância a testar hipóteses ou fazer sua própria cabeça. As pessoas logo apontam o dedo e dizem que você não tem fé o suficiente. Me sinto apoiada pelo meu treinamento acadêmico e gosto de fazer perguntas difíceis, ser crítica e experimentar coisas novas. Costumo ser 'aquela pessoa chata que sempre faz muitas perguntas'. Sem isso, acho que eu não teria aprendido o que precisava sobre ser sensitiva e como isso funciona."</p><p>Só porque sensitividade existe fora da escola de pensamento ocidental, não significa que a condição não é real. Pesquisas sugerem que uma em cada cinco pessoas é uma <a href="http://www.telegraph.co.uk/wellbeing/health-advice/highly-sensitive-people/" target="_blank">Pessoa Altamente Sensitiva (HSP em inglês)</a>, uma condição clinicamente reconhecida. Em vez de apenas ser um tipo de personalidade, como ser tímido ou espontâneo, os HSPs são definidos pela hipersensibilidade do sistema nervoso. Além de ficarem facilmente sobrecarregados por coisas emocionais e sentirem uma empatia inacreditável, os HSPs também têm uma sensibilidade aumentada para coisas físicas como luz, som e temperatura. Na comunidade sensitiva, as pessoas acreditam que a maioria dos sensitivos são HSPs, mas nem todos os HSPs são sensitivos.</p><p>Para descobrir se esse é seu caso, Caroline aconselha testes de campo. "Você acha que está captando algo de alguém? Pergunte sutilmente 'Ei, você está um pouco pálido... você está se sentindo bem?' Quando você sente algo, suspeita que isso não vem de você e outra pessoa confirma que está sentindo exatamente isso, é uma grande validação. Isso te ajuda a se levar mais a sério. Você precisa aceitar que isso é uma coisa real — ou descobrir que talvez esses sejam seus próprios sentimentos. Você precisa fazer esses testes. Rastreei seus insights intuitivos: qual é sua sensação sobre aquela pessoa, o que aconteceu com a pessoa com o tempo? Fazendo isso, você começa a ver as áreas onde sente mais seus próprios sentimentos. É difícil, sendo uma pessoa racional, se abrir para a ideia e geralmente há medo. Mas você não precisa ter medo."</p><p><a href="https://twitter.com/hannahrosewens">@hannahrosewens</a></p><p><em>Tradução: Marina Schnoor</em></p><p><em><i>Siga a <strong>VICE Brasil</strong> no </i><a href="https://www.facebook.com/vicebrasil" target="_blank"><i>Facebook</i></a><i>, </i><a href="https://twitter.com/vicebrasil" target="_blank"><i>Twitter</i></a><i> e </i><i><a href="https://www.instagram.com/vicebrasil/" target="_blank">Instagram</a>.</i><br></em></p>
]]></content:encoded>
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<dc:creator>Hannah Rose Ewens</dc:creator>
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<category>stuff</category>
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<title>Pedalando gostoso: brasileiras criaram um banco de bicicleta que pode te fazer gozar</title>
<link>http://www.vice.com/pt_br/read/banco-de-bicicleta-vibrador</link>
<pubDate>Thu, 21 Jul 2016 15:00:00 -0300</pubDate>
<description><![CDATA[Taí um acessório cheio de "boas vibrações".
]]></description>
<enclosure url="http://vice-images.vice.com/images/articles/meta/2016/07/20/banco-de-bicicleta-vibrador-1469047960.jpg" type="image/jpg" length="2000"></enclosure>
<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal">Irrompe das cortinas vermelhas do
mercado erótico uma nova possibilidade para andar de 
	<a href="http://www.vice.com/pt_br/tag/Bicicleta" target="_blank">bicicleta</a>: <a href="https://fluidlab.com.br/2016/07/17/annie-o-selim-que-vibra/" target="_blank">Annie</a>, um
selim vibratório feito artesanalmente em terras brasileiras. Em fase de lançamento, o dispositivo criado
pela paulistas Brunna Rosa, 30, e Gabriela Sandoval, 41, consiste em uma espécie de capinha que se
encaixa em qualquer banco de bike (e, muito provavelmente, embaixo de qualquer pélvis).
Dentro dela, mora o triunfo do deleite: uma cápsula vibratória.
	
</p><p class="MsoNormal"> 
</p><p class="MsoNormal">Brunna, que atualmente mora em
	<a href="http://www.vice.com/pt_br/tag/Bras%C3%ADlia" target="_blank">Brasília</a> (DF), comanda a 
	<a href="https://fluidlab.com.br/" target="_blank">FluidLab</a>, uma
marca que presta curadoria de 
	<a href="http://www.vice.com/pt_br/tag/brinquedos%20er%C3%B3ticos" target="_blank">brinquedos eróticos</a> com pegada feminista. "Trabalhamos com
saúde e prazer. Não é só 'como vou segurar meu marido no casamento'", explica. Em
uma recente viagem de volta ao mundo, substituindo os principais pontos
turísticos por sex shops, ela se assustou com a disparidade de
produtos voltados para homens e mulheres quando comparado ao mercado
brasileiro.  "Aqui, tudo é muito voltado
para o prazer do homem, e esse prazer  é
construído em cima de uma cultura pornô 
	<a href="http://www.vice.com/pt_br/tag/heteronormatividade" target="_blank">heteronormativa</a> bem questionável,
porque a mulher está sempre numa posição subalterna, submissa, pra dar prazer",
detalha. 
	
</p><p class="has-image"><img src="https://vice-images.vice.com/images/content-images-crops/2016/07/20/banco-de-bicicleta-vibrador-body-image-1469048093-size_1000.jpg?resize=*:*&output-quality=75" data-original-width="2000" data-original-height="1500" data-model-id="206279" data-path="images/content-images/2016/07/20/" data-crop-path="images/content-images-crops/2016/07/20/" data-image-filename="banco-de-bicicleta-vibrador-body-image-1469048093.jpg" class="vmp-image">
</p><p class="photo-credit">No bolsinho traseiro da Annie fica o controle pra ajustar a velocidade da vibração. Foto: Jenny Choe
</p><p class="MsoNormal">A vontade de criar um selim que pudesse deixar os trajetos mais coloridos já martelava há algum tempo, mas só foi colocada em prática quando Brunna se juntou a Gabriela Sandoval, proprietária da marca <a href="https://www.facebook.com/alforgesmaladegarupa" target="_blank">Mala de Garupa</a>, que produz acessórios para bicicletas. "Achei a ideia ótima, super empoderadora para as mulheres. Topei na hora e partimos, então, para estudar o design e o material para a confecção", relembra Gabriela, que também mora em Brasília.
</p><p class="MsoNormal">
</p><p>"A Mala de Garupa trabalha com uma cooperativa de costureiras da cidade-satélite Estrutral, que tem um dos IDHs (Índice de Desenvolvimento Humano) mais baixos e é movida a bicicleta", pontua Brunna. Como boa parte das costureiras é evangélica, rolou uma conversa saudável antes que o produto começasse a ser fabricado. Gabriela afirma que a ideia, agora, é trocar mais experiências e informações com as profissionais da costura. " oficinas sobre ginecologia natural ou outras de interesse para naturalizar mais o produto no universo delas", declara.
</p><p class="has-image"><img src="https://vice-images.vice.com/images/content-images-crops/2016/07/20/banco-de-bicicleta-vibrador-body-image-1469048355-size_1000.jpg?resize=*:*&output-quality=75" data-original-width="2000" data-original-height="1500" data-model-id="206281" data-path="images/content-images/2016/07/20/" data-crop-path="images/content-images-crops/2016/07/20/" data-image-filename="banco-de-bicicleta-vibrador-body-image-1469048355.jpg" class="vmp-image">
</p><p class="photo-credit">O controle da Annie, a capa para banco de bicicleta que vibra. Foto: Jenny Choe
</p><p>Aparentemente, não é só a
mulherada que tem desfrutado dos benefícios da Annie. Suas criadoras relatam que,
em uma festa, uma bicicleta com o selim vibratório ficou à disposição de quem quisesse
testá-la e alguns caras curtiram. "Eles falaram que é muito bom e que faz
'massagem nas bolinhas'", recorda Brunna.
</p><p class="MsoNormal">
</p><p class="MsoNormal"> 
</p><p class="MsoNormal">O brinquedinho custa R$ 179,
funciona com duas pilhas AA e traz dois tamanhos de cápsula vibratória: 3 ou 5
cm - o que não interfere na intensidade da vibração. Cabe a quem for
utilizá-lo decidir se prefere a cápsula maior ou menor. A capa traz um bolsinho traseiro onde fica o controle. Lá, é possível ajustar a velocidade da vibração. Já o nome do dispositivo homenageia Annie "Londonderry" Cohen Kopchovsky, conhecida por ser a primeira mulher a dar a volta ao mundo de bicicleta, entre 1894 e 1895.
</p><p class="has-image"><img src="https://vice-images.vice.com/images/content-images-crops/2016/07/20/banco-de-bicicleta-vibrador-body-image-1469048396-size_1000.jpg?resize=*:*&output-quality=75" data-original-width="2000" data-original-height="1500" data-model-id="206282" data-path="images/content-images/2016/07/20/" data-crop-path="images/content-images-crops/2016/07/20/" data-image-filename="banco-de-bicicleta-vibrador-body-image-1469048396.jpg" class="vmp-image">
</p><p class="photo-credit">Foto: Jenny Choe
</p><p>Brunna confessa que a produção deu
trabalho – e que provavelmente esse tipo de produto já exista em outros cantos
do mundo –, mas os frutos recém-colhidos em terras brasileiras são positivos .
"As pessoas pararam pra pensar: 'Porra, será que posso gozar mais?.' Com
naturalidade, sem ser uma coisa forçada."
	
</p><p class="MsoNormal"> 
</p><p class="MsoNormal">Pra quem se preocupar com um provável excesso de umidade, eis uma ótima informação que foi, propositalmente, deixada
para o final: a capinha da Annie pode ser retirada e lavada. 
	
</p><p><i><i>Siga a <strong>VICE Brasil</strong> no </i><a href="https://www.facebook.com/vicebrasil" target="_blank"><i>Facebook</i></a><i>, </i><a href="https://twitter.com/vicebrasil" target="_blank"><i>Twitter</i></a><i> e </i><i><a href="https://www.instagram.com/vicebrasil" target="_blank">Instagram</a>.</i></i><br>
</p><p class="MsoNormal"> 
</p><p class="MsoNormal"> 
</p><p class="MsoNormal"> 
</p><p class="MsoNormal"> 
</p><p class="MsoNormal"> 
</p><p class="MsoNormal"> 
</p>
]]></content:encoded>
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<dc:creator>Débora  Lopes</dc:creator>
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<category>nsfw</category>
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<title>Pare de reclamar de quem coloca ketchup na pizza</title>
<link>http://www.vice.com/pt_br/read/ketchup-na-pizza</link>
<pubDate>Thu, 21 Jul 2016 10:00:00 -0300</pubDate>
<description><![CDATA[Não adianta fazer uma cruzada pela educação alimentar de gente que não pediu pra ser salva.
]]></description>
<enclosure url="http://vice-images.vice.com/images/articles/meta/2016/07/20/ketchup-na-pizza-1469050380.jpg" type="image/jpg" length="2000"></enclosure>
<content:encoded><![CDATA[<p class="photo-credit has-image"><img src="https://vice-images.vice.com/images/content-images-crops/2016/07/20/ketchup-na-pizza-body-image-1469050435-size_1000.jpg?resize=*:*&output-quality=75" data-original-width="2000" data-original-height="1333" data-model-id="206291" data-path="images/content-images/2016/07/20/" data-crop-path="images/content-images-crops/2016/07/20/" data-image-filename="ketchup-na-pizza-body-image-1469050435.jpg" class="vmp-image"><br>Apenas aceite. Foto: Felipe Larozza</p><p>Um dia, muito cansada depois do trabalho, coloquei um <a href="http://www.vice.com/pt_br/read/agua-mijo-sao-paulo-guia-de-sobrevivencia-paulo-padilha-09-02-2015" target="_blank">miojo</a> pra ferver e tomei um pito da minha <em>roomate</em>. Aquele macarrão frito e desidratado que insistia em comer porque 1) é indiscutivelmente o jantar mais barato do <a href="http://www.vice.com/pt_br/read/photos-of-the-bathrooms-and-kitchens-of-the-uks-bachelors-997" target="_blank">solteiro</a> 2) fica pronto em três minutos 3) tem aquele gosto ótimo de porcaria, era, segundo minha amiga, péssimo pra minha saúde, estava lotado de sódio, eu não devia comer aquilo, etc. Daquele dia em diante, passei a comer miojo escondida da minha parça porque, bom, eu queria continuar comendo miojo.
</p><p dir="ltr">Sim, você está lendo um texto sobre ketchup, mas a história acima serve pra ilustrar o fato de que, no mundo, tem mais gente pensando em só comer alguma coisa do que gente pensando em comer alguma coisa que não lhe faça mal. Toda a sorte de congelados, enlatados e pacotinhos, sim, transformaram nossa alimentação numa montanha de sódio, gordura trans e açúcares. E a maior parte das pessoas que não se autodenominam como um foodie, seguem cagando e andando pra esse tipo de informação — mas ainda assim acham um verdadeiro crime colocar o ketchup na <a href="http://www.vice.com/pt_br/tag/pizza" target="_blank">pizza</a>.
</p><p dir="ltr">Colocar ketchup na comida é um desses hábitos condenados por mascarar o verdadeiro sabor da tradição, no caso da pizza. Mas se o <em>meu</em> paladar pede aquele molho doce e ácido feito de tomate — e de um monte de coisa como vinagre, alho, saborizantes de mentira e conservantes — em cima da <em>minha</em> fatia de pizza, do macarrão de domingo, ou do <em>meu</em> mais pueril misto-quente, eu simplesmente obedeço à vontade inocente e infantil do meu paladar.
