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O grande poeta lusitano
Fernando Pessoa, um místico, concebia o Natal sendo a família como a verdade; e
sentia-se só, com uma família que nunca teria. Realmente, morreu sem a constituir.
Em certo poema diz: "Natal, na província neva, / Nos lares aconchegados, / Um
sentimento conserva / Os sentimentos passados.” Depois registra o quanto a
família é a verdade e por fim cita: “Vejo através da vidraça / Um lar que eu
nunca terei.” Eu, tenho a crença, não divergindo muito de Fernando, que o Natal
é a família, porém ela se confunde, misturando-se como sendo um hipotético ou
sensorial clã mesclado, feito amálgama único entre a Sagrada Família, a minha e
as famílias que os meus sentimentos alcançam, para fazerem parte também do clã:
aquelas de amigos familiares. Isto porque os meus sentimentos de Natal ainda
são os mesmos da longínqua infância que eu via Nossa Senhora com o seu filhinho
ao colo, em gravura estampada na nossa sala, qual pessoa familiar, igual às
mães de meus amigos e parentes ou a minha própria. Então, ao meu sentir, Natal, são
sentimentos familiares. E assim, para tentar traduzir tais sensações que me
invadem à época natalina, fiz um pequeno poema ditado pela alma.
NATAL É TEMPO DE LUZ
Autor: Laerte Tavares
Autor: Laerte Tavares
Natal, é tempo de luz,
De regozijo, de paz,
De fé, da festa que traz
O Deus Menino Jesus!
É um tempo que a alma
induz
Ao perdão e ao dom do
amor.
Seja do jeito que for
Esse amor, por ser
divino,
É graça! É de Deus Menino,
Jesus Cristo Redentor!
O Natal, a alma, abala!
Natal, comove e arrepia!
Eu sinto a Virgem Maria
Como minha mãe, à sala
Dos meus sonhos; e sem
fala
Diz-me da felicidade
Que sente. Isso me
invade
O espírito, e o meu ser
Eleva-se. A bem dizer,
Sinto-me uma santidade.
É a Santidade do Filho
De Deus transmitida a
mim
Por Ele e deixa-me
assim
Qual seu reflexo ou brilho
Que ao sentir, me
maravilho.
Meu lado emocional
Faz com que me torne igual
A um deus menor; mas um
deus
Que anula genomas meus
A um ser espiritual.
E em sonho ou transe me sinto
Na paz da luz e do amor
Desse Jesus Redentor
Junto comigo ao
recinto.
E a minha alma ou
instinto
Coloca-me como irmão
De Cristo. Nasci, então,
Também da Virgem Maria,
A minha luz e o meu
guia
A me levar pela mão?
Pois Virgem Nossa
Senhora
É a minha mãe em
sonho
Ou num transe, que suponho
Irreal, porém demora
Para eu crer. Sei que
ela mora
No meu coração. Assim,
O meu sonhar não tem
fim
E quando finda, a alma
chora.
Porque em transe me
ponho
Entre o sono e a
vigília,
Fruto da mesma Família
Sagrada, que nesse sonho
Tão conturbado, suponho
Ser sagrado e ser humano,
Como se Deus Soberano
Fizesse-me a tal magia
De eu ser filho de
Maria
Sem ser Jesus nem
profano.
No Natal sinto-me luz.
No Natal sinto-me santo
Sendo só alma, no
entanto,
Sou homem como Jesus:
Tenho prazer, tenho
cruz,
Tenho família e amor.
Tenho paixões. Tenho
dor...
Mas o que eu mais
tenho é a fé
Que Jesus de Nazaré