</p><p class="photo-credit has-image"><img src="https://vice-images.vice.com/images/content-images-crops/2016/07/20/ketchup-na-pizza-body-image-1469049879-size_1000.jpg?resize=*:*&output-quality=75" data-original-width="2000" data-original-height="1333" data-model-id="206284" data-path="images/content-images/2016/07/20/" data-crop-path="images/content-images-crops/2016/07/20/" data-image-filename="ketchup-na-pizza-body-image-1469049879.jpg" class="vmp-image"><br>A imaculada pizza. Foto: Felipe Larozza/VICE
</p><p dir="ltr">É um pecado colocar ketchup na comida, salvo na receita do estrogonofe e no cachorro-quente. Mas come melhor quem usa mostarda, o primo rico do ketchup — só até você parar pra pensar que a mostarda barata do supermercado é basicamente um ketchup, só que mais ácido e menos doce. O que é um inferno são os outros dizendo o que eu deveria gostar na <em>minha</em> vida. É a supremacia da tradição paulista sobre o hábito carioca e nordestino de colocar ketchup na pizza. E, olha, eu já reclamei com uma amiga que estava botando limão no jamón. Mas aprendi a lição. Se tem uma coisa que pode nos salvar de muitos dos infernos a que somos submetidos o tempo todo, esta coisa é o respeito da própria vontade. Então colocai ketchup em vossa comida, amém.
</p><p dir="ltr">Pra mim, ketchup na comida é como boteco depois do expediente. Você até sabe que deveria, sei lá, estar correndo na esteira ou estudando para o mestrado, mas é tão bom beber uma cerveja na terça-feira. Não quero que o mundo entupa as veias com essas e outras iguarias. Claro que existem doenças novas por conta da comida industrializada e do nosso <em>modus vivendi</em> de quem se fode pra trabalhar, bebe e fuma igual condenados (além de pôr ketchup na pizza). Mas, engraçado, mesmo com toda essa desgraça chamada de comida industrializada e tempos modernos, hoje nossa expectativa de vida é bem maior do que há 100 anos — no Brasil, a expectativa de vida ultrapassa os 70 anos, no século 19 se você chegava aos 50 era um matusalém. Então, a neura em pregar a reeducação alimentar promovida pela nova moda gastronômica de cozinhar sua própria comida com ingredientes orgânicos pode ser prejudicial à sua saúde por conta da sua paranoia.
</p><p class="photo-credit has-image"><img src="https://vice-images.vice.com/images/content-images-crops/2016/07/20/ketchup-na-pizza-body-image-1469050336-size_1000.jpg?resize=*:*&output-quality=75" data-original-width="2000" data-original-height="1333" data-model-id="206289" data-path="images/content-images/2016/07/20/" data-crop-path="images/content-images-crops/2016/07/20/" data-image-filename="ketchup-na-pizza-body-image-1469050336.jpg" class="vmp-image"><br>Viva e deixe viver. Foto: Felipe Larozza/VICE
</p><p dir="ltr">E junto da paranoia vem também a pegadinha. Porque num mundo em que até salgadinho chulé agora tem uma versão orgânica e saudável, é preciso dizer que estamos cercados de mentiras. O vegetariano não quer que bicho morra, mas tá de boa plantação de soja devaste a <a href="http://www.vice.com/pt_br/tag/Amaz%C3%B4nia" target="_blank">Amazônia</a>. Isso sem contar a turma do ketchup orgânico que come salmão importado do Chile. Fica esperto que esse salmão é pior que frango que você compra no supermercado. O peixe que cheio de ômega três é também uma bomba de antibióticos com nadadeiras — eles são criados em cativeiro e têm seu processo de crescimento acelerado com ajuda de remédios. Não há mocinhos nessa história, só vilões.
</p><p dir="ltr">E disse Hobbes, o homem é o lobo do próprio homem, portanto por que não ter pelo menos a satisfação e a liberdade de pôr ketchup na comida? Testar o paladar (no fim de semana fui num tailandês, comi uma sobremesa com coentro e gostei), conhecer novos lances me interessa. Mas não vai ser com proibicionismo do seu olho feio em cima da minha pizza com ketchup que vai fazer o mundo mudar. A revolução começa dentro de cada um. Não adianta fazer uma cruzada pela educação alimentar de gente que não pediu pra ser salva. Aliás, eu mesma, curtindo entender como se faz pão em casa e reduzindo gradualmente o nível de sódio da minha comida, vou terminar no mesmo lugar de quem tá mandando ver no ketchup na pizza. Então coma, ou não, mas, por favor, deixe comer.
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</p>
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<dc:creator>Carla Castellotti  </dc:creator>
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<title>As guerras de gangues sino-americanas que sacudiram Nova York</title>
<link>http://www.vice.com/pt_br/read/guerras-de-gangues-sino-americanas-nova-york</link>
<pubDate>Thu, 21 Jul 2016 17:00:00 -0300</pubDate>
<description><![CDATA[O novo livro de Scott D. Seligman faz um retrato hipnótico e brutal do mundo das 'tongs' (organizações fraternais) chinesas que se formaram pelos imigrantes que chegaram nos EUA na virada do século 20.
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<content:encoded><![CDATA[<p class="photo-credit has-image"><img src="https://vice-images.vice.com/images/content-images-crops/2016/07/05/chinese-american-gangs-tong-wars-new-york-chinatown-money-murder-body-image-1467746538-size_1000.jpg?resize=*:*&output"><br>
</p><p class="photo-credit">Membros da Hip Sing Tong, incluindo o secretário nacional Eng Ying "Eddie" Gong (centro), em 1933. Foto cortesia de New York World-Telegram e Sun Collection, Library of Congress/Public Domain.</p><span id="docs-internal-guid-4d82981b-0dfc-caa8-14e6-5b943309a34f"><p dir="ltr"><em>Matéria originalmente publicada na <a href="http://www.vice.com/read/chinese-american-gangs-tong-wars-new-york-chinatown-money-murder" target="_blank">VICE US</a></em><em>.</em>
</p><p dir="ltr">Ir para os EUA nunca é fácil, mas os sino-americanos sofreram especialmente por volta da virada para o século 20. Os federais aprovaram uma lei nos anos 1880 especificamente bloqueando a chegada de novos chineses e negando direitos dos que já estavam por lá, e as condições de trabalho dos imigrantes geralmente eram atrozes. E como várias outras minorias marginalizadas desesperadas para se estabilizar numa terra estrangeira e muitas vezes hostil, alguns desses imigrantes decidiram partir para a vida do crime.
</p><p dir="ltr">O <a href="http://www.penguin.com/book/tong-wars-by-scott-d-seligman/9780399562273" target="_blank">novo livro</a> de Scott D. Seligman, <em>Tong Wars: The Untold Story of Vice, Money and Murder in New York's Chinatown</em>, oferece um retrato hipnótico e brutal do mundo das tongs (organizações fraternais) chinesas. De 1890 a 1930, assassinos de aluguel, barões da droga, líderes de gangues, policiais corruptos, funcionários públicos e advogados lutaram por dinheiro, prestígio e influência na Chinatown de Nova York, numa dança mortal de intriga no submundo.
</p><p dir="ltr">O que começou como grupos de apoio baseados na comunidade se tornou, em alguns casos, sindicatos criminosos que lidavam com ópio, prostituição e jogo. Irmandades secretas — a On Leong e a Hip Sing entre elas — lutaram uma guerra tão sangrenta quanto qualquer outra do folclore gângster. Com machados, cutelos, pistolas, armas automáticas e às vezes até bombas, esses homens transformaram partes da maior cidade dos EUA em zonas de matança. A VICE conversou com Seligman, que é fluente em mandarim e também fala cantonês, para discutir como era a vida dos chineses de classe baixa no começo do século 20, como as guerras tong começaram e como finalmente acabaram depois de 30 anos de violência.
</p><p dir="ltr" class="has-image"><img src="https://vice-images.vice.com/images/content-images-crops/2016/07/05/chinese-american-gangs-tong-wars-new-york-chinatown-money-murder-body-image-1467747270-size_1000.jpg?resize=*:*&output">
</p><p dir="ltr" class="photo-credit">Arte de capa cortesia da Penguin Books.
</p><p dir="ltr"><strong>VICE: Como era a vida para os imigrantes chineses recém-chegados a Nova York na virada do século? Como as sociedades mafiosas se originaram?<br></strong><strong>Scott D. Selingman</strong>: Os chineses em todo país eram marginalizados durante esse período. O Chinese Exclusion Act, aprovado em 1882, deixou claro que os chineses não eram cidadãos — e não poderiam ser. A lei americana também criminalizava as principais formas de recreação deles, incluindo o jogo. O poder que as autoridades aplicavam sobre eles em Nova York não passava por nenhum tipo de fiscalização, e policiais mal pagos fechavam negócios com impunidade e ameaçavam os comerciantes que não pagassem propina. Eles também tinham preconceito contra os chineses e os viam como escória. E os chineses também não podiam contar com a simpatia dos promotores ou dos tribunais.
</p><p dir="ltr">Para proteger seus interesses, os imigrantes chineses organizaram sociedades de auxílio mútuo, e muitas delas não participavam de nenhum empreendimento criminoso. Isso incluía sociedades regionais — organizações formadas por pessoas de um distrito chinês específico — e sociedades de clãs, abertas a chineses de qualquer lugar que compartilhassem um sobrenome. A terceira categoria eram irmandades juradas geralmente conhecidas pelo termo "tong", significando "câmara", sem exigências geográficas ou familiares, e geralmente com menos membros. Essas eram sociedades secretas, e apesar de também serem principalmente associações benevolentes, no começo dos anos 1900 elas se tornaram associadas a várias atividades do submundo.
</p><p dir="ltr"><strong>Quando começou a história desses grupos na China?<br></strong>A organização das tongs norte-americanas devem algo à tradição chinesa, mas as duas que responderam pela maior parte da violência em Nova York até os anos 30 eram organizações que nasceram nos EUA. Uma, a On Leong Tong, se formou em Nova York; sua principal antagonista, a Hip Sing Tong, se estabeleceu na Costa Oeste e foi para o Leste no final dos anos 1880. Muitas práticas das tongs derivavam de uma tradição que começou na China no começo da Dinastia Qing (1644 a 1911), como uma irmandade/gangue de foras da lei comprometidos em restaurar a Dinastia Ming anterior (1368 a 1644).
</p><p dir="ltr"><strong>O que deu início às guerras tong?<br></strong>Nova York testemunhou quatro grandes guerras tong de duração variada entre a virada do século e os anos 1930, e cada uma começou por uma razão diferente. A primeira começou pelo controle das apostas; a segunda pela "posse" e assassinato de uma mulher. A terceira teve início pelo controle da distribuição de ópio, e a quarta foi travada por causa da deserção de um homem de uma tong para outra. A coisa em comum entre elas é que sempre que uma guerra estourava, era difícil pará-la porque não responder a uma provocação era visto como perder a face. Prolongadas negociações de cessar-fogo eram necessárias. E às vezes funcionavam, às vezes não.
</p><p dir="ltr" class="has-image"><img src="https://vice-images.vice.com/images/content-images-crops/2016/07/05/chinese-american-gangs-tong-wars-new-york-chinatown-money-murder-body-image-1467746759-size_1000.jpg?resize=*:*&output">
</p><p dir="ltr" class="photo-credit">De um relatório da NYPD sobre as tongs em 1922. Foto de domínio público.
</p><p dir="ltr"><strong>E como a violência evoluiu de cutelos de carne para armas e bombas?<br></strong>Foi um processo lento, que cresceu com as armas se tornando mais sofisticadas e capazes de derrubar mais pessoas de uma vez. No final de 1800, eles usavam principalmente cutelos e facas; em 1900, Chinatown testemunhou um grande influxo de revólveres. Os explosivos só foram usados uma ou duas vezes mais tarde — em 1912 — e felizmente provocaram mais danos materiais que humanos.
</p><p dir="ltr"><strong>As guerras das tongs ficaram marcadas na consciência coletiva com alguma grande batalha ou evento?<br></strong>Em 1905, a polícia realizou uma enorme batida no domingo de Páscoa em 12 estabelecimentos de jogo em Chinatown. Foi a maior e mais espetacular ação do tipo realizada em Nova York na época. Naquele mesmo ano, capangas da Hip Sing massacraram os On Leongs no Teatro Chinês da Doyers Street, um dos incidentes mais famosos. O assassinato brutal de uma concubina chamada Bow Kum em 1909 desencadeou a segunda guerra. E na terceira, os On Leongs decapitaram a Hip Sing Tong assassinando seu presidente e o vice.
</p><p dir="ltr"><strong>Como uma guerra de gangues acontece por trinta anos sem nenhum oficial local fazer nada? A polícia americana adorava ir para cima dos imigrantes nessa época, não?<br></strong>Mas os oficiais de fato se envolveram, em cada passo do caminho na verdade; tem muito disso no livro. Eles apenas não eram eficientes em parar a violência por mais que apenas curtos períodos. A polícia fechava as casas de jogos e bordéis. Prendia os criminosos e muitos cumpriram pena. Promotores condenaram homens das tongs por assassinato, e alguns até foram executados. Juízes negociavam cessar-fogo e tréguas. Até o governo federal acabou entrando na história e deportando alguns chineses.
</p><p dir="ltr">Por um tempo vinha a calmaria, mas as lutas sempre recomeçavam.
</p><p dir="ltr"><strong>O que significava ser um chefão como Mock Duck, o líder da Hip Sing Tong?<br></strong>As tongs, como a maioria das organizações chinesas, eram hierárquicas, e havia sempre um oficial sênior no comando. O que era incomum em Mock Duck é que ele era bastante jovem para comandar uma organização desse porte, especialmente numa cultura em que a idade é reverenciada. Foram sua crueldade e inteligência que o catapultaram para o topo da pirâmide da Hip Sing. Tom Lee, que comandava a On Leong Tong, por outro lado, era uma <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Eminência_parda" target="_blank">eminência parda</a>.
</p><p dir="ltr"><strong>Quem eram alguns dos principais jogadores nessas organizações criminosas?<br></strong>Charlie Boston, que comandou a On Leong depois da morte de Lee, controlando uma rede nacional de distribuição de ópio. Gin Gum, o consigliere de longa data da On Leong. Sua contraparte na Hip Sing era Wong Get. A Hip Sing também tinha Chin Jack Lem, que começou como um On Leong e sozinho deu início à quarta guerra.
</p><p dir="ltr"><strong>Quando e como a violência se dissipou, se é que isso aconteceu?<br></strong>O principal fator foi a Grande Depressão, que minou os recursos e incentivos para continuar a batalha. Em 1931, 25% dos chineses nos EUA estavam desempregados, e muitos procuraram as tongs para ter alguma assistência. Mas outros fatores também ajudaram a acabar com as guerras. Todo o dinheiro que não estava sendo usado para alimentar os pobres ia para a defesa da China, que foi invadida pelo Japão em 1931. Além disso, a polícia tinha feito um bom trabalho ao derrubar o jogo, e o Tammany Hall estava em declínio. Além disso, a maioria dos oito mil chineses de Nova York não estavam mais morando em Chinatown, e mais de 40% deles já tinham nascido nos EUA e dependiam menos das tongs para proteção.
</p><p dir="ltr"><strong>O que te colocou em posição para escrever um livro como esse, que está sendo elogiado tanto pela pesquisa histórica como pela imagética das gangues?<br></strong>Tong Wars é meu terceiro livro sobre a experiência chinesa nos EUA. Comecei a me focar nesse tema aproximadamente uma década atrás, por causa de um interesse da vida toda pela China, meu diploma de história norte-americana e minha experiência com pesquisa genealógica e histórica. Os primeiros dois livros eram biografias de homens que poderiam ser considerados heróis sino-americanos. Em Tong Wars, decidi abordar pessoas de outro caminho da vida. A maior parte do nosso conhecimento sobre o começo de Chinatown vinha dos jornais, especialmente dos grandes diários novaiorquinos, que forneceram uma útil cronologia. Mas a cobertura deles era o trabalho de jornalistas brancos que confiavam em informantes chineses para conseguir as histórias. Nem sempre eles conseguiam distinguir fato e ficção. Para completar as matérias dos diários, consultei dados do censo federal e estadual, manifestos de passageiros de barcos, relatórios vitais, relatórios judiciais e os casos do Chinese Exclusion Act nos Arquivos Nacionais, que davam grandes detalhes sobre os indivíduos. Também revi alguns livros de memórias em inglês e chinês.
</p><p dir="ltr">Eu sempre topava com referências sobre as tongs de Chinatown nas pesquisas para os outros livros, mas sabia pouco sobre como elas realmente atuavam e lutavam. A maioria dos chineses não tinha nada a ver com as tongs, mas Chinatown em Nova York era um lugar pequeno, e fiquei surpreso ao ver que muitas figuras que encontrei nas minhas pesquisas anteriores tiveram um papel neste livro também.
</p><p dir="ltr">Tong Wars <em>foi lançado nos EUA no dia 12 de julho. Saiba mais e compre o livro <a href="http://www.penguin.com/book/tong-wars-by-scott-d-seligman/9780399562273" target="_blank">aqui</a>.</em>
</p><p dir="ltr">Siga o Seth Ferranti no <a href="https://twitter.com/sethferranti" target="_blank">Twitter</a>.
</p></span><p><em>Tradução: Marina Schnoor</em>
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<dc:creator>Seth Ferranti</dc:creator>
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<title>Millennials explicam como é se casar aos 20 e poucos anos</title>
<link>http://www.vice.com/pt_br/read/casar-aos-20-poucos-anos-millennials</link>
<pubDate>Thu, 21 Jul 2016 11:00:00 -0300</pubDate>
<description><![CDATA[O que faz jovens bem educados, subempregados e prematuramente falidos terem coragem de prometer o resto da vida um para o outro na frente de todo mundo que conhecem?
]]></description>
<enclosure url="http://vice-images.vice.com/images/articles/meta/2016/07/20/casar-aos-20-poucos-anos-millennials-1469043409.jpg" type="image/jpg" length="1000"></enclosure>
<content:encoded><![CDATA[<p class="photo-credit has-image"><img src="https://vice-images.vice.com/images/content-images-crops/2016/06/27/millennial-couples-explain-what-its-like-to-get-married-in-your-20s-body-image-1467043140-size_1000.jpg?resize=*:*&output"><br></p><span id="docs-internal-guid-75a1ae5d-09bc-5cd4-32a9-df891a70ac24"><p dir="ltr" class="photo-credit">Andrea e Colton. Todas as fotos cortesia dos entrevistados.</p><p dir="ltr"><em>Matéria original da <a href="http://www.vice.com/read/millennial-couples-explain-what-its-like-to-get-married-in-your-20s" target="_blank">VICE US</a>.</em></p><p dir="ltr">Para alguns de nós, um casamento funcional parece uma lenda urbana — pode até ter existido, talvez nas histórias de amor dos nossos avós, mas em algum momento — nos anos 60, talvez? — se perdeu nas névoas do tempo. As taxas de divórcio nos EUA <a href="http://www.wsj.com/articles/SB10001424052702303544604576430341393583056" target="_blank">atingiram um pico</a> por volta dos anos 80 e <a href="http://www.cdc.gov/nchs/nvss/marriage_divorce_tables.htm" target="_blank">vêm caindo</a> na última década e meia, mas os casamentos <a href="http://www.huffingtonpost.com/2014/10/01/marriage-rates_n_5915648.html" target="_blank">seguiram o exemplo</a> e também caíram. Então, com as novas gerações cada vez mais confortáveis com separações, a tendência hoje parece ser que famílias têm que primeiro se dissolver depois se formarem.</p><p dir="ltr">Os obstáculos entre os millennials e o tipo de casamento da Grande Geração, que era considerado o padrão de casamento feliz, são muitos. Frequentamos mais a escola, estamos subempregados, <a href="http://www.vice.com/read/its-not-your-imagination-millennials-are-poorer-than-old-people-vgtrn" target="_blank">devendo</a>, <a href="http://www.vice.com/pt_br/read/quartos-de-quem-ainda-mora-com-os-pais" target="_blank">ainda morando com os pais</a> e, segundo alguns especialistas, somos incapazes de nos comprometer com qualquer coisa — emprego, religião e, claro, o parceiro. Em 2013, <a href="http://www.pewresearch.org/fact-tank/2014/03/07/6-new-findings-about-millennials/" target="_blank">meros 26%</a> dos jovens adultos entre 18 e 33 anos norte-americanos estavam casados, e se a tendência continuar, <a href="http://time.com/3422624/report-millennials-marriage/" target="_blank">um quarto dessa geração</a> vai ficar solteira até os 40, talvez mais. Há evidências de que a própria instituição do casamento está desmoronando: um estudo diz que <a href="http://time.com/3024606/millennials-marriage-sex-relationships-hook-ups/" target="_blank">43% dos millennials</a> apoiam uma forma de casamento que permita que o casal se dissolva depois de dois anos de "test drive".</p><p dir="ltr">Mas pergunte para o estatístico mais próximo: Você tem visto o Facebook ultimamente? Nos seis meses que representam a "<a href="http://jezebel.com/okay-who-let-engagement-season-become-a-thing-1479514889" target="_blank">temporada de noivados</a>" e a "temporada de casamentos", parece que você não passa um dia sem ver um amigo na faixa dos 20 anos dando festa de chá de cozinha, postando vídeos do pedido de casamento, proclamando "Por que vou casar com meu melhor amigo" e, para os convidados solteiros, postagens de autoajuda sobre como <a href="http://www.vice.com/read/things-you-learn-at-weddings-in-your-20s-600" target="_blank">comparecer</a> e <a href="http://www.vice.com/pt_br/read/guia-vice-sua-festa-casamento-adulto" target="_blank">sobreviver</a> ao seu primeiro casamento como adulto. Parece que há um choque de culturas se formando, entre as pessoas organizando seu dia dos sonhos no Pinterest e quem condena o casamento ao fogo do inferno.</p><p dir="ltr">Tentando criar uma ponte entre os dois lados, a VICE procurou millennials noivos ou recém-casados para perguntar, basicamente, por quê? O que eles pensam? Eles são assombrados pelas mesmas dúvidas que a gente? Eles acham que casamento tem data de validade? O que fez eles terem coragem de prometer o resto da vida um para o outro na frente de todo mundo que conhecem?</p><h2 dir="ltr">Lindy Law Pinkalla, 24 anos, e Christopher Pinkalla, 29<br>Casados há três meses</h2><p dir="ltr" class="has-image"><img src="https://vice-images.vice.com/images/content-images-crops/2016/06/27/millennial-couples-explain-what-its-like-to-get-married-in-your-20s-body-image-1467045691-size_1000.jpg?resize=*:*&output"><br></p><p dir="ltr"><strong>Christopher</strong>: Vamos ser honestos: eu acho que o casamento é uma instituição falida. Eu sei que tem gente que vai dizer "Por que se dar ao trabalho?" Não é natural prometer transar com uma única pessoa para o resto da vida, então acho que os mais jovens veem isso e pensam "Foda-se. Não quero isso pra minha vida".</p><p dir="ltr">Na minha família, minha mãe casou quatro vezes. Meu pai também casou de novo. Mas eu sabia que queria levar o casamento muito a sério. É algo em que você tem que trabalhar, e pode ser incrível se você fizer do jeito certo e pelas razões certas. Senti que a Lindy era a pessoa certa, e que a gente ia fazer a nossa vida juntos dar certo. E estávamos muito felizes naquele momento, então não me estressei pensando "Ah, será que é a decisão certa?" Foi uma decisão mais romântica e idealista. Mas de um jeito bom. Foi bonito mesmo.</p><p dir="ltr"><strong>Lindy</strong>: Estávamos planejando o casamento e toda vez que começávamos, eu desatava a chorar. Não tínhamos a grana para o que as pessoas geralmente esperam. Mas assim que decidimos fugir e fazer do nosso jeito, fiquei aliviada. Estava chovendo. Acordamos, todo mundo tomou um bom café da manhã. Fomos para o Point Dume em Malibu. Trocamos alianças. Ninguém ensaiou nada. O melhor amigo dele nos casou. Minha melhor amiga estava lá. Um colega da faculdade tirou as fotos. Voltamos para a casa na praia, comemos Taco Bell, assistimos Netflix e ouvimos música o dia inteiro. Foi perfeito. Não falamos com ninguém no celular naquele dia. Passamos o dia um com o outro e com nossos melhores amigos.</p><p dir="ltr">Eu nunca ia dizer para ninguém simplesmente casar e pronto. Não acho que isso é legal pra todo mundo, é muito difícil e você tem que fazer funcionar. Vocês têm que saber que se a merda voar no ventilador, vocês vão ter que resolver. Mas acho que para muita gente da nossa geração, quando a merda cai no ventilador, as pessoas não querem resolver a situação. E nisso senti que eu e o Chris somos diferentes. Tivemos nossas próprias dificuldades e resolvemos, e vamos continuar resolvendo.</p><h2 dir="ltr">Stacy Omoagh, 24, e Justin Korelc, 37<br>Noivos há seis meses</h2><p dir="ltr" class="has-image"><img src="https://vice-images.vice.com/images/content-images-crops/2016/06/27/millennial-couples-explain-what-its-like-to-get-married-in-your-20s-body-image-1467045628-size_1000.jpg?resize=*:*&output"><br></p><p dir="ltr"><strong>Stacy</strong>: Nunca achei que eu ia me casar tão cedo. Meus planos eram casar com 27, 28 anos. Mas acho que quando você encontra a pessoa certa e quer casar, não tem por que esperar. Meus sentimentos não vão mudar. Eu podia me casar agora. Não cresci com essa ideia de simplesmente morar junto, então casar parecia a escolha certa.<br></p><p dir="ltr">Quando ficamos noivos, esperei vários meses para postar a notícia no Facebook, porque queria contar para os amigos e a família primeiro. É muito fácil ser sugado pelo Facebook. Acho que essa é outra pressão, porque quando você publica essas coisas, se você termina o noivado ou o casamento também vai ter que dar essa notícia. Recentemente não tenho postado tanta coisa como no começo do nosso namoro, porque não preciso e não quero que todo mundo saiba tudo sobre a nossa relação.</p><p dir="ltr">Fico impressionada quando vejo alguém pedindo a namorada em casamento hoje, porque vejo uma tendência das pessoas morarem juntas ou ter filhos fora do casamento. Quer dizer, estamos fazendo a mesma coisa, mas parece que quando você se casa, você sabe o que é um casamento e o que deve fazer num casamento. Sou muito cristã. Acho que se ficamos cada vez mais próximos de Deus, podemos ser pessoas melhores um para o outro. Se não estamos nos tornando mais cristãos e pessoas melhores, acho que não sobreviveríamos a um casamento, especialmente hoje em dia, quando as coisas são completamente diferentes. Tem tanta coisa surgindo todo dia, e quando você não tem um centro de apoio, é muito fácil se afastar disso.</p><p dir="ltr"><strong>Justin</strong>: Acho que o mais importante aqui é que antes de conhecer a Stacy, eu estava desviado do caminho, e quando a conheci, ela me trouxe de volta para a crença na vida em família bíblica e para o marido bíblico que devo ser. Acho que isso se alinha com vários princípios que eu já tinha, mas me desviei do centro disso.</p><p dir="ltr">Para ser um marido bíblico, você tem que saber muita coisa. Você tem que ser realmente dono dos seus padrões de comportamento num relacionamento. Você tem que conhecer quais são suas expectativas como marido e pai. Você vai ter que ser responsável por certas coisas para se comprometer com o casamento, e reforçar os padrões de comportamento nos seus filhos, para poder se ver um modelo e viver por esses padrões.</p><h2 dir="ltr">Andrea Gilliland, 24, e Colton Gilliland, 26<br>Casados há quatro meses</h2><p dir="ltr" class="has-image"><img src="https://vice-images.vice.com/images/content-images-crops/2016/06/27/millennial-couples-explain-what-its-like-to-get-married-in-your-20s-body-image-1467045477-size_1000.jpg?resize=*:*&output"><br></p><p dir="ltr"><strong>Colton</strong>: A Andrea morava com os pais dela quando fiz o pedido, e ela vem de uma família muito tradicional, então não tinha essa opção de morar juntos e tentar conviver antes de nos casarmos. Não estou dizendo que foi por isso que nos casamos — eu sabia que queria casar com ela — mas sabia que poderia não ser uma transição suave. Hoje em dia, muita gente começa a morar junto e testa essas águas, e se for tudo bem, eles arranjam um cachorro, depois se casam. Elas tem medo de entrar nisso de cabeça. Neste caso, ela era meio que obrigada a fazer isso por causa do jeito como foi criada, e eu sabia que a amava o suficiente para me casar com ela. Então demos esse passo e decidimos nos casar.</p><p dir="ltr"><strong>Andrea</strong>: Ainda fico chocada com estarmos casados. Às vezes olho para ele e penso "Meu Deus. Você é meu marido!" Eu não conseguia dizer a palavra marido nas primeiras duas semanas. Foi estranho. Claro que eu queria casar com ele, mas a transição foi difícil para mim. Sou muito próxima da minha família. Não fiz faculdade fora. Nunca tive colegas de quarto. Nunca morei num dormitório. Colton é a primeira pessoa com quem moro, e foi difícil. Mas eles me ajudou na transição. Chorei aqui e ali. Um dia depois do casamento, o apartamento parecia silencioso demais. Comecei a chorar e não sabia por que, mas ele conversou comigo e foi muito paciente.</p><h2 dir="ltr">Britt Tovar, 25 anos, e Isabel López, 25<br>Casadas há um ano</h2><p dir="ltr" class="has-image"><img src="https://vice-images.vice.com/images/content-images/2016/06/27/millennial-couples-explain-what-its-like-to-get-married-in-your-20s-body-image-1467045749.jpg?resize=*:*&output"><br></p><p dir="ltr"><strong>Britt</strong>: Sou ativista do casamento igualitário há anos. Já fui presa por fazer um protesto pacífico no Dia dos Namorados com uma organização chamada GetEQUAL, então sempre fui apaixonada pelo casamento igualitário. Mas quando eu protestava, eu não entendia os laços emocionais ligados à instituição do casamento como conheço agora.</p><p dir="ltr">Vim de um lar desfeito, então é fácil pensar em divórcio. Alguma coisa no fundo da minha mente está sempre dizendo "Você vai estragar tudo, ela vai acordar um dia e perceber que escolheu a pessoa errada". Essa é uma batalha constante — ter que calar essa voz, e focar no que realmente posso fazer para tornar o casamento uma boa experiência. Para mim, é assustador pensar em divórcio porque testemunhei isso, então essa perspectiva fatalista sempre vai estar lá, mas em termos de "para sempre", se a Isabel um dia quiser ficar com outra pessoa, ou ela quiser ir embora porque está infeliz, vou deixar, claro. Porque o objetivo final disso tudo é a felicidade.</p><p dir="ltr">Faço tudo que posso para fazê-la feliz, e se ela não estiver bem, eu quero que ela fique. Isso seria egoísta.</p><p dir="ltr"><strong>Isabel</strong>: No dia em que casamos, a Britt estava trabalhando numa firma de advocacia onde eles ficavam com TV ligada nas notícias. Eu estava em casa e ela me ligou dizendo que a proposta de lei SCOTUS tinha sido aprovada, que os gays agora podiam casar. Então ela disse "Vamos! Vamos casar agora!" Achamos que eles podiam derrubar a lei, e que essa seria pelo menos uma chance de ficarmos casadas por alguns minutos. Então acho que, tecnicamente, foi ela que me pediu em casamento. Naquele dia, senti um pouco de culpa, porque eu via casais muito mais velhos que nós, que estavam juntos há muito mais tempo, e eles esperaram por isso a vida toda. Então comparando nós e eles, me senti um pouco culpada.</p><h2 dir="ltr">Sebastian Mendieta, 23 anos, e Kaitlyn Delaney, 24<br>Noivos há um mês</h2><p class="has-image"><img src="https://vice-images.vice.com/images/content-images-crops/2016/07/20/casar-aos-20-poucos-anos-millennials-body-image-1469043372-size_1000.jpg?resize=*:*&output-quality=75" data-original-width="1600" data-original-height="1071" data-model-id="206258" data-path="images/content-images/2016/07/20/" data-crop-path="images/content-images-crops/2016/07/20/" data-image-filename="casar-aos-20-poucos-anos-millennials-body-image-1469043372.jpg" class="vmp-image"></p><p dir="ltr"><strong>Kaitlyn</strong>: Somos um casal meio rápido. Nos conhecemos em agosto. Começamos a morar juntos em novembro. Arranjamos um cachorro. Começamos a falar em casamento em janeiro. Mas só ficamos noivos em maio. Porque como a nossa linha do tempo era muito corrida, a gente teve que parar um pouco e pensar "A gente não vai se casar só por causa do que os outros acham que é o tempo certo para fazer isso? Ou vamos fazer o que deixa a gente feliz?"</p><p dir="ltr">Fiquei hesitante no começo. Nem contei para alguns amigos que estávamos morando juntos, e muitos deles — talvez por culpa minha — ficaram surpresos quando ficamos noivos. Alguns amigos deram muito apoio, outros ainda não me disseram nada. Mas isso dói bem menos do que achei. Seja morando junto, noivando ou conhecendo a família um do outro, acho que todo passo que tomamos foi pensando "Eu sinto que é certo". Temos orgulho disso entre nós.</p><p dir="ltr"><strong>Sebastian</strong>: Venho de uma família divorciada. Vi quando minha mãe pegou meu pai a traindo. Eu tinha oito anos e lembro que foi traumático, ver minha mãe caindo e chorando. O relacionamento deles ficou danificado. Então eu tinha essa visão distorcida de casamento com base nos meus pais, mas, ao mesmo tempo, tenho tios e tias incríveis e vi que relacionamentos também se baseiam em trabalho de equipe. Esses casamentos não são perfeitos, mas você pode criar alguma coisa. Quando conheci a Kaitlyn, para mim, o casamento era o jeito final de mostrar para nós mesmos que tenho 100% de certeza que vejo um futuro com essa pessoa. Seja eu e ela viajando pelo mundo como melhores amigos, ou mais tarde, criando uma família. Queremos fazer algumas coisas antes disso, mas casamento é só um jeito de comemorar esse amor e comprometimento.</p><p dir="ltr"><em>Angela Almeida é uma jornalista freelance que mora no Queens, Nova York. Ela já escreveu para The Atlantic, MSNBC.com, Elle.com, entre outros. Siga-a no <a href="https://twitter.com/almeidavore">Twitter</a></em><em>.</em></p><p dir="ltr"><em>Tradução: Marina Schnoor<i><i><i><i><em><em><em><em><i><i><i><strong><br></strong></i></i></i></em></em></em></em></i></i></i></i></em></p><p dir="ltr"><em><i><i><i><i><em><em><em><em><i><i><i><strong>Siga a VICE Brasil no </strong></i><a href="https://www.facebook.com/vicebrasil" target="_blank"><strong><i>Facebook</i></strong></a><i>, </i><strong><i><a href="https://twitter.com/vicebrasil" target="_blank">Twitter</a> </i></strong><span class="apple-converted-space"><i></i></span><i>e </i><a href="https://www.instagram.com/vicebrasil/" target="_blank"><strong><i>Instagram</i></strong></a><i>.</i></i></i></em></em></em></em></i></i></i></i></em><br> </p></span>
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<dc:creator>Angela Almeida</dc:creator>
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<title>A expulsão de Milo Yiannopoulos do Twitter mostra o quão contraditório é o Gamergate</title>
<link>http://www.vice.com/pt_br/read/expulsao-milo-yiannopoulos-twitter-gamergate</link>
<pubDate>Wed, 20 Jul 2016 21:08:00 -0300</pubDate>
<description><![CDATA[Ao contrário do que afirma o vaidoso e fútil (e recém banido do Twitter) @Nero, a indústria dos games não está acabando, mas sim passando por um positivo processo de transformação.
]]></description>
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<content:encoded><![CDATA[<p class="has-image"><img src="https://vice-images.vice.com/images/content-images/2016/07/20/milo-yiannopoulos-twitter-ban-highlights-gamergates-ongoing-struggle-for-direction-451-body-image-1469023080.jpg?resize=*:*&output-quality=75"></p><p class="MsoNormal photo-credit"><i>Milo Yiannopoulos. Foto via @Kmeron </i><a href="https://en.wikipedia.org/wiki/Milo_Yiannopoulos"><i>via</i></a><i> Wikipédia.</i></p><p class="MsoNormal"><i>Matéria original da </i><a href="http://www.vice.com/read/milo-yiannopoulos-twitter-ban-highlights-gamergates-ongoing-struggle-for-direction-451"><i>VICE
US</i></a><i>.</i></p><p class="MsoNormal">Todo
mundo que se considera parte do <a href="http://www.vice.com/en_uk/tag/Gamergate">Gamergate</a>, que diz
acreditar na luta do movimento por liberdade de expressão e expressão artística
apolítica, devia estar pouco se fodendo para <a href="http://www.vice.com/en_uk/tag/Milo%20Yiannopoulos">Milo Yiannopoulos</a>, um simpatizante conhecido do movimento, que,
antes de seu surgimento, chamou gamers de "esquisitões babacas", "<a href="http://www.breitbart.com/london/2014/08/14/players-as-young-as-12-and-13-are-being-raped-by-dorky-weirdos-on-grand-theft-auto/">machos beta frustrados</a>" e muito pior.</p><p class="MsoNormal">Em
sua conta no Twitter (<a href="http://motherboard.vice.com/en_uk/read/heres-twitters-response-to-the-racist-harassment-of-leslie-jones">derrubada pelo próprio site</a>), o editor da Breitbart se descrevia como "o
mais fabuloso vilão da internet". Numa <a href="http://www.breitbart.com/milo/2016/07/19/breaking-milo-suspended-twitter-20-minutes-party/">entrevista sobre o caso</a>, resultado da acusação de Yiannopoulos de que o
Twitter estava contribuindo e até encorajando o racismo online contra a atriz
do novo<i> Caça-Fantasmas</i> Leslie Jones,
Yiannopoulos disse: "Como todos os atos da esquerda totalitária regressiva,
isso vai explodir na cara deles, me rendendo ainda mais fãs".</p><p class="MsoNormal pullquote"><strong>"O Gamergate não vê futuro nos videogames."</strong></p><p class="MsoNormal">As
acusações de rotina do Gamergate é que as pessoas, hoje, coagem os
desenvolvedores de videogames a representar e validar suas próprias visões
políticas. Os simpatizantes da suposta causa do Gamergate, que se consideram
parte dos pensadores livres da indústria dos videogames, invulneráveis a
influência política ou pessoal, certamente não vão seguir um líder tão
descaradamente narcisista. Está na cara que o homem está nessa para se
autopromover.</p><p class="MsoNormal"></p><p class="MsoNormal">Mas
como ilustrado pelas hashtags "FreeMilo" e "JeSuisMilo", que apareceram no
Twitter depois da expulsão, o Gamergate tem sido manipulado com sucesso para
aceitar a perspectiva egoísta de Milo Yiannopoulos. O Gamergate argumenta que a
política tem que ficar de fora da cultura pop. Mas aqui, num ato tão ignóbil
que demole a credibilidade do grupo, o Gamergate e seus simpatizantes se
apropriam da linguagem e da lembrança do ataque ao Charlie Hebdo, uma
atrocidade que não podia ser mais política.</p><p class="MsoNormal"></p><p class="MsoNormal">Se
o movimento é fiel a suas ideias, à rejeição da política, à redução da
personalidade nos videogames, o Gamergate, como coletivo, não podia existir.
Isso é reconhecer que se unir é um ato político. Ele não se esconderia atrás de
um indivíduo, certamente não um tão obcecado por si mesmo. Um Gamergate
legítimo não teria nome.</p><p class="MsoNormal">Liberdade
de expressão e anticensura são duas causa magníficas que o Gamergate usou para
contrabandear sua sórdida base política. Ele confunde gente expressando suas
preocupações pessoais com dissidência política. Ele fracassa em separar a
supressão governamental da expressão do ato muito menos influente da crítica à
mídia. Tudo é censura para eles.</p><p class="MsoNormal">Essa
é a hipocrisia congênita do grupo: o Gamergate não consegue reconhecer que
fazer campanha para a retirada de alguma coisa dos videogames, seja feminismo,
representações de qualidade de personagens não-brancos, ou outros projetos
considerados "liberais", também conta como censura — pelo menos segundo a
definição do Gamergate do termo. Equivocadamente, o Gamergate supõe que todos
os desenvolvedores de videogames são como eles, que nunca iam querer fazer um
jogo sobre, por exemplo, mulheres, e que se querem, foram vítimas de alguma
coisa.</p><p class="MsoNormal">O
Gamergate diz estar do lado dos jogos e dos desenvolvedores. Ao mesmo tempo,
luta para limitar o que ambos têm permissão para fazer. E se isso fracassa e um
jogo feminista chega ao mercado — como ocasionalmente acontece e vai continuar
acontecendo, independente dos críticos — o Gamergate tenta tirar o status de
videogame do jogo, dizendo que ele é muito curto para ser um game, muito linear
para ser um game, muito político para ser um game; então não é um videogame e
pronto. Usando linguagem política para defender apolítica e táticas de censura
para combater a censura, o Gamergate afirma defender a liberdade de expressão
dos desenvolvedores, simultaneamente dizendo que criações dos desenvolvedores
não são legítimas. Resumindo, o Gamergate defende não a liberdade de expressão,
mas seu próprio direito de consumir. Ele não está do lado dos videogames. Como
Milo Yiannopoulos, o movimento quer os videogames só para si mesmo.</p><p class="MsoNormal">Depois
o Gamergate diz que quem se opõe a ele é contra os videogames em si — ou você
simpatiza com as políticas e objetivos do Gamergate ou não é um gamer de
verdade. Ignorando o valor absurdamente inflado que o Gamergate coloca na
identidade "gamer", e na capacidade de qualquer pessoa madura de gostar de
videogames, filmes e arte sem precisar disso para ter um senso de valor
pessoal, o movimento duvida de qualquer outra pessoa interessada, ou que ame,
videogames. Decretar ou tentar limitar o que os videogames podem ou devem ser é
pessimista. É o equivalente a dizer para uma criança que ela nunca vai ser
astronauta. O Gamergate, em vez de acreditar e se importar com os videogames
como afirma, diz aos videogames que eles nunca poderão evoluir, eles devem e
vão continuar sempre iguais. "Deixe a política fora dos games" quase sempre
quer dizer "evite que os videogames aprendam e amadureçam".</p><p class="MsoNormal">Uma
pessoa realmente fascinada por videogames recebe bem diferenças e mudanças —
ela reconhece que essas coisas são fundamentais para a sobrevivência a longo
prazo e comercial dos videogames. Assim como o verdadeiro patriota se envolve
com sua sociedade contemporânea inteira, e não apenas com uma versão histórica
idealizada dela, o verdadeiro gamer se anima com a variedade e a possibilidade
— o potencial e a amplitude dos videogames, não com o status quo. É uma
tristeza que esses "gamers" queiram limitar de propósito o que os videogames
podem absorver.</p><p class="MsoNormal">Pensando
no Gamergate, é bom lembrar de Thomas Edison, o inventor americano que,
acreditando que imagens em movimento eram uma modinha passageira, não patenteou
sua filmadora pioneira, a Edison Kinetoscope. O Gamergate não vê futuro nos
videogames. E mais, ele tenta impedir o futuro que já está chegando. Um grupo
contraditório, cujas ações servem como endosso de tudo que ele diz ir contra, o
Gamergate quer uma moratória contra a mudança. Indo contra antecedentes
históricos avassaladores — do cinema à música até a pintura, todas as
expressões humanas amadureceram com o tempo — Milo Yiannopoulous, @Nero, é uma
figura tão fútil quanto o personagem de quem ele tirou o apelido, o imperador
romano que, diz a lenda, tocava harpa enquanto assistia Roma pegar fogo.</p><p class="MsoNormal">Enquanto
Yiannopolous e o Gamergate prejudicavam injustamente várias pessoas nos últimos
dois anos, eles testemunharam não a destruição dos videogames, mas sua
renovação. O COO da Electronic Arts, Peter Moore, reconheceu que, na esteira do
Gamergate, a empresa começou a <a href="http://fortune.com/2015/09/04/ea-peter-moore-on-women-in-gaming/">prestar mais atenção em diversidade</a> entre seus funcionários. Jogos populares tão
diferentes quanto <a href="http://www.vice.com/en_uk/tag/life%20is%20strange"><i>Life Is Strange</i></a> e<i> </i><a href="http://www.vice.com/en_uk/tag/Black+Ops+III"><i>Call of Duty: Black Ops III</i></a> deram às jogadoras personagem com que se
identificar — a última sendo ligeiramente token, mas a opção é produto de uma
mudança de maré produtiva ocorrendo agora, em toda a indústria dos videogames.
Ferramentas como Unity e Twine e plataformas como o Itch.io oferecem a novas
vozes uma oportunidade de criar e serem ouvidas.</p><p class="MsoNormal">As
mensagens maldosas e contraditórias do Gamergate, às vezes ditadas por pessoas
como Yiannapoulous e às vezes não, bateram de frente com desenvolvedores,
jogadores e um desejo articulado de melhorar. Enquanto os hashtaggers tocam
harpa, os videogames prosperam.</p><p class="MsoNormal"><i>Siga o Ed Smith no </i><a href="https://twitter.com/mostsincerelyed"><i>Twitter</i></a><i>.</i></p><p class="MsoNormal"></p><p><i>Tradução: Marina Schnoor</i><br></p><p><em><em><i><strong>Siga a VICE Brasil no <a href="https://www.facebook.com/vicebrasil">Facebook</a>, <a href="https://twitter.com/vicebrasil">Twitter</a> e <a href="https://www.instagram.com/vicebrasil/">Instagram</a>.</strong></i></em></em><br></p>
]]></content:encoded>
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<dc:creator>Ed Smith</dc:creator>
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<title>Como o FaceTime salvou o presidente turco da tentativa de golpe no país</title>
<link>http://www.vice.com/pt_br/read/como-facetime-salvou-presidente-turco-no-golpe</link>
<pubDate>Wed, 20 Jul 2016 17:00:00 -0300</pubDate>
<description><![CDATA[As mesmas redes sociais que o Presidente Erdogan frequentemente censura foram uma ferramenta essencial para frustrar a investida dos militares de tomar o poder na Turquia.
]]></description>
<enclosure url="http://vice-images.vice.com/images/articles/meta/2016/07/20/como-facetime-salvou-presidente-turco-no-golpe-1469032782.jpg" type="image/jpg" length="1000"></enclosure>
<content:encoded><![CDATA[<p class="has-image"><em><img src="https://vice-images.vice.com/images/content-images-crops/2016/07/17/erdogan-facetime-coup-attempt-body-image-1468758575-size_1000.jpg?resize=*:*&output"><br><em><br></em></em></p><p class="photo-credit"><em><em>Foto por <a href="https://twitter.com/GuillaumeDaudin">Guillaume Daudin</a>.</em></em></p><p><em>Matéria original da <a href="http://www.vice.com/gr" target="_blank">VICE Grécia</a></em><em>.</em></p><p>Entre tiroteios, explosões e tanques nas ruas, a tentativa de golpe na Turquia <a href="http://www.vice.com/pt_br/read/militares-turcos-afirmam-ter-dado-um-golpe-governo-diz-que-ainda-est-no-controle" target="_blank">sexta passada</a> vai ficar na memória da população. Mas um momento incomum na cobertura jornalística sobre a instabilidade foi o chat ao vivo pelo FaceTime da CNN Türk com o presidente Recep Tayip Erdogan — o mesmo político que aparentemente odeia redes sociais e a internet mais que qualquer pessoa no mundo.</p><p>A Turquia é um país-membro do Conselho da Europa, começou a discutir sua ascensão à União Europeia em 2005 e é associada da Comunidade Econômica Europeia desde 1963. Mas uma das razões para o país não ter sido integrado à UE até hoje é a questão do desrespeito aos direitos humanos — entre eles a censura da internet. A Europa define o direito dos cidadãos europeus à internet livre no Artigo 11 da Cartilha de Direitos Fundamentais, para liberdade de expressão e informação.</p><p>Em 2007, a Turquia colocou em vigor a <a href="http://www.loc.gov/law/foreign-news/article/turkey-law-on-internet-publications-amended/" target="_blank">Lei 5651</a>, que permite bloquear o acesso a sites que contenham "incitação ao suicídio, abuso infantil, promoção do uso de drogas, obscenidade, prostituição, jogos de azar e fornecimento de drogas", além dos "crimes contra Ataturk" que caem sob a Lei 5816. Em março de 2007, o <a href="http://thelede.blogs.nytimes.com/2007/03/07/youtube-banned-in-turkey-after-insults-to-ataturk/?_r=2" target="_blank">YouTube inteiro foi bloqueado</a> por causa de um vídeo que insultava Kemal Ataturk. Sempre que um usuário tentava acessar o site, uma <a href="http://variety.com/2007/digital/news/turkey-bans-youtube-1117960760/" target="_blank">mensagem de erro</a> aparecia dizendo "o acesso a esse site foi bloqueado por uma decisão judicial". Bloqueios temporários do Wordpress e Daily Motion também foram relatados.</p><p>Três anos depois do bloqueio do YouTube, em 2013, as pessoas começaram a se manifestar na Praça Taksim e os bloqueios ficaram mais intensos. Os planos de Erdogan de construir um muro cercando o parque foram o motivo inicial dos protestos, mas as manifestações logo ganharam conteúdo político, quando os cidadãos começaram a reagir contra a natureza arbitrária do autoritarismo dos líderes do país. <a href="http://www.vice.com/en_uk/video/istanbul-rising" target="_blank">Os protestos no Parque Gezi</a> hoje são considerados os maiores do tipo na Turquia moderna, com as pessoas se organizando através das redes sociais e usando a internet para promover protestos e marchas. Claro, o Twitter e o YouTube foram bloqueados de novo.</p><p>Quando um escândalo político estourou no final de 2013, com nomes-chave do governo envolvidos e um esquema de "gasolina a peso de ouro", os cidadãos já estavam putos. A reação do presidente Erdogan foi aprovar outra lei dando ainda mais poder à Autoridade de Tecnologias de Comunicação e Informação (BTK em turco). A lei permitia que provedores de internet coletassem dados dos usuários sem necessidade de mandado. Redes sociais e outros sites como o Vimeo foram bloqueados quando usuários postaram vídeos que promoviam encontros contra o governo.</p><p>Como os turcos <a href="https://www.youtube.com/watch?v=pxRgRsxDqkE" target="_blank">vivem dizendo</a> online, eles moram num país que usa apagões da internet para responder a qualquer evento político. O acesso a sites específicos foi bloqueado pelo menos sete vezes o ano passado, segundo o <a href="https://twitter.com/TurkeyBlocks" target="_blank">Turkey Blocks</a>, um grupo ativista que mapeia a censura na Turquia.</p><p class="">Mesmo este ano, depois do ataque ao aeroporto de Istambul, o governo turco implementou uma lei de segurança nacional para bloquear o compartilhamento de material específico, afetando tanto as redes sociais como a mídia. Na verdade, tentar acessar Twitter, Facebook e YouTube depois de qualquer grande desenvolvimento político na Turquia geralmente acaba assim:</p><p class="has-image"><img src="https://vice-images.vice.com/images/content-images/2016/07/17/erdogan-facetime-coup-attempt-body-image-1468758600.jpg?resize=*:*&output"></p><p>Claro, esses bloqueios andam de mãos dadas com a deportação de jornalistas e a prisão de quem critica o atual regime turco online. Erdogan conseguiu apreender a maioria dos grandes poderes disponíveis e tende a utilizá-los contra qualquer suposto inimigo, <a href="https://news.vice.com/article/turkish-authorities-arrest-dutch-journalist-for-the-second-time-this-year" target="_blank">turco ou não</a>, o que vem sendo destacado por várias organizações, como a <a href="https://rsf.org/en/turkey" target="_blank">Repórteres Sem Fronteiras</a>.</p><p>Na noite de sexta, logo depois do começo da tentativa de golpe, todo acesso a Facebook, Twitter e YouTube foi revogado de novo. Mas dessa vez, não ficou claro se a ordem veio mesmo de Erdogan. Uns 20 minutos depois, <a href="https://twitter.com/RT_Erdogan" target="_blank">Erdogan usou o Twitter</a>, a rede social que ele sempre pareceu tão disposto a silenciar, para dizer que todas as ações para impedir o golpe estavam em andamento — mesmo que isso significasse derramar sangue — enquanto pedia que os cidadãos turcos permanecessem calmos.</p><p>Logo depois, Erdogan se dirigiria aos cidadãos da nação de novo, pedindo que eles fossem às ruas protestar contra a tentativa de golpe, enquanto conversava (por FaceTime) com a CNN turca. O presidente turco já distribuiu sentenças de prisão para manifestantes no passado, mas parece que mudou de ideia. Os responsáveis pelo golpe, claro, "receberiam sua resposta do povo", como Erdogan diria mais tarde, antes de anunciar que estava voltando para Ancara. Horas depois ele estava de volta ao Twitter, dizendo que outra tentativa de golpe poderia vir a qualquer momento e pedindo que os cidadãos continuassem vigilantes.</p><p>Nem preciso dizer que a resposta imediata do povo turco ao chamado de Erdogan demonstrou por que a tentativa de golpe fracassou. Nunca saberemos o que teria acontecido se Erdogan não tivesse conseguido transmitir seu pedido de ação, nem se alguém estaria esperando por ele no aeroporto Ataturk quando ele chegasse.</p><p>No final das contas, simpatizantes de Erdogan foram às ruas, o golpe foi impedido e a Turquia, um país profundamente dividido, atualmente não está sob controle militar, mesmo sendo difícil dizer se essa opção era melhor ou não para o país. No entanto, o jornalismo e as redes sociais serviram os objetivos de Erdogan e mais uma vez a mensagem foi clara: quem controla os meios de comunicação e informação tem o poder.</p><p><em>Tradução do inglês por Marina Schnoor. </em></p><p><em><em><i><strong>Siga a VICE Brasil no <a href="https://www.facebook.com/vicebrasil">Facebook</a>, <a href="https://twitter.com/vicebrasil">Twitter</a> e <a href="https://www.instagram.com/vicebrasil/">Instagram</a>.</strong></i></em><br></em></p>
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<dc:creator>Anna Nini</dc:creator>
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<title>Relembramos como foi a primeira Parada LGBT do Brasil</title>
<link>http://www.vice.com/pt_br/read/primeira-parada-lgbt-do-brasil</link>
<pubDate>Wed, 20 Jul 2016 15:00:00 -0300</pubDate>
<description><![CDATA[Conversamos com as pessoas que estiveram presentes na parada de 1997, a primeira grande manifestação pública brasileira em prol dos direitos das pessoas LGBT.
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<content:encoded><![CDATA[<p><br>
</p><p>O ano era 1995 e a comunidade LGBT brasileira começou a dar os primeiros passos para o que conhecemos hoje como a Parada LGBT. Naquele ano, aconteceu no Rio de Janeiro a 17° conferência do <a href="http://ilga.org/">ILGA</a> (Associação Internacional de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Trans e Intersex) que terminou com uma pequena marcha na praia de Copacabana. No ano seguinte, aconteceu um ato na Praça Roosevelt, em São Paulo, com cerca de 500 pessoas para reivindicar direitos às pessoas LGBT. A partir daquele ato, diversos grupos em prol das causas LGBT começaram a se reunir para organizar uma marcha anual na Avenida Paulista. O movimento ainda era conhecido como GLS (Gays, Lésbicas e Simpatizantes).
</p><p>Em 1997 aconteceu a primeira Parada LGBT na cidade de São Paulo, que contou com cerca de duas mil pessoas, quase um grão de areia perto dos milhões que comparecem nas paradas mais recentes. Inicialmente inspirada pelas marchas que aconteciam na Europa e nos EUA, quase 20 anos depois, muita coisa mudou. A manifestação cresceu muito e ganhou novas causas, agregou diferentes públicos, ganhou espaço em diversas cidades brasileiras e tomou para si a maior avenida de São Paulo de forma definitiva. Neste meio tempo também, a luta pelos direitos também cresceu e a causa pauta muitos debates e discussões na sociedade.
</p><p>Conversamos com algumas pessoas que estão no movimento desde os primórdios para lembrar como foi aquele dia da primeira Parada LGBT do Brasil.
</p><p class="has-image"><img src="https://vice-images.vice.com/images/content-images-crops/2016/07/20/primeira-parada-lgbt-do-brasil-body-image-1469027175-size_1000.jpg?resize=*:*&output-quality=75" data-original-width="2000" data-original-height="1333" data-model-id="206133" data-path="images/content-images/2016/07/20/" data-crop-path="images/content-images-crops/2016/07/20/" data-image-filename="primeira-parada-lgbt-do-brasil-body-image-1469027175.jpg" class="vmp-image">
</p><p class="photo-credit">Foto: Guilherme Santana/ VICE
</p><p><strong>Lula Ramires, 56 anos, educador social e tradutor técnico.</strong>
</p><p><strong>VICE: Como foi a primeira parada em 97?</strong>
</p><p dir="ltr"><strong>Lula Ramires:</strong> Em 1995, teve a conferência da ILGA, no Rio, e eu estava lá. Era a primeira vez que eu via o movimento na rua com a bandeira do arco-íris. Em 1996, em junho, teve uma manifestação na Praça Roosevelt. Tinha mais ou menos umas 500 pessoas, tava um dia frio, foi uma sexta-feira. O pessoal se reuniu, colocou algumas faixas na praça, fez alguns discursos. Foi mais uma comemoração. Em agosto, eu conheci um grupo que se reunia chamado CORSA. Fui numa reunião do grupo e passei a fazer parte. Em 97, teve o Encontro Nacional de Gays, Lésbicas e Travestis, chamado EBGLT, que foi em São Paulo, no mês de fevereiro, e ele terminou em uma passeata. Tinha mais ou menos umas 200 pessoas que foram do hotel onde era o encontro, no largo do Arouche, até o Teatro Municipal. De novo, aquela energia boa, a gente na rua.
</p><p dir="ltr">A partir daí a gente formou uma comissão para introduzir outros grupos e propor sair pra rua. Então foi assim, a gente se organizou com outros ativistas e marcamos a data. A estratégia era a seguinte: todo ano, a televisão mostrava no dia 28 de junho as paradas de outros países, de Nova York, de São Francisco, alguma capital europeia. A ideia da gente era pegar carona nessa visibilidade que a imprensa dava.Então, a gente marcou no dia 28 de junho, às duas da tarde, na Avenida Paulista, imaginando que boa parte das pessoas que trabalhassem no sábado de manhã poderiam ir à tarde. Eu fui a primeira pessoa a chegar na Paulista nesse dia. Me lembro que eu estava lá e três jovens chegaram perto de mim e perguntaram se ia ter a parada, e respondi "Vocês não chegaram? Eu não cheguei? Vamos esperar mais gente" - mas eu não sabia se ia chegar mais gente. Sabia que os organizadores estariam lá. Mas começou a chegar cada vez mais gente e dois ônibus de Campinas vieram de um grupo que existia lá nessa época. A gente tinha uma bandeira do arco-íris que a gente conseguiu recursos para fazer e abrimos a bandeira na Paulista. Eram cerca de duas mil pessoas. Não era a coisa massiva que é hoje, mas a gente botou o bloco na rua. Saiu nos jornais nos dias seguintes algumas notinhas, nenhuma grande repercussão, mas o nosso objetivo tinha sido cumprido, que era o de dar visibilidade, ir pra rua.
</p><p dir="ltr"><strong>Como você se sentiu naquele dia?<br></strong>Todo ano quando eu volto, isso faz quase vinte anos, me lembro sempre daquele momento, até porque a gente saiu da Avenida Paulista, desceu a Consolação e terminou na Praça Roosevelt, onde a gente tinha feito o primeiro ato, em 1996. Quando a gente estava descendo a Consolação e você olhava para trás e tinha uma ideia de quantas pessoas estavam lá. Foi muito emocionante olhar pra trás e ver aquele monte de pessoas. A gente teve muita dificuldade de divulgar o evento. Você ia nas boates e nos bares gays, os donos não deixavam a gente divulgar, porque eles não queriam se meter com política. A gente achava um absurdo, o cara ganha dinheiro às custas da comunidade e aquele era o momento de retribuir. A gente fez a primeira parada sem nenhuma ajuda financeira das pessoas que lucravam com o público LGBT. A gente conseguiu alguns recursos para a bandeira, teve uma vereadora que imprimiu nossos panfletos, eram pequenininhos, cortados à mão mesmo.
</p><p dir="ltr">Se eu pudesse resumir, diria que foi um momento de ousadia, de quebrar a casca e ir para a rua, num momento em que pouca gente tinha coragem de fazer isso. Sair do armário, muitas pessoas faziam isso, mas as coisas mudaram muito em 19 anos. O efeito das paradas em São Paulo, no Rio, diversas capitais Brasil afora foi justamente de provocar a discussão. Inclusive, com essa visibilidade, a gente conquistou muitos direitos. Mas a gente também teve como consequência uma homofobia motivada pelas religiões que saiu do armário também.
</p><p dir="ltr"><strong>Antes a homofobia era mais velada?<br></strong>Exatamente. As igrejas não se preocupavam em falar sobre isso, porque a própria sociedade rejeitava. Não tinha motivo para falar sobre isso, não era preciso tocar no assunto, porque todo mundo sabia que era errado. Naquele momento o movimento começa a desconstruir uma imagem que existia há 20 anos de que um homossexual era um homem afeminado, que era uma pessoa que não tinha caráter, que não era de confiança. Até hoje, quando você pensa, quando as pessoas chamam outra pessoa de viado, estão querendo dizer que essa pessoa não presta, não vale nada. Todo o nosso esforço foi de mostrar que a gente está em todas as classes sociais, todas as profissões, que a gente é igual a qualquer outra pessoa. A única coisa que nos diferencia é a atração que é pelo mesmo sexo e não pelo sexo oposto, isso é um mero detalhe, como ter o olho castanho ou o olho verde. Não afeta o seu caráter, ninguém é melhor ou pior do que ninguém pelo fato de ser homossexual.
</p><p dir="ltr">Uma das reportagens que saiu uns dias depois da Parada falava que tinha um casal hétero que tinha ido com o filho de uns cinco anos. O repórter perguntou por que esse casal estava lá com o filho e eles disseram que queriam que o filho aprendesse que isso não é nenhum problema e que ele respeitasse as pessoas desde pequeno. Isso resumia tudo. A proposta do movimento LGBT não é que as pessoas sejam homossexuais, mas que elas sejam respeitadas. Acho que isso a gente foi conseguindo. Saí da primeira parada extasiado, achando tudo legal, porque existem outras pessoas como eu e a gente estava na rua defendendo nossos direitos.
</p><p dir="ltr" class="has-image"><img src="https://vice-images.vice.com/images/content-images-crops/2016/07/20/primeira-parada-lgbt-do-brasil-body-image-1469027250-size_1000.jpg?resize=*:*&output-quality=75" data-original-width="2000" data-original-height="1333" data-model-id="206135" data-path="images/content-images/2016/07/20/" data-crop-path="images/content-images-crops/2016/07/20/" data-image-filename="primeira-parada-lgbt-do-brasil-body-image-1469027250.jpg" class="vmp-image">
</p><p dir="ltr" class="photo-credit">Foto: Guilherme Santana/ VICE
</p><p dir="ltr"><strong>Beto de Jesus, 53 anos, ativista</strong>
</p><p dir="ltr"><strong>VICE: Como foi a primeira parada em 97?<br></strong><strong>Beto de Jesus</strong>: Então, em 95, nós tivemos a 17° Conferência Internacional da ILGA. Teve  a primeira marcha do Orgulho no Brasil, no Rio. Em 1996, quando voltamos para São Paulo, fizemos uma atividade na Praça Roosevelt que tinha o mesmo caráter. Nós começamos a montar a parada de 1997 naquele ano.
</p><p dir="ltr">No início, a organização era muito comunitária, várias outras organizações participavam na deliberação das ações da parada. Tinha um envolvimento muito grande da comunidade LGBT. Infelizmente, hoje se perdeu isso e a Associação é como se fosse uma empresa que administra o evento, impõe regras, cobra caro. Perdeu-se muito desse sentido comunitário do orgulho que tinha quando tudo começou. Acho que as pessoas que estão na Associação não estão ligadas a grupos, não têm uma vivência comunitária, elas não têm trabalho de base junto aos grupos. Ficou algo muito fechado. A comunidade em si, os movimentos, grupos, têm participação restrita. A gente frequenta a parada como uma questão cívica, mas aquele prazer de ser comunitário não existe mais.
</p><p dir="ltr">A parada de 1997 foi uma coisa muito comunitária, tinha uma Kombi pequenininha, a gente ocupou uma faixa só da Paulista. A gente desceu a Consolação, parou na Roosevelt. Tinha um microfonezinho só, tinha duas mil pessoas, foi uma coisa bonita, muito linda, porque era uma manifestação para se mostrar gay, lésbica, bissexual, trans à luz do dia. Eu tenho orgulho de ser LGBT. Era muito engraçado, porque no começo muita gente perguntava se podia usar máscara, porque ainda tinham muito receio e muito medo da visibilidade. O que foi bonito é que durante a marcha, muitas pessoas tiraram a máscara e se sentiram confiantes, porque tinha um grupo significativo de pessoas. Muitas pessoas que estavam na calçada observando e vieram para dentro da marcha. Foi uma coisa muito bonita de pertencimento, de sentimento de corpo, de uma comunidade que queria se mostrar, queria ter a sua voz marcada. Mais do que isso, que queria dar visibilidade ao seu rosto. Isso foi lindo. Foi crescente nas paradas seguintes. A parada de 2002 teve um grande boom e deu a guinada para que a parada se tornasse um dos maiores eventos de manifestação do mundo. A gente chegou a ter três milhões de pessoas.
</p><p dir="ltr"><strong>O que a parada de 1997 representou naquele contexto?<br></strong>Foi uma coisa muito libertadora. Uma coisa é você fazer um ato de reivindicação, isso a gente já fazia, mas ali era outra pauta. Era falar para a sociedade que temos orgulho de sermos quem nós somos. Esse pra mim é o legado da parada. Muitas vezes, algumas pessoas vivem a sua sexualidade de forma precária, com tanta restrição, vivendo em cidades, bairros, muito homofóbicos. Quando essas pessoas chegam num espaço como a Paulista, que é uma arena, e encontra milhões de outras pessoas iguais a elas ou que apoiam a sua causa, isso dá vitalidade, reforça a autoestima, o que as pessoas têm de melhor. Elas não precisam ter vergonha de ser quem são, elas não são pecadoras como a igreja diz, elas não são criminosas como muitas vezes o Estado diz, mas elas são pessoas plenas de direito, são amadas, têm uma sexualidade saudável. Isso não tem preço, garantir que essas pessoas consigam perceber e entrarem nessa vibe, perceberem que elas não estão sozinhas, que tem muita gente igual e muita gente que apoia. Esse é um dos maiores legados da parada.
</p><p dir="ltr">O segundo deles é que a parada está para além do discurso verbal. São corpos, pessoas que têm cara, cheiro, histórias. Isso é uma coisa incrível. Outra coisa é que a parada, apesar dela trazer a questão do orgulho, de uma pauta, de uma agenda LGBT de direito, o tema da orientação sexual e da identidade de gênero é um tema transversal. Acho que a parada ajudou a captar a discussão de identidade de gênero e orientação sexual na sociedade, que começou a ver as pessoas de outra forma, com uma força política, com a necessidade de não ter seus direitos tolhidos. A ideia é de que as discussões trazidas pela parada são discussões de direitos humanos, que é pra todas as pessoas, não pode ser segmentado.
</p><p dir="ltr"><strong>Tem algum momento daquela parada que ficou marcado?<br></strong>Tem sim. A gente não conseguia entrar na Paulista por conta da polícia. A gente tinha uma bandeira e, para conseguir abrir ela e parar os carros, a Kaká di Polly, uma drag muito conhecida em São Paulo, se deitou no chão da Paulista. Ela é uma drag queen plus size muito linda, se deitou no chão e a gente correu, abriu a bandeira e as pessoas vieram atrás pra gente conseguir fazer a marcha. Foi bem emocionante, bem legal.
</p><p class="has-image"><img src="https://vice-images.vice.com/images/content-images-crops/2016/07/20/primeira-parada-lgbt-do-brasil-body-image-1469027290-size_1000.jpg?resize=*:*&output-quality=75" data-original-width="2000" data-original-height="1334" data-model-id="206136" data-path="images/content-images/2016/07/20/" data-crop-path="images/content-images-crops/2016/07/20/" data-image-filename="primeira-parada-lgbt-do-brasil-body-image-1469027290.jpg" class="vmp-image">
</p><p dir="ltr" class="photo-credit">Foto: Maurício Code
</p><p dir="ltr"><strong>Kaká di Polly, 56 anos (38 de drag queen)</strong>
</p><p dir="ltr"><strong>VICE: O que você lembra da primeira parada de São Paulo?<br></strong><strong>Kaká di Polly</strong>: Em 1996, teve uma manifestação pequenininha no centro de São Paulo, na Praça Roosevelt. Ficou parado, não andou, foi só uma manifestação. A primeira parada que saiu, que andou, teve babado e confusão foi a de 1997. Essa parada foi marcada pelos militantes que tinham resolvido fazer uma parada gay em São Paulo, que era o Roberto de Jesus, o Lázaro, outros meninos e eu, resolvemos fazer. Combinamos com todo mundo e foi bem estruturado, teve reunião, aquela coisa toda. Conseguimos um carro de som, teve uma faixa enorme, colocamos faixas num caminhão. Foi combinada na frente da Gazeta, Paulista, 900. Fomos todos pra lá, nos encontramos duas horas da tarde. Chegamos e tinha já uma boa concentração de pessoas. Devia ter umas duas mil pessoas, se não mais. Aquela falação, todo mundo fazendo discurso.
</p><p dir="ltr">Quando eu cheguei, o Beto falou pra mim que não ia dar pra sair. E eu falei "como assim?". Eles tinham fechado pra gente só uma via da avenida. Nós tínhamos que caminhar por aquela faixa e não interromper o trânsito. A polícia chegou e achou que ia ser bagunça, não sei o que, e falaram que ia ficar parado, como uma manifestação. O Beto chorando, em lágrimas e eu falei "pera um pouco, mona, eu vou fazer um negócio. A hora que eu fizer, você coloca esse caminhão na rua e sai andando com esse povo atrás". Eu fui lá na frente, onde começava a rua, eu estava com uma bandeira oficial do Brasil e a polícia olhando pra mim, aí eu fui ficando nervosa e pus a mão no peito e fingi que eu caí, me joguei no chão. O povo ficou assustado, achando que eu era cardíaca porque eu sou gorda, achando que eu tava morrendo. Juntou um monte de gente em volta de mim, aquele monte de polícia, chamaram uma ambulância, querendo levar pro hospital e eu falando que não, pedi meu remédio que tava com o meu marido. O trânsito parou. Literalmente parou e eu no meio da avenida, fazendo aquela cena pra levantar. Nisso, o Beto entendeu a deixa, eu tinha falado que ia me jogar e pra ele sair voado.
</p><p dir="ltr"><strong>Você não teve medo?<br></strong>A gente tem medo de tudo na vida, mas se a gente não faz as coisas, você vai fazer o que? Você morre com medo. Quando eu vi que o negócio saiu, eu levantei falei pra tirarem a mão de mim que eu tava melhor e saí despistando o guarda, procurando meu namorado. Aí o guarda disse que já tinham saído e iam parar de que jeito o povo? Dei uma gargalhada e saí correndo com a bandeira voando nas minhas costas na frente do primeiro carro da Parada, onde eu venho todo ano.
</p><p dir="ltr"><strong>Qual foi a importância daquela parada naquele ano?<br></strong>Foi muito grande. A gente mostrou que a gente tinha organização, em primeiro lugar. Em segundo, a gente mostrou que tinha bala na agulha, porque tinha gente atrás da gente. Foi andando e foi aumentando. O carro ficou numa via só, mas o povo ocupou a rua toda e tiveram que afastar os carros da Paulista. Eles viram que não tinha jeito de parar aquilo, que ia acontecer e acabou. Na hora lá, o policial que acabar com tudo e não queria deixar os viados andarem. Por isso que as pessoas têm um carinho comigo na Parada, eu sou madrinha.
</p><p dir="ltr"><strong>Qual era o clima na primeira Parada?<br></strong>De emoção, todo mundo chorando, todo mundo se abraçando. Conseguimos, a gente tava lá, olha isso. Um via o outro e abraçava e beijava, chorava. Foi uma coisa que não tem como esquecer, foi um dia que eu nunca mais vou esquecer na vida. As pessoas estavam vitoriosas de conseguir ter o seu orgulho exposto na Avenida Paulista.
</p><p dir="ltr" class="has-image"><img src="https://vice-images.vice.com/images/content-images-crops/2016/07/20/primeira-parada-lgbt-do-brasil-body-image-1469027344-size_1000.jpg?resize=*:*&output-quality=75" data-original-width="2000" data-original-height="1333" data-model-id="206137" data-path="images/content-images/2016/07/20/" data-crop-path="images/content-images-crops/2016/07/20/" data-image-filename="primeira-parada-lgbt-do-brasil-body-image-1469027344.jpg" class="vmp-image">
</p><p dir="ltr" class="photo-credit">Foto: Guilherme Santana/ VICE
</p><p dir="ltr"><strong>Renato Baldin, 39 anos, arquiteto e museólogo</strong>
</p><p dir="ltr"><strong>VICE: Como foi a primeira parada LGBT de São Paulo?<br></strong><strong>Renato Baldin</strong>: Eu era muito novo. Continuo sendo, mas na época tinha 18 anos, quase 19, era um dos mais moleques. Comecei a entrar no movimento por causa de um grupo de discussão da USP, o CAEHUSP, Centro Acadêmico de Estudos Homoeróticos da USP. Isso em 1996. Aconteceu um ciclo de debates sobre direitos humanos e na época a gente nem usava a sigla LGBT, mas já falava de homossexuais e direitos humanos. Naquele ano, aconteceu um ato na Roosevelt, mas não fui, ainda estava começando a entender o universo gay. Eu não tinha nenhuma referência na família, nenhum amigo assumidamente gay, então  fiquei com receio de ir a um ato público. Fiquei sabendo por meio da coluna GLS do André Fischer, na Folha.
</p><p dir="ltr">Ali no CAEHUSP começou a se formar o primeiro núcleo para pensar essa parada. Foi pensada por vários grupos de militância gay de São Paulo e de Campinas, principalmente, duas cidades mais engajadas nisso. Começamos a nos reunir e na época eu comecei a namorar também, foi meu primeiro namorado. Tudo era uma grande descoberta pessoal, um auto reconhecimento, estava me entendendo no mundo, foi uma porta de entrada para o mundo gay muito importante.
</p><p dir="ltr">A primeira Parada foi um ato libertário pra mim. Foi um ato muito importante pra minha identidade estar envolvido nesse processo político, porque acho que quando você pensa um movimento político, um movimento que luta por direitos, é óbvio que tem a questão da sua identificação como pessoa, como parte desse movimento, mas é também um ato altruísta, no sentido em que você faz isso não por uma conquista exclusivamente pessoal, mas é uma conquista coletiva, de um coletivo que pensa, que age ou que se identifica da mesma forma. Isso foi muito importante para a minha formação da minha identidade gay.
</p><p dir="ltr">Lembro muito quais eram as estratégias. O grande desafio naquele momento era como convencer as pessoas a saírem na rua assumindo uma bandeira. A homossexualidade só acontecia em guetos, só existia dentro de quatro paredes. Como ocupar um espaço público, a rua, com essa visibilidade? Uma das coisas mais interessantes que fica na minha memória foi pensar: a gente pede para as pessoas darem a cara à tapa ou a gente assume a possibilidade de elas irem mascaradas? Foi muito legal colocarmos isso. A gente ia nas boates, nos bares divulgando. Vá à parada, vá mascarado, fantasiado, o importante é ir. Independente de como as pessoas iam, nesse momento a gente tinha que ir. Para nossa surpresa, a primeira Parada teve duas mil pessoas na rua. A gente não esperava que fosse tanta gente. Foi algo realmente muito gratificante desse trabalho. Foi um trabalho de garimpar esse público. Lembro de ficar pelo menos um mês antes da parada todos os finais de semana, começava na quarta-feira, na verdade, e terminava no domingo. Visitávamos todas as boates, às vezes mais de cinco boates por noites, conversando com drag queens, transformistas, DJs, donos das boates.
</p><p dir="ltr">Era uma proposta bem recebida. Acho que existia um olhar de esperança nas pessoas para essa parada. Muitas pessoas na época falavam que não tinham coragem de ir para a rua e dar a cara à tapa, mas davam valor a esse trabalho em volta da Parada, tinha certa esperança mesmo. Algumas pessoas abraçaram e viram que era importante, tomaram a coragem de assumir e ir. Lógico que teve o ato em 96, mas era a primeira que ocupava a Paulista como espaço simbólico de reivindicação, o que significa uma visibilidade, uma ocupação muito mais forte, mais certa. A gente imaginava que as pessoas teriam muito receio de estar nas ruas.
</p><p dir="ltr"><strong>Qual foi a importância dessa parada ter acontecido nos anos 90?<br></strong>É engraçado que, como eu era muito novo, não só de idade, mas no movimento, eu não consigo perceber a real importância em relação ao histórico que vinha antes disso. Acho que hoje, depois de anos, depois de entender um pouco mais do movimento, consigo fazer uma reflexão, mas naquele momento não tinha essa clareza. Tinha a certeza de que eu estava lutando por alguma coisa que me faria mais feliz e me faria mais livre. Então eu tinha muito essa vontade de mudar o mundo, acho que como todo jovem, isso é uma coisa muito importante em todos os movimentos sociais.Era uma coisa que eu estava descobrindo e me conhecendo. Acho que as coisas pra mim foram muito juntas.
</p><p dir="ltr">Evidentemente que os meus amigos e as pessoas que construíram a primeira Parada comigo, esse grupo todo, o Beto, o Lula, são tantas pessoas que estavam envolvidas nesse primeiro movimento, já tinham uma experiência como homossexual, como pessoa e como ser social nesse universo, que era um universo completamente excludente. A sua liberdade sexual se resumia aos espaços tidos como gays, aos espaços e aos bares declaradamente gays. Hoje  consigo perceber a importância disso, ter essa avaliação do que era antes e do que é hoje. Mas na época não, era mais um desejo de ver as coisas mudarem. A minha referência era o que eu via em casa, não tinha referências gays na minha família, nem nos amigos de escola, então era difícil mesmo, bem complicado.
</p><p dir="ltr"><strong>Como foi o dia?<br></strong>Foi muito legal! Tem aquela ansiedade, você não sabe se as pessoas vão ou não vão. O dia estava lindo, o sol estava maravilhoso. A gente se reuniu ali na Gazeta, não começou no MASP, as primeiras eram ali na Gazeta. A gente falou "não vem ninguém, não vai acontecer". Mas de repente, as pessoas começam a se juntar, algumas drags chegaram ainda sem se vestir, pra sentir o clima para começar a se maquiar e se montar na rua mesmo. De repente, chegaram uns três ou quatro ônibus de Campinas, aquela caravana, um monte de gente de uma vez, todo mundo feliz. Tem uma hora que você se sente muito seguro. Isso foi muito importante, porque os bares e as boates sempre deram a segurança para a gente expressar nossa sexualidade na época. Mas ali a gente se sentiu acolhido e confortável com todas aquelas pessoas que eram suas iguais. Eu estava na rua, num ambiente acolhido, com pessoas que me confortam, que me fortalecem. Pra mim, foi muito essa sensação. É uma sensação também de conquista, de que o nosso trabalho valeu. Chegar na Paulista e ver que todas as noites investidas para fazer a Parada acontecer foram ganhas, o saldo para a gente foi muito positivo, ocupar a rua é muito simbólico. Foi o primeiro momento em que vimos que a comunidade gay existe e queria direitos.
</p><p dir="ltr">Esses dias, um dos meus amigos me mandou uma foto de uma daquelas primeiras Paradas e era muito louco. Eu tinha cabelo cumprido, como todo jovem revoltado. Acho que minha grande lembrança mesmo é esse momento das pessoas chegando e dessa sensação de segurança. Até o momento de a gente chegar lá, tudo era muito incerto. O maior medo era que ninguém fosse. Seria uma grande frustração. Esse foi um medo de muitos anos. Com o tempo, à medida que foi crescendo, vai tendo uma segurança, mas é o medo do quão comprometidas as pessoas estão com a bandeira.
</p><p class="has-image"><img src="https://vice-images.vice.com/images/content-images-crops/2016/07/20/primeira-parada-lgbt-do-brasil-body-image-1469027377-size_1000.jpg?resize=*:*&output-quality=75" data-original-width="2000" data-original-height="1333" data-model-id="206139" data-path="images/content-images/2016/07/20/" data-crop-path="images/content-images-crops/2016/07/20/" data-image-filename="primeira-parada-lgbt-do-brasil-body-image-1469027377.jpg" class="vmp-image">
</p><p dir="ltr" class="photo-credit">Foto: Guilherme Santana/ VICE
</p><p dir="ltr"><strong>Laura Bacellar, 55 anos, editora de livros.</strong>
</p><p dir="ltr"><strong>VICE: Como foi o dia da Parada de 1997?<br></strong><strong>Laura Bacellar</strong>: Em 1997, eu fui muito feliz para a Paulista. Tinha morado fora um tempinho e estava muito feliz de estar acontecendo no Brasil uma abertura para a diversidade. Antes, parecia impossível. Os anos 90 foram tempos de muita virada na cabeça das pessoas sobre o que era a diversidade, o que eram minorias sexuais, que antes se escondiam em guetos e tinham muita vergonha e aí começaram esse movimento de sair às ruas, inclusive de uma maneira menos briguenta, a militância tinha sido muito agressiva e passou a ser mais tranquila, nós estávamos embaixo de uma bandeira do arco-íris, que acolhe a todos, não precisa ser um lado ou outro. Isso que apareceu foi muito excitante, deu muita euforia. Eu fui completamente feliz, querendo fazer parte daquele movimento que se iniciava.
</p><p dir="ltr">Não tinha muita gente, no máximo umas duas mil pessoas, acho que até menos. Estava um dia bem frio, mas um céu bem claro, tinha sol. Cheguei lá e vi aquele monte de gente em frente ao MASP já, tinha gente estendendo bandeira, várias pessoas falando, se posicionando. Lembro disso, de ficar contente que afinal havia um grupo que estava indo às ruas. As pessoas passavam pela Paulista e só olhavam, que esquisitice é essa? Não tinha começado essa história de ter tanta manifestação na Paulista. As pessoas olhavam torto, estranho, estava causando certo tumulto ali. Mas o grupo se reuniu e foi falando, muita gente que estava emocionada de fazer esse movimento e sair à rua. A gente entrou na rua sem pedir permissão, não tinha autorização da CET, foi invadindo a rua mesmo que o pessoal saiu pela avenida e esticou a bandeira o mais esticada possível, para os carros não passarem por cima das pessoas. Foi uma coisa meio na briga assim, não tinha muita proteção nem nada. As pessoas foram andando até o fim da Paulista levando faixas, era uma coisa bem pequena, só que com muita emoção.
</p><p dir="ltr"><strong>Tinha muita mulher?<br></strong>Pouquíssimas. As mulheres são sempre minoritárias nesses movimentos grandes. Talvez pelo medo de apanhar, de haver confronto, de serem vistas. Elas têm medos com razão, nós não estamos exatamente numa sociedade respeitosa para com mulheres. Dava pra contar nos dedos quantas mulheres tinham lá naquele dia, mas as que tinham eram muito corajosas e falavam muito bem, com presença efusiante, agarrando a bandeira do mesmo jeito.
</p><p dir="ltr"><strong>Qual foi a importância daquele ato de 1997?<br></strong>Para quem é jovem, é difícil imaginar como era antes, mas as pessoas não acreditavam que existissem tantos gays, tantas lésbicas, tantos transgêneros no Brasil, nem sabiam o que era isso. As pessoas achavam que era tudo falta de vergonha. Então esse movimento que começou a congregar pessoas e a convidar a aparecer foi uma novidade muito grande para o Brasil e começou uma mudança muito grande na sociedade. Quando as pessoas começaram a ver tanta gente, e gente com a aparência normal, porque o lance de gays – lésbicas nem existiam, não apareciam na mídia, na literatura – é que eles eram muito caricatos. Tenho certeza de que foi muito importante começar um movimento como a Parada para as pessoas que passavam pela rua e viam que eram pessoas comuns, pessoas como as outras. Essa foi a grande mensagem passada por imagem. Aquele bando de gente de aparência absolutamente comum, só que agarrando uma bandeira e se afirmando gay, lésbica, trans. Isso foi extremamente importante e ajudou a dar um impulso para mais visibilidade. Nos anos seguintes, ajudei a organizar semanas de culturas LGBT, que foram mudando de nome, pra que as pessoas saibam o que é essa cultura por meio de filmes, livros.
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</p>
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<dc:creator>Letícia Naísa</dc:creator>
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<title>Champions of Breakfast: Levando o Bagel de Nova York para Berlim</title>
<link>http://www.vice.com/pt_br/read/levando-bagel-de-nova-york-para-berlim</link>
<pubDate>Thu, 07 Jul 2016 21:20:00 -0300</pubDate>
<description><![CDATA[Mustafah Abdulaziz acredita que mudar é a chave para a inovação
]]></description>
<enclosure url="http://vice-images.vice.com/images/articles/meta/2016/07/05/levando-bagel-de-nova-york-para-berlim-1467735073.jpg" type="image/jpg" length="2000"></enclosure>
<content:encoded><![CDATA[<p class="has-image"><img src="https://vice-images.vice.com/images/content-images-crops/2016/07/05/levando-bagel-de-nova-york-para-berlim-body-image-1467742328-size_1000.jpg?resize=*:*&output-quality=75" data-original-width="2000" data-original-height="1247" data-model-id="200394" data-path="images/content-images/2016/07/05/" data-crop-path="images/content-images-crops/2016/07/05/" data-image-filename="levando-bagel-de-nova-york-para-berlim-body-image-1467742328.jpg" class="vmp-image"></p><p>É
possível perceber muita coisa sobre Mustafah Abdulaziz a partir de suas
fotografias. Das imagens sisudas de São Paulo e os arranha-céus turvos de
Xangai ao céu estrelado de Wyoming e a vista marinha enevoada de Moçambique, as
paisagens vastas e os retratos delicados do fotógrafo contam histórias de todos
os cantos do planeta. Parece que ele entende o que torna cada local espetacular.
Todo lugar que ele visita se transforma em seu lar, mesmo que apenas por um
momento.</p><p class="has-image"><img src="https://amuse-images.vice.com/wp_upload/2016/04/MG_9176.jpg"></p><p class="MsoNormal">Quando
Mustafah saiu de Nova York e foi para Berlim, a distância de casa parecia
infinita. "O maior desafio foi, e continua sendo, morar longe da minha rede de
apoio de amigos e colegas", afirma.</p><p class="MsoNormal">Mas
na mente do norte-americano, as ansiedades ligadas ao ato de sair do lugar que
você mais conhece são vitais. São elas que moldam você. É o medo de ter saudade
de casa, de se sentir deslocado ou rabugento que nos impede de correr atrás de
nossas paixões fora de nossa zona de conforto. "O medo muitas vezes nos impede
de confrontar realidades desconfortáveis sobre o que queremos", diz Mustafah. "Não
é o medo que é positivo, mas sim a resposta a ele. Não é não ter medo, mas
temer e perseverar."</p><p class="has-image"><img src="https://amuse-images.vice.com/wp_upload/2016/04/MG_0041.jpg"><br></p><p class="MsoNormal">Para
ele, sair de Nova York, a cidade que o formou, foi essencial para seu
crescimento e desenvolvimento como pessoa. Confrontar medos é uma coisa que
inspira a fotografia de Mustafah, e ele muitas vezes faz retratos que
incorporam essa mentalidade. "A mudança é o curso natural da vida", reflete.</p><p class="MsoNormal">Em
Berlim, de tempos em tempos Mustafah permite que a comida o transporte de volta
para casa. Seu prato preferido? O bagel de Nova York – item básico da culinária
da cidade. "Você encontra bagel em qualquer esquina de lá", conta. "Por mais
estranho que pareça, essa sempre foi a comida que mais me lembro da minha
infância. É puro sentimentalismo, pelas pessoas e pela cidade de onde venho."</p><p class="has-image"><img src="https://amuse-images.vice.com/wp_upload/2016/04/MG_0439.jpg"><br></p><p class="MsoNormal">Por
ora, Berlim é a casa de Mustafah. É a cidade que inspira seu trabalho e traz
novas aventuras. Mas quando precisa lembrar um pouco da cidade que deixou para
trás, o fotógrafo vai correndo à Shakespeare and Sons, no distrito de Friedrichschain,
para comprar um bagel para o café da manhã. </p><p>De volta ao apartamento
onde mora, ele come um desses pãezinhos, desfrutando do gosto atemporal da
semente de papoula e da pitada vegetariana acrescentada aos ingredientes
clássicos: abacate, cogumelo salteado, tomate-cereja e ovo frito. Exatamente
como ele comia em Nova York. Nesses momentos, o abismo entre Berlim e Nova York
desaparece. Ele se encontra ao mesmo tempo em casa em Nova York e em casa em
Berlim. Por todo o amor que Mustafah tem pela nova cidade, o bagel o faz
relembrar de todas as coisas que ele estima em Nova York. "Não tem nada igual
ao lugar de onde você é", afirma. "A vida em Berlim é bem tranquila. Voltar
para casa é como ser atingido por um raio. Faz com que eu me lembre quem sou."</p><p class="has-image"><img src="https://amuse-images.vice.com/wp_upload/2016/04/MG_0921.jpg"><br></p><p><br><i>A linha de cafés da <strong>Nespresso</strong> lança o
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sabores exclusivos da linha
completa </i><span lang="EN-GB"><a href="https://www.nespresso.com/br/pt/pages/capsulas-de-cafe" target="_blank"><i><span lang="PT-BR">aqui</span></i></a></span><i>.</i></p>
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<dc:creator>Equipe Vice</dc:creator>
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<title>A polícia do Rio continua matando na preparação para as Olimpíadas no Brasil, diz relatório</title>
<link>http://www.vice.com/pt_br/read/relatorio-policia-rio-olimpiadas-2016</link>
<pubDate>Wed, 20 Jul 2016 10:00:00 -0300</pubDate>
<description><![CDATA[A menos de um mês do jogos, investigação da Human Rights Watch revela que a força policial do estado matou quase duas pessoas por dia em 2015, muitas vezes extrajudicialmente.
]]></description>
<enclosure url="http://vice-images.vice.com/images/articles/meta/2016/07/19/relatorio-policia-rio-olimpiadas-2016-1468965262.jpg" type="image/jpg" length="880"></enclosure>
<content:encoded><![CDATA[<p class="photo-credit has-image"><img src="https://vice-images.vice.com/images/content-images/2016/07/19/relatorio-policia-rio-olimpiadas-2016-body-image-1468966205.jpg?resize=*:*&output-quality=75"  data-original-width="880" data-original-height="495" data-model-id="205781" data-path="images/content-images/2016/07/19/" data-crop-path="images/content-images-crops/2016/07/19/" data-image-filename="relatorio-policia-rio-olimpiadas-2016-body-image-1468966205.jpg" class="vmp-image">Foto por Antonio Lacerda/EPA.</p><p><em>Matéria originalmente publicada na <a href="https://news.vice.com/article/cops-in-rio-keep-killing-people-ahead-of-brazils-olympics-report-says" target="_blank">VICE News</a>.</em></p><p>O fracasso das autoridades do estado do Rio de Janeiro em combater o enorme problema dos assassinatos cometidos pela polícia em operações de combate ao crime, estão sabotando os esforços para melhorar a segurança dos Jogos, diz um <a href="https://www.hrw.org/news/2016/07/07/brazil-extrajudicial-executions-undercut-rio-security" target="_blank">relatório</a> divulgado pela Human Rights Watch no começo de julho.
</p><p>Esse é mais um num extensa série de pontos negativos na imagem do Rio, a menos de um mês do Brasil receber os Jogos Olímpicos de 2016, indo do medo do zika vírus ao caos da política nacional atual.
</p><p>O relatório de 109 páginas diz que a polícia do estado do Rio de Janeiro matou quase duas pessoas por dia em 2015, e muitas dessas mortes forma extrajudiciais.
</p><p>O relatório do grupo de Nova York inclui entrevistas com 34 policiais ainda em serviço e aposentados, que detalharam uma "cultura de combate" que, segundo eles, premia mortes em vez de resultar na prisão dos suspeitos.
</p><p>"Consideramos que uma operação foi um sucesso quando temos criminosos mortos", disse o major Roberto Valente, que comanda uma Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) numa favela, ao Human Rights Watch em dezembro passado.
</p><p>O relatório afirma que muitos dos mortos pela polícia estavam sob custódia, desarmados ou tentaram fugir. Mesmo com as autoridades do Rio dizendo que a maioria dos casos acontece quando a polícia é atacada, a Human Rights Watch estudou 64 casos e encontrou inconsistências nos exames forenses na metade dos incidentes. As autópsias mostram que os tiros a 20 suspeitos foram realizados à curta distância, o que não é comum em tiroteios.
</p><p>Os oficiais entrevistados também revelaram como encobrem assassinatos extrajudiciais de várias maneiras, desde plantando armas nos suspeitos a removendo vítima da cena do crime e destruindo provas.
</p><p>E as mortes pela polícia estão subindo. Em 2015, a polícia matou 645 pessoas; em 2013 foram 416.
</p><p>Esse aumento das mortes também afeta desproporcionalmente os negros brasileiros, que formam 52% da população do estado mas 77% das mortes nas mãos da polícia. Enquanto 47% da população é branca, ela representa apenas 15% dos mortos.
</p><p class="photo-credit has-image"><img src="https://news-images.vice.com/images/2016/07/07/untitled-article-1467907324-body-image-1467914281.png">Screenshot via relatório da Human Rights Watch.</p><p>A taxa de 3,9 mortes pela polícia para cada 100 mil habitantes em 2015 é quase dez vezes a dos EUA, por exemplo.</p><p>A segurança tem sido um assunto polêmico com a chegada dos Jogos. Mês passado, policiais, bombeiros e paramédicos protestaram no aeroporto do Rio por causa de salários atrasados e péssimas condições de trabalho.</p><p>Eles seguraram uma faixa em inglês dizendo "Bem-vindo ao Inferno... Quem vier ao Rio não estará seguro".</p><p><em>Tradução: Marina Schnoor</em></p>
]]></content:encoded>
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<dc:creator>Nathaniel Janowitz</dc:creator>
<media:category>news</media:category>
<category>news</category>
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